Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


Deixe um comentário

10500!

E pronto. Dez mil e quinhentas leituras no mês mais visitado de sempre. Há uma forte possibilidade, este mês, de ultrapassarmos as três mil leituras num só mês. Não sei o que se passa mas muito obrigado, de novo, a todos os leitores.
Agora, é dar continuidade ao trabalho.


2 comentários

A Maçã

Hoje ofereceram-me uma maçã. E isso comoveu-me. Não foi pelo valor da oferta, não foi pelo trabalho que deu, não foi porque houvesse nesse gesto uma qualquer preocupação com a minha alimentação. Todas estas razões podem estar correctas, mas não foi isso que me comoveu.

O que me tocou é que se tratou de um gesto de acolhimento. Nos dias que vamos vivendo é tão fácil ser-se indiferente, é tão fácil fazermos a nossa vidinha e passarmos ao lado dos outros, é tão fácil não nos preocuparmos. Mas, hoje, alguém me deu uma maçã e embora não o tenha dito, eu ouvi claramente a sua voz interior dizer-me em tom gentil: bem-vindo!


Deixe um comentário

De Negro Vestida XLVI

 

De Negro Vestida – X

À mesa estão as mesmas pessoas.
O restaurante é outro. Alberto não será capaz de entrar de novo no local onde recebeu a mais fatídica notícia da sua vida. O ambiente é agradável, a conversa triste. Passaram-se poucas semanas sobre a morte de Maria Olívia e Alberto quis agradecer a Maria de Lurdes a gentileza, a amabilidade e, sobretudo, a eficácia com que tornara fácil algo que lhe parecia a ele muito complexo. Quis agradecer-lhe também a dignidade que ela colocou em tudo o que fez. Contudo, não era essa a principal razão do convite.

————————————————–

O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

————————————————–


Deixe um comentário

De Negro Vestida – XLV

 

De Negro Vestida – IX

Quando Alberto veio a si, deram-lhe um copo de água com açúcar, agitaram o ar à sua volta e fizeram-lhe perguntas descabidas das que se fazem nos momentos descabidos:
– Então, senhor Alberto, está melhorzinho?
Maria de Lurdes tentou não ser tão descabida e perguntou-lhe com quanto carinho foi capaz agarrando-lhe as mãos frias:
– Alberto, meu querido, sente-se bem? Quer que lhe traga alguma coisa? Contacte alguém?

————————————————–

O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

————————————————–


2 comentários

Citação do Caos

“O mundo anda cego, as pessoas são más, somos meros objectos nas mãos de uma minoria que levará isto ao caos.”
VS


4 comentários

Os leitores deste blogue surpreendem-me…

… Pela sua constância. Esta semana há dois factos importantes em relação à frequência de “Mails para a minha Irmã”:
–
1) Pela primeira vez houve mais de 100 leituras num Domingo. Foi no passado dia 7. Isto é importante porque o Domingo é, por razões óbvias, um dia de baixa frequência.
–
2) Pela primeira vez, ao dia 10 do mês, já temos mais de 1000 leituras.
Eu ando admirado e, ao mesmo tempo, satisfeito e a matutar nas causas. Serão as citações? Os poemas? As músicas? O Romance? Os textos autobiográficos avulsos? As imagens? Será o conjunto disto tudo?
–
Não sei, ainda não reflecti muito sobre isso, mas sei que somos gente de todo o globo, a todas as horas. Usamos pouco os comentários, muito o mail e lemos! Há almas que passam aqui aos 80 minutos por dia!!!
–
Enfim, muito obrigado a todos e continuem a voltar.
Um abraço,
João Paulo.


1 Comentário

Sinal…

Ontem fiz a viagem de comboio com o Carlos. O Carlos, a quem dedicarei um texto lá mais para frente e com outro cuidado porque me exige mais atenção e substância, é uma daquelas pessoas com quem se pode ter uma conversa deliciosa e dinâmica que começa na análise do porquê que um tipo não me quis trocar uma nota de dez euros e acaba a gisarmos o futuro do universo e a compreendermos a acção dos nossos filhos nele. Tínhamos a lenga-lenga atrasada pelo menos quinze anos. Por isso, ontem, foi só um cheirinho.
–
A determinada altura ele perguntava-me o que é que me impelia a escrever e eu dizia que qualquer coisa até porque eu era o tipo de pessoa observadora, que absorvia tudo e disse-lhe, Está atrás de ti uma mulher bonita com umas olheiras enormes e o mais certo é vir a escrever sobre isso.
–
Pois cá estou. E a escrita será breve. Era jovem e bonita. Harmoniosa nas formas. Tinha ternura na expressão. Mas não só. Estava cansada e derrotada e, ainda o dia se anunciava e a alvorada se espraiava para além das janelas do comboio, já ela estava em fim de jornada. Não sei o que andamos a fazer, mas estamos a construir uma geração de derrotados, de cansados, de pessoas que não acabam o dia anterior nem iniciam o novo.
–
Quando se anuncia um novo dia, gosto de preparar-me para tudo o que vai trazer-me, para todas as riquezas e acredito sempre que vai surpreender-me. Preparamo-me para rir e chorar, para o prazer e para a dor, para os sucessos e os insucesos. Para aprender. E preparo-me sempre para viver. As olheiras da mulher de olhar azul e triste, cabelo loiro e cansado, deixaram-me a pensar. Sabia que seriam um sinal. Quis dizer ao Carlos de quê, mas não fui capaz. Hoje já sou. Aquilo foi um alerta. Não sei como estarei amanhã, nem daqui a cinco anos, se cá estiver, mas fiquei a saber que não quero estar assim. E se me acontecer estar, será altura de mudar. Outra vez!


Deixe um comentário

De Negro Vestida – XLIV

 

De Negro Vestida VIII

Está frio.
A sala é pequena.
Lá fora o sol brilha mas aqui não chega mais do que uma luz entrecortada que passa por um friso junto ao tecto. Ao centro uma bancada em mármore e em cima dela jaz Maria Olívia Vieira e Amaral com as cores da morte no corpo nu. Não obstante a situação em que se encontra, a mãe de Alberto tem um ar digno.
Maria de Lurdes chegou ao hospital com a credencial de autorização de levantamento do corpo, identificou-se, mera formalidade porque é este um ambiente onde a conhecem bem, dirigiu-se aos gavetões, procurou a etiqueta com a identificação da defunta mãe de Alberto, era a segunda a contar de baixo, tirou o corpo com a ajuda de dois colegas, colocou-o numa maca com rodas e levou-o para uma sala ao lado. Esta onde se encontra e a luz é difusa. Pediu aos colegas que saíssem:
– É mãe de um amigo, deixem-me fazer isto sozinha.

————————————————–

O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

————————————————–


Deixe um comentário

Semana

Semana

Não cabe a minha vida numa semana
Que uma semana é pouco
Para que viva de forma insana
Um coração desvairado e louco.
Anda cá e dá-me a tua mão.
Vem juntar ao meu, o teu olhar,
Vem ensinar-me a razão
De sentir-me, assim, perdido no mar.
Ondas encapeladas e revoltas,
Pensamentos a desfazer na areia,
Tudo em rimas livres e soltas
Numa imagem que me não sai da ideia.
És tu.
O brilho de uns olhos de água
Sou eu.
O peito que te afaga.

jpv