Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Quem Lixou Isidro Castigo?

Parece que vai ser desta vez que conseguimos fazer a apresentação pública de “Quem Lixou Isidro Castigo?”.

É já na próxima terça feira, 16 de novembro de 2021, pelas 17h, no Camões, em Maputo.

Esperemos que a pandemia permita o evento!


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Rápida Prece

Ver o horizonte
Não é  cruzá-lo.
Olhar o teu ombro
Desnudo e sedoso
Não é tocá-lo.
Olhar a curva
Tentadora e irresistível
Do teu repouso
Não é acariciá-lo.
Sentir o odor perfumado
De teu sexo
Em especiarias aromatizado
Não é beijá-lo.

Tem esse átomo
De tempo
E distância
O peso inteiro
Da errância
De meus incertos
Passos de amante.
Não sei viver
Esse delicioso instante
De aproximação ao amor
Senão com a voracidade
E o fulgor
De quem devora
Uma essência.
Desconheço o dom
Da paciência
Diante desse altar
Que é teu corpo.
Quando assim não sinto
Suspeito sempre
Que estou morto.

jpv


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Círculo Perfeito

Nem Deus
Nem o Diabo
Me chamam.
São os teus braços.

Nem a luz
Nem o breu
Me convocam.
São os teus braços.

Nem a coragem
Nem o medo
Me incitam.
São os teus braços.

Abraços de luz.
Olhos trémulos,
Lábios de amor
E uma palavra que conduz
Ao Mundo e…
De volta aos teus braços.

jpv


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Back to Business

Tenho de interromper a vida
Para amar-te.
Para mergulhar na coragem
De abraçar-te
E ser teu
Por um dia que seja.

jpv


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Batel

Tão perto.
Tão aqui.
Tão na minha mão…
E tão distante
Como lágrimas
Num chão
Sem chão.

Tão fácil.
Tão simples.
Tão sob a minha pele…
E tão complexo
Como um papel
Sobre outro papel.

Tão louco.
Tão inesperado.
Tão diferente de tudo.
E tão igual
A um grito mudo
Depois de um grito mudo.

Tão entregue.
Tão dado
Tão vivo.
E tão perecível…
Como um batel perdido
Encostado a outro batel perdido.

Tão calado.
Tão sem palavras.
Tão longe da noite e do dia.
E tão inesperado
Como a luz que matou a poesia.

Tão perto.
Tão em cima da meta.
E tão longe
Como a palavra
Que matou o poeta.

jpv


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Saudade

Saudade do teu sorriso, saudade da tua ousadia e dos equilíbrios que promovias com mestria.
Fazes-nos muita falta.

Há dois anos, neste dia de 25 de outubro, almoçámos juntos. Jantámos juntos.
A esta hora tinhas ido a casa mudar de roupa depois de uma passagem pelo Camões…

E depois, aqueles momentos deliciosos no Wine Lovers

E o resto… já se sabe…

O tempo voa e apaga quase tudo, mas não apaga a memória de ti.

Até já, camarada!

In memoriam Ana Paula Canotilho
17/07/1961 – 26/10/2019.


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A Mamã

O sol amarelo com cores.
A lua tem mar.
Gaivota poisada na árvore.
Praia preta,
Praia escura.
Uma porta para a lua.
Papaias, mangas,
Na árvore maduras.
Ficas triste,
Ficas magoado.
Palavras escritas,
Ficas contente.

Isabel de Sousa


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Casa de Bagel

Chegou a Maputo um recanto decorado com extremo bom gosto e de suprema qualidade. É um espaço agradável, acolhedor e até com sua dose de romantismo.

Casa de Bagel é uma pastelaria especializada em bagel, mas tem muitas outras tentações doces e salgadas.

O atendimento, tal como o espaço, é doce e eficaz.

Fica na Dona Alice, logo a seguir ao Aqua Park e merece uma visita.

