Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Irreverência

Irreverência

Quando olhares o horizonte
E vires a cinza,
Rasga a paisagem
Por dentro
E desenha outro espaço.
Vira a página,
Muda o traço,
E atira sementes de esperança
À luz do dia,
À terra fértil do desejo.

jpv


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Conversas Vadias – Descrição de Mulher

Conversas Vadias – Descrição de Mulher

Ela – Já tens a máquina?
Ele – Qual máquina?
Ela – Aquela de coiso, dzzzzzzz… (agitando um braço no ar)

jpv
(Tal qual aconteceu entre a LF e o JC)


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Herança da Beira da Estrada

Herança da Beira da Estrada

Um Dia Destes
Reclamo outra herança
E inverto a funesta
E repetitiva dança
Do deve e do haver.
Os meninos já não crescem,
A terra seca estéril
E não medra o verde.
A chuva queima a pele
E arde no coração
A fogueira do desespero.
Não sei as armas,
Não conheço outras
Que as palavras
Com que amo e odeio.
A virtude morreu.
A esperança
É um cinza indefinido,
Um braço erguido,
Um grito suspenso,
Um olhar tenso,
Um lápis partido.
Vi-os caminhando
Por entre os povos
Jogando ao ar
Sementes de medo
E conforto.
O homem sentado no sofá,
Mudo como um penedo,
Com o comando na mão,
Afinal, estava morto.
Puta que te pariu,
Semente ruim!
O homem de bem não te viu
E sugaste o tutano da terra
Até ao fim!

jpv


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Crónicas de Maledicência – Nem o Ministro Morre, Nem a Gente Almoça!

Crónicas de Maledicência – Nem o Ministro Morre, Nem a Gente Almoça!

Eu não sou de desejar a morte de ninguém. Bem pelo contrário. Sou do tipo pacífico, vive e deixa viver. Só não gosto que me pisem os calos, mas quanto ao resto tudo bem. Contudo, às vezes apetece abrir exceções. Por exemplo, o Senhor Ministro das Finanças do Japão está tão desertinho por bater as botas que eu acho que às tantas mais valia alguém fazer-lhe o favor… o tipo, para além de energúmeno, é mais ou menos suicida. 


Ora, isto deixou-me a pensar duas coisas interessantes. Uma é que o senhor é um génio da finança. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado de liquidar população para diminuir a despesa do estado? Depois de descoberta pelo Ministro Japonês, a ideia parece óbvia, mas é efetivamente de um rasgo intelectual só ao alcance dos mais iluminados pela escuridão do outro mundo. A outra é este fresco e interessante conceito de “morrer rapidamente”. Do tipo, um idoso vai ao médico, queixa-se de umas dores, descobre-se um cancro ou uma Alzheimer, assustado, o paciente ainda pergunta, E o senhor doutor vai receitar-me o quê? Ao que o médico responde com ar tranquilo e serenador, Não se preocupe, o senhor não tem nada que não se cure com um pelotão de fuzilamento e uma cremaçãozinha!

Se eu estranho isto? Naaa… Dado os tempos que correm, temos de compreender que é preciso combater a crise a qualquer custo e todos temos de contribuir com alguma coisa e, assim sendo, porque não deixam os idosos doentes de estorvar e gastar dinheiro ao erário público após décadas de impostos pagos? E os direitos humanos? Os direitos humanos não são para aqui chamados que estamos a combater a crise em nome doutra coisa qualquer.

Caro leitor, a sério, a sério, para mim, tudo isto é muito normal. Só não compreendo é como pode suceder que num país e numa região do globo, o Oriente, conhecidos pelo respeito e veneração dos mais velhos, o ministro continue a ser ministro no mesmo dia em que disse o que disse. Essa parte é que me está a fazer cócegas na mente. Será que os outros concordam? E quem tem poderes para o demitir também?

