Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Lost in Translation… again!

Eu não quero parecer chato nem persecutório, mas a verdade é que eles estão mesmo a pedi-las!

A mesma cadeia de hipermercados ingleses e sul africanos referida no post anterior, à falta de uns cobres para pagar ao tradutor, “amanda-se” com unhas e dentes ao tradutor do Google e depois dá nisto!

É assim uma palavra que não é inglesa, nem francesa, nem portuguesa… é um três em um: 
– Ó querido trazes-me uns ovos? 
– De onde, do supermercado?
– Nada disso, traz da farma que são mais fresquinhos!

Ai mãezinha, tirem-me daqui que eu não sei andar nisto!!!

jpv


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Lost in Translation

Esta pérola da tradução instantânea a fazer lembrar os melhores momentos do tradutor do Google está efetivamente colocada à porta de um dos maiores hipermercados de Maputo. É uma cadeia inglesa e sul africana que se instalou na capital moçambicana. O negócio, aparentemente, corre bem o que me leva a pensar, Mas porque raio é que estes tipos não contratam um tradutor de jeito…

Depois de ler isto, fico sem saber o que fazer. Se voltar sempre, se telefonar outra vez… raisios partissem a incherem-me de dúvidas!

jpv


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Motorcycle Chronicles – The Light in Her Fingers

The Light in Her Fingers

Norman May sempre adorara motos de alta velocidade. Nada se comparava a essa quase indescritível sensação de libertação e liberdade. Não andava de moto. Vivia de moto. Não trocaria o seu estilo de vida por nada deste mundo, pensava. Acontece que quer a vida, quer o mundo, podem muito mais do que nós que viemos vivê-la e habitá-lo. As rasteiras, as surpresas, os nós que só se desatam quando ainda não queremos, já não queremos ou não estamos à espera que o façam, podem mais do que a nossa vontade e determinação. E, talvez por uma breve e suave consciência dessa limitação, Norman May resolvera não contrariar as forças maiores que o rodeavam.

Para esta história não interessa muito quem ele era, nem o que fazia, nem os seus outros hábitos para além da moto. Acordava com ela, deslocava-se com ela para o trabalho, passava os fins de semana com ela, adormecia a pensar nela, gostava de cruzar o espaço sem capacete, só com uns óculos de proteção e gostava da ideia de poder fazê-lo sempre que quisesse. Vestia cabedais e gangas pretas, punha correntes metálicas a segurar as chaves. A Norman May não faltava quase nada.

Eloise Black sempre fora uma alma livre aprisionada. Livre dentro de si, nas suas infinitas reflexões solidão dentro no breu silencioso da noite. Livre na forma como voava sobre o mar cada vez que contemplava um pôr de sol com a escuma das ondas a rebentar-lhe junto aos pés. Livre quando lia nos livros as vidas dos outros e se entretinha a reescrevê-las só com o pensamento. Aprisionada num quotidiano marcado pelo ritmo da globalidade que dita entrar às nove, sair às cinco, ginásio às quartas, piscina às sextas, supermercado aos sábados de manhã e solidão depressiva aos domingos à tarde. A Eloise Black faltava quase tudo.

