Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Citação da Ideia e do Corpo




“Tu foste uma ideia em muitos corpos.”









Carlos in
Erotika – O Corpo da Ideia
A publicar brevemente
Por João Paulo Videira


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Curtas do Metro – As Razões do Gato Preto

As Razões do Gato Preto

Manhã normal. Comboio normal. Metro normal. Gente normal. Movimento normal. Gato estranho.

O que vou contar-vos hoje é só um apontamento e já aconteceu há três semanas. Durante todo este tempo pensei sempre que era demasiado insignificante para ser contado. Por outro lado, o que o gato fazia, sem uma razão que o justificasse, era absurdo, quase surreal. E, por isso, guardei o apontamento no caderno e chamei-lhe “Gato”, mas não publiquei. Ontem, contudo, ao passar onde o gato andava, vi algo que me fez luz, a tal razão que rouba o absurdo à situação. Não sei como é que as histórias ficam melhor. Se com absurdo, se sem ele. Eu gosto do absurdo e do surreal, sobretudo quando são reais! E sei que as justificações muitas vezes estragam tudo. Acontece que esta justificação é como o fechar de um ciclo. E por isso mesmo, porque o ciclo está fechado e luz se fez, aqui ficam os apontamentos. O do passado e o do presente. Os leitores, agora, hão de ligar os pontos e completar a imagem.

Há três semanas.
Saio do comboio. Apanho o Metro em Santa Apolónia. Mudo em Baixa/Chiado. Saio no Cais do Sodré. Percorro a plataforma. Subo as escadas. Passo no controlador. Quando estou no enorme átrio da estação, vejo ao fundo as escadas rolantes que dão para o exterior. Em relação ao ponto onde me encontro, estão em plano superior. Umas a subir, outras a descer. E é aqui que entra o gato. Vinha nas escadas rolantes que descem. Parei a observá-lo. Deitado, atravessado, ocupava um degrau inteiro. Pensei eu que aproveitava o baloiço das escadas. Quando chegou ao fim da voltinha, o gato preto pôs-se de pé, deu um saltinho para sair das escadas e ficou no chão. Deu meia volta por ali e subiu pelas escadas de cimento. Uma vez lá em cima, voltou a descer! E pronto. Há três semanas era esta a minha história. Um gato preto que usava as escadas rolantes como montanha russa. Pensei, É tão inverosímil que as pessoas vão pensar que se me esgotou o assunto de escrita e resolvi inventar. E foi por isso que não publiquei. Até ontem decidir o contrario.

Ontem.
Saio do trabalho. Apanho elétrico. Chego ao Cais do Sodré. Dirijo-me para a entrada. Desço as escadas rolantes. Chego cá abaixo ao local onde o gato preto dava uma voltinha antes de subir de novo. E que vejo eu? Um pequeno patamar com vista sobre o átrio da estação. Uma proteção de vidro, pela cintura, para impedir quedas. O vidro termina num corrimão inox e em cima dele… pombos!!!

Pois é, todas as coisas têm uma causa. Todos os seres têm uma razão. Esta, foi a razão do gato preto.

jpv


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Curtas Do Metro – Violência

Violência

Foi um dos episódios mais violentos a que assisti no Metro e envolve uma só pessoa. Final da tarde. Dia de chuva. Cais do Sodré. Descemos as escadas de cimento que dão acesso à plataforma. À minha frente segue um homem com mais de sessenta anos, fato e gravata, pasta numa mão, chapéu de chuva, dos compridos, na outra. Óculos na cara.

Ao descer, o chapéu de chuva bate num degrau, ressalta para as pernas dele, ele tropeça. Tem à sua frente seis degraus. O primeiro impacto com o chão é feito com os joelhos, três degraus mais abaixo. Não larga a pasta nem o chapéu. O segundo impacto é feito já na plataforma onde bate com estrondo e completamente desamparado com a cara. Neste momento arrepiei-me porque todo o peso do seu corpo ficou, por instantes, suportado pelo rosto! Os óculos resvalam para a testa. Uma daquelas pecinhas que apoiam no nariz esbarra numa ruga da testa e corta. Quando, após uns momentos, o senhor se levanta com a ajuda de alguns de nós, está tonto, não sabe onde está nem como aconteceu aquela queda. Tem os óculos cravados na testa. Tira-os por instinto e o sangue, que já jorrava por cima de uma vista, invade-lhe a cara. Chega apoio qualificado. Devo assinalar que os seguranças foram rapidíssimos a vir ajudar. Chamam uma ambulância e o senhor começa a voltar a si.

Um acidente violento e desnecessário a marcar um fim de tarde chuvoso. O dia seguinte amanheceu alegre e solarengo. Espero que para ele também. Espero que o acidente seja só a memória de um susto.

jpv


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Make Up Sex

Make Up Sex

Na ira absurda das palavras,
Nos gestos descontrolados da discórdia,
Nas acusações que cuspimos exaltadas,
Nas portas que batem,
Nos murros na mesa,
Reside a verdade
E a certeza
De uma exaltação,
De uma dádiva
E de uma louca paixão
Onde não cabe a indiferença.
E depois da tempestade
Cai, célere e excitada,
A sentença.
Tenho de amar-te.
Tens de ser minha.
E, sobre a discussão e a refrega
Cai o doce e diáfano véu
Da entrega.
E sobre uma coisa dura
Tomba outra coisa dura.
E desse louco desentendimento
Nasce um momento
E é esse que quero para mim.
Sim, sou teu.
Serás minha, sim.
Para sempre.
Entre combates
E pazes feitas,
Emerge uma vida
De almas eleitas
Para amar.
E não me digas
Que é tudo demasiado complexo.
Depois de irar-me contigo,
É muito melhor o sexo!

jpv


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Por causa dA Dívida – X


Caros leitores,

Dulce Morais acabou de publicar o 
Capítulo X de “Por causa dA Dívida” no Crazy 40 Blog.

