Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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No manto escuro e brilhante

No manto escuro e brilhante

 

No manto escuro e brilhante
Situa-se um conjunto de afortunados
Quase nele encontra-se conforto e sossego

Naquele momento quando se desperta
Provoca um desejo de dar a volta
Sem a sua companhia
Nós não teríamos fantasia

Minutos, segundos ou mesmo horas
Perde-se naqueles breves momentos
Momentos trágicos e loucos
Que nos assombram para a vida

Sem eles a nossa vida estaria incompleta
Porque sem aquelas memórias e desejos
Nós seriámos humanos inférteis
Sem nada para ansiar ou sem nada para desejar…

Nádia Pinto
13 anos


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Linha Indecisa

Endechas à Saia de Bárbara

Linha Indecisa

Há, na linha indecisa
Da tua saia,
Um fim
E um princípio.
É o tecido que termina
E desmaia,
É a perna que surge
E contra a minha vista
Insurge
Sua presença
E seu tom.
E eu não sei
Se isso é mau
Ou se é bom.
É que não a vejo toda,
Nem toda a quero ver.
Basta-me o suficiente
Para te não esquecer.

E poderia ver mais,
Além desse limite,
E desse precipício.
Mas isso seria inequívoco
E intolerável indício
De pairar no ar
Perigoso convite.
Serei prudente,
Fingirei que não vi,
Antes que a visão do abismo
Me precipite!

Leva lá a saia
E sua sinuosa linha
Antes que me descaia,
De novo,
O olhar para a perninha!

jpv


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Antes do Tempo

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Antes do Tempo

Antes da memória.
Antes da penumbra no olhar.
Antes da história
E de termos de explicar.
Antes de morrer a inocência.
Antes de termos cuidado.
Antes do nosso futuro
Não ter passado.
Antes de um dia aziago.
Antes de uma lágrima corrida.
Antes do ritual fúnebre
Que marcou a nossa vida.
Antes do tempo
Em que não havia tempo
Antes de quase tudo
Ser só um momento.
Antes desse tempo,
Tu eras menina
E bailava no teu olhar
O brilho de um sorriso.
Antes desse tempo,
Era um gesto conciso.
E absoluto.
Era das tuas palavras
Que eu bebia a vida,
Era da tua vida
Que eu marcava a partida.
E a chegada.
Antes desse tempo,
O tempo era tudo
E a fortuna era nada!

jpv
À minha Mana


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Vermelho Direto – Duas Épocas de Sonho

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Vermelho Direto – Duas Épocas de Sonho

Ao contrário da maioria, eu não acho que o Benfica tenha feito uma época de sonho. Penso, e já escrevi, que o Benfica fez duas épocas de sonho. A do ano passado e aquela que terminou hoje. O ano passado não se trouxeram os troféus para a Luz, mas ganharam-se quase todos os jogos e os adeptos passaram o ano em festa. Este ano foi tudo isso mais os três troféus numa sequência inédita! E ainda com direito a fazer uma perninha bem digna nas competições europeias estando em duas finais consecutivas.

Todos aqueles que o ano passado gozaram com o Glorioso e fizeram aquelas piadas dos melões e aquele gozo do quase e do ajoelhar, este ano tiveram de engolir os melões todos e da pior forma. Ficaram todos longe do quase e todos ajoelharam para que se erguesse, em triunfo, a nação benfiquista! É que não só o Benfica ganhou os troféus como derrotou os seus mais diretos adversários em todas as competições. No campeonato, ganhou ao Porto quando foi preciso e fê-lo de forma inequívoca. Empatou em Alvalade e ganhou de forma arrasadora ao Sporting na Luz, naquela que foi uma das piores exibições dos leões na temporada. Por causa da falta do William Carvalho? Claro que sim, mas os grandes clubes, aqueles que conquistam títulos, têm plantéis para a época inteira e não vergam às primeiras contrariedades. Na Taça da Liga, O Benfica eliminou o Porto nas Antas! Na Taça de Portugal eliminou o Sporting, depois o Porto e por fim ganhou à segunda melhor equipa deste ano a jogar em Portugal: o Rio Ave. O Benfica aprendeu. E fez das derrotas vitórias. Mas em bom. Se o ano passado tinha discutido até ao fim três competições, este ano discutiu quatro e dessas ganhou três. Não houve, em Portugal, um rival à altura. Soçobraram perante a superioridade do SLB. E, na Liga Europa, é verdade que não trouxe a Taça, mas saiu da competição sem perder um único jogo!

