Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo

Silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo

Hoje vi,
Com os olhos da imaginação,
Uma silhueta de mulher
com por do sol ao fundo.

Tinha um recorte elegante
E uma fina figura
Viam-se claramente
Os contornos da ternura.

Era uma sombra
Prenhe de vida e de voz.
Era um sorriso doce
e um toque suave.
E havia sensualidade naquela imagem,
Havia poderes emanados do coração.

Sem ti, mas contigo,
Senti-me capaz de mover o mundo,
Ao contemplar na minha imaginação
Uma silhueta de mulher com por-do-sol ao fundo.

jpv


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Citação com resposta

“Não te esqueças que és professor, colega e amigo”Ana Paula Carmo
Minha amiga, não é possível esquermos a essência do que somos.
João Paulo Videira


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O Dia da Saia

Um inquietante filme de produção francesa que pude ver ontem numa iniciativa do Cine Clube de Santarém. É mais do que um filme sobre educação, é uma reflexão sobre a complexidade étnica e religiosa que rodeia os ambientes educativos.


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Post Azul

Estava aqui a pensar numa boa razão para postar esta imagem e não encontrei. A não ser o facto indesmentível e público que é eu adorar azul. Sobretudo se for intenso. Este azul é mesmo muito azul! Aceitam-se comentários com razões plausíveis para o post mais absurdo da história deste blogue!


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Musa não és

Musa não és

Musa não és!
Perecíveis são as musas,
Envelhecem e perdem energia.
E tu,
Continuas a acordar-me o dia,
A preencher-me a alma,
A agitar-me o coração,
A empurrar-me a mão
Para o papel
E a desenhar através de mim
As palavras do génesis
E do fim.
Trago o teu olhar brilhando no meu,
Trago o teu sorriso no meu rosto,
Trago no meu peito teu gesto terno.
És meu calor de Agosto,
Minha chuva de Inverno,
Meu vento na vidraça,
Uvas entre os dedos,
Saudável epidemia que não passa,
Exorcista de meus medos.

Não sei se vivo em ti,
Não sei em que medida.
Sei que me invadiu o ser
Uma absurda vontade de vida.
Respira e viverei,
Caminha e andarei,
Mas não me toques
Que ao tocar-me
Abres um abismo fundo,
Um descontrolo total,
Um fim de mundo,
Um querer absurdo,
Uma voracidade
E uma posse.
Um delírio de desejo
Que se materializa
No próximo beijo
Por dar!
E toca-me,
Mostra-me a minha finitude,
Ensina-me que se chama completude
Ao esbater das fronteiras
Do meu corpo no teu.

Não sei o que és.
Sei que musa não és.
De ti não me vem só a inspiração.
Vem-me a vontade, a ilusão,
O desejo, a harmonia,
O começo
E o fim do dia.
E vivo suspenso de ti.
Adiado.
Até que o eco dos teus gestos
Acalme o palpitar deste peito
Docemente subjugado.

jpv


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Passada

Passada

Há qualquer coisa de incerto
Nesta passada,
Uma névoa de futuro.
Mas quero acreditar
Que pode construir-se um rumo
Mesmo que o passo seja inseguro.
Não temo a desilusão
Nem o Fracasso
Temo só pela revelação
Deste meu incerto passo.

Quero ancorar-me nas convicções,
Quero dar o que tenho e posso,
Quero que o fundamento das minhas ilusões
Seja a humildade do meu passo.
E farei.
Farei bem feito e com defeito.
Mas que haja a certeza
No caminho que se trilhou
Que não vive em mim
O português que se negou.

jpv


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Agradecimento

Durante o processo de produção de “De Negro Vestida” foi necessário fazer uma pequena investigação no terreno, nomeadamente, por razões que entenderão em capítulos futuros, saber como funciona uma agência funerária e como uma mulher encara esse tipo de trabalho.
Aqui fica a expressão da minha gratidão a Conceição Conde, uma senhora de grande simplicidade mas também de grande coragem, sensibilidade eJustificar completamente capacidade de trabalho. É proprietária da Funerária Conde, no Entroncamento, e quando me viu entrar pela loja dentro a fazer perguntas sobre o seu negócio por causa de um romance, em vez de me chamar maluco e pôr na rua, recebeu-me com simpatia e conversou comigo sobre tudo o que lhe pedi, mesmo sobre alguns assuntos mais duros. Não só fiquei a conhecer um mundo que desconhecia, como me apercebi de algumas das suas adversidades, dos problemas que podem surgir e sobretudo, da importância deste trabalho e da coragem que exige.
Estas são as pessoas que têm o ingrato mas importantíssimo trabalho de cuidar dos nossos entes queridos nas suas últimas horas connosco. A determinada altura, Conceição Conde disse a frase “Trato-os como se fossem vivos”. Perante esta honestidade e esta dedicação, resta-me dizer-lhe: Obrigado São!
João Paulo Videira


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Qualquer coisa está para acontecer

Não sei se acontecerá. Não sei quando acontecerá. Sei que este espectro da crise, de uma forte e severa crise, arrasta consigo outros cenários. Cenários de uma violência sem precedentes. Cenários de destruição, caos e morte, que são os ingredientes da “limpeza” que antecede o vôo da Fénix. Acredito que renasceremos mas temo. Temo por não saber o que nos espera entre o momento que vivemos e o dia de nos reerguermos.


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Boa Semana de trabalho

Diz-se que a perfeição não existe, mas, por vezes, há momentos que abalam as convicções de qualquer um. A moça que está no vídeo aqui por baixo, com essa aceitável, enfim, sofrível figura, chama-se Myleene Klass e é a mesmíssima que aqui à nossa direita interpreta ao piano a Tocata e Fuga. O que será que o criador colocou nela a lembrá-la da sua humanidade? Ai, rapaz… até se me arrepiam os artelhos!

Boa semana de trabalho, caros leitores e amigos. Esta vai ser das duras!


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De Negro Vestida – XLII

 

De Negro Vestida – VI

José dos Santos Silva criou muitas regras durante a sua vida e alterou-as quando mais lhe conveio e voltou a alterá-las e alardeou que as tinha respeitado rigorosamente. Tão rigorosamente como a mentira ou o adornar da verdade que sempre fizeram parte de si. Justiça lhe seja feita, até porque não é mau homem, uma regra houve que nunca alterou. José não suportou desde pequenino que lhe chamassem Zé. Primeiro, porque não gostava, depois, quando as palavras vieram a bailar-lhe na boca como cerejas envenenadas, porque sentia que se perdia uma qualquer dignidade com a amputação do nome. Construiu então a regra com a seguinte fórmula:
– Zé é a puta que te pariu, óvistes? Para ti, senhor José!
Foi sempre um inquieto. Incapaz de sossegar, de assentar, de receber ordens ou viver dependências. E tinha uma dificuldade tremenda em não ter razão.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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