Iremos continuar a história em breve nestas páginas com o Capítulo XI.

Boas leituras!


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Orgasmo

Orgasmo

Um fundo.
Um túnel.
Uma luz.
Uma mulher.
Uma esperança.
Um corpo que seduz.
Uma língua.
Uma boca.
Um odor.
Um homem.
Uma entrega.
Um corpo de amor.
Um bailado.
Um movimento.
Uma dança.
Um Sexo
Noutro sexo.
Um corpo que balança.
Uma vertigem.
Uma voracidade.
Um orgasmo.
Uma mulher.
Um homem.
Dois corpos em espasmo!

jpv


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A Vez de François Hollande

Ao que parece, pelas sondagens e pelo discurso de Sarkozy, François Hollande ganhou as eleições e é o novo Presidente da República Francesa. Para já, pouco a dizer. Há que esperar para ver o presidente em ação.

Em relação ao passado, Hollande começa por quebrar um ciclo de 17 anos da direita no poder em França. Logo, sabemos que são tempos de mudança.

Em relação ao futuro, interessará saber se o novo presidente conseguirá cumprir as promessas que fez ou se, também ele, será devorado pela máquina da especulação financeira que assola e ataca a Europa. Vai ser precisa muita coragem. A tal máquina, ainda os resultados eleitorais não estão confirmados,  já começou a funcionar com a agressividade que lhe é conhecida. A previsibilidade da vitória de François Hollande levou algumas agências de ratting a baixar a cotação da França.

Para quando uma empresa de ratting para as empresas de ratting?

Para quando a coragem da Europa em fazer o óbvio: não reconhecer a validade destas empresas e, claro, ter a sua própria agência e processar aquelas que usarem os nomes dos países sem autorização dos mesmos. É que, não sei se repararam, mas quando uma agência de ratting dá um suspiro, nós pagamos mais juros, sofremos com mais austeridade. Eu acho que há vida para além da finança e também acho que nem toda a finança pode assentar na especulação. Pois é, senhor Hollande, ainda nem começou e já tem a vida difícil! Boa sorte!
jpv


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Mãe

Não obstante a minha idade, para além dos quarenta, sempre que penso na minha mãe, seja a propósito deste dia, seja por outra razão qualquer, sinto-me menino. É assim como se as mães tivessem um elixir da eterna meninice e sempre que pensamos nelas, a alma voasse para o tempo em que acreditávamos que todas as pessoas eram boas e todas as coisas iam correr bem.

A minha mãe foi sempre um porto de abrigo quente e fofinho e representou sempre para mim a segurança. Não tenho quaisquer dúvidas de que, dadas as dificuldades por que passámos na minha infância, se hoje sou um homem seguro, auto-confiante e empreendedor, isso teve muito a ver com o papel que os meus pais e a minha mãe, em particular, tiveram na minha vida, durante esse período específico.

E assim, venho saudar todas as mães do mundo e a minha em particular que é a melhor delas! O sentimento que me vai no peito é de um amor e de um carinho extremos e por isso era necessário registá-los aqui.

Gostar da nossa mãe é uma coisa natural e um bocadinho egocêntrica como o António Variações, melhor do que qualquer outro compositor e intérprete, imortalizou numa canção a que chamou “Deolinda de Jesus”.

Pois bem, Maria Luísa, o teu filho se curva perante o teu amor, a tua capacidade de proteger, de amparar, de guiar, sem limites nem retornos esperados. És sempre um farol nas minhas decisões. E, se o pai estivesse entre nós, gostaria que te dissesse estas palavras.

jpv


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Seremos Campeões

Seremos Campeões é o título de uma canção que, independentemente do resultado, já é campeã.

Foi aberto um concurso para a canção que será o hino da Seleção Nacional de Futebol no Euro 2012. É uma iniciativa da RTP1 que dá pelo nome de Canta Portugal. Decorrem audiências durante o fim-de-semana para apurar os cinco melhores candidatos após o que será o público, por votação, a escolher a canção que nos representará. Até aqui nada de novo. Há contudo, um candidato especial.

Um conjunto de Técnicos de AEC do Município da Lousã criou uma letra simples e alusiva, juntou-lhe uma música que fica no ouvido e ensaiaram dezenas de alunos do Primeiro e do Segundo Ciclos do Ensino Básico e são eles, os homens e as mulheres do futuro, que cantam a canção que, esperemos, venha a ser da nossa glória.


E como é que eu sei disto tudo? Simples, uma das técnicas envolvidas é a Mana que dá nome aqui à tasca… Força maninha!

Aqui fica para avaliação com a promessa de que, caso venha a ser selecionada para uma das cinco melhores, faremos uma divulgação mais pormenorizada para conhecermos alguns dos técnicos e alunos que dão corpo ao projeto.