Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Soluções para a Crise…

Fazer uma peregrinação a ver se lhe aumentam o vencimento,
ou se não lho cortam!
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ErotiKa – Roma

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jpv
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Roma

Roma fervilha de atividade e emoção… não é a capital da Europa. É a capital do Universo civilizado. O mercado de víveres está povoado de patrícios, de escravos e de estrangeiros de todas as partes do mundo. As matronas apontam para o que querem e continuam deslizando, os escravos ficam para trás apurando as escolhas e depois seguem-nas. Ervas, óleos, frutos, verduras, animais vivos e esfolados, homens e mulheres apregoando o negócio. Depois, o bairro das sedas e depois o do calçado e, por fim, o dos metais. Com o desmoronar da república e a abolição da democracia, seria de esperar do regime imperialista uma recessão nos hábitos e costumes, um recrudescer do ambiente social. Nada disso. Não só a vida não veio a ser assim, como do ponto de vista cultural, político e social, a civilização romana teria o seu auge logo no início do império. E tudo, como sempre acontece, por influência de um homem. Os regimes são o que são. Nem melhores, nem piores, diferentes. Os homens que lideram os regimes é que podem fazer a diferença. E Octávio César Augusto fez a diferença. O imperador aprofunda o culto e o desenvolvimento das letras e das artes. A obra secular de Cícero é estudada e debatida nas escolas. Os contemporâneos Horácio e Virgílio são declamados em saraus, nas bibliotecas, em jantares de amigos e nas ruas. Os concursos de teatro multiplicam-se. Os romanos preparam farnéis, fazem uma algazarra descomunal na comédia e compenetram-se até às lágrimas na tragédia. Podem estar cinco dias no teatro sem sair. Apesar do poder absoluto do imperador, Augusto mantém o senado  a funcionar como órgão consultivo e isso fortalece o seu poder de decisão. Solidifica o direito romano e promove políticas de fortalecimento e proteção da mulher como seja o divórcio unilateral por iniciativa desta desde que se prove emancipada para o que deve ter três filhos. Pode parecer ridículo aos olhos de um cidadão europeu do século XXI, mas o estado de coisas antes de Augusto dava ao marido direito de vida e morte sobre toda a família incluindo a sua mulher. O progresso social é tremendo. Augusto consegue o equilíbrio entre a austeridade e o luxo permitido e isso traz o mundo romano satisfeito e feliz. O fenómeno cristão é ainda jovem e incipiente, mas até nisso o Imperador é hábil. Decreta a liberdade de credo religioso para os patrícios e as hostes acalmam-se. As ruas de Roma atafulham-se de liberdade e movimento, há tabernas, bordeis, lojas de todos os comércios imagináveis, há bibliotecas, tribunais, templos e monumentos e há esse espaço indispensável ao quotidiano dos romanos, o lugar onde correm todas as notícias verdadeiras e os boatos todos, onde se constroem as intrigas domésticas, onde se fazem os negócios e onde, espante-se, se descansa e se trata do corpo. São os banhos públicos. Roma está apetrechada com diversos destes locais onde a oferta é vasta e cobre todos os gostos e necessidades. Ginásio, salas de óleos e massagens, espaços para leitura, normalmente, ao ar livre, e, claro, os banhos nas suas três vertentes. O frigidarium, banhos frios; o tepidarium, banhos mornos e o caldarium, banhos escaldantes. Pela manhã são espaços desertos, mas à tarde, à medida que os afazeres profissionais vão terminando, estes espaços enchem-se de gente e ação.

É nesta Roma rica, crescente, multilingue e alucinante que vimos encontrar Cornélia, filha de Cornélio, esposa de Terêncio Emílio, mulher educada e perspicaz, de alma arguta e corpo insaciável. Ela cuida da casa, gere os escravos, lê, escreve, faz compras, planifica e executa meticulosamente a educação dos filhos que tem com Terêncio e quando, à noite, o procura no leito para a satisfação dos seus desejos e prazer das suas carnes, normalmente, encontra um homem cansado do trabalho e das jantaradas e com o sexo satisfeito por rapariguinhas que enfiou à socapa e a troco de subornos chorudos na ala masculina dos banhos ou ainda por rapazes de barba a despontar que aí acorrem, o acariciam e satisfazem e sabem que no dia seguinte o dinheiro ou os presentes baterão à porta.

Terêncio dá hoje um jantar. O triclínio está pronto. Foi preparado para nove convivas a quem foi dito para trazerem os seus guardanapos de refeição para poderem regressar com eles recheados das iguarias a servir. O rumorejar do espelho de água cria uma sensação de frescura, há uma música tocada suave ao fundo da sala. Os convivas reclinam-se sobre um cotovelo que apoiam nas costas do longo assento todo forrado de mantas e almofadas. Terêncio ordena ao escavo que quer um vinho forte.