Quando se encontraram, a primeira impressão que tiveram um do outro foi como quando experimentamos uma bebida ou uma comida diferente, antes de reconhecermos o arco-íris de novidade a invadir-nos a alma pelas papilas gustativas, fazemos uma careta de estranhamento. Ele deslizava tranquilo e vagaroso absorvendo a luz de um final de tarde laranja e esplendoroso e ao fundo dessa reta de felicidade um vulto de um carro em contraluz parado na berma da estrada, uma mulher esguia com a mão direita sobre os olhos contemplava o horizonte. Ela percebeu que se aproximava um tipo das motos, lenço encarnado ao pescoço, sem capacete. Pensou retirar-se para dentro do carro, mas lembrou-se de que estava na rua porque, efetivamente, precisava de alguém e, distraída com o sol a pôr-se, quase se esqueceu de fazer-lhe sinal, mas fez, acenou e gritou, Por favor, por favor! Norman já passava por ela quando percebeu que era por si que chamava. Parou um pouco à frente, olhou para trás, mediu-a, ela deixou-se medir e mediu-o de volta, parecia-lhe ter idade suficiente para ser um homem responsável e não um garoto das velocidades.
– Boas, precisa de ajuda?
– Sim, se puder emprestar-me um telemóvel, estou sem bateria e o meu carro…
– Não tenho.
– Não tem telemóvel?
– Não. Não uso.
– Não usa? Então como é que faz?
– Eh pá, tem sido difícil sobreviver, mas cá me vou aguentando, sei lá, olhe, para passar a ferro uso um ferro, para dormir, uma cama, para ler, livros… enfim, vivo neste meu mundo subdesenvolvido…
– Sim, mas, por exemplo, se o seu carro se avariar no meio da estrada como é que faz?
– Minha senhora, em primeiro lugar, o meu carro não se avaria porque eu não tenho um, em segundo lugar, a senhora tem um carro, o seu carro está a fumegar fumo branco, a senhora tem telemóvel e nada disso parece estar a ser uma solução para os seus problemas…
– Pois tem razão… peço desculpa, vou esperar por outra pessoa.
– Aqui não passa muita gente, está a escurecer, eu aconselhava-a a vir comigo até à próxima localidade, por certo encontra lá onde passar a noite e amanhã consegue alguém que lhe venha buscar o carro…
– Ir consigo? Como?
– Sei lá, estava a pensar eu a conduzir e a senhora atrás agarradinha à minha cintura para não cair de costas…
– Mas eu… eu não ando nisso!
– Nisso?
– Sim, nessa coisa…
– Esta coisa parece-me ser a sua solução de momento, mas pode ficar aí à espera…
– E isso é seguro? É que os carros são seguros, são fechados, têm quatro rodas…
– Avariam com frequência… olhe, eu vou indo… quer vir…
– Acha que deva?
– Eu não acho nada, mas estão-se-me a acabar as soluções… já agora…
– Sim…
– Estando aqui sozinha com o carro avariado e à espera de alguém como é que quase conseguiu perder-me?
– Ah isso… tolice minha… foi o sol… amo o sol e o mar e toda esta luminosidade que paulatinamente se esconde…
– Também amo isso… venho aqui quase só por causa disso…
– Quase? Eu venho aqui só por causa disso… que mais pode haver?
– Nem sei se lhe diga…
– Diga, diga, finalmente estamos a encontrar algo em comum…
– Pois… eu também venho aqui para deslizar em cima desta coisa!
– E vai devagarinho?
– Vou devagarinho…

Eloise Black não se apresentou. Norman May não se apresentou. Ele tirou a mota do descanso, sentou-se, estendeu-lhe uma mão e ela subiu para a moto com gestos desajeitados.

– Tem um capacete?
– Não se usam nesta paróquia!

Eloise agarrou-se a ele tentando manter uma espécie de distância de segurança, assim como se não quisesse misturar-se muito, mas ao primeiro movimento da máquina, por instinto, abraçou-lhe a cintura e encostou a cabeça às costas dele.

– O fundamental é relaxar, relaxe e desfrute da vista, o sol que tanto ama está quase a sumir-se.

Deslizavam em silêncio e ela tinha os olhos fechados de medo até ter pensado que abri-los não haveria de matá-la e abriu-os e respirou fundo, e sentiu o ronco poderoso da moto por baixo de si e o sol esvaindo-se e a noite caindo como um véu sobre o seu olhar. Estava libertando-se. Enlevada. Norman falou, informando sem perguntar:
– Vou mostrar-lhe uma coisa.
E saiu da estrada enquanto ela estremecia de medo e meteu-se por uma estradinha de terra e ela já quase em pânico e abriu-se à sua frente uma prainha pequenina, com um rochedo de cada lado, abrindo-se depois o mar à sua frente onde a bola de fogo fazia as derradeiras despedidas. Ela descalçou-se e foi junto da ondulação serena ver o dia morrer. Quando voltou trazia incerteza e um sentimento de gratidão e preenchimento.
– Como se chama?
– Norman.
– Eu sou a Eloise.
– Boa noite Eloise.
– Boa noite Norman e obrigado.
– De nada. Achei que ia gostar.
– Achou bem…

Sentaram-se na areia e finalmente foram à procura do que os unia. A noite escureceu a paisagem, Norman pôs-lhe o casaco de cabedal pelas costas, deram as mãos e ficaram a olhar as réstias de luz do outro lado do mundo até já não haver nenhuma. Sem palavras, sem luz, sem medos nem preconceitos, trocaram os lábios e fizeram amor na areia. Só Deus e aquela coisa souberam.

Norman May não alterou o seu estilo de vida, incluiu Eloise Black nele. Foi tácito o acordo. Ele aparecia de quando em vez, sempre que o coração lhe pedia, sempre que o impulso de amá-la era maior do que qualquer outra coisa na sua vida, ela não o procurava, esperava-o. Com o tempo, começou a ler-lhe os ritmos e a pressentir-lhe as visitas e preparava o coração para recebê-lo. Depois montavam naquela coisa, desbravavam caminhos de asfalto e terra batida e areia e procuravam novas aproximações às ondas do mar emolduradas pela amarelidão lânguida do sol. E amavam-se. Perdiam-se em conversas longas e sinuosas de descobrir a razão de ser das coisas, dos gestos, dos hábitos, faziam silêncios e ela contemplava a paisagem e o homem nela. Absorvia a vida com o olhar sôfrego de ver tudo enquanto houvesse luz no seu olhar. Não se esconderam. Não se revelaram. Ficaram assim, procurando o mar e o sol ao som e ao ritmo de uma moto de alta velocidade, sentindo o ar na face, a areia nos pés, o corpo no corpo. O tempo passou célere e despercebido, magias do encantamento amoroso.

