Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Eh lá! Not Normal Mr. Trump!

Bom dia, caros Amigos e Leitores.
É normal, Graças a Deus, termos cerca de 200 visitas por dia.
Também é normal, e compreende-se, que sejam, sobretudo, oriundas de Portugal e Moçambique.

O que não é normal, mesmo nada normal, é, às dez da manhã, haver quase uma centena de visitas oriundas da Terra do Tio Sam ou, nos dias que correm, da Terra do Tio Trump!

Huuummmm… aqui há gato…
Mr. Trump, and associates, I’m just a writer… 🙂 🙂 🙂 just a writer…
No politics involved! 🙂

jpv


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Livro da Coragem – 16 –

livro-da-coragem

– 16 –

Eu sou europeísta e quis sempre acreditar no projeto europeu. Quase como se, depois de séculos virado para os monstros do mar, Portugal se virasse para as pessoas em terra. Além disso, a ideia de uma Europa unida, livre, forte, sempre me pareceu fazer sentido ainda que houvesse preços a pagar, o que, nestes casos, é normal.

Percebe-se, pois, que, no âmbito do referendo britânico, o meu coração batesse pelo remain, pela permanência, e tivesse recebido com tristeza e desilusão a vitória do BREXIT.

Ontem, contudo, vacilei. Com tamanha crise a braços, com problemas tão profundos para resolver como sejam a situação dos refugiados e a crise económica de todos os estados-membro da União Europeia, só para relembrar dois, o que o senhor Schauble escolhe, para se divertir, é fazer um bluf com um suposto pedido de resgate financeiro que Portugal teria apresentado por não ter cumprido em 0,2 as metas que se propôs. Logo a seguir às suas palavras, os juros da dívida pública portuguesa cresceram em todas as frentes.

Acresce que o incumprimento da Alemanha, da França e da Espanha, por exemplo, é muito maior do que as duas décimas de Portugal.

Schauble não consegue resolver os problemas sérios da Europa, mas exerce uma chantagem infantil, patética e desnecessária com Portugal. Não se atreve a enfrentar os grandes, mas dá porrada com força nos pequenos. Não foi com esta gente que aprendi a ser europeísta.

Este tipo não sofre sanções? Não paga o prejuízo causado? Ninguém o repreende? Não pede desculpa? Não se demite?

Ontem, tive ganas de um PTEXIT e se houvesse um referendo, àquela hora tinha votado leave!

João Paulo Videira


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Crónicas de Maledicência – Daqui, eu vejo um país…

portugal

Crónicas de Maledicência – Daqui, eu vejo um país…

Daqui, eu vejo um país…
Preparado para o ébola, mas incapaz de resistir a um surto de legionella, nem tão pouco a perceber a sua origem.
[Nós, emigrantes, por aqui mais comummente designados de expatriados, não só temos uma visão distante da nação, como, mais do que por vezes os nossos irmãos pensam, sofremos na pele as consequências do que se passa em Portugal. Seja porque sofremos consequências diretas, seja porque as sofremos de forma indireta, nomeadamente, pela confrontação das misérias da nação. Viver no estrangeiro não é estar mais longe. Bem pelo contrário. É ser um símbolo, alvo fácil, de tudo o que se diz e faz em Portugal. Desde os resultados do futebol, às politiquices caseiras ou às opções e atitudes de política externa. Recentemente, ouvimos com espantado agrado que Portugal estava preparado para um surto de ébola, caso o mesmo viesse a registar-se. Afinal, dizem-nos por aqui, viver na África subdesenvolvida é mais seguro. A água até pode nem ser potável, mas a população sabe! A incapacidade para lidar com o fenómeno legionella deixa-nos preocupados com os nossos familiares e apreensivos em relação às verdadeiras capacidades do país para reagir ao que quer que seja.]