O Benfica foi a melhor equipa portuguesa logo seguido do Rio Ave e, depois, do Sporting que parece querer reerguer-se e nós, benfiquistas, queremos que o faça porque preferimos ganhar ao Sporting quando está bem do que quando se encontra envolto em problemas. No reino do leão, de resto, a época foi fraquinha, à exceção de dois aspetos relevantes: a construção de uma equipa jovem e com futuro e o regresso às competições europeias, que se saúda. As deceções foram, sem sombra de dúvida, três. O Sporting de Braga, o Porto e… o primeiro treinador do Porto, esta temporada, Paulo Fonseca.

E porque a memória não pode ser curta, uma breve palavra para Paulo Fonseca. O ano passado, após a vitória do Porto sobre o Benfica na penúltima jornada, o campeonato não ficou logo entregue. O Porto precisava de ganhar a um surpreendente Paços de Ferreira que tinha garantido a participação na Liga dos Campeões com um inédito 3º lugar no campeonato nacional. Logo, a deslocação do Porto a Paços de Ferreira seria difícil. Se houvesse dignidade e honestidade por parte de ambas as equipas. Mas não houve. O Paços foi macio, não defendeu, não atacou, ofereceu a vitória ao FCP de mão beijada que nem teve de esforçar-se muito. Bastou marcar um penalti inexistente sem que os jogadores do Paços reclamassem. No fim do jogo, estranhou-se que o treinador do Porto, Vítor Pereira, beijasse e abraçasse o treinador do Paços: Paulo Ferreira. O mesmo Paulo Ferreira que dias depois foi anunciado como novo treinador dos azuis e brancos. Pode ser tudo uma carrada de coincidências, mas porque se daria Deus Nosso Senhor, que tem mais o que fazer, ao trabalho de humilhar Paulo Fonseca se tudo tivesse sido uma inocente coincidência? Como diz o Povo: cá se fazem…

Por fim, enaltecer o trabalho do presidente do Benfica e do seu treinador, Jorge Jesus. O tal que dá pontapés na gramática e acardita sempre! E foi de tanto acarditar que conseguiu a proeza inédita de limpar os três troféus internos no mesmo ano.

 E agora que a segunda época de sonho consecutiva acabou, a nação benfiquista pode descansar e usufruir. Para o ano há mais. Que ganhe o melhor. Este ano, o melhor, equipou de águia ao peito!

Tenho dito!
jpv


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Crónicas de Maledicência – O Linchamento da Copa

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Crónicas de Maledicência – O Linchamento da Copa

Eu nunca estive no Brasil. Não tenho qualquer conhecimento profundo do funcionamento quotidiano da sociedade brasileira nas suas diversas vertentes. Cultural, social, política e económica. Logo, não me assiste qualquer autoridade para escrever estas linhas que não seja a de um cidadão interessado naquilo que o rodeia. Nihil humanun alienum mihi est.

Acontece, entretanto, que os mais recentes acontecimentos de teor político-social me trazem preocupado. Porque o povo brasileiro me parece revoltado e em revolta, porque me parece desmandado, completamente desorientado, mais à procura de culpados do que de soluções, porque me parece estar a ser alvo de diversos tipos de manipulação e, finalmente, porque me parece que sofre e se vira contra si próprio.

Não sendo eu uma pessoa que atribua ao futebol uma importância extrema, nem lá perto, encaro-o como uma forma de diversão e tenho pelo jogo o interesse que se atribui a um espetáculo de entretenimento diversificado, também não ignoro tratar-se de um desporto que arrasta milhões de adeptos e assume a dimensão de um fenómeno cultural a que quase ninguém fica indiferente. Além do aspeto cultural, o futebol tem um peso significativo ao nível dos média, ao nivel industrial, comercial e, naturalmente, financeiro. E até do ponto de vista da imagem que se projeta de uma determinada nação. E isto acontece quer através das seleções, quer através dos clubes. Uma coisa é certa, trata-se de um fenómeno de dimensão global. Não ignorável, portanto.