Um dia, por brincadeira, Norman May comprou um capacete para Eloise Black e levou-lho. Quando tocou à campainha ela não atendeu, insistiu e o silêncio voltou a responder-lhe. May já tinha pensado que isto poderia suceder, afinal de contas, não combinavam nada, a vida acontecia-lhes harmoniosa com naturalidade. Não estranhou. Voltou dias mais tarde e voltou a não encontrá-la, esperou um pouco mais, voltou semanas mais tarde e finalmente a porta abriu-se. Era um homem. Completamente estranho a Norman May que ficou perplexo:
– Desculpe, não sei se incomodo, procuro Eloise Black.
– Não mora aqui, quer dizer, já não mora aqui…
– Como?
– A senhora mudou-se, devido ao problema com que ficou depois do acidente, decidiu viver perto de uns familiares…
– Problema? Acidente? Pode dizer-me o que se passou?
– Não sei, quem é o senhor?
– Um amigo.
– Sabe, isto é constrangedor para mim, mas o facto é que me pediram para não dizer nada a ninguém acerca de Eloise Black…
– Por favor… essa mulher é a minha vida…
– Enfim, creio que não haverá mal em dizer-lhe algumas coisas, de resto o senhor parece transtornado, era sua namorada?
– Não, sim… sei lá… acho que sim, éramos as pessoas mais importantes na vida um do outro, isso faz de nós namorados?
– Acho que sim, faz mesmo mais do que namorados…
– Então…
– Eu não sei para onde foi Eloise Black. Sei que foi a pessoa que morou aqui antes de mim. Sei que teve um acidente de automóvel, embateu violentamente contra uma árvore ou um poste, não sei bem ao certo e sei que está bem exceto num aspeto…
– Qual?
– Cegou. Eloise Black cegou e está a reaprender a viver. Sofre. E mais não sei.

Norman May procurou Eloise Black de todas as formas possíveis, em todos os locais possíveis, colocou anúncios nos jornais, pediu a amigos que percebiam dessa coisa das internetes e vasculhou todos os cantos do universo digital, andou pelas ruas e, em última análise, em solução de desespero, Norman May, ainda na cidade, virava-se de frente para o sol, fechava os olhos e imaginava onde ela estaria. Pressentiu que a encontraria na prainha onde se amaram pela primeira vez, só não soube quando. Sempre que por qualquer imperscrutável razão se lembrava dela ou lhe batia forte o seu chamamento, pegava na moto e dirigia-se para lá. Passava junto ao local onde a viu pela primeira vez contemplando o sol junto ao carro avariado e, mais à frente, fletia para a estrada de terra que desembocava na pequena praia com um rochedo de cada lado. Nada. Nunca. Sempre vazia. Uma ou outra vez com estranhos. No início, logo a seguir ao choque de saber do seu acidente e dessa funesta consequência, ia lá muitas vezes, depois começou a ir um pouco menos e ao cabo de três anos, Norman May tinha anichado aquela dor no seu peito e só lá ia de vez em quando para certificar-se da sua ausência, para sentir com força a realidade de a ter perdido. Não sabe o humilde escritor destas linhas porque foram três anos. Poderiam ter sido três meses, um ano, um ano e meio, dois anos. Mas não. Foram três, mais dia, menos dia. Ele fletiu para a estrada de terra batida, desembocou na praia e deu-se com duas mulheres de costas, sentadas na areia. Uma mais forte e arredondada, a outra, à sua esquerda, mais magra e esguia. Ao lado, espetada na areia, uma vara de tatear o chão. À frente das mulheres um Retrivier Labrador com um arnês retangular em alumínio. Era um cão guia. Norman estremeceu com a imagem. Seria que… no seu peito borbulhava a incerteza e a dúvida e, contudo, o desejo, a ansiedade, de súbito, apoderaram-se dele. Ela estava tranquila. Há muito, já, que reconhecera o ronronar da moto. Chorava e sorria. A mulher a seu lado levantou-se, abandonou o local e ao passar por Norman cumprimentou-o:
– Boa tarde, deve ser o senhor Norman, Eloise espera-o, enfim, às vezes vem aqui esperá-lo… por favor, vá com calma…
– Boa tarde.
Não disse mais nada. Já não comandava as suas palavras nem os seus gestos. Aproximou-se. Sentou-se ao lado dela. Colocou a sua mão espalmada sobre a mão frágil e gentil de Eloise Black.

