Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Artigo Definido

Artigo Definido

A luz sumida.
O ambiente escurecido.
O corpo despido.
A lição de vida.
O riso cristalino.
O brilho no olhar.
A roupa no chão.
A cama pra explorar.
O amor conquistado.
O corpo despido.
O caminho encontrado.
O sexo oferecido.
O gesto meigo.

A carícia incendiada.
O som gemido.
A vida emanada.
A conversa cúmplice.
A harmonia desenhada.
A última festa.
A roupa enfiada.
O beijo na testa.
A pele banhada.
O olhar distante.
O beijo no ar.
A palavra de amante.
O desejo de voltar.

jpv


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Informação gratuita


Por razões que não vêm agora ao caso, hoje precisei de uma imagem de uma gata. Nada mais fácil, fui ao Google, escolhi a opção “Imagens” escrevi “gata” e cliquei em “Procurar imagens”.

Foi então que me apercebi de que, além da minha ingenuidade, a nossa língua é maravilhosamente polissémica… E o mais engraçado é que não conseguia a imagem da gata porque só me apareciam delas com duas patinhas e biquinis diminutos. Foi preciso especificar e escrever uma coisa do género “gata cinzenta”…

E venham-me lá falar em competências TIC… Aquilo era mais assim uma coisa do tipo gata escondida…


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Tempo Psicológico

Há circunstâncias em que uma hora e meia pode parecer uma eternidade. Não tem é de ser sempre a mesma eternidade!


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Toque de Silêncio

Porque as palavras, às vezes, são poucas, ficam aquém ou, sendo muitas, constituem ruído.
–
(A intérprete tem 14 anos!)


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Mind the Gap

Já tive mais certezas.
Por vezes são as falhas que nos unem. São os desencontros em determinados locais e tempos que conduzem a fantásticos encontros noutros locais e tempos. A perfeição, para além de monótona, não seria valorizada se não houvesse falhas. As falhas contêm vida e são geradoras de vida. Não evitem as falhas e os erros porque constituem processos de aprendizagem insubstituíveis. Não há sintonia sem dissintonia, não há sincronia sem diacronia, não há harmonia sem caos.


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Agradecimento

Venho agradecer aos leitores de “Mails para a minha Irmã” a dedicação, as visitas, as leituras e as partilhas que vão fazendo, quase sempre por mail. No último ano, este mês de Outubro supera todos os outros em visitas. Pela primeira vez mais de mil. E em leituras, pela primeira vez mais de duas mil e seiscentas. Acresce ainda que, em breve, talvez ainda este mês, embora os fins-de-semana sejam de menor tráfego, atingiremos a bonita soma de dez mil visitas.

A todos o meu sincero agradecimento.

João Paulo


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Terna desfolhada

Terna desfolhada

Exala o ar
Um perfume de mulher
Como pétalas duma flor
Que bem me quer, bem me quer.

jpv


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Da impunidade

Anda por aí uma expressão popular que vai dizendo “A justiça é cega mas a injustiça vê-se”. A expressão percebe-se, embora esteja incorrectamente formulada. A mim, há algo que me preocupa e impressiona mais do que a injustiça e que também resulta nela: a impunidade.

Nos dias que vivemos, nem os gestos, nem as palavras têm o mesmo valor de outros tempos. Estão banalizados ambos. Um levantar de dedo podia despertar lágrimas e uma expressão como “senta-te” tinha efeito. Isto passava-se entre miúdos, entre adultos e miúdos e, claro, entre adultos. Se uma pessoa insultar outra, nos dias que correm, chamando-lhe, por exemplo, desonesta, covarde, estúpida, parva, ladra ou o que quer que seja que lhe venha à cabeça, o mais certo é não passar-se nada. Nem nada daí advir. E já não vai sendo raro que tenha o insultado de desculpar-se por ter provocado a reacção do insultador! O mais longe a que se chega, depois de consultados muitos intervenientes e várias instâncias jurídicas é a um pedido de desculpas que, claro está, pode desculpar o insultador mas já não apaga o gesto. E isto acontece nas famílias, entre amigos, entre colegas de profissão, entre desconhecidos, fundamentadamente justificando-se o injustificável: é que cedência a cedência, permissão a permissão, banaliza-se esta violência verbal entre pares, torna-se uma rotina nas rotinas e emerge o que de pior há no ser humano. A sua baixeza. A sua indignidade. O carácter ignóbil de actos que devia reprimir em abono da convivência com os seus semelhantes. E, está provado, isto cresce. E a impunidade é terreno fértil para o seu crescimento. Há uma frase interessante que diz “Basta que os homens de bem nada façam para que o mal triunfe”. Pois acho que está na altura de os homens e as mulheres de bem fazerem alguma coisa.