Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – Rapariga com Brinco de Pérola

Rapariga com Brinco de Pérola

Nunca chega tarde à estação. Ainda na plataforma, acende um cigarro, fuma-o tranquilamente e fica com um meio sorriso à espera do Interregional das 7:18.
Normalmente usa calças de ganga, uma blusa ou uma camisa e um casaco de cabedal preto por cima. Também pode trazer uma saia larga em ganga ou sarja. O que ela nunca deixa em casa é o sorriso simpático, o olhar redondo e azul e o seu ritual de abrir um livro e lê-lo avidamente. Lê em francês, em inglês ou em português e lê sempre. De todo o clã é a que mais rapidamente devora as suas leituras. Todas as semanas muda de livro e há semanas em que lê mais do que um. Digamos que, enquanto um dos amigos que quer salvar o mundo, o VM, lê um livro, ela devora meia biblioteca municipal. Tem um marcador de página curioso. É um objecto em prata em forma de ponto de interrogação mas todo trabalhado em ramagens e peixinhos e um golfinho mergulhando, na ponta.
Aguenta estoicamente as piadas do escritor e dos três amigos que querem salvar o mundo. Tem a face clara e redonda como o olhar, os cabelos castanhos compridos caem-lhe pelos ombros. Junta ao seu hábito poliglota de ler um cumprimento matinal sonoro e sorridente o que denota uma boa disposição que já lhe fez conquistar um lugar no Clã.
Um dia destes, contudo, algo a tornou particularmente interessante. Apanhou o cabelo e a face arredondada ficou mais clara, o olho azul brilhou mais forte e enfeitou o quadro com uma pérola singela em cada orelha. Assim, de repente, parecia mesmo a pintura do Vermeer, com as devidas distâncias, claro está.
Bem-vinda ao Clã, rapariga com o brinco de pérola!


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501!

Amigos,
ainda há dois dias vos escrevia com alguns dados estatísticos mostrando que o nosso blogue estava a crescer a apontava como sinal o facto de, em Abril, pela primeira vez, termos tido mais de 300 visualizações. Pois, ainda Maio é uma criança e ontem, dia 2, tivemos 501 visualizações em 255 visitas. Nunca “Mails para a minha Irmã” sonhara com tamanha frequência. Obrigado a todos. Um forte abraço e… boas leituras!


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O Capuchinho Vermelho visitou "Mails para a minha Irmã"

Caros leitores,
por vezes os astros reunem-se e os ciclos fecham-se. No passado dia 30 publicámos aqui uma “Curta do Metro” intitulada “Perdida” que se tinha passado na sexta-feira 29. Falava de um certo Capuchinho Vermelho com ar cândido e olhar perdido.

Acontece que o Capuchinho Vermelho deixou no post o seguinte comentário:

“Adorei o texto!
Logo que pude vim espreitar, com a curiosidade em saber se realmente tinha escrito algo.
Obrigada
Capuchinho vermelho (Mónica)”

Como se vê, por vezes os ciclos fecham-se de forma agradável.
Capuchinho, volte sempre. Este blogue também é seu!

PS: nos comentários ao mesmo post, também a mãe (!!!) do Capuchinho Vermelho resolveu aparecer em “Mails para a minha Irmã”. Melhor não pode ficar!

jpv


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Abril, visitas mil!

Mais exactamente, “Mails para a minha irmã” teve, em Abril, 5302 visualizações, mais 670 do que no mês anterior que havia sido o melhor de sempre. Já não é!
Outra curiosidade é que, pela primeira vez, houve mais de 300 visualizações num dia. Foi em 12 de Abril. Mas não são só as leituras de página que aumentam. São também os visitantes. Pela primeira vez, mais de 2500, ao certo, 2700 visitantes em Abril.
Em relação ao mês passado e no que respeita ao público, realçam-se duas notas. Uma subida de leituras do público da Índia e os primeiros registos do público da África do Sul.
Nem sei que diga. Este blogue anda-me surpreendendo todos os meses. Fico sempre pelo óbvio mas sincero e sentido agradecimento a todos os leitores.
Para saciedade de curiosidades e para memória futura aí ficam 4 gráficos . Dois com a proveniência do público do último mês e de sempre e dois com as mensagens mais lidas no último mês e desde sempre.
Muito Obrigado a todos pela vossa presença assídua.
João Paulo Videira
Público de Abril

