Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


Deixe um comentário

Força Portugal!

Pooortuuugaaal!

Bora lá miúdos, vamos agarrar os vickings pelos… capacetes!
A malta anda sem capacete mas temos muitas virtudes, ó p’ra elas:

(Em cada jogo de Portugal, Mails para a minha Irmã vai revelar uma virtude da Nação! Neste caso, mais do que uma!)


1 Comentário

Haicai – Sinopse Vida

Sinopse Vida

Nascer e viver
Verdadeiro milagre
Vida a brotar

Crescer humano
Esmurrar os joelhos
Encher a alma

Aprender vida
Construir com o saber
Arte de viver

Casar por amor
Semear família
Amar os filhos

Trabalhar duro
Para um legado e
Criar futuro

Envelhecer e
Fazer percurso digno
Avô ou avó

Morrer no tempo
Certo e no momento
De voltar ao pó

jpv

título: 5 sílabas
vida: 7 fases como o verso
mais longo tem  7 sílabas

saiba mais sobre haicai aqui


Deixe um comentário

Haicai – Seleção

Seleção

À Vitória
Com garra de campeão
Força Seleção!

jpv


2 comentários

Haicai – Saudade

Saudade

Sentir saudade
Por um amor distante
É bem verdade

jpv


Deixe um comentário

Haicai – Olhos

Olhos

Olhos de água
Inundam alma de paz
Só tu és capaz

jpv


5 comentários

Haicai – Mana

Mana

Mana cúmplice
Habita meu coração
Gera emoção

jpv


Deixe um comentário

Haicai – Família

Família

Mulher e filho
Sempre no meu caminho
Luz de meu trilho

jpv


Deixe um comentário

O Meu Primeiro Haicai

Nota de Agradecimento

Agradecido
Porque tu me ensinas
Arte de rimas

jpv
Saiba mais sobre Haicai


5 comentários

O Clã do Comboio – Toda a Sorte Muda

Toda a Sorte Muda

Nunca fui um tipo de sorte. Nunca me saiu nada de significativo no euromilhões nem no totoloto. Sendo verdade que raramente jogo. Acho que o máximo que me saiu até hoje foram 6€ depois de ter jogado 4.

Uma vez, no início da década de oitenta, fiz um 13 no totobla. Tal a minha sorte, fui escolher o fim-de-semana em que toda a gente fez um. Acho que até o gato do vizinho tinha um 13 no totobola.

Não estranho, por isso, que, quando me sento no comboio, as miúdas giras nunca venham ter comigo. Como já uma vez aqui escrevi, calham-me sempre os velhos, as velhas, os coxos, os zarolhos, os que ressonam, os que ocupam dois lugares e me esborracham de encontro à parede lateral da carruagem, as mal acabadas e gente de toda a sorte e espécie menos as apetecíveis miúdas nas calças de ganga justas ou com a minissaia a dar a dar!

A sorte mudou! Assinale-se o dia. 11 de junho. Bem sei que, de acordo com a história publicada ontem, eu morri. Mas, antes de ter morrido, Deus Nosso Senhor quis dar-me uns momentos para alegrar a vista.

Entrei quinze minutos antes da partida. Carruagem vazia. Enfio-me num canto, como gosto, para poder encostar-me se for caso disso. A carruagem está deserta.

Ela entra. Não hesita. Com dois terços da carruagem vazia, vem sentar-se no banco exatamente de frente para o meu. Havia cinco lugares à minha volta. Só  um de frente para mim. E o que é que ela faz? Sorri-me e senta-se! Toda a sorte muda!

Estatura média-alta, ossatura larga e generosa sem ser gorda, pelo contrário, uma linha bastante elegante fugindo à fragilidade induzida pelo franzino. Cabelo liso, cor de amêndoa, e  a pele com um suave bronzeado a dar-lhe um ar exótico. Olhos claros e brilhantes e os lábios carnudos e convidativos… à conversa, claro. Uma blusa de licra branca colada ao corpo e por cima dela uma túnica de largo decote da mesma cor. Calças de ganga muito justas a realçar todas as formas. Sandálias de cabedal. Não andava. Deslizava com os óculos de sol na cabeça a prender-lhe o cabelo. As mãos largas seguraram o telemóvel para onde desapareceu e donde só regressou quando saiu do comboio. Vista lavada.

Quando a carruagem encheu, no Oriente, mais duas almas de calibre semelhante se sentaram ao pé de mim. Uma, ao meu lado, e a outra de “esguelha” que é como quem diz, de frente para a direita.

Acho que, finalmente, o Criador percebeu a injustiça que me vinha fazendo e resolveu recompensar-me pelas faltas do passado. Se houve episódios de viagem? Nada. Zero. Rien. Nothing. Nem eram precisos. Só a mais tranquila e pacata presença das minhas esbeltas companheiras de viagem. Foi uma cena assim do tipo, morri e fui p’ró Céu!.

jpv


10 comentários

História do Dia da Minha Morte

Hoje acordei cedo. E bem disposto. O que é natural, tendo em conta que não sabia que ia morrer. Quero dizer, eu sabia que ia morrer, latu sensu, mas não sabia que morreria hoje.

