Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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"Com Amor," – Documento 44

Querido Eduardo,

Uma mulher da minha idade vai a Barcelona com um homem da sua idade. E não espera nada menos do que dois dias inolvidáveis, plenos de harmonia e romance. E não pense o Eduardo que foi fácil. Houve que desmarcar reuniões, “despistar” serviço, encaminhar filhos… mesmo crescidos continuam a necessitar da atenção da mãe, enfim, toda uma arquitectura logística que fiz por… por amor! Não aquele amor jactante da juventude, mas o amor dedicado e sereno desta segunda juventude.

Preciso dos pormenores, Eduardo. Onde nos encontramos, a que horas, o que será prudente levar tendo em conta o tipo de alojamento que planeou. Uma mulher precisa saber essas coisas. Sei lá, é diferente preparar-me para um hotel do que será preparar-me para ficar em casa de uma tia materna velhota que nos acolhe na sua casa de Barcelona.

Aguardo notícias.
Com ternura,

Verónica.


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"Com Amor," – Documento 43

Olá Verónica,
Olá minha querida, meu amor…

Que queres que te diga que não te tenha já dito?
Vai! Vai viver a vida!
Não é enamorada que estás, é entusiasmada com o genuíno interesse de um homem por ti, um homem que, ao contrário de mim, pode dar-te tudo o que desejas. Não é enamorada, é excitada com essa perspectiva de vida e é apaixonada pela figura e pela atitude dele. É tudo tão bom, tão fantástico, que não percebo a tua hesitação. Psicopata? Tu estás louca? Andas a ver muitos filmes!

E não me agradeças, Verónica, que me dói. Dói porque sempre me deste sem limites. Dói porque gosto de ver-te partir, mas também te quero para mim… Dói…

Desmarca tudo! Não sejas louca. Não vivas a vida pelos mínimos. Vai e vive, Verónica!

Com Amor,
Rui


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"Com Amor," – Documento 42

Cara Colega,

Ainda bem que conseguiu o meu e-mail. Fiquei de lho dar no final da reunião e depois esqueci-me.
Não sei porquê, talvez por pedir(?), ordenar(?), que não me demorasse, fiquei com a sensação de que lhe passara pela cabeça que eu não iria enviar-lhe o relatório a tempo. Não sei o que pensa de mim, mas o certo é que sou um profissional responsável e, se disse que enviava, era porque tencionava cumprir. O relatório, como constatará, segue em anexo.

Não sei onde é que viu o orgulho, acontece que nem a minha esposa, nem a minha barba feita ou por fazer são assuntos que lhe digam respeito. Ainda bem que os não misturou! De resto, porque haveria de fazê-lo?

Desejo-lhe um bom trabalho com o balanço.
Rui Daniel.

PS: Não falei consigo no cinema porque estava acompanhado e porque vi que também estava acompanhada.


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"Com Amor," – Documento 41

Rui,

Assim, de repente, um pouco ao teu estilo: estou enamorada! Há uma diferençazinha de idade. Como sabes, fiz há pouco 47 e o Eduardo já vai nos 54, mas acho que não se nota porque somos muito parecidos. Estivemos a conversar, Rui, e ele é tão gentil! Não queria fazer comparações porque todas são imprecisas e injustas, mas o que tu tens em vigor e em juventude, ele tem em tranquilidade. Não me senti nem um bocadinho pressionada.
Obrigada, Rui, obrigada, obrigada…

Quer que vá com ele a Barcelona. Um fds a dois. Achas que vá? Eu quero muito, mas não o conheço assim tão bem. Até pode ser um psicopata assassino… Contou-me do trabalho dele e dos filhos, tem uma rapariga que é já uma mulher. Falei-lhe dos meus miúdos e do trabalho. Se não fosses tu, Rui, isto não estaria a acontecer-me. Será que é assim que se manifesta o teu Deus?

Com Amor,
Verónica.


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"Com Amor," – Documento 40

Gentil Eduardo, Só me ocorre dizer-lhe “Foi tão bom”!

