
Devagarinho, “Mails para a minha Irmã” vai fazendo o seu percurso, contando as suas estórias e construindo a sua história. Hoje completámos 2000 visitas! Bonito número. Grato a todos os que por aqui passam alguns dos seus minutos.

Devagarinho, “Mails para a minha Irmã” vai fazendo o seu percurso, contando as suas estórias e construindo a sua história. Hoje completámos 2000 visitas! Bonito número. Grato a todos os que por aqui passam alguns dos seus minutos.
É possível ter uma visão poética sobre todas as coisas? O impulso é dizer que sim. Tudo tem poesia. Mas há obstáculos. Sei lá, assim de repente, onde está a poesia daquele pedacinho de plástico que colocam nas pontas dos atacadores para que se não desfiem? Onde está a poesia do motor de ignição de um carro? Onde está a poesia do composto químico do conteúdo das pilhas? Onde está a poesia de uma entrevista à nova Ministra da Educação?

Não há já o fulgor e há quem diga que é normal. Que o fogo esvanece. Que a energia fenece. Que a entrega enfraquece e se encosta à rotina, com a idade. Mas eu quero ainda o o fogo, a energia, a entrega e o pueril vigor que me dizem não ser da minha idade ainda cá mora. Dancei nas curvas do teu corpo agarrado a ele projectando sombras no chão, silhuetas da aventura de sermos um só na mesma loucura. E, entretanto, entrou aqui algures, por entre os espaços que os corpos sempre abrem entre si essa ideia da idade. A idade do corpo. Então e a outra? E pergunto-me, será que alguém sabe a idade de alguém? Conhece alguém a sua própria idade? Ou a idade é o que fazemos com o tempo e a vida. São as virtudes e os pecados. Só não consta da nossa idade o que não vivemos. E isso não se deixa, só, de contar: desconta-se! E o teu corpo, outrora visita constante é hoje mais um irmão do que um amante. Está presente mas não me invade. Sinto-lhe o calor mas não o fogo. Eu sou mais uma presença a que te habituaste do que a África quente, harmoniosa e sensual que exploraste. Deixámos há muito de pecar! E faz falta à pureza de um amor inflamado, o sabor picante e vivo do pecado.
De mãos unidas
e ungidas de Deus
e joelhos colados
ao chão,
o silêncio é o lugar
onde o pastor
ouve
a sua própria canção.
Os verdes campos
são uma porta fechada
pelo lado de dentro
e a liberdade
é um grito
que emudece
quando o pastor adormece
nas mulheres
com que se deita…
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Hoje estou com veia divulgadora.
Este texto veio daqui: http://arcadehistorias.blogspot.com/
Olá mana,
por estes dias, finalmente tristes, de Inverno, um sol houve que brilhou na seara da minha esperança: os miúdos fizeram um blogue.
Ao que parece a zona é complexa, mas, como sempre, os miúdos encaram a vida com alegria e galhardia e aquilo que entre os adultos poderiam ser problemas complexos, discussões, litígios, para eles são só o dia-a-dia.
E depois, há no meio disto tudo um professor, o Manuel, que acredita, efectivamente, no que faz e faz bem.
Estão por isso reunidas as condições para que a vida aconteça. E no espaço de um apoio, criam-se blogues, visitam-se blogues, pesquisa-se, intervem-se, aprende-se!
Como sabes, tenho sido um defensor prudente das novas tecnologias nos ambientes educativos. Defendo-as, sim, mas com critério, com acompanhamento para que o crescimento seja sustentado. Acontece, contudo, que a vida acontece e irrompe para além das nossas ânsias e mesmo para além das nossas capacidades de controlo. E mesmo com o acompanhamento do Manuel, os miúdos inscreveram-se na esfera cibernética e agora a vida é deles e acontecerá como tiver de acontecer. Resta-nos estar atentos.
Não farei o texto muito longo porque eles não gostam, mas queria usar este espaço que é, por norma, teu para divulgar o trabalho e o orgulho destes miúdos que de resto me lembram a tua fibra e o brilho do teu olhar quando tinhas feito alguma…
Sejam muito bem-vindos, amigos, a este mundo paralelo do outro e que ele vos traga as alegrias todas.
Aos leitores de “Mails para a minha Irmã” sugiro uma visitinha a:
Doce mana,
É como se não fosses “só” minha irmã, mas o milagre de toda uma vida. É como se a minha existência se tivesse iluminado a partir do dia em que te vi, rosada, pela primeira vez.por mais complexos que possamos parecer ou queiramos assumir, a verdade é que, nós, os humanos, somos seres de síntese. Senão vejamos, há dias para este santo, para aquele santo, para algumas santas e há, depois, o dia de todos os santos. E, em síntese, colocamos os santos todos num mesmo saco que é o saco para onde vão os que se não destacaram por nada a não ser terem tido a coragem de atravessar o tenebroso rio.