– Pouca água nisso, ouviste. Faz uma mistura de 1 por 3.

O escravo coloca uma medida de água para cada três de vinho numa ânfora e serve copiosamente os convivas. Primeiro, é servido um prato de peixe. São robalos assados, servidos com verdura e passas de uva. Depois, um extraordinário lombo de javali recheado com ameixas secas e acompanhado com castanhas cozidas. Há pão e carnes de aves frias. Há mel e queijos e há fruta. Os escravos vão servindo as iguarias e os convivas, seis homens e três mulheres, vão conversando, comendo e bebendo. Bebendo muito. Os escravos vão trazendo tabuleiros de comida donde os convivas se servem com as mãos que limpam aos guardanapos e esses tabuleiros são levados e substituídos por outros e o vinho continua a jorrar. Conversam, debatem, contam histórias libidinosas e chegam as frutas que são despejadas no triclínio em taças enormes e é nesse momento que o gesto acontece, que se dá o evento, que se inicia uma sucessão de acontecimentos que não têm como ser parados.

Cornélia estende um braço para as uvas e estica um pouco o corpo para chegar-lhes e, no momento em que se encontra tombada para a frente, a visão do seu peito sardento e sensual abre-se para Marco António, um companheiro e amigo de Terêncio. Ele vê o que há para ver e deixa os olhos presos à visão. Ela apercebe-se do que mostra e, mais do que tudo, apercebe-se que ele vê observando-lhe a excitação colada no olhar.

E chegam as dançarinas e bailam à volta dos homens simulando carícias. Ela sorri. E chegam os dançarinos e bailam à volta delas, um deles poisa um pé na beira do assento dela e oferece-lhe a perna musculada à visão. Ela trinca o lábio inferior, encolhe os ombros em sinal de traquinice e passeia dois dedos ao longo da perna do dançarino. Marco António está excitado, entusiasmado, e os seus olhos faíscam cólera por não estar ele no lugar do dançarino.

É a hora nona. Os banhos públicos começam a encher-se de gente. Marco António estava a levantar pesos e agora está deitado de barriga para baixo à espera que os rapazes lhe façam uma massagem retemperadora. Está nu. Cornélia passou umas ligaduras à volta dos seios para os disfarçar, apanhou os cabelos, subornou quem devia e entrou na sala de massagens. Estava com dois rapazes massajando o corpo musculado e bem definido de Marco António que quase adormecera. Ela dispensa os outros massagistas com um aceno de cabeça e com as mãos lubrificadas empreende uma massagem forte e tonificadora. Sem abrir os olhos, sem mexer um músculo, Marco António pronuncia em tom pausado:

– Quem pensas tu que enganas Cornélia?

A surpresa ruboresce-lhe as faces e quando recupera o fôlego, ela responde tentando continuar a simulação de que é um rapaz:

– Como disse, meu senhor?
– O teu senhor é Terêncio. E deixa-te de simulações. Eu conheceria essas mãos em qualquer circunstância.
– Perdão, meu senhor, creio que estas mãos nunca lhe tocaram.
– O corpo não, mas têm remexido a minha alma desde o momento em que passearam na perna do dançarino. Conheço-te a forma das mãos, a espessura, sei qual a pressão que pode fazer na minha carne e conheço-lhes o toque mesmo que não me tenham tocado.

Cornélia não respondeu com palavras no início. Continuou a massajar-lhe as costas, depois as nádegas, depois as coxas, em movimentos até ao  joelho e de regresso às nádegas e de cada vez que regressava a elas estendia mais os dedos até acabar por acariciar-lhe os testículos e o pénis. Quando o sentiu ereto e excitado, quase levado à loucura, falou:

– Amanhã, à hora quarta no caldário.

Ele percebeu que o convite para aquela hora significava que ela queria estar a sós consigo, acabar o que começara. À hora quarta, os banhos estavam desertos.

Marco António entrou, despiu-se na sala de óleos e massagens, untaram-lhe o corpo e rasparam-no para que ficasse limpo e suave. Ele dirigiu-se para o caldário. A sala estava já repleta de vapor, quase não se via nada, na piscina não havia ninguém e no anfiteatro à volta dela, aparentemente, também não. Ele sentou-se e esperou.