O Brasil, por sua vez, diga-se e pense-se o que se quiser, é, por razões de ordem diversa, uma nação poderosíssima. É “só” o maior produtor mundial de hardware informático, tem cento e setenta milhões de habitantes e falantes da Língua Portuguesa, acolhe a floresta amazónica, justamente chamada de “Pulmão da Terra”, desenvolveu um poderio agrícola e industrial muito significativo, a sua produção cinematográfica e, em particular, a sua produção musical, chegam aos quatro cantos do Mundo, sendo incontornáveis, no âmbito da CPLP, autores como Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Jorge Amado…

Este país tem símbolos, ícones e manifestações culturais que o marcam e o caracterizam e, mais do que tudo isso, fazem parte da sua identidade enquanto nação. Brasil é café, Brasil é samba e bossa nova, Brasil é Carnaval e Brasil é… futebol.

E ninguém impôs isso ao povo brasileiro. Foram os brasileiros, enquanto povo, que se afirmaram com essas características, que construíram e assumiram essas manifestações culturais, donde negá-las parece assumir contornos de uma macro-negação da sua própria identidade.

Ora, os brasileiros votam. E quando votaram, da última vez, quero acreditar que escolheram, em consciência, quem consideravam melhor para os governar. Isto não significa, tout court, que os eleitos façam um bom trabalho, ou façam o que prometeram, mas significa que têm legitimidade democrática para governar.

Junta-se a este raciocínio um outro fator. A grande nação brasileira está a atravessar graves problemas sociais e políticos. Altíssimos níveis de pobreza extrema, assimetrias financeiras muito acentuadas, o problema da marginalidade e da criminalidade, a falência do sistema público de saúde e sérias dificuldades em manter um sistema nacional de educação público e de qualidade. E há um outro, pelo que leio, pelo que vejo na televisão e na Internet, que é transversal a todos os outros e não só está na sua génese como constitui um sério obstáculo à sua solução: a corrupção.

Chegados aqui, olhando para a nação que o Brasil é, olhando para as fortíssimas marcas culturais que transporta, olhando para os graves problemas que atravessa, olhando para o universo faustoso que a organização da Copa 2014 comporta, estão criadas as condições para fazer do certame o bode expiatório de todos os problemas e insuficiências e promover o seu linchamento. Como escreveu Camões, tão amado no Brasil, “Mísera sorte, estranha condição”.

Como quase sempre acontece nestes casos, geram-se dicotomias e antagonias que dividem a população. Há os que são a favor da resolução dos problemas e, como tal, contra a realização do certame e há os que são a favor da Copa e a seguir pensa-se de novo nos problemas. Pois, eu penso que, quer um posicionamento, quer outro, são pouco ambiciosos. Na minha humilde, imperfeita e inabilitada visão, os brasileiros deveriam exigir aos seus governantes, nada mais, nada menos, que a realização da melhor Copa de sempre e a resolução dos problemas que assolam a nação. O Brasil tem potencial e gente para solucionar os problemas que enfrenta sem descaracterizar-se culturalmente. Atrevo-me a colocar, por ousadia, duas questões aos meus irmãos brasileiros. Primeira, os problemas existiam ou não existiam muito antes do Brasil assumir a organização da Copa 2014? Segunda, se lincharem a copa e suspenderem a sua realização, os problemas ficam resolvidos? Pois, como se diz por aqui, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

A solução dos problemas sociais tem de ser prioritária, mas não pode levar o país a negar a sua própria identidade nem aquilo que o povo chamou a si como sendo as suas manifestações culturais. Por essa ordem de ideias, a do linchamento da Copa, enquanto houver um problema social por resolver, não pode haver Carnaval, não pode haver um concerto de música, não pode haver uma peça de teatro e, em boa verdade, também não deveria haver festas de anos nem churrascos em família.

Assustam-me os problemas, mas assusta-me mais, e dói-me, assistir a uma nação virar-se contra si mesma, mutilar-se da sua cultura e da sua identidade e linchar-se na rua. O que é efetivamente necessário é ser exigente para com o corpo político, cobrar-lhe a restituição da paz social, da qualidade de vida, dos serviços públicos de qualidade, e, simultaneamente, cobrar-lhes a garantia das manifestações culturais que são intrínsecas ao Povo. o que é preciso, é acabar com a corrupção, com a fome, com a pobreza. Isso é que é preciso. Não é linchar a Copa!

