Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Crónicas de Maledicência – O Patrocinador de Platini

Crónicas de Maledicência – O Patrocinador de Platini

Eu sei porque é que Portugal não foi à final do Euro 2012. Sei, até, porque é que nunca iria! Não vou ser macio. Não me apetece e o alvo destas linhas, Michel Platini, não merece maciezas. Platini foi tão bom jogador quanto é, hoje em dia, um mau gestor da UEFA. Mau e tendencioso.

É grave, a meu ver, que o presidente da instituição que promove um torneio de futebol com 16 equipas diga quais as duas que gostava que chegassem à final. A ele, mais do que a qualquer outro, se exige imparcialidade e isenção. Já nem falo do facto de Platini ser francês e a França ser uma das competidoras à altura das declarações. Isso é um problema dele com os franceses. A mim, o que me interessa é até que ponto é que Platini se limitou a desejar que a final do torneio fosse entre a Espanha e a Alemanha e até que ponto é que fez alguma coisa para que isso acontecesse. E digo isto porque, se a Alemanha superar hoje a Itália, a final será aquela que o Presidente da UEFA desejou. Ora, sendo o senhor francês, porque é que o seu desejo vai nesta direção? Como predição não deve ter sido porque se trata de uma predição óbvia. Juntamente com o eliminado Portugal, na lotaria dos penaltis, a Alemanha e a Espanha são as melhores seleções do torneio.

E como é que eu chego a estes transviados pensamentos à laia de teoria da conspiração? Simples. De que vive o Futebol? De dinheiro. Não é de certo o dinheiro dos bilhetes que não dá nem para a água da rega dos relvados. Vive do dinheiro dos patrocinadores. Ora, é engraçado que a UEFA tenha um patrocinador, a ADIDAS, que, simultaneamente, patrocina veste e calça… a Alemanha e a Espanha! Se repararmos, das seleções que chegaram aos quartos de final, só a Alemanha, a Espanha e a Grécia são patrocinados pela Adidas. Portugal é pela Nike, tal como a França, a República Checa é pela Puma, tal como a Itália e a Inglaterra é pela Umbro. E, neste momento, pode muito bem acontecer que o patrocinador de Platini esteja completamente representado na final… incluindo, imagine-se… a equipa de arbitragem!

Eu acho eticamente condenável que o organizador do evento tenha patrocinadores similares aos de alguns competidores. Deveria haver um regime de exclusividade, mas acho, sobretudo, que ao presidente da UEFA se exige a isenção que não teve! Escrevo isto na madrugada do dia em que a Alemanha defronta a Itália. Se os alemães vencerem e a final for toda Adidas… alguém devia arranjar um parzinho de patins ao Michel. Mas isso nunca acontecerá e a razão chama-se impunidade!

Tenho dito
jpv


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Rescaldo

Pooortuuugaaal!

Miúdos, estivemos bem. Eles não conseguiram jogar o futebol deles. Nós toureámos os tipos com pinta. Só faltou a estocada final!

Temos todos de estar orgulhosos destes jovens que dignificaram Portugal. 
Perder com a seleção campeã da Europa e do Mundo nos penaltis, dói, mas não desonra!

E não me venham com táticas depois do jogo nem com ses, nem com choradinhos nem lamúrias. Os miúdos portaram-se bem e, como perderam, também podiam ter ganho.

Força Miúdos!
Força Portugal! 

(Em cada jogo de Portugal, Mails para a minha Irmã vai revelar uma virtude da Nação!)

Já Está!
Daqui a dois anos há mais!
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Alada

Alada

Na clássica e sugestiva pose
Em que o corpo se estende
Na chaise longue
Assim como se nos chamasse,
Tu te entregavas ao sono.
A cabeça recostada,
Uma perna sobre a outra deitada,
Ao abandono.
Curvilínea e sensual,
A nádega.
A face, gentil.
O olhar, perdido
E sonolento
Como se não percebesses o momento.
A juventude alva
Da perna estendida
A desafiar os perigos
Da vida.
Da tua,
Que minha não navega, já, esses rios.
São maiores os frios
Da alma
Que as excitações.
Para mim, és só um quadro
A despertar emoções.
Um desvario contido.
Um louco amor imaginado
Para não ser vivido.
Lembras-me a escultura
Da donzela recostada.
És mais donzela
Do que ela,
Tua libido não foi inaugurada,
Ou não te recostavas assim,
Oferecendo-me, a mim,
E à minha pobre vista gasta,
A emoção estendida
E vasta
De teu corpo
Usando dois bancos
Na carruagem
Onde fizemos esta viagem.
A tua, semi-nua,
corpórea e adormecida.
A minha, mais alada,
Etérea e imaginada.

jpv


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Despertar a Noite

Despertar a Noite

São lisos, os cabelos
E fartas, as sobrancelhas.
São finos, os lábios
E contidos, os seios.
É elegante, a pose
E generosa, a nádega.
São longas, as pernas,
E evocativas, as sandálias.
Estão fechadas, as mãos
E cerrados, os olhos.
São curtos, os calções
E fortes, as emoções.

Que despertam.
Que acordam.
Que inauguram o coração e a vida.
Assim vais,
Recostada e estendida,
Em pose sensual.
E meu coração, a bater bem e…
A passar mal.

Ah, doce despertar!
Lá fora
Desponta a aurora.
Cá dentro
Vence o luar.

Da minha noite.

jpv


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Força Portugal!

Pooortuuugaaal!

