Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – A Troca

A Troca.

Este brevíssimo apontamento está destinado a constatar e a relatar de forma isenta, logo, sem quaisquer conclusões e muito menos juízos de valor precipitados, um ritual que observei esta semana na viagem de regresso a casa.
Peço-vos, por isso, que também não façam os tais juízos… precipitados.
O trabalho deu para tarde. Tive de apanhar um InterCidades depois das 20h. À minha frente, na outra fila, logo, na diagonal do campo de visão, ia um homem comum, com roupa comum, com um comportamento comum. Nada a registar. Notei, só, como facto a realçar, que nem sequer daria um apontamento, que levava uma enorme aliança de casamento, lisa e larga, brilhante e dourada, no dedo anelar. Até aqui, tudo bem.
Pouco antes de chegarmos ao Entroncamento, onde ele também saiu, tirou a carteira do bolso interior do casaco, abriu aquele compartimentozinho que se fecha com uma mola e onde se guardam as moedas, tirou a aliança do dedo e colocou-a lá dentro. E foi de lá, de junto das moedas, que retirou uma aliança igualzinha mas num tom diferente. Era acobreada. E colocou-a no dedo onde ainda agora estava a outra!
O que é que eu vos pedi?
Demasiado tarde!


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O Clã do Comboio – Agradecimento

Agradecimento

Exmo. senhor Presidente do Conselho de Administração da CP.

Excelência, nós, abaixo signatados, vimos, mui humilde e pungentemente, agradecer a prontidão e a eficácia com que respondeu à solicitação feita.

Nem 24 horas, Excelência, nem 24 horas decorreram, nem o tempo do transcurso da orbe sobre si própria e temos de volta a luz às nossas vidas. Os rostos iluminaram-se, os sorrisos desenharam-se amplos, olhares de alegria cúmplice correram os ares e, se não houve vivas, houve pelo menos quem dissesse, no presente caso, o aluno do escritor, “A reclamação resultou!”.

Voltou o sentido e a orientação às nossas manhãs, a tela cinzenta que vivemos nos últimos dias é de novo aguarela colorida e a paz invadiu os nossos corações.

Excelência, queira considerar pretéritas as nossas reclamações e aceite nossa fidelidade comercial na continuidade no recurso aos excelsos serviços que a Companhia de V.Exa. presta como única forma de agradecimento ao nosso humilde alcance. A Mulher Vampiro está de volta e, para nós outros, signatários da presente e demais anónimos, a vida também.

De V. Exa.,
Com a mais elevada estima e consideração, subscrevem:
–
O escritor, o aluno dele, os três amigos que andam a combinar como salvar o mundo, o militar que sai em Vila Franca, o ceguinho que vê, a generalidade dos homens e mulheres que viajam na 6ª carruagem do interregional das 7:18.
–
Em 20 e picos de Janeiro mais um
Algures entre Entroncamento e Santa Apolónia


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O Clã do Comboio – Reclamação

Reclamação
Exmo. senhor Presidente do Conselho de Administração da CP
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Nós, abaixo assinados, legítimos signatários da presente e mui nobre missiva, vimos, por este meio, apresentar a nossa reclamação e o nosso mais veemente protesto em relação à qualidade dos serviços prestados pela Companhia que V. Exa. dirige.
–
Não obstante a extraordinária qualidade das composições, não obstante o arzinho condicionado sempre ligado, não obstante a clara e resoluta competência dos “picas”, não obstante o serviço estar dotado de uma pontualidade de fazer inveja aos súbditos de Sua Majestade, a Rainha Mãe, carece o mesmo serviço de uma componente fundamental ao seu equilíbrio, à sua harmonia, ao seu bom-gosto e mesmo à composição imagética e odorífera do ambiente em que quotidianamente viajamos.
–
Deste modo, sem mais delongas nem escusas, vimos solicitar seja devolvida à 6ª carruagem do interregional das 7:18, primeiro banco da correnteza lateral, junto à primeira porta do lado direito para quem viaja de costas, a mui sensível e composta figura dessa moldura humana que, nos autos deste humilde escriba, dá pelo nome de Mulher Vampiro.
–
Excelência, os homens andam perdidos e as mulheres também. Eles, porque não têm para onde olhar e olhando colhem somente desilusão e elas porque lhes falta o divinal modelo para seguir e invejar.
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Excelência, a desolação assola as carruagens e vai aqui uma sensação de perda e vazio que torna as nossas deslocações e os nossos dias de trabalho numa infinita e paupérrima tristeza.
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Sabendo dos excelsos poderes que lhe assistem enquanto Presidente do Conselho de Administração, vimos rogar-lhe devolva a vida às nossas vidas, a inspiração às nossas musas, e mobilize todos os seus esforços no sentido de colmatar esta grave e insuportável falha.
–
De V. Exa.,
Com a mais elevada estima e consideração, subscrevem:
–
O escritor, o aluno dele, os três amigos que andam a combinar como salvar o mundo, o militar que sai em Vila Franca, o ceguinho que vê, a generalidade dos homens e mulheres que viajam na 6ª carruagem do interregional das 7:18.
–
Em 20 e picos de Janeiro
Algures entre Entroncamento e Santa Apolónia


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De Negro Vestida – LVIII

 

De Negro Vestida – XXII

– Queremos tudo do melhor. Não pode faltar-lhe nada. Ao menos agora que lhe não falte nada. Por favor, o meu filho faz as escolhas consigo mas não se poupe.
António da Purificação Martins parecia efectivamente decidido a compensar Maria da Graça em morte pelas faltas todas de uma vida. Inicialmente quisera tratar de tudo sozinho, mas acabara por aceitar a ajuda de Gabriel não só porque precisava dela, mas, sobretudo, para não afastá-lo da mãe. António estava decidido a não cometer os mesmos erros do passado.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida – LVII

 

De Negro Vestida – XXI

Uma das batalhas que vimos travando desde que temos esta vida, vivemos neste mundo e esta morte temos, é a batalha de cruzar limiares, de conhecer fronteiras e caminhar sobre elas ou assumir claramente um dos lados. Não é fácil uma opção, como não é fácil a ginástica moral e ética de caminhar em ambos os lados que não é lado nenhum, em cima da linha divisória das ideias, dos conceitos, das práticas, das orientações.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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No

Não estávamos junto ao, nem à beira do. Estávamos no rio!


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Domingo de Manhã

Pai e Filho.
Levantámo-nos. Tomámos o pequeno-almoço. Café com leite, sumo de laranja, pão com queijo fresco e chourição.
Saímos no Bronco e fomos cumprir o nosso dever cívico com cruzes em opções diferentes do boletim de voto. Viva a diferença e o respeito por ela.
E depois fomos enlamear para a Serra D’Aire e Candeeiros. Sorver o brilho matinal do sol, queimar stress num primitivismo lúdico que só o Bronco pode proporcionar.
Depois fizemos umas fotos de telemóvel para testemunhar a loucura.
E, pronto. Já está!





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O Captain my Captain!

O Captain my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weathered every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up–for you the flag is flung for you the bugle trills,
For you bouquets and ribboned wreaths for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchored safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip the victor ship comes in with object won;
Exult O shores, and ring O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

Walt Whitman


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Invictus

Invictus
Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley


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Outro Agradecimento

Desta vez, a todos os leitores de Mails para a minha Irmã.
Pela vossa dedicação e paciência, pela vossa atenção.
Hoje atingimos 14000 visitas que correspondem a mais de 33000 leituras.
Muito Obrigado.