Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


4 comentários

Crónicas de África – África do Sul!

Crónicas de África – África do Sul!

Maputo, 23 de novembro de 2012

É sabido e será necessário ser muito cego para não reparar que a África do Sul é uma presença cultural constante em Maputo. Viaturas, alimentos, acessórios, hábitos, expressões gravadas na linguagem, tudo um reflexo da proximidade que a geografia desenha e as estradas facilitam. E este é, por isso, um assunto que me interessa.

Outro assunto que me interessa sobremaneira é a onomástica moçambicana a que já dediquei largas linhas e redobradas atenções.

Ora, anteontem cruzaram-se na minha frente a influência da África do Sul no quotidiano de Maputo e a criatividade moçambicana para batizar as crianças. Ele é o Senhor Detergente, ele é o Senhor Repelente, ela é a Dona Pobreza e, mais recentemente, esta que eu encontrei e de agora vos falo.

Estava na fila do 4º Cartório Notarial para ver reconhecida uma assinatura e reparei que, ao mesmo tempo, chamavam pelas pessoas cujos documentos já estavam prontos. E era assim:

– Teodósio!
E lá ia o Teodósio levantar o documento.
– Marcelino!
– João Paulo!
Não era eu, foi coincidência. Eu ainda estava à espera da minha vez.
– África do Sul!
Oh diabo, pensei eu, ainda agora estavam a chamar pelos nomes das pessoas e agora já estão a chamar pelos países, tenho de me por a pau…

E estava pensando isto quando surge atrás de mim uma senhora baixinha e redondinha gritanto:

– Sou eu, África do Sul sou eu!

E pronto, não estavam a chamar por países…

– João Paulo!
– Sou eu. Obrigado.
jpv


8 comentários

Crónicas de África – Mundo Pequeno


Mundo Pequeno

Maputo, 19 de novembro de 2012

Este blogue é absoluta e completamente independente e o seu proprietário e gestor não deve nada a ninguém, exceto à Caixa Geral de Depósitos, logo, por aqui se fala do que quero e me apetece desde que me dê na gana, que não é real, e faço a publicidade e promovo quem muito bem entendo. Ou seja, nesta crónica vou referir marcas e/ou produtos e assumo a responsabilidade.

Um dos ex-libris de Maputo é o Café-Bar-Pastelaria Continental. Fica ali próximo do Bazar (Mercado Central) e do Mercado do Pau e é um espaço amplo de mesas generosas e uma colunata altíssima e imponente com uns feitios em “L” escrito à mão a encimá-las. Tudo aquilo transpira bem estar e paira no ar um odor adocicado a pastelaria acabadinha de confecionar. Acresce, ainda, uma esplanada em cima de um estrado em madeira de dimensões consideráveis. A pastelaria é muito boa e o café de excelente qualidade. Quem for um bocadinho cusco não dispensa um pequeno almoço de sábado ou domingo naquela esplanada porque faz esquina e dá para ver quem vai, quem vem e quem fica.

No domingo, fomos lá tomar o pequeno almoço. Arrofada mista com um toquezinho de manteiga, café e chá. E estávamos muito descansadinhos a cuscar o passar das gentes, escondidos no nosso anonimato de recém-chegados, quando passa por nós um homem alto e bem constituído que para a olhar para mim, dá dois passos na minha direção e diz:

– Olá! Então o que é que faz por aqui?

E quando me levantei por educação e lhe estendi a mão, reconheci-o, mas não o identifiquei:
– Eu estou a conhecê-lo, mas tem de me dar uma ajuda.
– Então, da Pizaria Catita!
– Mas isso é no Entroncamento!
– Era! Tive de a fechar!

E relembrei uma mãe trabalhadora que em tempos se sacrificou educando dois filhos, uma rapariga e um rapaz, e o rapaz cresceu no negócio e fez-se nele e a simpatia com que nos tratámos nesses dias distantes da
Pizaria Catita guardou emoções nos corações e essas emoções vieram reencontrar-se em Maputo onde me julgava anónimo, mas, ao que parece, não sou assim tanto.

É pequeno, o Mundo. Sobretudo quando os corações dos homens são grandes. O rapaz, hoje um homem, já brevemente descrito, reconheceu-me. Conversámos um bocadinho, trocámos números de telefone e, claro está, estabelecemos um elo.

Depois, quando saímos dali, demos uma volta pela marginal de que vos mostro algumas fotos, e eu fui pensando, Quantas pessoas mais estarão em Maputo que eu conheço de outras paragens? É pequeno, o Mundo.
jpv

Avenida Marginal, sentido Costa do Sol, 6:30 a.m.

Avenida Marginal, sentido Costa do Sol, 6:30 a.m.