Agora já vi e percebi o que é um homem da sua idade. É um homem que tem tempo para ser atencioso e gentil. É um homem que tem a segurança da experiência e, como tal, não precisa exibir-se nem agradar.

Meu querido Eduardo, a uma mulher da minha idade agrada essa extraordinária ideia de não sentir-se pressionada, cercada como uma presa de caça. Um homem da sua idade é um homem que quer passar tempo comigo, cuidar de mim, como disse. Bem, uma mulher da minha idade está a precisar de um homem da sua idade. Ao seu lado, Eduardo, o mundo fica mais tranquilo, o tempo flui com maior qualidade. E depois que tenha mais de cinquenta? Isto aqui para nós, não se nota nada e, de resto, eu vou aqui a persegui-lo!

Quanto ao convite para um fim-de-semana a dois… deixe-me acertar as coisas no trabalho. Temo não poder, mas admito que Barcelona na sua companhia é uma tentação que vale alguns esforços e sacrifícios.

Escrevo em breve.
Verónica.


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"Com Amor," – Documento 39

Caro Colega,

Deixe-me começar por lhe dizer que tenho seu endereço de correio electrónico porque o solicitei a um colega e amigo comum, o Mário Antunes.

Venho relembrá-lo de que ficou de enviar-me o relatório de actividades para eu poder incluir os seus dados no balanço anual. Agradeço, por isso, não se demore.

Deve ter reparado que nos cruzámos no cinema onde exibia, orgulhoso, a esposa e a barba por fazer. Prefiro a segunda. Na altura não lhe falei no relatório porque não me pareceu apropriado, mas preciso mesmo dos seus dados.

Obrigada.
Laura Duarte.


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"Com Amor," – Ponto da Situação

Caros Amigos e Leitores,

retomaremos ainda hoje a publicação de “Com Amor,” pelo que importa um pequeno ponto da situação.
Estão publicados 38 capítulos, 37 e-mails e 1 carta. Todos eles foram escritos por Rui Daniel Sousa, Verónica Gomes e Eduardo Luís Santos.
A partir daqui, este triângulo terá evoluções inesperadas e, naturalmente… crescerá!
Até já!


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"Com Amor," – Documento 38

Cara Verónica,

Ainda agora nos conhecemos e já me está fazendo feliz. Lá estarei. Sem falta. Provavelmente, antes da hora!

Sim. Estarei. E levarei comigo a felicidade que me vai no peito.

Eduardo.


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"Com Amor," – Documento 37

Olá Eduardo!

Sim. Pode visitar-me.

Sim. Quero perceber na sua voz e na sua presença as coisas que tem para dizer-me. Não sei o que é um homem com a sua idade. Nem sequer sei como se mede a idade. Sei só que é um homem e foi gentil comigo e o seu olhar brilhou quando me abordou. Quero ver se o seu olhar brilha de novo. Pensei em tomarmos um café amanhã ao final da tarde, digamos 18h, no mesmo local em que nos encontrámos. Pode?

Sim, Eduardo. Sim.

Um abraço,Verónica.


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"Com Amor," – Documento 36

Vai, minha menina Verónica, vai…

Sim, vai. Sim, é dilacerante. Mas que raio de homem seria eu? Que raio de hipocrisia seria a minha? Que egoísmo tamanho e desumano seria o meu se te retivesse agora? Eu sou casado, Verónica! Não há um “Nós”! O “Nós” que existe está acima de todas as coisas dos homens e é por isso que não é aceite por eles. É um amor divino e abençoado e esse amor nunca deixará de existir. Há um cantinho do meu coração que será sempre teu. Há um cantinho do teu coração que será sempre meu. Há um estilhaço de vida que será sempre e exclusivamente nosso. Preciosamente nosso. É nesse patamar que existe um “Nós”, amado, divino, reservado.. Mas temos de existir para a Vida e vivê-la. Vai viver a vida, Verónica, vai reconciliar-te com ela e com os homens. Digo-o com uma pontinha de tristeza, como se algo se desprendesse, mas digo-o, também, com uma alegria imensa.

Só um cuidado: certifica-te de que ele te merece!

Com Amor,
Rui