Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Gritos – O Sentido

2014-12-28 23.54.13

Jogar pelo seguro

É uma merda.

A vida não se prende

Nem se herda

Nem se entrega

Para viver.

Suga-se.

Usa-se.

Gasta-se em cada palavra irrefletida

E em cada gesto inesperado.

Tudo o resto é mentira.

Adiar inevitável do fim.

Na vida,

Há só uma e única maravilha,

A consciência de que cada instante

Tem de ser vivido

Em êxtase

E frenesim.

Qualquer plano

É um plano a mais.

O único caminho

É atravessar os pinhais,

Voar os céus,

Mergulhar no mar bem fundo

E acordar do outro lado do mundo

Com um par de botas gastas,

Um pouco de nada na algibeira

E a consciência intacta

E inteira

De não ter prometido nada,

De não ter cumprido nada,

De não ter falhado nada.

De ter vivido tudo.

Não querer, não ter,

Não possuir.

Viver cada dia

Com o sentido único

De usufruir.

E tu, alma errante e indecisa,

Não te arrependas do que deixaste  por fazer.

Não havia nada para fazer!

A segurança é uma prisão,

Uma alma agrilhoada.

Um velho decrépito

Que acumulou tudo

E agora não tem nada.

Preserva um olhar,

Um momento contemplando o horizonte,

Guarda um abraço,

Um sol por cima do monte,

E o recorte dos sobreiros.

E guarda um beijo

Desenhado em lábios de desejo.

E um corpo oferecido e nu.

Guarda para ti, sempre,

O único e irrepetível sentido

De seres tu!

jpv/dezembro 2014


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Os Votos de MPMI para Esta Quadra Natalícia

mano-e-manaFeita a jornada de trabalho e a viagem que ligou Maputo a Joburg, feito o caminho aéreo e incerto que nos retrouxe a casa na velhinha e charmosa Europa com muitas peripécias pelo meio, até um avião avariado, o que vale é que eu saí do avião e vim cá fora dar um empurrão, foi tempo de reencontros e novas aventuras e até novas pessoas nas nossas vidas.

E porque tudo isto são milagres de vida, o mano e a mana deste blogue vêm desejar a todos os leitores, amigos e familiares, uma Natal repleto de harmonia, de alegria, de doces, de música, de amor, de família… e um novo ano a superar todas as expectativas!

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

jpv


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Modo de Voo

voo

Longe.
Distante.
Dias e horas me separam
Desse abraço que anseio.
Queria já o momento
Saltando o que fica pelo meio.

Sem tecnologias,
Nem crédito, nem saldo,
Nem luz que anuncia
Ilusória presença.
Só tu e eu
E a deliciosa sentença
De um abraço,
Queimando o tempo
Suprimindo o espaço.

Falta ainda o asfalto
Cá em baixo,
E aquele outro lá no alto,
Impreciso e etéreo trilho,
Que começa no meu peito
E termina junto a ti, filho!

jpv


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A Paixão de Madalena – Capítulos 33, 34 e 35 (Excertos)

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Esta publicação apresenta excertos dos capítulos 33, 34 e 35 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve. Estes são os três últimos capítulos do livro. Até breve.

A PAIXÃO DE MADALENA
LIVRO V – FIAT LUX

33. Patrocínio Paixão fora sempre uma alma boa e na sua mente os factos, os problemas e as situações eram processados um de cada vez na sequência que entendesse ser a mais lógica. E assim se percebe que, quando fez amor com Maria de Jesus, estava só amando a mulher da sua vida, não estava traindo seu irmão porque não seria capaz dessa maldade. E por isso quis conversar com ele depois, e por isso sofreu a sua violência sem queixar-se e depois o seu desdém e a sua distância. Patrocínio Paixão acredita que todas as pessoas são boas, em particular, Manuel Paixão que lhe ensinou a ir aos ninhos, a armar costilos, a pescar à bóia e ao fundo, a andar de bicicleta e de mota e, indo mais longe no tempo, lembra-se, até, de ter sido ele quem lhe ensinou a dar um laço nos atacadores.

34. Mariana e Jacob não nasceram irmãos, mas foram criados como irmãos, foram amados como irmãos e cresceram como irmãos. Não se estranhou, por isso, que, quando veio a ser mãe, Mariana tivesse escolhido Jacob para padrinho de batismo da bebé a que chamara Dulce Felício. O apelido era do pai e o nome fora escolhido porque aprendera na escola que Dulce vinha do latim e queria dizer doce. Ora, Mariana queria a filha com a doçura de caráter do irmão, Jacob, agora seu padrinho.