Chamo-me João Paulo Videira, sou professor, trabalho presentemente na DGAE e sou autor deste blogue que pode bem ser o último lugar onde me verão vivo. A minha vida está em risco. Presa por minutos. Não sei mesmo se acabo de escrever este texto. Não sei quem me ameaça, mas sei que a ameaça é real. Iniludível. E, ou tudo isto é uma farsa, ou dentro de momentos entrarão aqui dois tipos vestidos de preto, com as cabeças tapadas por capuzes negros e cumprirão o que prometeram.

Tomei um pequeno-almoço normal, café e pão com azeitonas que comprámos ontem no Pingo Doce. Acho que não volto a publicar nada a gozar com o Pingo mais Doce do país. Não terei oportunidade. Pela manhã deste enigmático e talvez fatídico dia 11 de junho de 2012, rolei tranquilo no meu Defender de 24 anos, que começa a deixar de ser um carro velho para adquirir o estatuto de clássico, cheguei a Riachos onde estavam as mesmas pessoas de sempre. A rapariga que se vira para o sol, a moça que balança para os lados ao caminhar, o grupo do rapaz alto e cabelo curto e da moça loira, o homem de fato e eu. Entrei na carruagem. Lá estava a D!  Bonita, hoje. Blusa amarela, saia azul com motivos florais e as unhas impecavelmente arranjadas de encarnado. Como tinha carregado o passe no MultiBanco, pedi ao revisor para o verificar. Não estava atualizado. Em Santa Apolónia resolvi o problema. Quando cheguei ao trabalho, a sala estava deserta. Poucos minutos depois entraram a P. e a C. transpirando boa disposição. Traziam um ar ávido de vida e feliz. Ligámos o ar condicionado. Dediquei algum tempo a um parecer e depois ao projeto. E foi quase ao final da manhã que tudo começou. Recebi uma SMS que dizia, simplesmente, “vais morrer!”. Guardei-a. Mais tarde, ao revê-las todas, reparei que aquela tinha chegado exatamente às 11:06. só mais tarde percebi que isso tinha um significado. Sejam lá eles quem forem, não deixam nada ao acaso. No momento não dei importância. Achei uma parvoíce. Uma brincadeira de miúdos. Mais tarde, às 12:06, número cuja prova dos nove dá zero, recebi outra SMS:

“Gostas de futebol! Adoras Futebol!
Vamos jogar um joguinho!”

Fiquei perplexo. Tentei ver as propriedades da mensagem. Nada. Não consegui perceber de quem vinha ou de que número vinha.

Exatamente às 14:06 recebi uma outra e essa, sim, deixou-me preocupado. Alguém conhecia o futuro. O futuro próximo. O futuro desta noite ou, pelo menos, diz conhecê-lo. Se for só uma brincadeira, é só uma brincadeira. Se não for só uma brincadeira, é o meu fim. Dizia assim:

“O França-Inglaterra vai terminar 1-1. Multiplica o número total de golos no jogo pela soma dos algarismos das horas a que recebeste esta SMS e terás a hora da tua morte. O primeiro golo do jogo vai ser aos 30 minutos que, somados à hora encontrada darão o momento exato da tua morte.”

Fiz as contas. Morreria tarde. Exatamente às 10:30. Faltam alguns momentos somente. Se eles vierem. Tudo pode não passar de uma brincadeira de mau gosto. Tanto assim é que não avisei a polícia nem a família. Limitei-me a escrever este texto. Passei-o para o blogger sem o publicar e agora estou aqui de frente para o monitor com o dedo suspenso sobre a tecla Enter, à espera deles.

Se entrarem por aquela porta, como prometeram, carrego no Enter e esta publicação será o meu último ato enquanto homem vivo. Aguardo. Assustado, mas sereno.

Mais tarde, às 18:12, recebi a penúltima mensagem. Também era extensa:

“Tira a tua família de casa. Caso contrário, não deixaremos testemunhas. Falta saberes o como… mereces: sabres! Morrerás esquartejado por dois sabres japoneses às mãos de dois guerreiros ninja. Não te preocupes, será rápido e absolutamente indolor.”

Disse à minha mulher e ao meu filho que queria fazer-lhes uma surpresa e por isso deveriam aguardar por mim em casa da minha cunhada. Despachei-os para sua própria segurança. É onde estão agora. Sinto a falta deles. Sinto-me só. Faz-me mais impressão esta solidão do que propriamente a expectativa da morte.

Os meus últimos pensamentos foram para o meu pai, será que me aguarda? Para a minha mana e para a minha mãe. Voaram mais recentemente para a minha mulher e o meu filho. Sobretudo estes dois… se acontecer o pior sentirei uma falta incomensurável deles! Penso também em alguns amigos e colegas. Pessoas que me marcaram. E estranhamente penso no meu blogue. Estranhamente, não. Afinal de contas, a última SMS tinha a ver com ele:

“Precisas saber porquê! Por tua causa. Não há nenhum motivo senão desprezarmos a tua existência. E porquê? Por causa do teu blogue. Da tua escrita. Tu tens a liberdade dos escritores, das mentes livres, e nós abominamos essa liberdade porque não está ao nosso alcance. Não é a ti que ceifaremos. É à tua liberdade.”

E pronto, faltam uns segundos. Acho que consigo acabar o texto. Só já falta colocar uma imagem. Começo a temer que possa ser verdade. Está tudo demasiado tranquilo, demasiado sossega d d ghjklçº~gftiqfeguh l ºçl