Enfim, tendo em conta que o senhor tem 72 anos e, como tal, já possui um requisito para ir desta para melhor, se eu fosse japonês e próximo do Senhor Ministro das Finanças, passava a andar armado e assim que ele desse um espirrozito, ou aparentasse umas ollheirazitas, fazia-lhe o favor de executar o que pediu para si e cito “Se eu adoecer, não me prolonguem a vida.” Agora que penso na frase, por acaso até a acho contraditória, na verdade ele disse para não lhe prolongarem a vida, mas não disse para lha encurtarem… pois, está visto que a receita era só para os outros idosos. É caso para dizer que nem o ministro morre, nem a gente almoça!


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Navegante do Pó

Navegante do Pó

És o navegante
Altivo
Do mar encapelado
Que me tem cativo.

Sou o caminhante
Só
Desta estrada de terra e pó.

És o capitão
Do motim
No mar da minha revolta,
Rota sem horizonte nem fim.

Sou o homem
Que pisa o chão de ida
E perde o norte da volta.

E temos ambos,
Em terra ou no mar,
A força do olhar
Sob a mão erguida.
O sentido do tutano
Da vida.
A ânsia do regresso
Mesmo antes da partida!

jpv
(Ao som da tua playlist,
Nina Simone, Sinnerman)


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ErotiKa – O Erotismo da Ignorância

AVISO
Esta publicação contém um texto de teor erótico. Se se sente ofendido com textos, imagens ou quaisquer conteúdos sobre erotismo e sexualidade por favor não prossiga.
Do mesmo modo, o conteúdo desta publicação só pode ser acedido por pessoas maiores de 18 anos.
Assim, caso prossiga com a leitura, o utilizador fá-lo por vontade própria e assume ter idade para aceder aos conteúdos.
Obrigado
jpv
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ErotiKa – O Erotismo da Ignorância

Estão num hotel com decoração rústica. Sentam-se lado a lado num enorme sofá do átrio e ela diz-lhe:
– Isto é uma loucura. Ainda não sei porque aceitei vir contigo. Mal te conheço.
– Porque quiseste. Tal como eu quis cometer a insanidade de convidar-te.
Ela sorri e oferece-lhe um olhar terno e vencido. Ele sente-se confortado, inclina-se para ela e beija-a longamente. Sentiu-lhe o odor adocicado do corpo e a suavidade da pele. Não podiam continuar ali. Subiram. E a sinfonia dos corpos continuou. Não era bem uma sinfonia. Era mais um tango ritmado, compassado e sensual em erupções de êxtase. Ele despiu-a com gestos firmes, quase bruscos, acariciou-lhe o pescoço, beijou-lhe a face e os seios e as suas mãos procuraram-lhe as formas, preencheram-se com elas e exploraram-na com avidez. E ela entregou-se-lhe. Deixou-se conduzir até o acolher em si. E quando terminaram, a vertigem do desejo era tal que recomeçaram tudo de novo. Ela está de quatro na cama e oferece-lhe as nádegas alvas. Ele olha-as enquanto entra nela devagarinho. E acorda. E olha à sua volta e vê uma cama vazia. Está suado. Sonhou. Levanta-se, vai tomar um duche e masturba-se com as imagens eróticas do sonho ainda na cabeça. Percebe tudo. Percebe que possa ter um sonho erótico após a sua separação. Só não percebe porque o teve com ela. Tanto quanto sabe, ela nem sonha que ele existe. Não nota a sua presença para lá do Bom dia, Boa tarde. Colegas distantes… porquê ela? É uma mulher interessante, sim. Mesmo sensual, mas nunca lhe ocorrera tal possibilidade. Porquê emergir assim tão vívida e erótica num sonho? Não esqueceu. Mas desligou.

