A Maçã
Hoje ofereceram-me uma maçã. E isso comoveu-me. Não foi pelo valor da oferta, não foi pelo trabalho que deu, não foi porque houvesse nesse gesto uma qualquer preocupação com a minha alimentação. Todas estas razões podem estar correctas, mas não foi isso que me comoveu.De Negro Vestida XLVI
De Negro Vestida – X
À mesa estão as mesmas pessoas.
O restaurante é outro. Alberto não será capaz de entrar de novo no local onde recebeu a mais fatídica notícia da sua vida. O ambiente é agradável, a conversa triste. Passaram-se poucas semanas sobre a morte de Maria Olívia e Alberto quis agradecer a Maria de Lurdes a gentileza, a amabilidade e, sobretudo, a eficácia com que tornara fácil algo que lhe parecia a ele muito complexo. Quis agradecer-lhe também a dignidade que ela colocou em tudo o que fez. Contudo, não era essa a principal razão do convite.
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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.
Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.
Obrigado pela vossa dedicação.
Setembro de 2013
João Paulo Videira
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De Negro Vestida – XLV
De Negro Vestida – IX
Quando Alberto veio a si, deram-lhe um copo de água com açúcar, agitaram o ar à sua volta e fizeram-lhe perguntas descabidas das que se fazem nos momentos descabidos:
– Então, senhor Alberto, está melhorzinho?
Maria de Lurdes tentou não ser tão descabida e perguntou-lhe com quanto carinho foi capaz agarrando-lhe as mãos frias:
– Alberto, meu querido, sente-se bem? Quer que lhe traga alguma coisa? Contacte alguém?
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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.
Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.
Obrigado pela vossa dedicação.
Setembro de 2013
João Paulo Videira
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Citação do Caos
Os leitores deste blogue surpreendem-me…
Sinal…
Ontem fiz a viagem de comboio com o Carlos. O Carlos, a quem dedicarei um texto lá mais para frente e com outro cuidado porque me exige mais atenção e substância, é uma daquelas pessoas com quem se pode ter uma conversa deliciosa e dinâmica que começa na análise do porquê que um tipo não me quis trocar uma nota de dez euros e acaba a gisarmos o futuro do universo e a compreendermos a acção dos nossos filhos nele. Tínhamos a lenga-lenga atrasada pelo menos quinze anos. Por isso, ontem, foi só um cheirinho. Tão simples.
De Negro Vestida – XLIV
De Negro Vestida VIII
Está frio.
A sala é pequena.
Lá fora o sol brilha mas aqui não chega mais do que uma luz entrecortada que passa por um friso junto ao tecto. Ao centro uma bancada em mármore e em cima dela jaz Maria Olívia Vieira e Amaral com as cores da morte no corpo nu. Não obstante a situação em que se encontra, a mãe de Alberto tem um ar digno.
Maria de Lurdes chegou ao hospital com a credencial de autorização de levantamento do corpo, identificou-se, mera formalidade porque é este um ambiente onde a conhecem bem, dirigiu-se aos gavetões, procurou a etiqueta com a identificação da defunta mãe de Alberto, era a segunda a contar de baixo, tirou o corpo com a ajuda de dois colegas, colocou-o numa maca com rodas e levou-o para uma sala ao lado. Esta onde se encontra e a luz é difusa. Pediu aos colegas que saíssem:
– É mãe de um amigo, deixem-me fazer isto sozinha.
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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.
Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.
Obrigado pela vossa dedicação.
Setembro de 2013
João Paulo Videira
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Semana

Semana
Não cabe a minha vida numa semana
Que uma semana é pouco
Para que viva de forma insana
Um coração desvairado e louco.
Anda cá e dá-me a tua mão.
Vem juntar ao meu, o teu olhar,
Vem ensinar-me a razão
De sentir-me, assim, perdido no mar.
Ondas encapeladas e revoltas,
Pensamentos a desfazer na areia,
Tudo em rimas livres e soltas
Numa imagem que me não sai da ideia.
És tu.
O brilho de uns olhos de água
Sou eu.
O peito que te afaga.
jpv





