Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Nota triste e singela homenagem

Qualquer morte é uma tristeza. A morte de Artur Agostinho não só é uma tristeza, como significa a perda de um exemplo público de capacidade de trabalho, de dignidade e a perda de um símbolo cultural e transgeracional de perseverança, competência e profissionalismo.
Artur Agostinho tocou-nos a quase todos. E o que mais me impressionou sempre foi a sua humildade. A forma como sempre abraçou a vida com paixão e dedicação e a forma como constituiu um exemplo para todos nós.
Fica a saudade e homenagem singela de Mails para a minha Irmã ao homem que até a gritar goooooolo tinha elegância!


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Histórias do Autocarro 28 – Amigas Conversadeiras

Amigas Conversadeiras

Voltei ao autocarro. Não foi bem no 28, mas foi num percurso partilhado com o 28.
Entrei e entraram atrás de mim duas amigas conversadeiras, bem simpáticas, que tiveram excertos de diálogo interessantes. Daqueles que nos acordam o espírito pela manhã.
Como estava de costas nem me apercebi bem do seu aspecto. Sei só que uma era loira e a outra morena. Uma delas agarrou-se ao varão e a sua mão ficou mesmo à frente dos meus olhos. E aí começou o espectáculo. No espaço minúsculo de uma unha, a senhora tinha um malmequer branco com o centro negro e, ao lado, também em negro, uma ramagem a fazer lembrar o acanto. Não sei como, mas ainda houve espaço para uma tira diagonal em brilhantes minúsculos. E quando entraram, vinham a falar de unhas.
– Eu mostrava-te a minha unha, mas não consigo.
– Isto está apertado.
– Ao menos vamos quentinhas. Olha lá, como é que vai a tua ansiedade?
– Vai boa. Durmo pouco. Eh pá, tenho de fazer umas merdas… e tu amiga, tens conseguido dormir?
– Muito Bem. Eu durmo sempre bem. Às vezes, depois do meu namorado sair de casa ainda vou dormir mais um bocado!

Pois é, caros leitores, se eu podia viver sem transportes públicos pela manhã? Poder, podia, mas não era a mesma coisa!

jpv


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Curtas do Metro – Está Cá?

Está Cá?

Os tempos são o que são. Os costumes mudam com eles. E estes são tempos de tecnologias. Um dia destes, chegou-me por e-mail um daqueles PowerPoints que ninguém abre mas todos conhecem e trazia a história do pai que chama o filho para jantar via e-mail, estando ele no andar de cima da mesma casa. Achei aquilo exagerado, mas depois do que assisti hoje no Metro, resolvi reconsiderar.

Uma estava sentada. Teria aí uns dezassete anos e vestia as roupas e as cores da sua idade. A outra ia de pé com roupas e cores para a mesma idade. A que ia sentada viu a que ia de pé junto à porta. A que ia de pé não viu a que ia sentada. É importante que se esclareça que não distavam uma da outra mais do que dois metros. Estavam a um passo uma da outra!

A que ia sentada sacou do telemóvel, marcou um número e esperou. Tocou uma música metálica e a que ia de pé tirou o seu telemóvel da mala e atendeu:
– Está lá?
– Olá!
– Olá!
– Olha, senta-te aqui ao pé de mim.
A que ia de pé olhou em volta, detectou a outra, olharam-se mutuamente e ela disse num tom de voz que tanto se ouvia dentro como fora da maquineta:
– Ah, estás aí!
– Estou.
– Bom dia.
– Bom dia.
Trocaram um beijinho e depois desligaram os telemóveis.

jpv


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Divulgar a Primavera…

Com responsabilidade. São mensagens de interesse e responsabilização que, cada vez mais, temos de associar à comemoração da explosão do sol, do verde, dos passarinhos e das paixões arrebatadas. Sim, a Primavera é inigualável e é por isso que os nossos filhos e netos também devem ter direito a uma:


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Brisa Marinha

Brisa Marinha

Corre a suave brisa
Pela face admirada,
Veio em pesquisa
Da vontade libertada.
E sinto o fresco
E a vida
E vejo no mar o pulmão
Que trará a esta alma
Perdida
Um rumor de regeneração.

E nasce no poeta a ideia
De levantar-se e semear,
Mas é estéril a areia
Sempre lavada pelo mar.

jpv


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Mar Vespertino

Mar Vespertino

Uma prata ondulante
Em água marinha espelhada
Acorda-me o tempo distante
Da vida em alvorada.
E sinto-te a força
Que seduz,
A pujança do bramir
E o intenso brilho da luz.
E quero voltar,
Ir à procura do meu mar,
Errante e perdido,
Ecoando meu próprio bramido.
Só ir. Sem voltar.
E sinto neste mar
O prenúncio das minhas passadas
Nas suas ondas brutais.
Não sendo todas diferentes
Nenhumas são iguais.

jpv


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Pescador

Pescador

Anda um pescador atarefado
Atirando e estendendo a linha,
Parece um homem condenado
A ter a alma sozinha.
E há nos seus gestos banais
Um sentido global,
Como os grãos pequeninos nos areais
A comporem o quadro universal.
Interessa-lhe que tudo seja feito
E desde que o Universo o deixe,
Há-de chegar o dia
Em que até lhe interessa o peixe!

Já te percebi, ó pescador.
Pertences a uma casta de audazes,
Em cada gesto tens a dedicação e o amor
E não importa tanto o que pescas como o que fazes.

jpv


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Escultor de Sonhos

Escultor de Sonhos

Era o mar que observavas
Ou era ele que te esculpia
Os sonhos?
Era a brisa que saboreavas
Ou era ela que te embalava
A imaginação?
Entregavas-lhe o que és
E pedias de volta
O que querias ser,
Olhaste-o sem temer
E enviaste-lhe uma mensagem
Perfeita e concisa
Envolta no sussurro da brisa:
Realiza-me os sonhos!
E por cada desejo,
E por cada pedido,
Recebias a força e o ensejo
De um sonho apetecido.
E ali estiveste ondulando o pensamento
No mar brilhante e encapelado
E quando chegou o momento
Julgaste ter vivido
O que havias sonhado.

jpv



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Ao Sol

Ao Sol

Que mais ingredientes serão precisos,
Que os teus lábios nos meus?
O Mar em estrondosa exaltação,
O teu corpo no meu corpo,
O sol brilhante queimando a paixão?
Que mais primavera,
Que outro Universo?
Que gloriosos dias mais
Que perder-me em ti
No calor alvo dos areais?

jpv


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De Negro Vestida – LXXII

 

Abandonar o Negro – IX

Há quem tenha dito, quem tenha escrito e quem tenha defendido que há tantas realidades quantas as pessoas. Parece-nos restrito, o critério e são muitas mais as realidades porquanto cada pessoa vê e interpreta cada realidade como sendo outra consoante o seu estado de espírito. Ora, um dos que mais frequentemente e com maior intensidade altera o mundo que nos rodeia é o enamoramento.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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