MPMI faz serviço público!

jpv


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25.09.2021

É noite e não é cedo. E enquanto uns dormem e outros se desdobram em esforços nos preparativos, eu escrevo. Escrevo para ti, meu filho. Meu menino. Meu homem. Pai. Escrevo porque te casas amanhã. A vida vai mudar. Vais ser feliz. Eu sei que vais. Tu és daquelas pessoas que merecem mesmo ser felizes. Que trilham o caminho da felicidade como se fosse fácil encontrá-lo, percorrê-lo. Não é. Acontece que tu, meu querido filho, tens em ti uma natural resiliência, uma capacidade nata para aceitar o que a vida te traz e fazer o melhor possível com isso. Explora a inegável doçura que há em ti, agarra-te aos incontornáveis valores que sempre te têm orientado e sustenta-te no fortíssimo carácter que construíste.

O teu caminho será sempre um caminho de luz porque tu és uma pessoa de luz. Ancora a tua determinação no belíssimo amor que a Daša nutre por ti, foca-te sempre em tudo o que é positivo, nas tuas capacidades, conquistas e desejos… Ampara-te na família. É para isso que existimos. E nunca deixes que o ruído perturbe o teu silêncio, a tua tranquilidade. Nunca assumas para ti aquilo que não desejaste à partida, não percas um segundo, sequer, com propósitos que não são teus. Onde não ames, não te demores.

Sê sempre criativo, imprevisível, apaixonado, dedicado e ama. Ama sempre. Ama muito. Abraça. Beija. Explora. Protege a tua doce Daša e cria as condições necessárias para que cresçam juntos no amor, na dedicação, em família.

Ouve todos e decide tu. Quando estiveres certo, quando tiveres fé no teu raciocínio, persevera. E dá sempre prioridade à humanidade que há em ti. E ri. Ri muito, meu filho. Abraça o humor do quotidiano como um lenitivo para as dificuldades.

Não te preocupes comigo. Eu estou bem. Estarei sempre bem. Pelo menos, sempre que me lembrar de ti. Não precisas lembrar-te de mim quando estiveres bem. A mim, basta-me saber que estás bem e o Mundo fica concertado. Contudo, sempre que estiveres mal, que passares por uma qualquer necessidade ou estiveres em baixo por uma qualquer razão, lembra-te de mim. E eu cá estarei para te ouvir, para te amparar, para te ajudar, na verdade, para o que tu quiseres. Sem julgamentos nem condições. Só eu, tu, um abraço e a busca de uma solução.

Ainda ontem nasceste. E já te casas amanhã. Desejo-te um céu estrelado de alegrias e felicidades.

Com amor,
Pai.


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De Rerum Natura

Dos laços e outros afetos

É complexo o desenho dos afetos. E, contudo, maravilhoso. Por exemplo, é esse intrincado avesso de emoções voluntariamente oferecidas e recebidas que constrói o direto da tapeçaria que é a família. O que define um laço familiar não é o sangue ou, pelo menos, não é exclusivamente o sangue. Nem tão pouco um papel assinado onde fica registado que fulano de tal é pai, filho, irmão, tio ou o que quer que seja de um outro fulano de tal.
Em boa verdade vos digo, à falta de melhor e mais comprovada teoria, que aquilo que mais exatamente define um laço familiar é a intensidade do afeto que une os envolvidos. É esse amor puro que faz sofrer na ausência, preocupar na distância, auxiliar na dificuldade, perder o chão e encontrá-lo, ansiar por um desejo outro ou sofrer por uma dor que, não sendo nossa, é tão nossa como de quem a padece.
Creio que seria mais indicado definir as teias familiares por laços de afeto do que por outros quaisquer, em particular, os de sangue.
Pode uma mulher ter as dores de mãe de uma criança que não pariu? Claro que sim. Pode um homem ter o instinto de proteção em relação a um filho que não concebeu? Claro que sim. Basta que ame aquela como mãe. Basta que ame aquele como pai.
Traz-me este pensamento um outro a provocar as ideias e as palavras para dar-lhes forma. O Amor aprende-se. O Amor cresce nas pessoas. E também definha. Quando um outro nos toca e nos faz sentir vivos e amados e desejados, quando um outro nos mostra nas palavras e nos atos que o seu sentir gravita o nosso, que o seu coração se ampara no nosso, então sabemos que chegou o momento de aprender a amar. De nos entregarmos à tarefa árdua de deixar crescer em nós a milagrosa flor da reciprocidade amorosa. De sermos mãe, pai, filho, filha, irmão, tio, primo, avô ou avó, antes e depois do sangue e antes, muito antes e muito depois, de um qualquer registo. É possível… Amar é sempre possível!

jpv