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O dia correu-lhe bem. Sente-se tranquila e realizada. Finalmente superou as perturbações da separação. As práticas, do dia-a-dia, e as da mente que são bem mais complexas. Está em paz consigo própria. Hoje, sim, talvez precisasse de um homem… precisamente porque já não precisa deles. Chegou a casa, tomou um duche, confecionou uma refeição simples mas requintada, apagou as luzes, acendeu uma vela, recostou-se no sofá com as pernas estendidas e o copo de pé alto na mão e foi pensando nas incidências do dia enquanto tocava com a ponta dos dedos, muito suavemente, na zona interior da coxa. Viu-o na mente, numa pose que ele costumava fazer quando se sentava à secretária, e intensificou as carícias. Encolheu ligeiramente as pernas e procurou-se debaixo da túnica. Encontrou-se quente e húmida e explorou os caminhos do prazer e da excitação. Demorou-se. Abandonou-se à fantasia do sexo vigoroso com ele depois de fechada a porta do seu escritório. Não terminou. Foi terminando. E quando se sentiu saciada, estava de novo em paz consigo e com o Universo. Percebe tudo. Só não percebe uma coisa. Porquê ele? É um homem interessante, sim. Mesmo sensual, mas nunca lhe ocorrera tal possibilidade. Porquê emergir assim tão vívido e erótico numa fantasia? Não esqueceu. Mas desligou.

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Por vezes, a vida faz planos por nós. Gere as nossas emoções como se nos conhecesse as vivências. E talvez conheça. Por isso lhe chamamos vida. Estiveram uns quinze dias sem ver-se. Nem mesmo à distância. Um fim de semana, uns dias de férias dele, outro fim de semana, uns dias de férias dela, outro fim de semana ainda e quando vieram a encontrar-se na cafetaria da empresa, acordou-se em ambos o que desligado ficara. Num impulso inexplicável e inusitado, mas perfeitamente natural entre colegas, ele dirigiu-se para ela, disse, Bom dia, desejou-lhe uma boa semana de trabalho, colocou-lhe uma mão nas costas como quem a ampara e deu-lhe dois beijos na face que ela retribuiu.

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Os lábios dela na face dele queimaram-lhe a pele e trouxeram-lhe à mente cada pormenor do sonho espontâneo e secreto. Sentiu-se estremecer de emoção como se os lábios dela fossem o centro do Universo e estivesse neles toda a suavidade, toda a sensualidade e toda a energia do mundo. Ela apercebeu-se de qualquer coisa diferente no olhar e na pose dele, mas não conseguiu identificar o quê.

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A mão dele nas costas dela. Sentiu-se acariciada, envolvida, puxada com vigor e possuída e toda a fantasia que tivera lhe correu a mente e a mão dele queimou-lhe a pele de ansiedade e desejo. Estremeceu de sensualidade e emoção e a sua face ruboresceu levemente. Pediu aos deuses que não se notasse. Mas notou-se. Ele viu esse rubor na face dela, percebeu-lhe qualquer coisa diferente no sorriso cândido, mas não conseguiu identificar o quê.

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Fizeram um brevíssimo compasso de espera, trocaram um olhar tímido, terminaram o cumprimento e voltaram às suas vidas na ignorância do erotismo.

jpv


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Higiene e Segurança Alimentar para Mariquinhas

Higiene e Segurança Alimentar para Mariquinhas

Se eu fosse cavalo, e não há provas irrefutáveis de que não tenha sido ou não possa vir a ser, estava pior que estragado. Ou então, ao contrário do que a malta pensa porque nos ensinam na escola, a bicharada é bem menos seletiva do que se diz e no mundo animal vai a maior das rebaldarias.

O pior é que, ultimamente, a tal da rebaldaria parece ser unânime em desprestigiar o outrora nobre e garboso cavalo. Vamos a factos que de argumentos a coisa vai fraca. Há uns meses surgiu num site da Globo.com, este, uma notícia que depois correu mundo em que uma pesada, patusca e deliciosa vaca, saltava obstáculos qual Pegaso alado. Que eu me lembre não houve reação do universo equídeo nem seus humanos representantes, ainda assim, a coisa foi vergonhosamente humilhante. Toda a gente sabe que, excetuando multinacionais de fast food onde se aprecia mais a minhoca e certas culturas orientais, a carne de vaca serve é para comer, mal passada de preferência, e não é cá para andar aos saltos.

