
Decidiram.
Não sei porquê
Bateram-me à porta.
E à janela também.
Todos os dias os ouço,
Uma orquestra maravilhosa,
E às vezes,
Sem vergonha.
Entram aqui
E comem onde sabem
Que está o que se coma.
Mas isto foi diferente.
Durante quatro dias
Seguidos,
Vinham como loucos,
Esbarrar contra as
Minhas janelas.
E depois ficavam ali,
Como mortos
Que respiram muito depressa,
Mas não conseguem voar.
E aí, entrava eu.
Agarrava-os com cuidado,
Metia-os debaixo de uma torneira
E banhava-os de fresco.
Mesmo quando reagiam,
Não era para voar.
Os coraçõezinhos desesperados,
Num bater que dava pena.
Deitava-os numa cadeira,
À sombra, e ia à minha vida.
Para verificar,
Minutos passados,
Que tinham voado.
E foi assim,
Fui um salvador de pardais.
Há quem diga,
E eu acredito,
Que eram os mais novos,
Incautos dos perigos
Dos primeiros vôos alados,
Uma bebedeira
De liberdade.
Fosse qual fosse o motivo,
Durante quatro dias
Eu fui o seu salvador.
jpv