Daqui, eu vejo um país…
Decente e civilizado, mas a transformar a casa da democracia num circo sem dignidade.
[A chocarreira pouco digna em que se transformou a Assembleia da República de que foi protagonista o Dr. Pires de Lima, infelizmente, não é um fenómeno próprio de um partido. É uma recorrência transpartidária que, de quando em vez, envergonha os portugueses um pouco por todo o mundo. A Assembleia da República não é um bordel, não é um café, não é uma discoteca. É a casa onde se asseguram os nossos direitos e definem os nossos destinos. Nem se coloca a questão de ter razão ou não. Perdeu-a de imediato. Não pode habitar a AR quem age assim, seja de que partido for.]

Daqui, eu vejo um país…
Muito democrático, mas onde a Assembleia da República se preocupa mais com o Orçamento da Câmara de Lisboa do que com o Orçamento Geral do Estado.
[A discussão do Orçamento da Câmara de Lisboa, tenha a importância que tiver, emane de quem emanar, nomeadamente, no caso presente, do homem que ensombra a continuidade do atual Governo, não pode sobrepor-se àquilo que nós, portugueses, realmente precisamos: que se discuta e esclareça o Orçamento Geral do Estado. Quem está de fora pensa: ‘O Costa já ganhou. Até consegue ofuscar o OGE com o Orçamento da Câmara de Lisboa!’, mas a verdade é que o facto é preocupante porque é um sinal inequívoco de que as políticas se exercem em nome da continuidade do poder e não pelo debate e aplicação das ideias.]

Daqui, eu vejo um país…
Que anuncia, ao mesmo tempo, como se fossem fenómenos desligados, a diminuição da taxa de desemprego e o aumento do abandono dos seus jovens para o estrangeiro.
[Apareceu uma figura a provar com matemáticas diversas que a Taxa de Desemprego tinha baixado. Aceito sem discutir. Não sou, nunca fui, bom a Matemática. Mas penso. E não ouvi nesse arrazoado falar dos milhares de jovens que não estão em Portugal porque não conseguem lá viver. Esses, quer queiramos, quer não, são desempregados do nosso país. Ninguém abandona a Pátria como primeira opção de vida. Abandona-se a Pátria quando a vida se torna, nela, insuportável, sem esperança, prenhe de barreiras e cega de oportunidades. E essa é a mais grave e doentia forma de desemprego. É aí que habita o cancro. Passar por cima desses números, é ignorar os sacrifícios dos que partem com a esperança de um dia voltar. Essa esperança tombou pesada e teima em não reerguer-se.]

Daqui, eu vejo um país…
Com excelentes condições para se viver, mas onde se não consegue viver.
[Sempre que os portugueses expatriados comparam Portugal com qualquer outro país, nomeadamente, aquele em que estão a viver, a nossa terra sai a ganhar. É sempre o melhor sítio para se viver, é sempre o local onde tudo é melhor. E é! Mas já vamos evitando falar nisso porque, não raro, surge a pergunta, ‘Então porque é que não está lá?’ O irónico é que ninguém percebe a resposta ‘Porque não posso’. A verdade, é que Portugal tornou-se tão evoluído, os seus equipamentos sociais são tão bons, as condições de vida são tão fantásticas, que o país deixou de estar ao alcance do português comum. E nasce aqui o paradoxo social do ‘País demasiado desenvolvido”. O país são as pessoas, antes de mais. E as pessoas ou sofrem imenso por estar em Portugal, ou não conseguem lá estar. Depois há os outros, aqueles para quem o Paraíso foi erguido. Mas esses são um minoritário grupo de privilegiados…]

Daqui, eu vejo um país…
Com excelentes trabalhadores, mas cujo mérito é sempre reconhecido no estrangeiro.
[A malta aqui até já se ri. E gozam connosco! Sempre que um português tem um sucesso estrondoso, sempre que o seu mérito é social e profissionalmente reconhecido, isso acontece fora de Portugal. Das duas uma, ou os portugueses só têm comportamentos de excelência fora da terra natal, ou os portugueses de excelência estão todos fora do país, ou o país não vê e não reconhece o mérito dos seus cidadãos. É um penoso motivo de orgulho ler as notícias de grande sucesso dos portugueses e constatar que ou são notícias de reconhecimento de terra aliena, ou são notícias de reconhecimento em terra aliena.]

