Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Lisbon By Night

Trabalhar até tarde pode ser extenuante, contudo, com uma vista assim, qualquer alma se sente abençoada… no trabalho. Lisboa é uma cidade bonita a qualquer hora, em diversas zonas e dimensões, mas à noite fica mágica!


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Publicidade Gratuita

Não sou muito dado a estas coisas da divulgação. E nem é por razão nenhuma em particular. É só porque me perco na minha escrita e, embora veja imensas coisas de outros, em geral guardo-as para mim.

Um dia destes, de uma forma perfeitamente casuística, apareceu-me na net, no Google mais especificamente, uma imagem do António Louro. Não sei quem é. Sei só que é fotógrafo e gosta de pintar com a luz.

Dei-me ao trabalho de visitar o site dele e, não obstante ser muito simples, ou talvez por isso mesmo, agradou-me imenso. Tem umas fotos de nú artístico absolutamente fantásticas que, sendo sensuais, não são nada agressivas. Muito Bom.

Pode visitar-se aqui:
http://www.antoniolouro.com


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Uma Noite Nicola

“Hoje, calhou-me este”


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Líquido Elemento

Líquido Elemento

Tamborila a água
No telhado
E no mesmo instante
Salpica a vidraça.
Jorra em abundância
Pelas ruas
E molha a gente que passa.

Mitiga a sede
Ao sedento.
Dos rios enche o caudal
Que corre suave
Sob o vento.

Lava o corpo
E limpa a alma,
E mora na sua frescura
A fonte da calma.

É vida e movimento,
É luz e brilho.
E tem em si a energia
De perpétuo elemento.

Passa pelas mãos
Da lavadeira,
Pelos pés do caminhante.
É bênção dos céus
Para a terra germinante.

Vive dela o agricultor
Vive com ela o pescador
E vive no seu poder
De multiplicação
Um segredo de libertação.
Conta-lhe os teus segredos,
Homem que passas e bebes,
Deixa-a levar os teus medos
Enquanto o teu sonho segues.

jpv


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De Negro Vestida – Abandonar o Negro

Amigos leitores, para os que têm acompanhado a evolução do romance “De Negro Vestida”, venho prevenir-vos para o facto de ter acabado o segmento cujo título era “De Negro Vestida”, ou seja, o segmento que deu nome ao romance. A partir do próximo capítulo entramos no segmento que designei por “Abandonar o Negro”. Divirtam-se.
jpv


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De Negro Vestida – LXII

 

De Negro Vestida – XXVI

Maria de Lurdes leu a crónica. Várias vezes. Releu alguns parágrafos. Deteve-se em palavras e momentos específicos e, sobretudo, saboreou. Qualquer coisa naquele texto a deliciava e não era, só, o seu nome no fim. Não era essa vaidade que a movia. Era mais o hino à sua condição. A justiça que lhe pedira havia sido feita. O texto entusiasmou-a e fê-la acreditar de novo na Humanidade e em particular na masculinidade. Esse universo tão próprio, tão acessível ao corpo, tão inacessível na alma. Engana-se quem pensa que os homens são básicos, pensou, são básicos na carne.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida – LXI

De Negro Vestida – XXV

Há jornais abertos nas paragens de autocarro, nos bares e cafés, nos eléctricos e no Metro, há um homem que parou a caminhada que ia fazendo no passeio e ficou a ler, nos restaurantes, nas salas de professores, nas repartições de finanças, nas salas de espera e entre duas torradas com doce de maçã e uma chávena de chá. E muitos não estarão lendo a crónica de Gabriel, mas muitos haverá, também, que o estão fazendo. O texto é simples e fluido. Despretensioso. Mas faz demorar alguns olhares, faz reflectir algumas consciências. Normalmente, não reproduziríamos aqui o texto para não sermos acusados de concorrência desleal por parte do Jornal onde trabalha Gabriel. Acontece que…

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida – LX

 

De Negro Vestida – XXIV

Ultimamente os homens andavam com uma séria tendência para agarrá-la por um braço e arrastá-la da igreja para fora. Carlos José levara-a gentilmente para a sacristia e aí a beijara. Gabriel pegava-lhe firme num braço, arrastava-a para a rua e vociferava palavras de repreensão e raiva. Era a véspera do funeral de Maria da Graça, alguns familiares e amigos estavam velando a falecida na casa mortuária contígua à igreja e Maria de Lurdes andava distribuindo pelos bancos umas ramagens que decidira colocar a expensas próprias para que, ao menos, se simulasse alguma compostura do espaço. Quando chegou à rua, arrastada por Gabriel, sabia que não iriam trocar-se beijos, o olhar dele flamejava indignação:
– Mas quem é que a senhora julga que é?

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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O Clã do Comboio – Faz o que Quiseres

Faz o que Quiseres.

Não é passageira frequente.
Chegou rosada e anafadinha com as carnes a esticarem-lhe a napa encarnada do casaco. Tem mais de 50. Menos de 60. Umas calças de ganga com o tecido propositadamente arrepanhado numa imitação de feira dessas que estão na modinha. Apresentou-se com o cabelo preso atrás com um gancho de plástico a imitar osso de baleia e trazia um chapéu-de-chuva e três sacos. Um verde pequenino, uma mala de mão que mais parecia um saco de viagem em tons de castanho e lilás e um enorme saco às flores brancas e cor-de-rosa que colocou aos meus pés ocupando todo o espaço entre nós. Íamos de frente um para o outro. Óculos de ver ao perto. Unhas pintadas de encarnado já com pouco encarnado. Tirou do caso pequeno uma toalha turca de cozinha amarela com uns limõezinhos verdes estampados, linhas e uma agulha de croché e começou a bordar uma renda a toda a volta da toalha que lhe dava um ar mais… rendado.
Depois deu-se a conversa. Foi ela que ligou. Poisou a toalha no colo, coçou a cabeça com a agulha de croché que a seguir pôs na boca enquanto falava ao telefone em tom audível em toda a carruagem.
– Sim, és tu?
– (…)
– Entrei há 5 minutos.
– (…)
– Este não é o regional. Chega mais cedo.
– (…)
– Faz o que quiseres, mas está lá à hora.
– (…)
– Olha, faz o que quiseres, mas já que lá vais, traz o detergente p’rá roupa.
– (…)
– Faz o que quiseres, mas não te esqueças das minhas luvas.
– (…)
– Faz o que quiseres, mas prepara o jantar. Estão aí as coisas.
– (…)
– Não. Chego mais cedo. Este é mais rápido.
– (…)
– Não sei.
– (…)
– Faz o que quiseres, mas não te esqueças das minhas luvas.
– (…)
– Não sei. Faz o que quiseres. Desde que estejas lá à hora.


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Butterfly


Butterfly

Deslizas pela vida
À procura de te entregar
E fazes um sorriso
Ao mundo
E às pessoas
E transportas contigo
As soluções fáceis
Para as decisões difíceis.
E curas.
E sofres.

E sempre que a terra completa
Uma volta estelar
É tempo de anunciar
Aos homens
Que renasceste
E és de novo dádiva,
Luz,
Caminho aberto.
Mão dada.
Apoio
E conforto.
E curas.
E sofres.

E os homens
Perdidos e pequeninos
Não podem
Senão maravilhar-se
Com tua doce presença.
Ver-te esvoaçar,
Cortar o espaço
Com elegância
E gentileza
No teu voo
De cura.
De sofrimento.

jpv