Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Crónicas de Maledicência – O Mais Eficaz dos Homens

Crónicas de Maledicência – O Mais Eficaz dos Homens

Miguel Relvas é, a meu ver, opinião humilde e recatada, o homem mais eficaz que eu conheço. Nem percebo porque é que andam com o processo das escutas às costas. Eu arquivava o dito e condecorava Relvas. Por quê? Por eficácia!

Senão vejamos, a Seleção jogou em 4x3x3 e não foi além de um empate com amadores. Relvas apostou num 6x3x1 e revolucionou o mundo das escutas e agitou o mercado das comunicações desde a rádio à Internet passando pela televisão, jornais e revistas cor-de-rosa com outra cor. Com a sua simples existência excitou e deu sentido à vida da malta que até aí não fazia mais do que divertir-se com sms e telefonemas de homens e mulheres casados a combinarem encontros com outros homens e mulheres casados. Claro que há mais gente para escutar, mas não já têm o mesmo valor. O Sócrates porque deixou de ser Primeiro Ministro e a coisa perdeu a piada. O Pinto da Costa porque, escutem o que escutarem, nunca foi ele!

Reparem, com 6 simples sms, Relvas conseguiu 3 encontros com 1 homem. Mas não foi assim, tipo, um homem qualquer. Foi o Super-Espião. Se eu tivesse oportunidade de falar com Relvas, perguntava-lhe se ele também tem a receita para as Super-Espias, as Espias ou qualquer ser do género e sexo feminino, vulgo, mulher comum mas em bom. Qualquer homem que se preze sabe o valor da eficácia do Ministro. Conseguir um encontro leva dezenas, senão mesmo centenas de sms, leva horas de conversa aturada e interesse genuíno ou dissimulado, leva, até, alguns fingimentos. Ora o que Relvas terá conseguido com 6 sms foram três encontros com um homem e nesses três encontros satisfez o apetite dos jornalistas por parangonas que vendam. É o mais eficaz dos homens. O resto? Fogo de artifício para distrair a malta enquanto as coisas verdadeiramente importantes, as que afetam as nossas vidas, continuam a acontecer…

Tenho dito.
jpv


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Num Voo Nunca Acontece Nada – Roupa Suja

Num Voo Nunca Acontece Nada
Fazemos o check-in, tiramos o relógio, o cinto e os anéis, passamos no detetor de metais, percorremos a loja dos chocolates, a dos perfumes e a das revistas, dirigimo-nos para a porta de embarque, esperamos, entramos no avião, arrepiamo-nos no momento da subida, comemos uma refeição a bordo, lemos uma revista, vamos à casa-de-banho, arrepiamo-nos com a descida, saímos à rua e… fazemos tudo de novo. O que a seguir se conta são histórias entre o primeiro e o último momento da sequência que acabámos de registar.

Roupa Suja

Três semanas fora do país. Não de um país qualquer. Fora de Portugal. Para os portugueses, partir e chegar têm cargas emocionais diferentes dos outros povos. E a razão é simples. Os portugueses nunca partem sozinhos. Levam consigo todo um povo, todo um orgulho e, paradoxalmente, toda uma humildade. E atrás deles vai sempre a nação. Se repararem, quando pessoas de outros países se encontram no estrangeiro, falam desse país em que estão de visita ou em trabalho. Os portugueses põem-se logo a falar de Portugal e, muito provavelmente, de comida. Acho mesmo que a frase portuguesa mais dita no estrangeiro é “Não há comida como a nossa.” Nisto, só há um povo que se nos aproxima: os brasileiros. Mas, esses, eu não tenho a certeza de que sejam outro povo.

Três semanas fora do país. Em férias. Com as malas no porão e as histórias na cabeça. Desde que partira que começara a imaginar como contá-las. Já sabia como fazê-lo na altura. Só lhe faltavam as histórias. Agora não lhe falta nada. Era um voo Istanbul-Lisboa com escala em Frankfurt. Estavam no ar há uma hora e picos. Ele dormitava. Ela dormia profundamente. Os cachopos rabiscavam  cores num livro de pintar. E foi então que ela se deu. Começou por lembrar-se do bacalhau com natas que ela fazia lá em casa, depois lembrou-se do bacalhau cozido com batatas na noite da consoada, depois lembrou-se do bacalhau à lagareiro e, finalmente, veio-lhe à memória a roupa suja que é bacalhau com rodelas de ovo cozido, azeitonas e couves e, de repente, sentiu-se confortável, como se estivesse em casa para começar a almoçar e não a doze mil pés de altitude. Imaginou um branco de Pias e pensou de si para consigo:
– Por que raio não me sai o bacalhau da cabeça?