Daqui, eu vejo um país…
Muito preocupado com o estado da Nação, mas onde as casas políticas se digladiam pelo poder através do insulto pessoal, sem debate real de ideias e onde a tal Nação é preterida em nome de jogos de interesses.
[Quando as situações de crise se agravam, seria de esperar uma espécie de toque de recolher armas e trabalhar em prol de um bem maior, o estado da Nação. Não acontece. A primazia é invariavelmente a da divisão, a procura, antes de mais, do que divide os responsáveis pelo país e não aquilo que os deveria unir. Não há inocentes. O primeiro que se auto-proclamar inocente constitui-se, ato contínuo, culpado. Quem está de longe, não de fora, olha com desespero e incredulidade para as opções discursivas, os insultos, as picardias e a confrangedora falta de soluções que os políticos apresentam.]

Daqui, eu vejo um país…
Preocupado, tão preocupado, que os reality shows ganham nas sondagens logo seguidos das transmissões de futebol.
[Ou é o Sporting que perde, ou é o Porto que empata, ou é o Jesus que dá uma entrevista, ou são as diversas Casas com poucos segredos, ou são as tardes da Maria e as maratonas televisivas em que é sempre possível fazer fortuna com uma simples SMS, tudo isso invade as televisões e as notícias cibernéticas. Quando se tenta fugir a essas rotinas, embate-se no sensacionalismo vazio do homem que se suicidou com dois tiros de caçadeira e anda a monte! Cultura… Educação do gosto… O primado da qualidade na produção, isso são coisas raríssimas. Quase parece que alguém anda a entreter alguém… Uma coisa é certa, e disso não nos podemos queixar, todos sabemos em tempo útil e atualizado, como vai a vida emocional, gastronómica e a saúde física do CR7. Mai nada.]

Daqui, eu vejo um país…
E o que vejo é-me livremente oferecido pela televisão… ao longe. Imaginem, se olhasse de perto…
[Olhar de longe não é ver menos, mas, admito, pode falhar-nos o pormenor. O mais grave, penso, é que nós, portugueses, não sabemos da missa nem a metade. O que nos chega é escrutinado, selecionado, tratado e apresentado, na maior parte dos casos, já com os juízos de valor construídos. Aqui, longe, mora a preocupação e a impotência. O desespero. E mora, também, a certeza de que a verdade nos é servida às fatias, só aquelas que conseguimos engolir e pagar, à vez, e depois surgem outras, e outras, e outras, e acabamos a perguntar-nos, todos, porque pensamos nos nossos filhos e nos nossos netos, ‘Mas isto não tem fim’? É preciso que estas trevas, é preciso que este tolhimento tenham fim. É preciso que os nossos descendentes herdem um pouco mais do que esta trapalhada sócio-económico-política em que se transformou um país que em tempos valeu a pena. Olhamos em volta e não vemos as almas grandes. As maiores. E somos portugueses… todos…]

jpv


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“De Negro Vestida” no Brasil

"De Negro Vestida" chega ao Brasil pela mão da Livraria Cultura

“De Negro Vestida” chega ao Brasil pela mão da Livraria Cultura

Caros Leitores e Amigos,

É com grande satisfação que venho informar-vos que o romance “De Negro Vestida” já pode ser adquirido no Brasil.

Ele está disponível online no site da Livraria Cultura. Pode aceder ao link direto aqui ou clicando na imagem.

Durante a redação do livro e após a sua publicação em Portugal e em Moçambique, muitos amigos e leitores brasileiros manifestaram o desejo de ver o livro à venda no Brasil. Pois então, amigos, já está!

Boas Leituras!

jpv


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Rapidinhas da Copa – Desceu o Pano

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Rapidinhas da Copa – Desceu o Pano

É atribuída a Gary Lineker, avançado inglês, a frase “No futebol são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha”. Esta frase enferma de imprecisão. O que Lineker disse, exatamente, foi o seguinte: “O futebol é um jogo para 22 homens, 11 de cada lado. Os jogadores chutam a bola de um lado para o outro. A bola tem de entrar numa baliza, defendida por um guarda-redes. O jogo demora 90 minutos e no final ganha sempre a Alemanha.”

