Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Benfiquista

Foto por Cláudia. Maputo.

Sou. Mas um benfiquista que não precisa de mais ninguém para ferver, como um sonhador, ao mais pequeno passe, a mais um excêntrico golo.

Não sou como aqueles benfiquistas que ficam muito alegres e depois muito tristes. Ser benfiquista, neste caso, é ver sempre as coisas positivas. O Benfica pode estar a apanhar 3-0 e eu estar alegre por ver as camisolas vermelhas a rolar sobre o relvado.

Eu sou benfiquista. E isso não é contra nada nem contra  ninguém. É a favor da melhor jogada ou da pior. Não é comparar nada com ninguém.

Tanto me interessa que o treinador seja A ou B. Não me interessa. Os treinadores são só pessoas. E os jogadores do Benfica são deuses na Terra.

Por exemplo, não gosto quando o Benfica não usa o equipamento principal. Não é a mesma coisa. E não gosto quando joga fora. Eu sei que é obrigatório, mas não gosto.

Eu sou daqueles que põem os comandos numa certa posição, e faço sinais místicos durante o jogo e não atendo o telefone.

Ser do Benfica não é só por um jogo. Pode ser uma final, ou um jogo de um campeonato improvavelmente perdido. Tenho de sofrer da mesma forma.

Nunca sei quem é o próximo adversário e respeito-os sempre. Só tenho pena que não sejam do Benfica.

Ir ao Estádio da Luz é como ir estar com a família. É como ver ao vivo uma comunhão.

Isto, ser benfiquista, começou muito cedo. O meu avô ligava o rádio, eu riscava num papel o nome dos dois e a assinalava o evoluir do resultado. Nesse tempo meu avô tinha um galo benfiquista por cima de outro sportinguista e o irmão também tinha um, com as cores ao contrário. E eu celebrava cada vez que o meu avô colocava o galo por cima do irmão sportinguista.

Ver um jogo ao pé de mim, é preciso ter os ouvidos preparados. Pelo volume. E pelo conteúdo.

Nunca participei numa briga, porque para mim o futebol e o Benfica em particular, não era sobre brigas. Era uma festa. E é.

Costumo dizer que quando for dormir, o sono profundo, ponham-me uma bandeira do Benfica e um cachecol  e uma camisola das minhas sobre o caixão…

Viva o BENFICA.

jpv


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Fotobiografia de Ti

Foto por jpv. Hydra

“O vento trocou-me as voltas, trouxe-me depois, quem amo imensamente. Indefinidamente.”

jpv


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AMOR

Essa coisa indefenível
Como as coisas
Que se chamam coisas.
Essa impressão
Que fica no ar
Mesmo quando já não se nota
O teu passar.
Essa coisa que me traz preocupado
Com as simples tarefas
Do universo.
Essa coisa que deixa um perfume
Em prosa,
Ou em verso.
Essa coisa a que não quero chamar Amor
E que rodeio com perífrases
Do mesmo tipo.
Esse longo amar
Na cabana do Tofo,
Ou um beijo trocado
No Dhow ao chegar.
Passou continentes
E olhou-te de surpresa
Após o AVC.
Essa coisa que ainda
Ontem fizemos,
Sem vergonha nem pudor.
Essa coisa,
Assim pura,
Chama-se Amor.

jpv


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Solitária Tortura

Quero pecar
Os meus pecados.
Não posso deixá-los para trás.
Quero acariciá-los
Como se acaricia
Uma existência.
Um prazer breve e fugaz.
Quero os excessos
E as luxúrias.
A presença
De todas as coisas
E a sua ausência.
O lume a arder
E o seu reflexo
Na taça de vinho abandonada.
A luz do luar
Na tua pele desnudada.
Quero do teu choro
A erótica heresia.
Quero o teu corpo
Na minha língua
Sabendo a maresia.
E quero que me faças
Uma oração
Submissa e tentadora.
A prece dos pecadores
Sob a rotina redentora
Do amor.
E hás-de ser minha
Para sempre.
E sempre será o que quisermos.
Será o tempo de um beijo.
Um lânguido beijo deleitoso.
Ou então uma eternidade.
A eternidade de acolher-me em ti
Sem chão, nem mar, nem radar.
Só o toque cego e prazeroso
De quem tenteia a felicidade.
E peco.
Peco o pecado de fechar-me
Para o Universo
E ressuscitar em ti
Pelo toque,
Pelo urro,
E pela palavra feita verso.
Não quero o pecado
Pelo pecado.
Quero o pecado
Do teu desejo
A arder-me na carne.
Quero as tuas unhas
A arranhar-me
Como um náufrago perdido.
Teu corpo único
A meus prazeres estendido.
E quero saber
Que sabemos
Que pecamos.
Consciência inútil
E vital.
Quero finalmente acreditar
Que vieste a ser minha.
E quando, à noitinha,
Encostares teu corpo
Ao meu
Antes de dormir.
Quero estar pronto para partir.
E levar comigo nossos pecados
Envoltos em ternura.
E algum que nos tenha escapado
Seja da alma, em paz,
A solitária tortura.