Avenida Marginal, sentido Maputo Centro, 11:30 a.m.

Avenida Marginal, sentido Maputo Centro, 11:30 a.m.


Deixe um comentário

Crónicas de Maledicência – Vá para fora cá dentro… ao contrário!

Crónicas de Maledicência – Vá para fora cá dentro… ao contrário!

Este slogan, “Vá para fora cá dentro”, gravado na memória de todos nós, tinha, na altura, o saudável intuito de promover o produto português. Há pouco, andava pela net numa voltinha de final de dia e apercebi-me de que o produto português era realmente muito bom, mas… não estava em Portugal!

O vídeo que coloco abaixo, é um excerto de 46 segundos de um jogo de futebol na Turquia e mostra um golo que é uma obra prima, um momento de qualidade que messis e ronaldos gostariam de ter protagonizado, mas não protagonizaram. Foram jogadores medianos, com salários inferiores ao que ganham alguns futebolistas estrangeiros em Portugal para produzirem coisa nenhuma.

Eu, que gosto da bola pela bola, do espetáculo pelo espetáculo, pergunto-me onde é que andam os olheiros do FCP, do SLB e do SCP que não “importam” estes portugueses de volta?!

Manuel Fernandes, de seu nome, faz um passe absolutamente genial e mata uma defesa inteira e Hugo Almeida fatura à ponta de lança.

O que é nacional é bom, mas está na Turquia!

jpv


3 comentários

Palavra Indizível

Palavra Indizível

Arde no peito
E sempre volta
Uma coisa sem jeito
Que se chama revolta.
Vem de longe,
De tempos sem data.
É um nó denso
Que não se desata.
É um fulgor
E um peso mudo.
É um nada
Que às vezes é tudo.
É uma gente perdida
Sem esperança
Nem vida.
É uma história
Sem raça nem glória.
É um dobrar vencido,
Um diálogo perdido,
Um caçador mirando a corça…
Uma gente sem vontade
Nem força.
É uma palavra indizível
Que se diz.
Outrora foi uma nação,
Hoje,
É só um país!

jpv


1 Comentário

Citação da Autoestima

“I’m not perfect, I’m just gorgeous!”

Numa T-shirt em Maputo


Deixe um comentário

The Dark Sweet Cherry Bunch Strikes Again

Hi there wonderful friends!

First of all, my kind and emotive regards to all and each one of you, ENTEP members! A huge hug from your loud-laughing-south-Mediterranean-friend!

Wish you all a fantastic meeting. I am sure it will be for Romita never forgets anything and Cyprus must be a amazing host!

Then, I have received the picture below with the members of The Dark Sweet Cherry Bunch! And I can only say that I miss our chatting, our laughing together, our tea time, our glass of wine time and, most of all, our slightly naughty sense of humor!  Otmar, Gerard and Anne-Sophie, thank you for all the good moments, especially when things were, let’s say… dark!

I also miss Otmar’s granny for she is the author of my favorite sentence ever: 


“If you aren’t in bed by ten, come home!”

Your true friend, Joao Paulo
(I wrote it as you pronounce it, hahaha)

——————————-

(The Dark Sweet Cherry Bunch -1)


8 comentários

Cento e Cinquenta Mil

De tão envolto que ando no trabalho e no quotidiano e na escrita, esqueci-me de assinalar o facto de, há dois dias, termos ultrapassado as cento e cinquenta mil visitas!

Um agradecimento a todos os leitores e amigos que continuam a visitar MPMI com a promessa de continuar a escrever. Está para breve a publicação do já muito solicitado 5º capítulo de “A Paixão de Madalena” e mais uma crónica de África que está quase pronta… poesia e… talvez uma surpresinha!

Por curiosidade, dizer-vos que os  países de onde temos mais leitores presentemente são, com dados de novembro de 2012:


Portugal
—
Brasil
—
Estados Unidos
—
Moçambique
—
Alemanha
—
França
jpv


3 comentários

Citação de Certas Brisas


Acredito que certas brisas se cruzem para se ampararem. Às vezes não se percebe muito bem a sede de cada uma. De tão pouco que elas falam. Muitas vezes escondem-se na penumbra para se não deixarem ver. Porque afinal, os sorrisos não se dão. Os sorrisos acontecem. E valem mais que mil palavras!


5 comentários

Atenção, Atenção, Psssit, Ó Fachavôr!

Serve a presente simpatia para prevenir os amigos de cá e fazer pensar e/ou sorrir os de lá. Eu já fui às velas e aos forfes. Mai nada!


(Clique para Aumentar)


1 Comentário

Citação do Caos e da Harmonia

Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação do caos
À confusão da harmonia

António Gedeão