E a sentença cumpriu-se. Ganhou uma das melhores equipas em campo na Copa 2014. As que eu gostei mais foram mesmo a Holanda e a Colômbia, contudo, a Alemanha, mostrou-se muito organizada, muitíssimo eficaz e defensivamente muito segura.

Este Campeonato do Mundo foi, na minha opinião, o mais espetacular de sempre. Teve de tudo um pouco. Trouxe a lata de espuma para a barba a marcar o traço contínuo da barreira, trouxe o olho de falcão a ajudar o árbitro nas decisões difíceis, trouxe paragens intermédias, uma espécie de intervalos mais pequeninos, para os jogadores se refrescarem, teve arbitragens com decisões muito duvidosas, teve agressões em campo, teve agressões em campo por jogadores da mesma equipa (!), teve golos salvadores, mesmo na última jogada, teve prolongamentos, teve penaltis concretizados e defendidos, teve golos do outro mundo como os de Van Persie à Espanha e o de James Rodrigues ao Uruguai, teve dentadas em campo, teve jogos com muitos golos, mais do que um 4-0, um 5-1, um 5-2 e um 7-1. Teve imensos golos. Teve saídas prematuras de candidatos ao título, teve o descalabro da canarinha que em dois jogos sofreu dez golos e marcou um. Teve árbitros que intercetaram jogadas e houve mesmo um que, inadvertidamente, fez um passe e desmarcou um jogador, teve lesões graves, houve sangue em campo, teve equipas sensação como a Costa Rica e a Colômbia e teve lágrimas dentro e fora das quatro linhas. Teve seleções, como a portuguesa, com grande nível estético no âmbito das barbas e dos cabelos e das tatuagens, mas com poucos argumentos além desses. Teve quem gozasse com Portugal, chamando-lhe de “piada”, mas depois teve de engolir a gozação da pior forma. Teve uma belíssima cerimónia de abertura e teve uma organização soberba e nisso, o Brasil está de parabéns.

Sim, houve mais coisas nos últimos trinta dias do que a Copa 2014, mas tudo isso interessou muito pouco. O folclore multinacional do torneio dominou as cores, a paisagem, os noticiários e as conversas. E agora, cada um de nós, volta ao seu quotidiano, às suas rotinas até que em 2018, na Rússia, volte a haver tudo isto de novo!

jpv


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Rapidinhas da Copa – As Esquisitices do Portugal vs EUA

copa brasil 2014 futebolRapidinhas da Copa – As Esquisitices do Portugal vs EUA

O jogo de hoje, entre Portugal e os Estados Unidos esteve repleto de coisas esquisitas.

1 – Ainda antes do jogo começar, tocava o hino dos Estados Unidos, e o seu treinador, Jurgen Klinsman, que é mais alemão que as coisas alemãs, cantou aquele hino a plenos pulmões. É engraçado porque os treinadores de seleções que não são do seu país costumam ficar em silêncio. Já o Klinsman interiorizou o seu papel de tal forma que sabia a letra melhor do que alguns jogadores americanos.

2 – Portugal marcou cedo. Já é esquisito ter marcado. O facto de ter sido cedo deu aquela sensação de desconfiança, Isto começa demasiado bem para acabar bem!

3 – Portugal deve ser a única seleção que até ao momento sofreu um golo de… barriga!

4 – O jogo parecia um daqueles jogos das modalidades esquisitas, tipo o basquete e assim em que se pode pedir desconto de tempo. A humidade era tal que, ao mais pequeno pretexto, os jogadores de ambas as seleções juntavam-se na linha lateral para beber aguinha.