35. É isto um jardim. Ouve-se o zumbido das cigarras sob o calor de julho e a água correndo em carreiros por entre as árvores que dão a sombra onde ela se senta. Criara o hábito de contar-lhe histórias no jardim. Fadas, princesas, príncipes a cavalo, reis autoritários e o amor que tudo vence. Há pouco, a doce menina, Dulce chamada, chegou-se ao pé dela e pediu:

– Vovó, contas-me uma história?
– Claro, minha querida. Pequena ou grande?

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[O presente texto constitui um excerto dos Capítulos 33, 34 e 35 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 32 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 32 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

 A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO V – FIAT LUX

32. Albertina foi mãe duas vezes. E duas vezes teve as alegrias de ser mãe e duas vezes as tristezas da maternidade. Tentou ser livre e educar na liberdade. Para a liberdade. Conseguiu, pode dizer-se, mas a liberdade tem o vicioso costume de fazer-se pagar. Caro. Educou no amor e para o amor e trouxe-lhe isso fartura de afetos, de alegrias e de desilusões e tristezas. Fez sempre aquilo em que acreditou e foi livre sempre que a vida a deixou.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 32 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 31 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 31 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA
LIVRO V – FIAT LUX

31. Maria de Jesus sofreu sempre. Até com o regresso da filha. A solidão e o desespero foram suas principais maleitas. Tivera um momento de felicidade com Patrocínio. Um momento de entrega livre e apaixonada e sacrificara toda a sua vida por esse momento. No início, logo após a partida de Albertina com as meninas, Manuel Paixão fora muito rigoroso. Fechou-a em casa, não permitia que saísse, exceto um domingo por mês para se ir confessar pela manhã e depois assistir à missa. Ele próprio se encarregava de a insultar e de a maldizer em público durante a semana e depois, ao fim de semana, quando ela saía vestida de negro, de luto por si mesma e pela vida que lhe coubera em sortes, com um imenso véu a cobrir-lhe o rosto, tinha de ouvir os comentários despudorados que o marido incentivara ao longo da semana.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 31 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]

 


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A Paixão de Madalena – Capítulo 30 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 30 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA
LIVRO V – FIAT LUX

30. Marcelle e Mark tornaram-se presenças distantes, os seus contactos eram escritos, por e-mail. Não se escreviam com frequência, em pequenas mensagens, a contar episódios da sua vida, como correra isto ou aquilo. Escreviam-se pouco, três ou quatro vezes por ano, mas quando o faziam, eram longas missivas carregadas de ilusões, de desilusões, de aventuras amorosas, de desventuras, de projetos profissionais, de emoções e saudades. Continuaram a comunicar-se como se estivessem juntos de quando em vez e continuaram até a fazer planos para coisas que haveriam de fazer quando estivessem uns com os outros, mas a verdade é que não se viam desde Joanesburgo. Marcelle entusiasmou-se com a separação de Madalena e Pablo Sentido, disse que a visitaria na aldeia. Precisava vê-la, estar com ela, a viagem do Canadá a Portugal seria baixo preço a pagar por estarem juntas. E veio mesmo. E esteve uma semana com Madalena. O suficiente para a amar com volúpia e desejo redobrado e o suficiente para aperceber-se de que, naquela fase, não havia espaço para si na vida de Madalena.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 30 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 29 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 29 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA
LIVRO V – FIAT LUX

29. Manuel Paixão baixou ao hospital em situação de emergência e risco de vida. O homem secara todo o terreno dos afetos à sua volta e era, por isso, uma criatura isolada e só. O pai, Toino Madeireiro, falecera debaixo de um trator que se virara quando ele andava a lavrar terrenos e deixou a Manuel o negócio das madeiras. Era tudo o que tinha. O negócio. A mãe morrera velhinha e entrevada a balbuciar umas palavras que ninguém entendia, a não ser Maria de Jesus, e que diziam qualquer coisa como Faz as pazes com o teu irmão.

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 29 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]


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A Paixão de Madalena – Capítulo 28 (Excerto)

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O presente texto constitui um excerto do capítulo 28 do Romance “A Paixão de Madalena” que publicaremos em breve.

A PAIXÃO DE MADALENA

LIVRO V – FIAT LUX

28. Notou ela que, recentemente, as saídas dele são mais frequentes e por menos tempo. Exatamente como se, em vez de serem fugas à rotina, aventuras de retomar forças, fossem agora visitas de acompanhamento. Até aqui, Pablo saía por duas ou três semanas, uma ou duas vezes por ano. Foi impossível não reparar que nos últimos dois meses saíra quatro vezes por dois dias. Seguiu-o de táxi. E não teve surpresas. O que viu magoou-a profundamente, mas não pode dizer-se que a tenha surpreendido. Era um prédio de meia dúzia de andares. Pablo entrou. Demorou-se pouco. Saiu com uma moça substancialmente mais nova do que ele. Até aqui, tudo normal, dentro do combinado…

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[O presente texto constitui um excerto do Capítulo 28 de “A Paixão de Madalena” a publicar em breve em livro. Boas leituras!]