Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Fotobiografia de Ti

Foto por jpv. Hydra

“O vento trocou-me as voltas, trouxe-me depois, quem amo imensamente. Indefinidamente.”

jpv


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Foto por Cláudia. Coimbrão.

“Tu foste sempre, e continuarás a ser, a união.”

jpv


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TU

Foto por Ângela. Coimbrão.

Tu continuas a falar

Como se todos estivessem

A ouvir-te.

E algures na conversa

Vieram os leões.

Como se soubesses…

Em ti, há uma distância,

Enorme,

Entre os que habitam

Onde nunca foste.

E falas,

Como se as tuas palavras

Fossem uma verdade,

Uma missa rezada

Pelas palavras cristalinas

De um jovem cantor.

É há um sentido

Nisso tudo.

A tua solidão.

Vives acompanhada

Pelos fantasmas

De não sei quando

E não sei de onde.

E, quando tu te calas,

Faz-se um silêncio

Produtivo.

Ficam só os pássaros,

Uma motosserra teimosa,

Ao longe,

E a Paz.

jpv


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Fotobiografia – quase um romance

Foto por jpv in Setúbal

Está muito perto a data de publicação do próximo romance. Não é um romance. É uma AUTOBIOGRAFIA que vai pôr a nu as desgraças e as virtudes de uma família.

Como se depois do AVC tivesse sido tomado pela verdade e tudo o que é vida estará presente.

jpv


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O meu Gato

Foto por Cláudia in Hydra

Este não é o meu gato. Aliás, tolero os gatos, sei como fazer-lhe festas, mas não são os meus animais favoritos. Primeiro vêm os cães e depois os pássaros. Estes segundos ao ar livre.

Este é um gato especial, que se apaixonou à primeira vista, e soube  cativar o objeto da sua paixão. Íamos quatro no caminho e ele escolheu-me. Tive de me sentar dada a sua insistência para que o fizesse. E sentei-me. E ele ficou ali encostado a mim o tempo que quis. Tenho a sensação, a inexperiência a isso obriga, que foi mamar. Mais não posso que especular.

Nunca me disse o nome. Se é que o tinha. E a nossa relação não foi além daqueles trinta minutos. Depois foi-se embora muito calmamente. Tinha estado a beber calma. Mas marcou-me. Lembro-me dele amiúde. Da sua calma. Da sua insistência e por fim como se foi embora. Parece que sabia que eu era um colo temporário. E isso apaixonou -me. Ficou para sempre o meu gato…

jpv


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AMOR

Essa coisa indefenível
Como as coisas
Que se chamam coisas.
Essa impressão
Que fica no ar
Mesmo quando já não se nota
O teu passar.
Essa coisa que me traz preocupado
Com as simples tarefas
Do universo.
Essa coisa que deixa um perfume
Em prosa,
Ou em verso.
Essa coisa a que não quero chamar Amor
E que rodeio com perífrases
Do mesmo tipo.
Esse longo amar
Na cabana do Tofo,
Ou um beijo trocado
No Dhow ao chegar.
Passou continentes
E olhou-te de surpresa
Após o AVC.
Essa coisa que ainda
Ontem fizemos,
Sem vergonha nem pudor.
Essa coisa,
Assim pura,
Chama-se Amor.

jpv


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FOTOBIOGRAFIA

Íamos para o campo e eu atirava uma bola tão alto quanto possível e tu ficavas ali a vê-la cair devagar…

João Paulo Videira in FOTOBIOGRAFIA


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George

Foto por Dasa.

Um ano. Um incrível ano. Sabes, estou agora a escrever sobre o teu Pai. É uma coisa que faço. Escrever. Assim como tu te entreténs com os brinquedos, eu escrevo. Hoje apetece-me dizer que é o dia mais fantástico de sempre. Porque tu fazes anos. É assim como se rebentassem todos os fogos de artifício do mundo no meu coração. A tua música, como um xá-xá-xá perfeito, inunda o meu cérebro. Quando cresceres, hás-de aprender que não sou muito normal, mas amo-te acima de todas as coisas. Tu agora és tão pequenino, que tudo te parece grande, os manos, James e Julia, parecem-te domar o mundo, que em breve será teu. Sabes, o avô não tem medo de morrer, mas tenho pena de não continuar a vida ao pé de vós. Espero ter tempo para que me conheças, para que faças, tu, os juízos de valor. Até já!

João Paulo Videira


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FOTOBIOGRAFIA

Foto por Carlos Pinto Leite

“A mais bela conversa que tive com ele, não foi uma conversa.”

FOTOBIOGRAFIA


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Nademos


A escrita não pode ser fotográfica.
E realmente a vida não tem relação nenhuma com a escrita.
Esta é o que envolve o que se vive,
um véu que paira,
que revela ou esconde,
aparentemente inútil,
nitidamente necessário.

Nademos.

E não deixemos de viver por causa da escrita.
E não deixemos de escrever por causa da vida.
Mesmo nos dias em que a escrita é a nossa única namorada.

Ne pas oublier

Gosto é de deixar o corpo dominar o espírito.

António Martinho