5 – Ao fim de 185 minutos a jogar, Portugal marca, finalmente, um bom golo. Mas é um golo esquisito. É que a nossa seleção está eliminada, não há qualquer hipótese verosímil de passar à próxima fase, o mais certo é, mesmo, ficar em último no grupo, mas este golo cria a cruel esperança de passar caso vença o Gana por vinte e sete a zero e a Alemanha ganhe aos EUA por trinta e dois a um.

6 – Outra coisa esquisita é que a Seleção Portuguesa levou vinte e três jogadores, mas só já tem dezoito disponíveis. Quatro por lesão e um por castigo. Se isto continua assim, o Ti Manel da lavandaria ainda vai jogar a defesa esquerdo!

7 – Por fim, a mais esquisita das esquisitices. O nosso querido CR7 parece ter desapontado a pontaria. Não conseguiu mandar uma bola na direção da baliza e fez mesmo a figura inédita de atirar algumas demasiado vesgas para ser verdade. Talvez aqueles boatos todos de que ele estava lesionado, mas ia jogar ‘só’ a cem por cento, fossem mais do que boatos.

A frase que se vai dizer com mais frequência nos próximos dias é “Enquanto há vida, há esperança!”, mas é importante sermos honestos e desenganarmo-nos. Portugal é a equipa que pior joga neste grupo e uma das piores deste torneio. Merece vir para casa. É uma equipa fisicamente gasta, sem energia, sem disciplina tática, sem capacidade de pressão e com muito pouco rasgo individual. Estamos numa fase de renovação. Pois então renove-se!

jpv


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Rapidinhas da Copa – Roda Bota Fora

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Rapidinhas da Copa – Roda Bota Fora

Quando eu era miúdo, organizávamos uns torneios de rua ou no recreio da escola a que chamávamos “roda bota fora”. Basicamente, quatro calhaus a marcar duas balizas que não tinham de ser do mesmo tamanho, se um dos guarda-redes fosse mais pequeno, a baliza dele seria menor, duas equipas a jogar, outras à espera, a que perdesse saía e a que ganhasse continuava em jogo. Aquilo era coisa rápida, muda aos dois, acaba aos quatro, para os outros não terem de esperar muito. Normalmente, quem jogava melhor continuava, quem jogava pior, perdia e saía.

Na Copa 2014 não tem sido assim. Há seleções que se despedem jogando muito e bom futebol, mas a crueldade do jogo dita a tradicional injustiça. Se é verdade que a Holanda e o Chile passeiam um futebol de grande qualidade e com ele parecem garantir lugar na próxima fase, já a Austrália e a Inglaterra, jogando igualmente bem, têm sido traídas pela ingenuidade defensiva e pela falta de sorte. Entre os que se despedem e não deixam saudades, temos a desorganização total dos Camarões e a impotência dos espanhóis.

Depois há os assim-assim. Ainda não vejo na Alemanha um sério candidato e o Brasil, estando melhor, ainda tem alguma falta de objetividade. Os argentinos têm de fazer mais do que jogar com Messi e entre mexicanos e croatas, uma seleção de grande valor ficará para trás. Portugal, correndo tudo normalmente, vai para casa no domingo.

Já começou a dança do roda bota fora com desvantagem para as equipas africanas e asiáticas, algum domínio europeu e sul-americano. Nos próximos dias veremos com que desfecho. E uma esperançazinha nas barbas do Meireles!

jpv


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Rapidinhas da Copa – Alemanha vs Portugal

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Rapidinhas da Copa – Alemanha vs Portugal

Sem comentários. Jogámos mal, perdemos bem. O árbitro foi desastroso, a roçar o ridículo, mas não explica tudo! Nada está perdido desde que se mude de atitude.

Sem comentários, só os momentos que, na minha opinião, marcaram o jogo:

1 – O Patrício faz a primeira asneirada e quase oferece o 1º golo aos alemães. Foi para aí aos 2 min.

2 – O árbitro assinala um penalti inexistente a favor da Alemanha. Já tinha acontecido antes, por duas vezes, nesta Copa. Lamentável. O João Pereira foi anjinho na jogada. Não podia tocar no tipo.

