Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Be My Baby

Ando nas cantoras alternativas. Vanessa Paradis canta em inglês mas é francesinha de gema. Este é um tema dos anos 90. Tem energia e uma letra interessante.

(Be my Baby – Vanessa Paradis)


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O Tempo das Flores

O Tempo das Flores

Nasce o dia perfumado
Por um doce aroma a flores,
Como uma tela pintado
De muitas e diversas cores.
Andam lilases esvoaçando
E tons quentes também,
Andam os deuses brincando
Com o tempo que a gente tem.
Jorram doces líquidos no sabor
E erguem-se taças em comunhão,
Há corpos afogados em suor
Rolando sensuais pelo chão.
E há trocas e oferendas
A marcar o compasso da vida,
Invocam-se teorias e lendas
Para encontrar a fé perdida.
E fica no ar o prazer
De um amor cego e louco,
Para tanto que há a fazer
Todo o tempo de uma vida é pouco!

jpv


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Fidelity

Regina Spektor é uma jovem cantora de voz doce e límpida que nos merece alguma atenção. Esta canção, “Fidelity”, faz parte da banda sonora de um interessante filme de 2010, “Love and Other Drugs”. Para que não vos falte nada:


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"Com Amor," – Documento 25

Meu Homem Rui,

Escrevo-te em papel, para o trabalho como combinámos, para que me sintas mais próxima de ti, para que toques o papel que eu toquei, para que admires o selo que eu colei, para que sintas o perfume do papel que eu perfumei.

Agora percebo o que dizes sobre tomar decisões em consciência. O que aconteceu entre nós roçou a perfeição, pelo menos, a perfeição de amar. E não houve pecado naquilo que fizemos. Não pode haver pecado numa entrega assim, num amor e numa harmonia tão divinais. Sabes, Rui, os mails são mais rápidos e mais eficazes, mas hoje quis escrever-te em papel para cristalizar e materializar o que aconteceu entre nós e o que aconteceu entre nós foi como a nossa escrita, mas com o requinte do papel que tem um toque particular e um odor próprio.

Andei-me revelando nos teus braços, andei-me entregando e andei recolhendo-te no meu corpo. Conversámos olhos nos olhos, Rui, e esse foi outro milagre. E depois despimos roupas e preconceitos e todo o universo cristalizou à nossa volta. Ninguém viveu, nem morreu, nem correu, nem andou, nem sonhou, nem trabalhou, enquanto nos amámos. O mundo suspendeu-se da sua vida e da sua existência.

Não resisti porque não quis. E não quis porque quis. E tinhas razão, meu homem Rui, nada mais havia naquele momento que valesse a pena ser vivido, nada mais havia que valesse a nossa respiração, o nosso tacto, o nosso olfacto, a nossa visão, nada nos nossos sentidos e nas nossas capacidades, nada nos nossos gestos tinha outra intenção que não as carícias a incendiarem o desejo e o bailado dos corpos na entrega. E vem-me de novo à mente aquela tua teoria do sexo e do amor. Não sei exactamente o que foi, mas nenhum deles ali esteve sozinho.

Neste momento, Rui, não vejo nem sinto mais nada que não seja o desejo de reencontrar-te.

Tua menina Verónica.


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Que bem que eles se entendem!

JJ – Fica ali ao pé das Finanças.
VM – Não! Fica ali… ao pé das Finanças!

Palavras para quê?
JJ e VM sobre a localização da
Taberna do Quinzena em Santarém.
Como não estavam de acordo
quanto à localização,
disseram o que se transcreveu!!!


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Curtas do Metro – Não Mexas Nisso, Pá!

Não Mexas Nisso, Pá!

Estação de Baixa/Chiado, sentido Santa Apolónia.
Mais uma vez saí tarde do trabalho. São mais ou menos 20:30h. Venho a chegar à plataforma. Acabei agora mesmo de descer as escadas que lhe dão acesso. Do outro lado da linha, no sentido Amadora-Este, vinda do cimo das escadas, oiço uma voz feminina que grita de forma bem audível e em tom zangado, muito zangado:
– Não mexas nisso, pá!

