
Sou. Mas um benfiquista que não precisa de mais ninguém para ferver, como um sonhador, ao mais pequeno passe, a mais um excêntrico golo.
Não sou como aqueles benfiquistas que ficam muito alegres e depois muito tristes. Ser benfiquista, neste caso, é ver sempre as coisas positivas. O Benfica pode estar a apanhar 3-0 e eu estar alegre por ver as camisolas vermelhas a rolar sobre o relvado.
Eu sou benfiquista. E isso não é contra nada nem contra ninguém. É a favor da melhor jogada ou da pior. Não é comparar nada com ninguém.
Tanto me interessa que o treinador seja A ou B. Não me interessa. Os treinadores são só pessoas. E os jogadores do Benfica são deuses na Terra.
Por exemplo, não gosto quando o Benfica não usa o equipamento principal. Não é a mesma coisa. E não gosto quando joga fora. Eu sei que é obrigatório, mas não gosto.
Eu sou daqueles que põem os comandos numa certa posição, e faço sinais místicos durante o jogo e não atendo o telefone.
Ser do Benfica não é só por um jogo. Pode ser uma final, ou um jogo de um campeonato improvavelmente perdido. Tenho de sofrer da mesma forma.
Nunca sei quem é o próximo adversário e respeito-os sempre. Só tenho pena que não sejam do Benfica.
Ir ao Estádio da Luz é como ir estar com a família. É como ver ao vivo uma comunhão.
Isto, ser benfiquista, começou muito cedo. O meu avô ligava o rádio, eu riscava num papel o nome dos dois e a assinalava o evoluir do resultado. Nesse tempo meu avô tinha um galo benfiquista por cima de outro sportinguista e o irmão também tinha um, com as cores ao contrário. E eu celebrava cada vez que o meu avô colocava o galo por cima do irmão sportinguista.
Ver um jogo ao pé de mim, é preciso ter os ouvidos preparados. Pelo volume. E pelo conteúdo.
Nunca participei numa briga, porque para mim o futebol e o Benfica em particular, não era sobre brigas. Era uma festa. E é.
Costumo dizer que quando for dormir, o sono profundo, ponham-me uma bandeira do Benfica e um cachecol e uma camisola das minhas sobre o caixão…
Viva o BENFICA.
jpv









“Não, não foi a mudança que foi mágica, mas sim tudo o que aprendi com ela.”