3 – Portugal oferece dois golos de mão beijada por falta de concentração. A defesa imbatível estava de férias.

4 – Pepe é mal expulso, mas, tal como João Pereira, foi anjinho. Foi na provocação do adversário e fez-lhe o favor de ser expulso.

5 – O Patrício volta a mostrar o excelente guarda-redes que é e nem quando a bola vai contra ele a consegue defender. 3-0.

6 – Intervalo. Não houve parvoíces dos jogadores portugueses nem golos dos alemães.

7 – A 15 min do fim, o árbitro não assinala um penalti contra a Alemanha nem a consequente expulsão do defesa alemão. Até quem não acredita em bruxas começa a duvidar…

8 – A 13 min do fim, a Alemanha faz o 4-0 porque o Paulo Bento convocou o André Almeida e pôs o Patrício na baliza. Se o Patrício voltar a jogar neste mundial, então as bruxas existem mesmo.

9 – Final do jogo. Os portugueses, como sempre, começam a fazer contas! Vamos conseguir. Força Portugal!

jpv


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Crónicas de Maledicência – O Maior Espetáculo do Mundo

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Crónicas de Maledicência – O Maior Espetáculo do Mundo

Depois das manifestações, depois das especulações, depois de se ter garantido que tudo iria correr mal, a festa vai começar.

Começa hoje o mais vasto, o mais visto, o mais apaixonante e aquele que é, financeiramente, o mais volumoso espetáculo do mundo.  É evidente que há opções questionáveis. É evidente que, ao mesmo tempo que organiza espetáculos com esta dimensão, o Ser Humano não resolve as suas assimetrias, não soluciona os problemas culturais, sociais e ambientais.

Mas, será que se nos concentrássemos exclusivamente em resolver os problemas e não déssemos espaço à realização dos nossos eventos, à expressão da nossa cultura, os problemas se resolveriam? E em que medida valeria a pena resolvê-los? Por comparação, a indústria livreira deve ser das maiores responsáveis pelo abate de árvores e, contudo, alguém equaciona a possibilidade de pararmos de fazer livros?

A Humanidade está a enfrentar problemas sérios e tem de o fazer, mas não pode abandonar-se à esterilização da sua existência. Como já muita gente disse, o futebol é uma religião. Um lenitivo para os problemas do quotidiano e a perspetiva de ver em confronto nações e culturas dos quatro cantos do mundo encerra em si um interesse antropológico magnetizante. Entusiasmante. Conheço muitas pessoas que não sentem grande interesse pelo futebol, mas sempre que há torneios que envolvem seleções como sejam um mundial, um europeu ou a CAN, vestem as suas cores e torcem pela sua nação.

Além disso, o futebol é divertido. Há o interesse do jogo e há, à volta do jogo, uma multiplicidade de aspetos mais ou menos folclóricos que atraem e entusiasmam as pessoas.

Espero que a organização esteja à altura. O Brasil merece isso. Espero que haja jogos fantásticos. Espero que Portugal ganhe e, não ganhando Portugal, espero que os nossos irmãos brasileiros arrecadem a Jules Rimet! Espero que as pessoas se entusiasmem com o torneio. A verdade, gostemos ou não, é que o mundo vai parar por um mês! Tudo vai ser relativizado. Quem quer saber da dívida externa ou do buraco do ozono no dia em que o Brasil e a Croácia abrem o espetáculo dos espetáculos? E não há nisso qualquer maldade ou insensibilidade. É que a bola vai rolar e a Humanidade vai tirar férias da sua enfadonha vida de sempre.

Que ganhe o melhor!

Tenho dito!
jpv


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Crónicas de Maledicência – Um Tendão Pomposo

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Crónicas de Maledicência – Um Tendão Pomposo

Ainda o Mundial de Futebol 2014 não começou e Portugal, o país verdadeiro e profundo, já tem razões para estar agradecido ao evento e a alguns dos seus intervenientes. O futebol, por ser um desporto de massas, signifique isso o que significar e, por certo, significa muitas coisas, pode ser extremamente didático.