Público de Sempre

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Publicidade

Será importante avisar os meus leitores de que este texto é EXCLUSIVAMENTE sobre publicidade. É importante porque, quando disse que pretendia escrever o texto, avisaram-me: “Vê lá no que é que te metes.”
Pois, caros leitores, este texto será escrito com naturalidade, chamando as coisas pelos nomes delas e não por eufemismos ou paráfrases. Não é um texto sobre racismo, nem análises culturais, nem contém culpabilizações e, muito menos, acusações.
Acontece que eu adoro publicidade e gosto de acompanhar, não só a excelente publicidade, mas também a competição pelos mercados feita através da publicidade.
Há umas semanas, uma cadeia de hipermercados cuja idoneidade não questiono, o Continente, lançou uma campanha de publicidade com o slogan “O Continente somos todos nós”. A campanha visava informar acerca da fusão das marcas Modelo e Continente e procurava a proximidade com o cliente. Assim, junto à frase colocava sempre uma face de uma pessoa em grande plano. Até aqui tudo bem. Ou quase tudo. Reparei na altura, sem falsos moralismos e por mera curiosidade, que todas as faces eram de pessoas brancas. Nem pretos, nem amarelos, nem castanhos, nem encarnados… Ou seja, numa leitura arrojada, “Todos nós” éramos brancos. Não dei importância. Era só uma publicidade e até me podia ter escapado algum cartaz à atenção.
Mas não deve ter escapado. Nem a mim, nem à concorrência. Pouco tempo depois, uma cadeia de hipermercados cuja idoneidade não questiono, o Pingo Doce, lançou uma campanha com o slogan “Aqui não paga nada a mais pela qualidade”. A suportar a campanha estão uns cartazes com faces de pessoas em grande plano e alguns produtos, frutas, como fundo da foto. Ora adivinhem lá o que aconteceu? O Pingo Doce aproveitou a “distracção” da concorrência e fez espelhar a multiculturalidade étnica nos seus cartazes com brancos, pretos, amarelos e outros a pontificar nas fotos…
Estas mensagens não são óbvias, mas o certo é que os departamentos de marketing não dormem. No meio disto tudo, o importante é que compremos só o que queremos, de acordo com os nossos critérios. Sejam eles quais forem, qualidade, preço, gosto, etc. têm é de ser nossos!


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O Clã do Comboio – Diversidades

Diversidades

Hoje foi um dia marcado pela diversidade no Clã do Comboio.
Antes de mais, regressou a Estranha e o seu misterioso e lindíssimo porte.
Depois, logo às 7:18, assim que entrámos, um puto pequeno e reguila começou uma conversa daquelas em que vai sempre perguntando “O que é isto?” e “Porquê?” e não deixou ninguém dormir em paz.
Em Santarém, entraram dois dos três amigos que querem salvar o mundo e, pensei eu, iriam acabar com o pouco sossego que já lá ia. Enganei-me. Eles fizeram a parte deles. Falaram alto, meteram-se comigo, atiraram indirectas à Mulher Vampiro. Enfim, um reboliço pegado donde destaco duas tiradas. Primeiro entre o RB e o VM e depois uma provocação que o VM fez ao Escritor.
Vejamos:
RB: Vivemos nas trevas da ignorância.
VM: Eu conheço é as terras do Demo.
E passados uns minutos:
VM: Já leste “A inabalável leveza do ser”?
Escritor: “Insustentável”.
VM: Era só para te ouvir corrigir-me!
Ora, quando a coisa estava a sossegar porque o reportório de conhecimento inútil estava temporariamente esgotado, toca um telefone de um moço que ia ali ao mesmo lado que tinha um toque no mínimo… curioso. Era um riso, à gargalhada, de um cachopo. Então se aquilo tocava muito. Muito e alto!
Às 18:18, a Mulher Vampiro estava com uma roupas inusitadamente claras, brancos e cinzentos leves e, como a essa hora já acordou, vinha faladora e foi por isso que resolveu apresentar-me uma reclamação por usurpação. O facto é que o seu tradicional banco vinha ocupado por um jovem de portátil no colo e phones nos ouvidos. Culpa da CP que ainda lá não colocou a chapinha aqui solicitada.
Enfim, sem ter nada de especial, foi um dia de diversidades no Clã!