Ela fê-lo esperar. Ele duvidou. Tinha a cabeça entre as mãos olhando o chão, ouviu um restolhar de passos e olhou em frente. Da névoa densa do vapor emerge Cornélia com seu corpo esguio e sardento, traz somente uma túnica transparente. Vem andando devagarinho, medindo cada passo. Quando está a um passo dele deixa tombar a túnica. Marco António vê-lhe os seios, o abdómen perfeito, um triângulo de seda geometricamente desenhado no púbis, arde em prazer e sabe que ela também. E diz-lhe:

– Vem.
– Irei.

Dá o passo que falta, senta-se no colo dele, estão frente a frente olhando-se nos olhos, e é olhando-se nos olhos que o sexo dele mergulha lentamente no universo quente e húmido que ela tem para oferecer-lhe.

A poderosa Roma estava, finalmente, a seus pés!

jpv


1 Comentário

A DÚVIDA – CAPÍTULO X

A DÚVIDA
CAPÍTULO X

É patético.
Ainda me lembro dos tempos em que virmos juntos ao cinema era um evento. A escolha do filme, as pipocas, a Coca-Cola, as mãos dadas durante a sessão, as conversas sobre o filme. Era interessante. Agora, é só patético. Sinto-me mal. Sei que ela se sente mal. Estamos ambos desconfortáveis. Ambos a tentar. Ambos por sacrifício e não pelo prazer de estarmos juntos. É claro que um filme sobre casais que se separam também não ajuda, mas escolhi-o de propósito a ver se ela percebia a mensagem. A ver se percebia que, quando lhe falei em divórcio, não era uma ameaça ou uma daquelas coisas que se diz para não fazer. Nem sequer estou a seguir a história no grande ecrã. Ela também não. Acho que está a chorar e não é por causa do filme. Tudo isto é desnecessário. Desnecessário e patético.

Temos falado imenso ultimamente, mas a verdade é que se tem dito pouco ou, pelo menos, avançado pouco. São conversas exaustivas e extenuantes onde comparamos comportamentos, fazemos um balanço da relação, a contabilidade dos afetos e da dedicação e, no fim, cada um volta ao seu ponto de partida e está pouco disponível para abandoná-lo. É uma tentativa desesperada de procurarmos um compromisso, mas a dúvida permanece. Acho que ela nunca mais confiará em mim, nunca mais superará a mágoa que me tem. E acho que sinto por ela coisas semelhantes. É tudo tão difícil. Sinto algum desprendimento da parte dela. Não digo que não me ame. Acho que ama, caso contrário, que sentido faria esta ideia da viagem a Roma? Mas também acho que a sinto preparada para tudo. É como se tivesse desistido depois da luta por cansaço. Vejo-lhe isso nos olhos. Sinto-lhe isso nas palavras.

Tentarei retomar a nossa harmonia nesta viagem, mas é como se tudo fosse feito em esforço, é como se partisse para uma corrida sabendo que ia perder. Isto não vai resultar. Porque ela não quer. O que ela quer é dar-me uma oportunidade para eu mudar. Porque eu não quero. Não sinto alegria nem felicidade neste casamento. É como se continuar casado representasse um prolongar da dor.

Eu gosto da Bela. Detesto vê-la sofrer. Detesto vê-la fragilizada. Tenho pena dela, mas acho que a pena é a última das razões por que se deve estar com uma pessoa. E é por isso que nada disto faz sentido. Vou cancelar a viagem. Nós precisamos de resolver os nossos problemas, não de adiá-los. Por mais que me doa, esta relação terminou. Nem mesmo esta vinda ao cinema tem qualquer nexo:

– Olha Bela, eu acho que não estamos aqui a fazer nada senão a enganarmo-nos. Eu vou-me embora. Queres vir? Acho que era o melhor para ambos…

jpv


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Soluções para a Crise…

Ora vejamos, também neste caso, com dupla vantagem:
calças baratas (onde é que se arranja material deste a 10€?)
e com a possibilidade de escolha…
Mai nada!
Foto jpv


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A foto abaixo mostra uma opção duplamente positiva:
produto nacional e a baixo preço!
Com a opção “Sem Elástico” para quem tem problemas de circulação!
Mai nada!
Foto jpv


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Soluções para a Crise…

Poupar na roupa interior. 
Há que preservar a maior quantidade possível de matérias primas.
Mai nada!

Da Net


1 Comentário

Soluções para a Crise…

Poupar no saneamento básico. Água, luz, equipamentos, papel higiénico, sabonetes… Mai nada!
Além do que o ar puro faz muito bem à saúde!


Foto jpv


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Humor Plural

O maravilhoso é que coexistimos todos! 
Só me pergunto porque é que o fotógrafo não inverteu os planos…

Da Net


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Soluções para a Crise…

Poupar no número de deslocações a fazer. Mai nada!
Da Net