Estava aqui a pensar nisto, donde se infere que sou um tipo esquisito, quando me lembrei que o pai, o avô Velez, a avó Ana, o avô Francisco, a avó Lectícia, a Mimi e mais uns quantos humanos que nos preencheram as vidas da juventude já são santos. O que não deixa de ser curioso porque entre estes admiráveis santos havia alguns que celebravam o dia com particular interesse.
Para nós tudo se resumia a um ritual que começava numa visita ao cemitério e terminava entre febras grelhadas na brasa e castanhas assadas nos pinhais de Santa Quitéria com fumos intensos de café de borra aquecido no lume perfumado das carumas.
Só hoje, à distância inultrapassável de umas quantas partidas definitivas, eu percebo o sentido dos rituais porque lhes sinto a falta. A verdade, mana, é que nada pode ser vivido antes do tempo. E é por isso que o dia de todos os santos teve uma altura em que era uma festa e tem, agora, um tempo em que é uma celebração. A celebração dos meus santinhos.
A celebração da dedicação com que o nosso pai nos conduzia até ao local perfeito, a celebração da sua voz moderadamente entusiasmada falando da feira e observando os seus pormenores de vida, a celebração da agitação genuína da Mimi, a celebração da insubstituível falta que me fazem os humanos, que, por serem os meus eleitos, são os meus santinhos, por mim beatificados e canonizados no altar da gratidão, do reconhecimento, do amor nascido de uma vida partilhada.
Se outras razões não houvesse, se outros santos o não justificassem, todos os meus santos de amar justificaram a noite de festa e febras e castanhas e água pé e vozes iluminadas pela companhia e pelo sentir que estamos vivos entre os vivos e, por isso, em condições de celebrar os vivos entre os mortos.
E foi assim que celebrei os meus santinhos, entre amigos, com todos os ingredientes, excepto o frio que muita falta fez por ser catalizador de conversas e por permitir aquele gesto que é uma pessoa agarrar numa chávena de café quente, encolher os ombros dentro da roupa e soprar o bafo à medida que vai comentado “está frio, não está?”…
Beijo,
mano.
– De onde está, o João vê a nuca do colega da frente erguer-se alva e ligeiramente inclinada sobre o escuro da fazenda do fato e, quando este se baixa, vê também a nuca do primeiro colega (primeiro em tudo, a localização geográfica no espaço da sala é sintomática, o que faz do nosso-joão-olhos-do-passado-com-funções-de-máquina-do-tempo um aluno mediano!). À sua direita vê, em visão periférica porque levantar muitos olhos, mostrar curiosidade, pode ser mal interpretado, as sombras das costas dos fatos escuros dos colegas. À sua esquerda mantém-se a monotonia simétrica do panorama. Ao fundo, em boca de cena, sobre o estrado, mais alto do que realmente é, está o mestre. Junto à secretária, não encostado a ela. Sóbrio. A secretária tem um aspecto sólido e por detrás um cadeirão. Na parede um Cristo ainda na cruz. Para a direita abre-se a imensidão negra do quadro. Chegar ali só por razões muito boas ou muito más. Mais à direita, ainda ao fundo, chegando ao canto oposto ao do professor um armário médio que guarda paralelepípedos entre outras coisas abafadas pelo pó e, menos poeirenta, a menina de cinco olhos. Por cima deste, uma foto em tons de cinzento e negro do Senhor Presidente do Conselho a quem Portugal está agradecido.
O João não vê mais nada além disto a não ser o seu material geometricamente disposto e organizado sobre o tampo impecável da mesa. Para ele, isto não é bom nem mau. É assim!
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Corre louco e fugidio
Por ruas estreitas,
Fintando o casario
E levantando as saias às mulheres descuidadas.
Deixa para trás,
Em rodopio,
A cabeça dos homens
E o sussurrar do mulherio.
E foge, louco, às perseguições,
Sem querer saber de amizades,
Amores ou paixões.
Há no seu passar
Um pressentir de vertigem,
Uma alegria, Um medo,
Um arrepio!
Corre e passa e há quem o veja,
ou jure que o viu,
Mas não se avista nunca de onde partiu.
E segue indeferente
À vida e à morte,
Às mães e aos pais,
Aos filhos e às filhas,
percorre as terras todas,
As montanhas, os vales
E as ilhas!
E não há notícia da sua captura,
Nem em frasco, nem em saco,
Nem em câmara escura.
Quem o vir,
Deixe-o passar.
Deixe-o ir.
E recolha a lição
Que a missão
Do Tempo
É fugir!
jpv
Querida mana,
Entre a pasta dos dentes, o pequeno-almoço e o entrar para o carro a coisa foi breve e lá partimos os três à descoberta dos recantos deste país que ainda são portugueses. Algures numa curva à esquerda, em plano inclinado, dou de caras com um letreiro todo janota, com uns cachos de uva pintados e cuja inscrição assim rezava: VINHO DO PRODUCTOR.–
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The world as I see it
We declare the world as our canvas
As featured in Olympus Passion Magazine and on The Art of Photography
Art Lesson Ideas, Plans, Free Resources, Project Plans, and Schemes of Work. An 'outstanding' art teacher in Greater Manchester. Teaching KS3 and KS4 art and design.
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