jpv


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Prece à Deusa do Amor

Amor meu, que te expões na cama,
Sacrificado seja o teu corpo
À minha chama.
Venha a mim a tua carícia,
Seja feita a nossa vontade
Com luxúria e perícia,
Assim no leito como no chão.
Perdoa-me as minhas ausências
Assim como perdoo
A quem me tem cativo
Da mais doce tentação.

jpv


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Vertigem

Na vertigem da palavra indizível,
A hesitação sobrepõe-se
E estende-se o manto do silêncio.
Impossibilidade. Mudez.
Eco da dor que atormenta.
Navegação à vista
Quando a procela aumenta.
Perdido. Como louco.
Indagando a melhor opção
À falta de poder nenhuma.
Reinventei os passos.
Cresci.
E, depois,
Já navegando outros índicos mares,
Outras sossegadas águas
e outros vagares,
Então me lembrei,
Como se sempre
Fora óbvio,
Límpido e sem engano:
Bastara dizer-te
Que te amo.

jpv


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Círculo Perfeito

Nem Deus
Nem o Diabo
Me chamam.
São os teus braços.

Nem a luz
Nem o breu
Me convocam.
São os teus braços.

Nem a coragem
Nem o medo
Me incitam.
São os teus braços.

Abraços de luz.
Olhos trémulos,
Lábios de amor
E uma palavra que conduz
Ao Mundo e…
De volta aos teus braços.

jpv


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Iago 31!

No dia 11 de setembro de 1990, há exatamente 31 anos, nasceu o Iago, meu filho, minha alma, meu sopro.
O Iago não veio a este mundo para ser mais um de nós.
Veio para ser um exemplo de coragem, um farol de integridade, um misto de rebeldia e resiliência.
A sorte é minha, foi sempre minha, de o ter no meu caminho, de ter o privilégio de o ver crescer, de o ver superar, de o ver alcançar, um a um, os objetivos a que se propôs.
O Iago foi sempre uma bênção na minha vida. O filho que qualquer pai quer ter e digo mesmo mais, conseguiu superar todas as minhas falhas como pai e selecionar com rigor e escrúpulo os ensinamentos efetivamente válidos. É um filho que aprende e ensina, que ouve a orientação e orienta.
É um orgulho.

E agora é pai e sei, com toda a certeza, que vai ser, já é, um grande pai.

O Iago merece ser rodeado de todo o Amor que conseguirmos encontrar em nós e merece um dia, uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira e uma eternidade de felicidade plena. O Iago merece que estejamos indefetivelmente ao seu lado para que possamos fortalecê-lo ainda mais. Os fortes não o mostram, mas também eles precisam de força exógena, de carinho, uma mão no cabelo, uma festa na face, um beijo, um abraço forte e demorado.

MUITOS PARABÉNS MEU QUERIDO FILHO!
AMO-TE TANTO QUANTO É POSSÍVEL AMAR-SE UMA PESSOA!

Aí ficam 31 fotos para celebrar 31 anos!

Obrigado, Iago!

Pai.


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You Are

You are the Shoe
To my foot.

You are the Water
To my thirst.

You are the Salt
To my meal.

You are the Paper
To my poem.

You are the Guitar
To my music.

You are the Voice
To my song.

You are the Sand
To my beach.

You are the Sun
To my skin.

You are the Sea
To my sailing.

You are the Landscape
To my eyes.

You are the Bible
To my faith.

You are the Body
To my fantasy.

And if, for some reason, somehow,
Somewhen,
You discover I’m one or two
Of these things to you,
Maybe,
Maybe then,
My love,
We have a love affair.
So, my dearest, do not despair.

jpv


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Culpa sem Castigo

Não adormeces, nunca,
No meu coração
Onde bate, sempre,
A tua presença.
Forte.
Há na minha pele
Um mapa tatuado
Onde meus braços te procuram
E meu corpo abandonado
Se entrega à memória de ti.
Correste o Mundo
Na luz do entusiasmo
E nunca saíste daqui.
Viste o que eu não vi
Suaste o suor da audácia
E percorreste o pó
Dos caminhos onde não fui.
Nunca estive à altura
De teus céus
E tuas florestas profundas.
Nunca saltei as barreiras
Que te fizeram gritar de emoção.
Nunca ouvi outra canção
Que não fosse a de amar-te.
Faltou-me o golpe de asa,
Faltou-me a arte.
E voei embalado
Nos teus cabelos loiros
Esvoaçando ao vento.
Sou culpado, sim,
E criminoso.
Jamais isento
De querer reter-te entre as mãos
De que fugias.
Não sei onde estás.
Sei que ocupas meus dias.

jpv