Author Archives: mailsparaaminhairma
Decote

Decote
O teu decote
Encerra uma promessa,
E o meu coração altera-se,
Mesmo que lhe peça
Que o não faça.
O teu decote
Desenha uma curva,
E a minha vista turva,
Mesmo que lhe peça
Que o não faça.
O teu decote
Tem uma história,
E confunde-me a memória,
Mesmo que lhe peça
Que o não faça.
Mesmo que lhe peça
Que o não faça,
A minha mão traça
O desenho dessa promessa
Em palavras de excitação
Que nascem no teu decote
E morrem no meu coração.
jpv
Uma Ideia

Uma Ideia
Uma ideia.
Uma palavra.
Uma conversa.
Uma teia.
Um lavrador que lavra.
Uma semente que sente.
Um rio que atravessa
E a mesma ideia inaugural.
Um homem.
Uma mulher.
Um ritual.
Uma face.
Um sexo.
Uma mão.
Um grito
E um corpo que tomba no chão.
Uma vida.
Uma morte.
Uma hesitação,
Uma alma vagueando à sorte.
Uma luz que seduz.
Uma brecha no muro.
Um cântico de amor
Onde antes estava escuro.
E tu,
E eu.
Um amor que vive.
Um amor que morreu.
E fica pouco para trás.
Um rasgo de desejo.
Um clima de paz
Semeado em palavras
De sintonia.
Uma noite que cresce
Para a luz de um novo dia.
jpv
Impulso Navegante
Impulso Navegante
Tens nesse traço gentil
As águas de março
E as flores de abril.
Tens nas curvas do teu rosto
A brisa de maio
E o sol de agosto.
E tens um tapete de folhas caídas
Nas formas encontradas
E nas palavras perdidas.
E tens um oceano de água e emoções
Que permite absorver-te no olhar
Todas as Estações.
E eu sou só um pobre e humilde devoto da Natureza
Que bebe da tua presença
A graça e a delicadeza.
Ah poder navegar-te o olhar,
Aportar em teus lábios
E beijar.
Poder navegar as tuas linhas
Com os meus dedos
E afogar o desejo
No calor dos teus segredos.
Capitão de amar,
Armador de ti.
Homem de procurar o mar
No teu olhar,
Esse oceano em que me achei
E perdi.
Deixa-me ir à aventura
Por essa planície terna
De loucura,
Por teus vales e colinas.
Subirei ao alto de ti
Para me procurar
A mim!
Dominarei o Universo
Que dominas!
Crónicas de Maledicência – A Tática da Seleção
Por causa dA Dívida – XII
Boas leituras!
Cónicas de Maledicência – A Falta de Ética da RTP
Cónicas de Maledicência – A Falta de Ética da RTP.
Parabéns aos "Destemidos"
Aqui fica o refrão:
E o clip de vídeo para poderem decorar:
Paisagem Fraterna
Paisagem Fraterna
A perfeição
Do teu olhar
Estava naquilo que vias.
O brilho
Da paisagem
Morava no que sentias.
E eras criança
Na forma como cruzavas as mãos.
E tinhas esperança
Na verdade de sermos irmãos.
E tinhas uma paisagem
Entrecortada de luz
E escuridão.
Uma suave miragem
Semeada, fundo,
No teu coração.
Não te salvei.
Trouxe-te
E perdi-te.
E ainda hoje damos
As mãos no vazio
E as preenchemos
Uma com a outra.
À procura do calor
E do arrepio
Da palavra sã
E da saudade louca.
Relembro-te inocente.
Inocente te vejo.
A tua mão fechada na minha
A carícia fraterna de um beijo.
Tremi por ti.
Por ti temi.
Mas foi a tua existência pequenina
Que me não deixou perder
De mim.
Fui teu guia.
Teu Universo
Circunscrito
E seguro.
Foste meu farol,
Minha razão.
Só soube que existia
Quando senti na minha
A tua mão.
jpv
Carícia Certa e Valerosa
Carícia Certa e Valerosa
É precisamente
Por ser o dia da criança
Que recordo emocionado
Essa breve e suave dança
Das brincadeiras
E das obrigações.
Era a liberdade.
A maior de todas.
A da inconsciência.
Eu era livre
Sem estudo nem ciência.
Sem lógica nem tratado.
E não dava explicações.
E as que dava,
Estavam claramente
Estabelecidas.
Entre brincadeiras e corridas
Chegava ao ninho para lanchar,
À escola para estudar e…
Brincar!
E isso não era crime.
Era natural
E aceitável
Que uma criança
Brincasse,
E dormisse,
E estudasse,
E obedecesse,
E risse
E corresse.
Eu era livre
Sem estudo nem ciência.
E tinham comigo
A paciência
Dos joelhos esfolados,
Dos calções rasgados,
Da face ruborizada
Escorrendo suor,
E a vida
Era a coisa maior.
Eu era livre
Sem estudo nem ciência.
E tinha em mim a urgência
De conquistar o Universo,
Galgar planícies e montanhas,
Voar os céus,
Arrebatar donzelas com véus
E lantejoulas,
Cruzar campos floridos
De papoulas,
Erguer uma espada,
Romper a alvorada
Em meu cavalo alazão,
Imaginário
E invencível.
Esse, fui eu
Até trinta e um de maio.
E depois morri.
E em um de junho
Renasci.
E era já outro.
O homenzinho.
O rapazinho.
O rapaz.
O moçoilo.
O homem.
O homem.
O homem.
O menos livre
De todos quantos fui.
Aquele que sabe que não se vive,
Apenas o tempo flui.
E as regras.
E as razões.
E os protocolos.
E as convenções.
E as assinaturas.
E as notícias suaves
E as mais duras,
Mesmo as graves.
E a palavra que se deu.
E a recebida.
E a palavra que se recebeu.
E a perdida.
E os valores.
E as escalas de valores.
E essa incontornável
E singular verdade
Que, afinal,
Tinha plural.
E os princípios
Assassinados pelos fins.
Os homens sérios
E os que dobram.
E os que cobram.
E os afins.
E os desonestos.
E os lentos.
E os lestos.
E os que conheci.
E os que não quis conhecer.
Depois de ter sido
Criança,
A única carícia certa
E valerosa
É saber
Que vou morrer.
jpv