Ora, ultraje dos ultrajes, o jornal Público, que devia andar a analisar assuntos sérios como, por exemplo, a crise nacional ou a inusitada moda da condenação de autarcas portugueses, publicou aqui uma notícia sobre o facto de ter sido encontrado ADN de cavalo em hambúrgueres de vaca. E o mais grave não é a descoberta em si. O mais grave é que isso é visto como algo de negativo ou mesmo prejudicial à saúde porquanto se informa que tais e suculentos hambúrgueres foram retirados do mercado. Com que direito? Pergunto eu. Acaso o cavalo é menos bom de comer que a vaca? É o aparecimento de tal ADN algo de extraordinário? A meu ver, se uma vaca pode saltar obstáculos por que raio não pode um cavalo aparecer num hambúrguer depois de uma noite bem bebida em que se embrulhou com a fêmea errada cuja prole acabou no matadouro? A mesma notícia refere-se aos hambúrgueres como produtos adulterados. Só pode ser engano. Quanto muito serão produtos adúlteros, mas, em minha modesta opinião, isso é lá com o cavalo e com a vaca e mais ninguém tem nada a ver com o assunto. Respeite-se a privacidade de cada um!

Depois, eu acho que anda por aí uma síndrome de 
Higiene e Segurança Alimentar para Mariquinhas. Eu ainda sou do tempo em que as Bolachas Maria se arrumavam na mercearia ao pé do sabão azul e vá-se lá saber porquê sabiam a… sabão! Eu ainda me lembro do que se fazia quando um garfo caía ao chão num restaurante. Não se fechava o negócio ao homem nem se despedia o empregado, apanhava-se do chão e limpava-se ao guardanapo e servia na mesma. Ainda me lembro, nas mercearias e supermercados dos gloriosos anos oitenta, dos pasteis de nata na vitrina do balcão onde, em baixo, figurava a carne de porco. Aquilo cheirava, mas nada que um assopro não resolvesse. Ainda sou do tempo em que o padeiro punha o pão para o saco com as mesmas mãos com que se coçava… não, não era nas costas. Aí ele não chegava. E ainda me lembro de haver pessoas a vender comida sem toucas na cabeça. E olhem para mim, quarenta e cinco anos, um metro e setenta dois quando endireito as costas e oitenta e seis orgulhosos quilos, felizmente, a transpirar saúde e humidade de Maputo.

Ora, porque é que se foi embirrar agora com o cavalo? Ou com uns vestígios de cavalo num hambúrguer de vaca? Vai-se a ver e aquilo eram as hormonas da vaca que queriam ser cavalo e saltar obstáculos! Por amor da Santa, deixem-se de mariquices alimentares e tratem da saúde ao país enquanto a malta come os hambúrgueres se os houver!

É claro que tinha de estar envolvida uma cadeia de supermercados com nome esquisito. Nestas coisas, é sempre bom que o mal aconteça onde os nomes são esquisitos. Até porque o cavalo é um bicho caprichoso, não se deixa vender em qualquer tasca! Foi no Lidl. E o que diz o Lidl? O costume, que nunca comercializou tais hambúrgueres 
“nem quaisquer produtos que contenham carne de equídeo”. Aliás, se os jornalistas do Público continuassem a fazer perguntas, o senhor do Lidl acabava a dizer que o Lidl não existia. Lidl? O que é lá isso? Cavalo? Não, aqui não, cavalos é na Golegã!