Bora lá miúdos, vamos lá tourear os nuestros hermanos e mostrar que a Ibéria é nossa!.

Aljubarrota forever! Amigos, isto hoje vai ser sofrido, mas com muita classe!…

Portugal não pára! Nem mesmo na final!
Força Portugal! O Barcelona não é imbatível!

Vamos lá mostrar as nossas virtudes aos espanholitos:

 (Em cada jogo de Portugal, Mails para a minha Irmã vai revelar uma virtude da Nação!)


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O Clã do Comboio – Terra de Ninguém

Terra de Ninguém

Fim de tarde. Viagem animada.
Com a Rapariga do Brinco de Pérola, a Senhora da Revista de Culinária, a Senhora das Caralhotas e o Escritor. A discussão começou com aquela história do bispo argentino que foi fotografado a banhos com uma amiga de infância que afinal era uma amante da meia-idade. Pormenores. O Escritor mais cauteloso e conservador nos juízos, a Senhora da Revista de Culinária, mais resoluta na mudança, apostava na liberalização da instituição do matrimónio e seu alargamento ao guias espirituais. Vai daí, começou-se interessante debate sobre o sentido do celibato, a vocação, a concentração na família espiritual, sem distrações nem perturbações, as perturbações diversas, como sejam, a participação regular em programas de televisão, concertos, eventos, etc e tal e tudo o que não vinha no jornal.

Íamos nesta elevação discursiva quando, em Azambuja, entra a Senhora das Caralhotas e deu uma volta à conversa como só ela sabe. Acabámos a falar da feira da Azambuja e dum tipo em quem ela quis bater nessa feira. Claro que abriu o livro da vida privada de certo padre que ela conhece e sua tendência para participar em eventos pagãos, contar anedotas picantes e, eventualmente, e provavelmente falsa, a sua tendência para chegar tardiamente à Casa do Senhor depois de demorados e fortuitos encontros com as Madalenas deste mundo.

E foi então que chegámos à Terra de Ninguém. Ali entre Mato de Miranda e Riachos, onde eu saio, a senhora do altifalante anunciou Riachos. O comboio parou e a CP deu mais uma demonstração de como, em pleno século XXI, era das tecnologias e do controlo das nossas vidas ao segundo, a empresa continua a controlar muito pouco e, tirando a simpatia dos seus revisores, a dar mostras de um serviço de qualidade sofrível e questionável. Parou. Olhei pela janela. E a estação que vi foi aquela que a imagem documenta. A Terra de Ninguém. Ninguém entrou. Ninguém saiu. Ninguém estava lá. Nada estava lá, a não ser o caniçal e o mato e o arvoredo ao fundo. E ali ficámos, até que a mesma voz que anunciara Riachos ecoou de novo para dizer que, devido a uma avaria nas linhas, estávamos atrasados. Pois… era óbvio. Devíamos estar a andar. Estávamos parados. O atraso é a consequência natural, física e cronológica expectável.

Volvidos uns minutos, arrancou. Levou-nos a nós e ao atraso. E agora fica-me a curiosidade de verificar se nas próximas viagens paramos entre Mato de Miranda e Riachos nessa bela localidade que a CP serve: a Terra de Ninguém

jpv


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Vendo o meu Land Rover Defender

Caros Amigos e Leitores,

Devido a uma expectável, e para breve, mudança na minha vida, sou forçado a separar-me deste fiel, corajoso e intrépido companheiro.
Assim, se alguém estiver interessado, ou conhecer quem esteja, vendo o meu Bronco a quem provar que lhe presta bons tratos.
Embora contrariado, reconheço que é o melhor a fazer, pois fechar uma máquina destas numa garagem é um crime.
São muitas, as fantásticas memórias que o Bronco me proporcionou, mas se, por motivos profissionais, sair do país, como acredito que vai acontecer, esta é a melhor solução.

Deixo abaixo as especificações.

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Especificações, preço e contactos:
Ano: 1988. Modelo: Defender 90TDi. Cilindrada:2495. Potência:113cv. Combustível: Gasóleo. Cor: Branco. Km: 210000. Tração: integral. Portas:3. lotação: 7 lugares registados em livrete. Muito bom estado de carroçaria e excelente mecânica. Pneus novos. Escape novo. Rótulas de direção e cruzetas novas. Não estou interessado em trocas. Preço:6000€. E-mail: jpvideira@gmail.com Tlm: 914701273



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Necessidades e Estados de Alma

Publicação de fim-de-semana. Só porque me apeteceu.
Porque há imagens que não precisam de palavras.
Porque há palavras que se ouvem mais nitidamente ao pé de uma imagem!

Nunca como agora.


Sim. Sempre.
Até adormecer dentro de ti!


Quem tem? Onde está?
Dão-se alvíssaras!


Que combinação!
Leitura, sol, sombra, cadeira, mar, e… sim, é muito melhor!


O tempo para…
Mas só com aqueles que merecem ser carregados…


Ela canta pobre ceifeira…


Já pensei nisso. Depois passou-me.
Agora…


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Encarnado

Encarnado

Não eram cerejas
Escarlate,
Nem morangos
Carmim.
Eram uma provocação
Que me deixou assim:
A olhar-te.
Nesse sangue
Encarnado
E vivo
De desejo,
Nesse tom desenhado
A marcar-te a presença.
Para ti, só unhas.
Para mim, uma sentença!

Entras, simpática e gentil,
Saúdas a manhã,
E fico com este ar frustrado,
Servo e escravo
De teu incandescente
Encarnado!

jpv