Tenho dito!
jpv


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Hoje Estamos Muito… Multiculturais!

MPMI Muito MulticulturalHonestamente, não sei o que se passa. Sei que, ainda o dia é uma criança, e já leitores de ONZE nações diferentes nos visitaram!

O peso da responsabilidade que decorre desta procura tão díspar em termos culturais assusta um pouquinho… cá estaremos, contudo, para saudar todos com os nossos textos.

Bem-vindos!

jpv


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Vermelho Direto – Benfica vs Sevilha Ainda a Quente

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 Vermelho Direto – Benfica vs Sevilha Ainda a Quente

Poucos minutos após ter terminado a final da Liga Europa que o Sevilha venceu ao Glorioso Benfica através do desempate por penaltis, poucas coisas se me oferecem dizer, a não ser algumas reações a quente.

A primeira é felicitar o Sevilha. No momento de decidir a final através dos penaltis, ganhou. Mas não ganhou por sorte. Ganhou porque foi mais competente.

Em relação ao jogo há algumas imagens que me ficam. A primeira é a de que foi um jogo muito equilibrado. O Sevilha foi inteligente e teve mais bola nos pés. A segunda é a de que o Benfica teve muitas mais oportunidades de golo, algumas, várias, flagrantes. Foi pena não ter concretizado. Evitaria a lotaria dos penaltis. Foi, claramente, a equipa que não quis levar a decisão da final para os penaltis. Percebeu-se, depois, porquê.

Por fim, poderia falar do árbitro, e muitas e sérias razões teria para o fazer, mas, sinceramente, não me apetece esconder atrás da  arbitragem. Isso não é uma atitude que me caraterize. Nem a mim nem aos verdadeiros benfiquistas. Por isso, desejo uma boa carreira ao senhor do apito e que venha a próxima final que é já no domingo.

Estes dois anos têm sido fantásticos. O ano passado estivemos em todas as decisões até ao fim embora sem vitórias. Este ano chegámos às quatro fases finais possíveis e já ganhámos duas. Espero que o SLB dispute a final da Taça de Portugal com a mesma dignidade com que jogou hoje e consiga trazer outro caneco para casa.

Por fim, uma curiosidade. O SLB, apesar de não ter ganho a final, não perdeu nenhum jogo desta competição! Simplesmente fantástico.

Como dizia o meu avô: honra aos vencidos, glória aos vencedores!

SLB, SLB, SLB, Gloriooooso, SLB, Gloriooooso, SLB!

jpv


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5º Aniversário MPMI

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Há cinco anos, precisamente, neste mesmo dia 12 de maio, depois de abandonar um projeto chamado “Dias do Fim”, debate sobre Educação, com o incentivo e a motivação de diversos amigos donde destaco a perseverança da Teresa Oliveira, criei um muito precário blogue com o intuito de publicar na blogosfera as crónicas Mails para a minha Irmã.

Desde então, mais de duas mil e trezentas publicações, mais de duzentas e trinta mil visualizações, mais de dois mil e duzentos comentários, centenas de poemas, centenas de crónicas, dezenas de contos, três romances completos e um em curso, são o rasto do que tem sido a vida de MPMI. O Blogue do Costume foi crescendo, tem página no Facebook, é divulgado no Twitter, no LinkedIn, no Google+, no Instagram, no Tumblr… Tudo porque há uma força que impele à escrita. Porque há leitores! MPMI é lido um pouco por todo o mundo sendo os países que fornecem mais leitores, Portugal, Brasil, Moçambique, Estados Unidos, Suíça, França, Alemanha, Angola… e tantos outros!

Muito obrigado a todos os leitores pela dedicação e pelo carinho, muito obrigado à Dulce Morais pela preciosa ajuda que permitiu uma transferência muito suave para o servidor WordPress, nossa nova casinha.

Muito Obrigado à Mana do Blogue!