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O Regresso da Estranha

O Regresso da Estranha

Sabes, o teu regresso
Não foi inesperado.
Um homem sabe
Que volta sempre
O sorriso anunciado.
E que trouxesses
Alguma surpresa,
Disso, não tinha a certeza.
Só sabia que vinhas.
E acordaste o que estava
Adormecido.
Um sentimento longínquo,
Mas não perdido.
Uma incerteza, talvez.
Era a natural ânsia
De ver-te sorrir outra vez.
E houve vida em mim.
Cantaram meus anjos,
Dançaram meus demónios
E todos se juntaram
Na comunhão de ti.
Tu, que não me conheces,
Mas a quem eu vi,
Regressaste.
E o teu regresso
Foi meu mudo sucesso.

jpv


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Humor Forum Estudante

A caminho de casa um indivíduo sentiu uma enorme dor de barriga e parou num centro comercial para ir à casa-de-banho. Como o primeiro compartimento estava ocupado, entrou no seguinte. Quando estava sentado ouviu um tipo ao lado a perguntar:

– E então? Tudo bem?

Embora não fosse de dar conversa a desconhecidos em casas-de-banho públicas, respondeu:

– Bem… vai-se andando…

Novamente o tipo ao lado perguntou:

– E então, o que andas a fazer?

Embora começasse a achar o assunto estranho, respondeu:

– Bem, agora estou aqui na casa-de-banho. Depois vou para casa…

Então, ouviu o outro dizer em tom chateado:

– Olha lá, há um tipo aqui na casa-de-banho ao lado que me responde cada vez que te faço uma pergunta… Ligo-te depois..


in Forum Estudante de Abril/2011, pág. 44


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Liberdade

Importa referir, antes de mais, que não me considero exemplo nem autoridade em nada. Sou um homem convicto, com princípios e ideais e com uma consciência aguda e sofrida das suas limitações, dos seus erros e das suas falhas. Tento aprender com eles e considero isso uma questão de dignidade e abnegação.
Feita a introdução, vamos ao que interessa. Penso que a Liberdade tem sido muito mal tratada em Portugal. É invocada como pretexto para se licitar qualquer tipo de actuação, mesmo as mais condenáveis, e raramente é utilizada em prol do bem estar social. Ora, como a Liberdade não é um conceito abstracto, mas antes o uso que fazemos do livre arbítrio nas nossas tomadas de posição, nas nossas palavras e nas nossas atitudes, o que acabei de dizer significa que temos vindo a agir mal. Eu posso estar enganado mas a Liberdade só faz sentido se as práticas inerentes à mesma forem dotadas de responsabilidade e respeito pelo nosso semelhante.
Eu quero celebrar a Liberdade em Portugal. Quero celebrar a livre expressão das nossas ideias e pensamentos e sentimentos e emoções. Eu quero que digamos às nossas crianças e aos nossos jovens que aquilo que se conquistou com o 25 de Abril de 1974 é absolutamente inestimável. Não tem preço. Vale uma nação. Vale a dignidade da vida humana. E, nessa medida, é preciso dizer às nossas crianças e aos nossos jovens que este dia tem de ser sempre comemorado e celebrado para que permaneça na memória das gerações que hão-de vir. É um legado precioso. A respeitar. A preservar. Mas quero também que se diga às nossas crianças e aos nossos jovens que o exercício da Liberdade só faz sentido se preservarmos e desenvolvermos outros valores. O valor do Trabalho. O valor do Respeito. O valor da Honestidade. Da Responsabilidade. Da Língua Portuguesa. Da Pátria que somos.
Não vamos conseguir sempre, mas temos de tentar sempre!
Em Liberdade, saúdo os leitores de “Mails para a minha Irmã”. Uma saudação fraterna e cordial. Uma saudação de comunhão. Uma saudação de Liberdade.
25 de Abril, Sempre.
Mais do que uma data, já mais do que uma revolução, o 25 de Abril é um legado de Liberdade!


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Saudação

A todos os leitores, independentemente do credo, raça ou quaisquer outros rótulos que colocamos a nós mesmos, venho desejar uma Páscoa Feliz. Quero com isto dizer que faço votos de que estes dias sejam para todos vós dias de harmonia, de entendimento e de paz. Desejo também que sejam passados com as pessoas que trazem mais significado às vossas vidas.
Até Sempre, João Paulo.