Silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo

Silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo
Hoje vi,
Com os olhos da imaginação,
Uma silhueta de mulher
com por do sol ao fundo.
Tinha um recorte elegante
E uma fina figura
Viam-se claramente
Os contornos da ternura.
Era uma sombra
Prenhe de vida e de voz.
Era um sorriso doce
e um toque suave.
E havia sensualidade naquela imagem,
Havia poderes emanados do coração.
Sem ti, mas contigo,
Senti-me capaz de mover o mundo,
Ao contemplar na minha imaginação
Uma silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo.
jpv
Citação com resposta
O Dia da Saia
Post Azul
Musa não és

Musa não és
Musa não és!
Perecíveis são as musas,
Envelhecem e perdem energia.
E tu,
Continuas a acordar-me o dia,
A preencher-me a alma,
A agitar-me o coração,
A empurrar-me a mão
Para o papel
E a desenhar através de mim
As palavras do génesis
E do fim.
Trago o teu olhar brilhando no meu,
Trago o teu sorriso no meu rosto,
Trago no meu peito teu gesto terno.
És meu calor de Agosto,
Minha chuva de Inverno,
Meu vento na vidraça,
Uvas entre os dedos,
Saudável epidemia que não passa,
Exorcista de meus medos.
Não sei se vivo em ti,
Não sei em que medida.
Sei que me invadiu o ser
Uma absurda vontade de vida.
Respira e viverei,
Caminha e andarei,
Mas não me toques
Que ao tocar-me
Abres um abismo fundo,
Um descontrolo total,
Um fim de mundo,
Um querer absurdo,
Uma voracidade
E uma posse.
Um delírio de desejo
Que se materializa
No próximo beijo
Por dar!
E toca-me,
Mostra-me a minha finitude,
Ensina-me que se chama completude
Ao esbater das fronteiras
Do meu corpo no teu.
Não sei o que és.
Sei que musa não és.
De ti não me vem só a inspiração.
Vem-me a vontade, a ilusão,
O desejo, a harmonia,
O começo
E o fim do dia.
E vivo suspenso de ti.
Adiado.
Até que o eco dos teus gestos
Acalme o palpitar deste peito
Docemente subjugado.
jpv
Passada

Passada
Há qualquer coisa de incerto
Nesta passada,
Uma névoa de futuro.
Mas quero acreditar
Que pode construir-se um rumo
Mesmo que o passo seja inseguro.
Não temo a desilusão
Nem o Fracasso
Temo só pela revelação
Deste meu incerto passo.
Quero ancorar-me nas convicções,
Quero dar o que tenho e posso,
Quero que o fundamento das minhas ilusões
Seja a humildade do meu passo.
E farei.
Farei bem feito e com defeito.
Mas que haja a certeza
No caminho que se trilhou
Que não vive em mim
O português que se negou.
jpv
Agradecimento
capacidade de trabalho. É proprietária da Funerária Conde, no Entroncamento, e quando me viu entrar pela loja dentro a fazer perguntas sobre o seu negócio por causa de um romance, em vez de me chamar maluco e pôr na rua, recebeu-me com simpatia e conversou comigo sobre tudo o que lhe pedi, mesmo sobre alguns assuntos mais duros. Não só fiquei a conhecer um mundo que desconhecia, como me apercebi de algumas das suas adversidades, dos problemas que podem surgir e sobretudo, da importância deste trabalho e da coragem que exige. Qualquer coisa está para acontecer
Não sei se acontecerá. Não sei quando acontecerá. Sei que este espectro da crise, de uma forte e severa crise, arrasta consigo outros cenários. Cenários de uma violência sem precedentes. Cenários de destruição, caos e morte, que são os ingredientes da “limpeza” que antecede o vôo da Fénix. Acredito que renasceremos mas temo. Temo por não saber o que nos espera entre o momento que vivemos e o dia de nos reerguermos.
Boa Semana de trabalho
Boa semana de trabalho, caros leitores e amigos. Esta vai ser das duras!




