Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Amizade

Hoje, quando cheguei ao trabalho, tinha este presente em cima da secretária.
Um colega de trabalho, sem qualquer outra razão a não ser a Amizade que nos une, fez, pela sua própria mão, ponto por ponto, com milhares de pontos, o retrato que vos mostro.

Excetuando o facto do modelo não ter piada nenhuma, o trabalho é impressionante de tão meticuloso.
Não tem uma única linha traçada.

Autor: Jafete Abacar.
Encomendas: +2588844235348

Obrigado, companheiro!


2 comentários

Retrato Impossível

20160522_090453

Não sei como te descreva
Que me faltam as palavras
E me foge o chão.
Eras todo um encanto,
Um sorriso elegante,
Um corpo de ilusão.
Trazias uma saia de desejo,
Um corpete de tentação
E um decote em linha de promessa.
E dois pendentes brilhantes,
De graça.
E tua mão, segurando a taça,
Enobrecia o vinho.
E eu, ali,
Sozinho.
De ti.

jpv


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Retrato de Moça

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O olhar húmido
E inseguro.
Olhos pequeninos
Que brilham no escuro…
E suplicam.
Lábios finos
E gentilmente recortados
Ameaçam um sorriso
Que fica…
Na intenção.
Os dedos frágeis
E longilíneos
A explicarem-me as palavras.
Seios redondos,
Bem definidos,
E pequeninos,
Insinuam-se no teu peito
Ao peito que lavras…
De amor.
Tens a cintura da donzela
E o sexo da mulher.
Tens no corpo,
Sem saberes,
As obras do desejo
Que o homem quer.

Estás sentada
À porta do meu coração.
Sempre nua
Como a Thétis
Que o monstro petrificou.
Não estou mudo, eu,
Nem quedo.
Debato-me com a ânsia e o medo
De possuir-te,
De ter-te em meus braços,
E haver nisso
Um funesto e terrível feitiço.
Que estender-te a mão
E tocar-te
E prender-te minha
Desfaça a ilusão
E morra a esperança
E a melodia.

Ficarás sentada,
Em pose ténue e fugidia,
À porta de meu coração.

jpv


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Retrato Impreciso

Retrato Impreciso

A esperança tem o desenho
Do teu sorriso.
E o futuro nasce
Na doçura do teu olhar
Vago e impreciso.
As tuas formas
Imperfeitas
São a perfeita dimensão
Do meu desejo.
O meu mundo
Não vive para além
Do que vejo,
E o que vejo
Começa e acaba
Em tua diáfana
Figura.
E assim,
Como quem me tortura,
És meu chão
E meu horizonte.
A linha traçada,
A barricada,
E a ponte.

jpv