Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Diz-me como falas…

Há povos com pendor para a síntese. E há povos com pendor para a análise. Da mesma forma, há povos palavrosos e há povos mais reservados. E estas tendências cristalizam-se nas grandes obras e cometimentos, mas, sobretudo, nas pequenas coisas, nos pequenos gestos do quotidiano.
Hoje lembrei-me disto porque andei de metro.
Há uns tempos estive em Londres e a frase mais frequente no Metro londrino é “Mind the Gap”. Com três palavrinhas apenas, a empresa do Metro de Londres diz, de forma sintética e incisiva, aos seus utilizadores, para terem cuidado com o desnível entre a máquina e a plataforma ao entrar e sair do Metro. Este anúncio é muito repetido porque há, efectivamente, muitos acidentes por ano com pessoas que tropeçam e caem.
Não há povos nem culturas melhores. Todos são diferentes e preciosos e, hoje, enquanto andava no Metro de Lisboa, ouvi a versão portuguesa daquele aviso e não consegui conter a escrita. Tal é a diferença. De tal forma me deixou a pensar. Enquanto as pessoas entram e saem, uma simpática voz feminina menos incisiva que a congénere inglesa, mas bem mais elaborada sintacticamente avisa os incautos: “Senhores passageiros, atenção ao desnível entre o cais e o comboio!”. Com onze palavrinhas apenas…


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Sim

Sim

Sim, és tu!
É a tua presença
Que dita a feliz sentença
Da minha escravidão.
Vive em mim
Um suspiro
Que busca em teu colo
Seu suave retiro.
Lembro-me do toque
Das tuas mãos navegantes,
Desse abismo e desse perigo
Que é sermos amantes
De todos os dias!

jpv


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Informação com Agradecimento

O mês de Novembro foi aquele em que “Mails para a minha Irmã” teve mais leituras no último ano e em toda a sua existência. As nossas páginas foram lidas 3692 vezes. Grato a todos pela dedicação. Continuaremos nossa linha de publicação.
João Paulo


5 comentários

Conjugação

Conjugação

Quiseste tu,
Quis eu
E o que foi teu
Ficou meu.
E é por isso
Que sinto que posso
Dizer que isto
Já é nosso.

jpv


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Carnaval

Carnaval

Foste tu,
Na rua, sobretudo,
Que deste ao meu carnaval
Seu catártico entrudo.

jpv


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Sexo

Sexo

Não é o sexo que é bom.
É a ideia de ti
Sob o meu amor.
E isso não é sexo!

jpv


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Metade da Metade

Metade da Metade

Cobre-me a face
Com o teu olhar,
Inunda-me o corpo
Com o teu toque.
Preenche-me de sensações
Sendo tu.
Sê minha música
Nas palavras que trocamos
E minha Bíblia
Naquelas que escrevemos.
Sê a metade
Da metade incompleta de ti,
Traz-me a minha vida
Com a tua.
Ilumina com teu sol
Minha lua.
E sê meu tempo,
Minha noite
E meu dia,
Meu sono,
Minha alegria.
E percebe que vives em mim.

Cessarei quando cessares.
Amarei enquanto amares.

jpv


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Consequências financeiras do fluir do tempo

Sequência cronológica de pensamentos na manhã de cada dia 23. Isto já não devia constituir surpresa, mas surpreende-me sempre. É no que dão as novas tecnologias e os e-bankings e o diabo a quatro. Qualquer dia, todas as palavras começam por e-. Por exemplo, uma e-conversa no e-banco. Boa tarde, o meu nome é e-João. Boa tarde, eu sou a e-Mónica, e sou a sua e-gestora pessoal. O que faz uma e-gestora pessoal? e-inventa e-maneiras de e-sacar-lhe a massa e… toda!

Cá vai:
08:20h. – Eh pá, isto está mesmo mau.
08:30h. – Eh pá, talvez haja esperança para a Humanidade. Afinal até nem ganho mal. Este mês podia…
08:40h. – Eh pá, isto está mesmo mau.