Às vezes gosto do meu país, das pessoas nele, do jornalismo, das prioridades, das políticas… outras vezes prefiro os cavalos, nem que seja num hambúrguer de vaca! Olha, agora que estou aqui por África e vou conhecendo isto, esta notícia tinha um efeito engraçado era se aparecesse na África do Sul. Estou mesmo a ver um Sul Africano com dois metros e dez de altura e cento e cinquenta quilos de peso a reagir:
– Hã?! O quê?! Hambúrgueres de vaca com cavalo? Grelha-se já! onde é que isso está que a gente grelha já?! Mal um Sul Africano suspeita que haja proteínas animais por perto, agarra-se ao carvão e aos forfes e, pelo sim pelo não, faz uma fogueirinha! Isso é que é de homem. Agora lá estranhar o cavalo na vaca. Não faltaria!
jpv


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Divulgando

AVISO | A EPM-CELP retoma parcialmente as aulas amanhã (17JAN13)

A EPM-CELP vai retomar amanhã (17JAN13) a atividade letiva para todos os níveis de ensino, com exceção do Pré-Escolar, uma vez repostas as condições mínimas de segurança ambiental após as fortes chuvadas registadas ontem.

Mais comunica que, a partir deste momento, também retoma o contacto com a comunidade educativa, amigos e simpatizantes através da Internet na sequência da reposição do respetivo sinal a partir das 16H30 de hoje, que fora interrompido ontem pelos nossos fornecedores.

A DIRETORA
Dina Trigo de Mira


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O Efeito Devastador das Chuvas em Maputo

Lamento ter de reproduzir este aviso pelas razões que o provocaram, mas a divulgação torna-se importante. Agora, é altura de deitar mãos à obra e colocar a Escola a funcionar o mais rapidamente possível.
jpv

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“AVISO | Amanhã (16JAN13) a EPM-CELP vai interromper a atividade letiva

A Direção da EPM-CELP comunica aos pais e encarregados de educação que, em consequência dos efeitos das fortes chuvadas caídas nas nossas instalações e respetivas imediações, haverá amanhã (16JAN13) interrupção das atividades letivas. Mais se informa que durante o dia de amanhã será emitido novo comunicado a anunciar a reabertura das aulas.

Devido ao facto de a EPM-CELP não dispor de sinal de internet, por impedimento técnico dos seus fornecedores, deverão os pais e encarregados de educação seguir a evolução da situação através desta página do Facebook, uma vez que o acesso à nossa página oficial na Internet poderá não estar disponível enquanto durar aquele impedimento. Neste sentido, solicitamos aos pais e encarregados de educação o apoio na difusão e partilha deste aviso através das suas redes sociais de contactos.“


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Elas, Eles e os Supermercados