Eu? Eu vivo de palavras escritas. A coisa que mais gosto são histórias por contar, poemas por escrever, crónicas por dizer…

Até breve e até sempre. Sinto em MPMI a força de um projeto com continuidade. Enquanto houver palavras…

jpv


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Crónicas de Maledicência – Conchita Wurst: A Diferença Incomoda

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Crónicas de Maledicência – Conchita Wurst: A Diferença Incomoda

Conchita Wurst é uma moça austríaca que ganhou, este fim-de-semana, o Festival Eurovisão da Canção. E vai daí toda a gente, e quando digo toda a gente, refiro-me ao mundo inteiro, começou a falar dela.

Até aqui, aparentemente, tudo bem. Só aparentemente. É que ninguém, desse toda a gente, resolveu falar da canção, da voz da cantora, do mérito, ou não da vitória. Nada disso. O mundo inteiro concentrou-se na barba de Conchita. E isso deixou-me triste. Triste, porque eu às vezes deixo crescer a barba e ninguém fala dela. Triste, porque expurgamos todo o tipo de diferença sempre com o pressuposto de que “isto não é nada comigo”. Triste pelo exacerbado e desrespeitoso exercício de preconceito. Os seres humanos são corrosivamente preconceituosos e exercem essa mesquinharia sem o mínimo de critério. Basta que seja diferente. E, se for diferente, incomoda. Muitos, não sabem nada da moça. Viram uma foto, leram ou ouviram alguém a dizer mal e vai de fazer eco do preconceito.

Esteticamente, eu não gosto da opção. Acontece que isso não me dá o direito de ser desrespeitoso nem insultuoso. Eu próprio tenho diferenças e quero que as respeitem. Acho, por isso, que um bom caminho para respeitarem as minhas é respeitar as dos outros. Logo, podemos manifestar o nosso gosto por uma opção estética ou dizer que não gostamos. Destruir, por princípio, é preconceito primário.

De resto, quem somos nós, humanos, para criticar a diferença. Uma mulher de barba? Era o que faltava que isso fosse o mais incomum que vimos até hoje. Se vivemos com homens de longa cabeleira loira, se vivemos com negros de cabelo oxigenado, se vivemos com mulheres de cabeça rapada, e outras de cabeça tapada, se vivemos com homens e mulheres tatuados, com brincos, piercings por todo o corpo incluindo onde o prazer acaba e a vida começa, furos nas orelhas, no nariz, as roupas mais extraordinárias que se pode imaginar, unhas pintadas, caras maquilhadas, se convivemos com pessoas que usam brilhantes nos dentes e anéis nos dedos, se convivemos com pessoas que não usam nada disto e optam por uma gravata a sufocar o pescoço e um fato cinzento num dia de Verão, porque raio nos há de incomodar a barba da Conchita? Enquanto humanos, não temos autoridade moral para criticar a diferença pois é, ela mesma, um dos nossos principais traços comportamentais.

Enfim, criticar, criticar, só me apetece criticar o nome, Conchita. Sei lá, Conchita faz-me lembrar espanholas, touradas na Andaluzia, Malaguenhas com vestidos de roda às bolas vermelhas, castanholas e olés. A Conchita merecia um nome mais helénico. Digo eu.

Já quanto à canção, deixem-me dizer-vos que gostei bastante, tem um crescendo melódico muito bonito e a Conchita tem um vozeirão de fazer inveja. Olha, fazer inveja, será que… Enfim, para os Amigos e Leitores de MPMI poderem avaliar convenientemente, aqui ficam a canção e uma entrevista com a mais recente vencedora do Festival Eurovisão da Canção.

TenhoDito!
jpv


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Um Átomo de Esperança

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Um Átomo de Esperança

Tudo é desencanto.
Tudo morre e fenece.
Tudo se perde
Por entre as palavras de uma prece.
Nada do que deixou de ser
Será alguma vez.
Mesmo quando se tira o luto,
Permanece a viuvez.

Tudo se esvai.
Tudo escapa às mãos
Por entre os dedos.
Jazem frios e podres
Os espíritos mais ledos.

As palavras persistem
Resistem ao tempo e à sorte.
Mas, como tudo o resto,
Adormecem nos braços da morte.

Resta uma ténue luz.
Um átomo de esperança
Na curva de um corpo que seduz,
Numa mão…
Que outra mão alcança.
A luz que resgata a Humanidade
Quando ganha força e folgor
Liberta para a eternidade
Quem persegue um grande amor!

jpv