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Crónicas de Maledicência – O Sorteio do Ano
Crónicas de Maledicência – O Sorteio do Ano
Já temos DATA!
O Longe e a Distância

O Longe a Distância
Foste a chegada
E desenhaste a partida.
Deixaste derramada
A semente da vida
Com uma enxada visceral
Numa terra escondida.
E a terra sou eu.
Nada tenho de meu
A não ser o que deixaste.
Herança imensa e pesada,
Estar à altura de teu gesto,
Tua atitude honrada
A poder de sacrifício.
Tinhas onze mandamentos,
Os outros
E o teu.
Dez, andam por aí,
Sendo cuspidos,
E o outro é meu.
Tu és a minha razão,
O meu sopro,
A inspiração na dor
E o sorriso na alegria.
Não vejo o dia de abraçar-te.
E não me importo de morrer para isso,
Por magia, encanto
Ou benigno feitiço.
De suave e doce morte,
Ou de violenta e dolorosa sorte.
Não importa o caminho,
Luminoso ou escuro,
Desde que sejas tu o porto seguro.
O futuro
Onde não há Futuro.
Estou só e preso
Em mim.
Vivo e morto
Sem fim.
E não há caminho,
Nem libertação,
Nem sonho,
Nem promessa, nem arte
Que tenha a força de amar-te.
E continuas aqui.
E és tão pouco
E tanto.
És a letra do canto,
A lágrima do pranto,
A saudade e a superação.
Olha para mim, pai,
E estende-me a mão!
jpv
À memória de meu pai.
1934/1999
A Publicidade Fantástica do Dr. Prince
Imagens de Maputo – Embarcação de Sonhos
[Imagens de Maputo é uma secção deste blogue com o objetivo de divulgar imagens do quotidiano da Capital de Moçambique. Não há um tema. O quotidiano de Maputo é o tema. Serão imagens exclusivamente captadas por mim, e, também, exclusivamente captadas com telemóvel. Não serão fotos tiradas de propósito, com intenção estética, serão fotos tiradas como quem passa, no momento em que passa. Instantes. Sem texto. Só com o título que lhe atribuirmos. Apreciem! — jpv —]
À Deriva do Atlântico
À Deriva do Atlântico
Estou aqui sentado
Nesta pequena canoa
Vou-me então transformar
Em Fernando Pessoa.
Só tenho dois companheiros
O lápis e o papel
E sou alimentado
Por um pote de mel.
Olho para o mar
O mar extenso e sombrio.
Quando penso na solidão
Até sinto um arrepio.
Sinto saudade de uma Rosa
Ou então de uma tília
No mar vejo o reflexo
De toda a minha família.
Os meus amigos despejados
Por um grande cano
Eu estou neste barco
À deriva do Oceano.
Ao escrever estas palavras
Cheias de fantasia
E ao digitar este poema
Fico cheio de alegria.
Passei muitos dias
No oceano a navegar
Mas a terra está à vista!
E bem irei ficar.
Crónicas de África – Kaapsehoop

Kaapsehoop – Interior da Igreja. O altar é um simples
estrado com um janelão para a rua. A cruz faz parte da
estrutura da parede.
Teorema de Pitágoras Revisitado

Teorema de Pitágoras Revisitado
A caminho de Siracusa,
Dizia Pitágoras aos seus netos,
Esquecei lá a hipotenusa
E cuidai de vossos afetos!
jpv