Elas, Eles e os Supermercados

Fábula Antiga de Moralidade Duvidosa

Eu não sou, nunca fui, o tipo de homem que fica em casa enquanto a mulher vai às compras. Não é que me importasse, mas há qualquer coisa em mim que me diz que sou eu que devo acartar os sacos. Este pensamento até pode ser machista, mas quanto a isso, sejamos frontais: é um pensamento honesto e o machismo, na sua versão de cavalheirismo respeitoso, faz muito mais falta do que a igualdade da violência doméstica. Mas não me liguem. Eu sou um tipo esquisito.
Ora, assumindo que o supermercado é um destino para gajos e gajas, há alguns fenómenos sobre os quais importa refletir. E depressa antes que tão importantes pensamentos escapem ao resto da Humanidade, distraída que anda com a crise internacional.
Em primeiro lugar, nós somos mais honestos e pragmáticos na incursão ao supermercado. Eu explico. Se um tipo diz à mulher, Espera aí cinco minutos que eu vou ali ao supermercado buscar seis latas de cerveja, há duas coisas que ela pode ter a certeza. Ele demora mesmo cinco minutos, ou menos, e traz mesmo seis latas de cerveja e só não as trará se a fila da caixa estiver muito longa e o tipo resolver deixá-las no corredor e sair dali depressa que a bola está quase a dar, perdão, a mulher está no carro a esperar. Um homem, quando entra num local desses, leva na cabeça ou, preferencialmente, escrito num papel, o que quer trazer, vai direito às coisas, despeja para um cesto, vai à caixa pagar e sai dali depressinha. Com elas, a coisa funciona de forma ligeiramente diferente. Vejamos, ela diz uma frase mais imprecisa e que pode bem enganar os mais novatos, soa a algo como isto, Vem comigo ali ao supermercado que eu preciso de umas coisitas. Ora, se são só umas coisitas, para que é que nós somos precisos? Ah pois é. Cavalheiros, habituem-se ao seguinte, umas coisitas são dois carros de compras e mais uma esfregona! Os mais batidos, antes de irem perguntam, Precisas do quê? Mas isto não adianta nada por causa do Também me faz jeito. Eu explico outra vez. Ela responde, Ah é só um champô e umas ervilhas. E um homem vai todo lampeiro a julgar que volta daí a dez minutos. Errado! Um champô implica um amaciador que implica tinta para o cabelo que implica umas rodelas de algodão em sacos que parecem da bolacha Maria mas não são que implica pasta dentífrica que implica… duas horas na secção de higiene. E as ervilhas… enfim, quem vai às ervilhas, entra no complexo mundo de abastecer uma cozinha e perdeu a tarde! E porquê? Porque Também me faz jeito!
Ora, isto não é bom para o matrimónio. Por várias razões donde destaco duas. A malta tem de se distrair durante aquelas secas infindáveis e nem sequer podemos reclamar senão levamos com a sacramental frase, Também gastas as coisas, não gastas? Ou, pior ainda, Também vives lá em casa, não vives? Que raio de pergunta! Claro que vivo. Eu sou o tipo que liga a televisão! Então, inventamos passatempos. Ou vamos olhando para as outras compradeiras, tirando medidas, analisando formas e comportamentos ou, para não arranjar chatices porque 99% anda a fazer o mesmo que a nossa mulher, vamos à secção dos vinhos, olhamos para os rótulos, lemos as descrições e tornamo-nos em enólogos de supermercado. Ora, qualquer destes tipos de passatempo pode trazer dissabores ao matrimónio seja porque elas embirram com a ideia da malta olhar para as outras, seja porque acham que ver garrafas de vinho pelo lado de fora faz de nós membros dos AA.
Outra coisa tão engraçada quanto exasperante é a capacidade que as mulheres têm para dizer que duas coisas iguais são diferentes ou mesmo que uma delas é melhor. E fazem teorias. Um exemplo. Se um tipo for ao supermercado buscar uma lata de atum, procura a secção das conservas, dirige-se às latinhas amarelas, agarra na primeira que vê e põe para o carro. Nós sabemos que há lá mais latas da mesma marca e de outras marcas, mas só queremos uma e atum é atum em qualquer parte do mundo. Uma mulher avalia todos os tipos de atum, da consistência à cor, do preço ao número de calorias e consegue saber que há uma lata que é melhor que as outras e mesmo assim, no fim, pode bem decidir-se por sardinhas por causa da consciência ecológica ou animal ou lá o que é porque comer atum parece que faz mal aos golfinhos… não há pachorra!
Eu cá tenho uma teoria de moralidade duvidosa. Um tipo quando vai ao supermercado vai lá com instinto predador. O que lhe resta. Ai é atum? Então seja. E traz atum. Já uma mulher, quando vai ao supermercado, é como se estivesse a cuidar e a proteger a sua prole, como se estivesse a garantir a segurança e a qualidade de vida da sua manada. E então torna-se seletiva e açambarcadora. E é isso que leva tempo. É um bocadinho como aquela história de fazer amor. Para elas implica mesmo amar e distinguem com toda a clareza e pormenor do sexo. Para eles, fazer amor e sexo são duas formas possíveis de nos referirmos à mesma coisa. E não digo qual, caso contrário desvanecia-se a dúvida da moralidade. Ou falta dela!