Olho para trás no sentido do som e vejo um corpo de homem bem constituído, a rondar os quarenta anos, a voar e a rebolar escada abaixo até se estatelar no patamar intermédio com um estrondo surdo. Com ele rebolou uma mochila e um saco de papel que acabaram junto ao corpo. O homem ficou caído, imóvel. Uma rapariga de mini-saia azul-escura e uma blusa às riscas desce a escada. Ao lado dela vem um rapaz musculado com calças de ganga e uma t-shirt cinzenta. Apressa o passo. Quando passa junto do homem estatelado, o rapaz coloca o dedo em riste, baixa-se e grita-lhe:
– Nunca mais mexes no que não é teu!

Os dois acabaram de descer as escadas tranquilamente. Algumas pessoas rodearam o homem caído. Uma levantou-lhe um braço, mas ele não reagiu. O meu Metro chegou. Entrei, espreitei pelo vidro e vi o homem levantar-se amparado à parede. Parecia apontar no sentido do casal. O meu Metro arrancou. Troquei umas palavras de circunstância com uma senhora, mas nenhum de nós sabia mais do que isto. Gritos, um corpo caindo escada abaixo, mais gritos.

jpv


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Da Mudança

O que é fantástico, entre os humanos, é que todas as raparigas tatuadas, com piercings e um hamster no ombro, foram, um dia, a menina linda da sua mãe.
jpv


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Sons

Se esta música não te fizer sentir nada, tens um problema para resolver.


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"Com Amor," – Documento 24

Minha Menina Verónica,

A mudança mais importante é a que se faz por dentro. São as decisões que tomamos de nós para connosco. Foi um gesto de coragem, Verónica, foi um gesto de coragem. Sabes, é precisa muita coragem para amar.
Se desse para fingir, não era amor, minha menina Verónica, era outra coisa, uma coisa espúria e secundária. Isto que sentimos e vivemos em comum, ainda que separados, não pode ser fingido porque tema força da evidência e da verdade que lateja no peito. Não nos vejo no futuro, se era sobre o futuro que me interrogavas, mas vejo-nos hoje. E vejo-nos lindos, apaixonados, teimosos, ternurentos e inseguros como os miúdos aos 18 anos. E vejo-nos juntos conversando, brincando, cozinhando, comendo, amando… não me é difícil imaginar-nos, Verónica, porque é como se sempre nos tivéssemos conhecido.

Não há Céu nem Inferno. Há vida e há opções. Em relação a isso discordamos, mas acho que te referias mais a como nos sentimos relativamente a uma decisão que tomamos do que em relação a uma situação de vida. Toma as tuas decisões em consciência e estarás no Céu mesmo que seja um Inferno! Houve algo que gostei na tua formulação: a ideia de não resistires 🙂

Sim, irei até ti. Quero ser recebido pelos teus braços, quero entregar-me neles e quero receber-te nos meus. Quando nos abraçarmos, minha menina Verónica, mais nada existirá no universo que valha a pena ser vivido e isso é inestimável.

Amanhã ligo-te.

Teu homem Rui.


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Galope

Galope

Ei, miúda da face luminosa,
Tu que passas amiúde
Pela minha prosa,
Vem adoçar-me os dias
Das fogosas correrias
De um tempo não vencido.
Vem dizer-me ao ouvido
Que tudo ficará bem.
Vem dizer-me também,
Sem qualquer sentido perverso,
Que saltas da prosa
Ao verso
E navegas nas ondas da minha poesia,
Enfrentas esse difuso tempo de maresia
Só por quereres sussurrar-me
Os mistérios de amar.
Essas cavalgadas do coração,
Em trote compassado,
Em galope de emoção.
E eu fico ouvindo a tua narrativa,
Invoco sabedoria primitiva
De ouvir com o bater do peito
E o mundo não precisa de mais nada.
Fica perfeito.

jpv