Até aqui, o português comum tinha joelhos. Depois da lesão de Cristiano Ronaldo, sabe que a essência do joelho é a rótula e sabe também que a rótula tem tendões que servem para qualquer coisa, nomeadamente, correr e dar pontapés na bola. Mas a didática da bola vai muito mais longe. Até aqui levávamos pantufadas nos joelhos, cacetadas, sarrafadas e, derivado das mesmas, ficávamos coxos. Agora já ninguém fica coxo. Os portugueses, por via de seu amado CR7, ganharam o direito a subir de meros coxos a pacientes que sofrem de inflamação do tendão rotuliano. Eu, que tenho vinte e quatro anos de serviço docente esforçado e brioso, nunca consegui ensinar uma tão complexa e extensa sequência vocabular em tão pouco tempo a tanta gente ao mesmo tempo. O futebol ultrapassa-nos a todos.

E isto tem as suas consequências positivas. Agora, o velhote vai ao médico e ai do dótôr que venha para cá falar do romático, ou da ciática, ou da artrose! Isso é vocabulário simplório e comum. Os velhos, agora, vão reclamar o nome apropriado no relatório do diagnóstico: inflamação do tendão rotuliano. Deve ser um tendão pomposo uma vez que lhe deram um nome pomposo que faz lembrar os nomes dos imperadores romanos e daqueles tipos de túnica branca que iam ao senado afacalhar-se uns aos outros depois de noites em loucas orgias. E quando o dótôr perguntar se a pessoa sabe do que sofre e qual a gravidade da doença, o paciente saca do baú da sapiência faustamente recheado em longos telejornais e mai-los programas da especialidade e os diretos e ainda os tipos em cima das motas atrás do autocarro e esfrega nas ventas do médico com todas as definições, sintomas, implicações e terapias relativas e apropriadas ao tratamento.

Isto é assim, caro leitor, investem-se milhões na Educação, em escolas, em vencimentos de docentes, em médicos, em publicidade institucional, em centros de saúde e a coisa resulta em muito pouco. Dinheiro mal gasto, está bom de ver! Já, por seu lado, o Cristiano Ronaldo e os amigos vão ao Brasil dar uns pontapés na bola e outros tantos na gramática e vai daí a população fica genericamente mais douta seja ao nível da Língua, seja ao nível dessa inesgotável ciência exata que parece ser a Medicina.

De resto, isto está tudo cruzado. Bem vistas as coisas, dá para perceber de que lado está a sabedoria. Por exemplo, tecnicamente, Cristiano Ronaldo e os outros vinte e dois juntamente com seu garboso treinador percebem mais da Constituição da República Portuguesa do que o Governo. E as contas são fáceis de fazer. Já alguém ouviu falar do Tribunal Constitucional ter chumbado o que quer que fosse do CR7 e seus amigos? Ah, pois não! Mas a oposição também não se fica a rir. Andava tudo numa lufa-lufa a ver se o Costa ganhava ao Seguro ou se era o Seguro que ganhava ao Costa, se iam a diretas ou se se ficavam pelas indiretas e vai daí o CR7 lesiona-se e os outros dois passam para horários menos nobres, deixam de abrir os serviços noticiosos e ficam entregues a uns especialistas duvidosos que falam depois das 22h. Tecnicamente, o Cristiano nem precisava de apresentar oitenta medidas. Bastava uma meia dúzia e todo o Portugal saberia do que se tratava e toda a Assembleia da República se curvaria às mesmas.

Isto é assim. Há o país real. E há aquele país para onde a gente foge sempre nos podemos escapulir ao país real. Ora, nesse outro país, há um imenso relvado, duas balizas, uma bola, vinte e dois tipos suados com tatuagens e cortes de cabelo criativos e não há lá coxos, há atletas que sofrem de inflamação do tendão rotuliano. E é para lá que emigramos todos. Sempre que podemos. E é por isso que dentro de quarenta e oito horas o país real, quer queira, quer não, vai entrar em auto gestão. Mai nada.

Tenho dito!
jpv