
Alô Maputo! É já amanhã!



A escrita é tramada. Zanguei-me com ela. Zanga antiga de dedicar-me sem medida e não receber em troca a mesma atenção. Zanga antiga de procurar a qualidade, mas andarem textos andrajosos de mão em mão. Que me divorciava, que não escrevia mais, que tinha por vendidos um punhado de livros entre familiares e amigos, que não era vida de escritor este dar sem receber. E mordia-me os calcanhares da mente a história daquele tipo que publicou catorze romances inteiros em doze anos, todos feitos de páginas às centenas e capas rebrilhando nos escaparates. E eu aqui, tecendo e destecendo, qual Penélope das palavras, amanhando investigações, enjeitando umas frases e erguendo outras à luz cristalina de meus dias não mais que um romance a cada par de anos vencido. Mas a Escrita é amante caprichosa. Que não, não haveria partilhas, que o casamento seria para sempre, que teria de continuar a suportar-lhe os trejeitos de dama que subjuga o coração de quem a ama e ela me suportaria os dias em branco, as linhas riscadas, as páginas desconseguidas… Mas não, homem que é homem, por macho ser, leva a sua adiante, e vai de depor as armas e arrumar as canetas e esconder os cadernos e comprar livros e ler. Seria leitor por vingança de não ser lido. O primeiro sinal de recaída foi um caderno em branco de capas acastanhadas e gravadas de palavras no exterior. E lá dentro, nada. E depois um outro, discreto, com uma fitinha de marcar páginas e limites. E depois uma caneta. Coisa imperdoável de se desperdiçar ali, na montra, a olhar. E assaltou-me, à traição, uma personagem, e invadiu-me a imaginação uma história e entre a verdade esfumada na pobreza da memória e a vívida clareza dos momentos a perpetuar, sentei-me a rabiscar. E a zanga cá andava no peito a perder terreno para o entusiasmo desta nova história que chegou calma, tranquila e sem pressa. Assim começa: “Quando nasceu, Indesejada da Conceição Nhaca, não soube, não poderia ter sabido, que viera a este mundo para ser emigrante em sua própria terra, estranha no chão que a ouvira chorar pela primeira vez, despojada dos afetos, filha da miséria. Mas não foi isso o pior que a vida lhe reservou.”
João Paulo Videira


Amigos, eis a opinião da leitora Graça Fernandes que teve a generosidade e a gentileza de a partilhar connosco.
Muito obrigado, Graça… a sua generosidade deixa-me sem palavras. Escrevo para contar histórias e com elas tocar as pessoas. Quando tenho o privilégio de saber que isso aconteceu, a alma comove-se. Estou-lhe muito grato por estas palavras!
Um beijinho, João Paulo Videira

A Bloguer Marisa Luna, autora do blogue “AS FACES DE MARISA”, que já havia lido e produzido um texto crítico sobre o nosso segundo romance, “A Paixão de Madalena”, foi à procura do primeiro, “De Negro Vestida”, leu-o e surpreendeu-nos hoje com uma recensão que, além da generosidade no elogio, demonstra um profundo conhecimento da obra.
Deixamos aqui um pequeno excerto da sua crítica que pode ser lida na íntegra neste endereço: http://simplesmentemarisa.blogspot.pt/2016/05/de-negro-vestida-de-joao-paulo-videira.html
“Este é um livro que guardarei com o máximo carinho e que não me cansarei de aconselhar, não só às pessoas de quem gosto, como prova do meu afeto, mas também a todas aquelas que precisam de um estímulo para se olharem por dentro e descobrirem se o que vivem é o que realmente querem viver.”

Foi hoje a apresentação de “A Paixão de Madalena” no Porto. Uma tarde soberba. Um ambiente evocativo num espaço esplêndido, a Casa de Allen, e uma atmosfera intimista.
Foi uma tarde de amena cavaqueira acerca de livros, leitura, literatura, escrita, romances, homens, mulheres e… sexo! Nem mais. Um grupo heterogéneo e super-simpático acolheu-me no Porto.
A Tecas Corte-Real (https://www.facebook.com/tecas.cortereal) foi uma Amiga insuperável e organizou o evento que teve direito a Porto de honra e tudo. Um profundo e sentido agradecimento à Tecas e um obrigado imenso a todos os que estiveram presentes.
Até breve!
João Paulo Videira
——————- fotos do evento ——————-


A bloguer Marisa Luna leu “A Paixão de Madalena” e redigiu uma recensão que podemos ler na íntegra no seu blogue. Aqui fica o endereço:
http://simplesmentemarisa.blogspot.pt/2015/12/a-paixao-de-madalena-de-joao-paulo.html
Só um cheirinho:
“Confesso-vos já que há muito que não devorava um livro em tão pouco tempo. As diversas histórias que vão sendo contadas em torno de Madalena constituem um enredo absolutamente cativante, arrebatador e absorvente, de uma grande riqueza cénica e com personagens diversificadas e marcantes.”
"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."
A esperança pra quem busca pequeno e grande detalhe do criador. Shaloom....
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