Resolveu despertar. Esticou o pescoço, levantou a cabeça, espetou o nariz no ar e cheirou. Inspirou profundamente duas vezes:
– Môr, môr… não vais acreditar, acho que vai alguém a comer bacalhau!
– Cala-te e dorme. É uma ilusão. A altitude baralha-nos os sentidos.

Não conseguiu acordar-lhe a curiosidade, mas também não desistiu de investigar. Estava na hora de ir à casa-de-banho. Percorreu o corredor devagarinho no sentido da cauda do avião. Na penúltima fila de bancos estava, no lugar junto ao corredor, um jovem com o portátil aberto. No lugar do meio lá estava ele. Mais de sessenta, enfiado numas calças de fazenda, uma camisola de lã e um casaco. À sua frente, uma caixa de gelado e dentro dela bacalhau com batatas e couves regadas com azeite. Nem experimentou outra língua:
– O senhor é português!
– A menos que você conheça outro povo que faça bacalhau com batatas…
– Espantoso!
– Espantosas são as porcarias que eles nos dão para comer no avião.
– De acordo! Mas… como é que conseguiu? Você tem bacalhau com batatas à frente e parece quente.
– Morno!
– Sim, mas…
– Vocês espantam-se com pouco. Cozinhei o bacalhau, púzio nesta caixa bem apertadinho, sem o azeite. Depois, pus a caixa num saco térmico e trouxe uns saquinhos de azeite que dão no Mec… aquela coisa dos hambúrgers…
– MacDonald’s…
– Isso.
– Sim, mas não é proibido comer aqui comida sem ser do avião?
– Sei lá. Há bocado passaram aí com a comida de plástico, eu disse, No, diet, e tirei a caixa…
– Fantástico!
– Amigo, vá por mim, onde há um português, pode haver bacalhau. É servido?
– Não, obrigado.
– Vá lá…
– Não, obrigado.

Nem foi à casa-de-banho. Voltou para o lugar fascinado. Um português a comer roupa suja num voo Istanbul-Lisboa. Quais seriam as probabilidades? E sentou-se tranquilo e tranquilo estava quando uma hospedeira se aproximou com uma caixa de gelado na mão:
– Sir, the gentleman back there asked to deliver you this box… as an offer.

jpv


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Madalena

Madalena

É franzina
E pequena,
A Madalena.
E tem borboletas
No sorriso
E aventuras
No olhar.
Gosta de brincadeiras
Sem fim,
Uma bola para jogar,
E, claro,
O Faísca Mcqueen.
De repente,
Pára um momento
E vê-se a ternura
No olhar atento.
É uma flor
Cheia de vida
E Cor.
E agora
É uma finalista bonita
Que pediu com carinho,
Ao padrinho,
Para lhe assinar a fita.

É franzina
E pequena,
A Madalena.

jpv


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A pedido…

Pode um homem escrever bons (?) romances, excelente (??) poesia ou fantásticos (???) contos e não recebe comentários de rajada como aconteceu no post anterior! E porquê? Porque a alma humana gosta de explorar as fraquezas… a pedido da Mana e da D, aqui fica o miserável testemunho de minha mísera condição, hahahaha…

(Não vale gozar!)


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Registo

Amigos e leitores,


fica registado que estou oficialmente velho.


Pois, eis os meus primeiros óculos de ver ao perto! Ai, ai, ai…


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55000

Cinquenta e Cinco Mil Visitantes!



Obrigado!

(Estes visitantes fizeram, até ao momento, mais de 116000 leituras!)


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O Pingo está cada vez mais Doce

O Pingo Doce, recentemente estrela de televisão, rádio, jornais, Internet e tudo onde se pudesse ver, ouvir e ler, voltou a meter-se comigo. Desta vez, encontrei esta belezura de cartaz… Ou seja, a confiar no dito, o bacalhau é carninha, chichinha que anda a pastar na lezíria ribatejana antes de chegar ao Pingo mais Doce do país… Ah, pois é!


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Publicidade – Eles mostram o que interessa

Como os leitores sabem, tenho um gosto particular por publicidade e normalmente partilho alguma que considero interessante.

A versão portuguesa da revista Penthouse, publicação cujo público-alvo são os homens, saiu-se com esta curiosa e original ideia:



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o vivo e puro amor de que sou feito



Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma. 
Luís de Camões