São preciosas, as palavras. Às vezes porque se dizem, outras vezes porque se guardam. Guardaram-nas durante longo tempo. Ficaram de frente para o mar, sentindo e vendo o sol despedir-se deste lado do mundo.
– É bonito, disse ela, já lhe decorei o movimento pelo calor na pele. Já só se vê um quarto.
Norman pasmou:
– Como consegues?
– Estava cega antes, Norman. A vista é egoista, tolhe-nos os outros sentidos e eles veem tanto, podem tanto. Deixa-me ver-te.
E colocou as suas mãos sobre as faces dele sentindo e absorvendo as formas e o calor de Norman. Passou-lhas pela cabeça, depois pelo peito e por fim abraçou-o.
– Isso tem cura?
– Dificilmente. As probabilidades são ínfimas e os custos muito elevados.
– Se é por causa dos custos, eu tenho algum dinheiro e posso vender a moto, vale muito… mesmo muito…
– Tonto. És um doce, mas explica-me, de que me serviria a visão se tu não tivesses alma… e já te disse, eu não estou cega, vejo de outra forma…
Fez-se um silêncio. Eloise percebeu que ele queria dizer algo, procurou-lhe uma mão na areia e quando a encontrou, apertou-a como que encorajando-o a falar.
– Porque te escondeste, Eloise?
– Não me escondi, Norman, só não estava preparada. A vida levou-me a luz do olhar e eu tive de recuperá-la com os dedos, com as mãos, com a face, eu vejo, Norman, vejo até melhor do que tu, só não estava habituada a ver assim… levei tempo… As cadeiras, as mesas, os obstáculos no passeio, os movimentos das pessoas, o braille no papel, os odores, os sons mais insignificantes, as texturas… aprendi o mundo de novo, Norman May, sou uma mulher nova e diferente… há coisas que ainda não experimentei…
– Por exemplo…
– Amar…
– Amar?
– Tens razão… nunca deixei de amar. Refiro-me à entrega dos corpos. Essa linguagem não sei ao certo se a domino…
– Nem eu… afinal de contas eu ainda vejo com os olhos… sinto-me culpado por isso.
– Não sintas, meu amor, não sintas. Guia-me!
– Guiarei… mas está uma pessoa contigo…
– É a Mary, uma amiga, vai partir e vai levar a Lucy com ela…
Eloise Black falou com a cadela, disse-lhe, Lucy, vai ter com a Mary, vai… e, como que por milagre, a cadela abandonou o local. Ouviu-se o ruido de um carro a engrenar e o seu ronco a tornar-se cada vez mais distante até desaparecer.
– Devo a maioria da minha aprendizagem a este animal. A minha mobilidade depende dos seus olhos e do seu instinto, sabes que ela é que decide quando atravessamos uma estrada?
– Tu vives num mundo diferente, com pessoas diferentes, com critérios diferentes, pergunto-me se há espaço para mim no teu universo…
– O teu espaço é o teu espaço, Norman May. Não se confunde com nada mais. Anda, vem conquistá-lo, vem merecê-lo.
Norman tocou-lhe a mão, deixou deslizar a sua mão pelo braço dela, encostou a sua face à dela, e depois os lábios. As roupas caíram devagarinho e os gestos multiplicaram-se, ternos e dedicados. Norman fechou os olhos e amou-a de igual para igual. A noite tombou definitivamente sobre este lado do mundo e escureceu e quanto mais escuro estava, quanto mais ele cerrava os olhos e a amava sôfrego e emocionado, mais ela sentia a luz desse amor na ponta dos seus dedos.

jpv


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The Net is Back


Caros Amigos e Leitores,

The Net is back… e as publicações seguem dentro de momentos!

Mai nada!

Um abraço e até já!

jpv


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MPMI – Sem Publicações

Caros Amigos e Leitores,
O meu acesso à internet é feito através de um dispositivo portátil, mais pequeno que um telemóvel, denominado HotSpot que é muito prático e muitíssimo eficaz.
Ontem trouxe-o para o local de trabalho e, infelizmente, o amigo do alheio levou-mo. O caso está entregue à polícia.
Assim, estarei sem net nos próximos dias o que condicionará imenso as publicações de MPMI.
É pena porque tenho pronta uma história da série “Motorcycle Chronicles” e o capítulo 12 de “A Paixão de Madalena”.
Enfim, tentarei regressar à normalidade o quanto antes.
Um forte abraço e bom fim de semana a todos.
João Paulo Videira


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Vermelho Direto – Uma Questão de Requisito

Vermelho Direto – Uma Questão de Requisito

Já está! A mais recente aquisição do Futebol Clube do Porto, de seu nome Josué, disse as primeiras palavras como jogador daquela coletividade: “Não gosto do Benfica.”
Amigo Josué, para que saiba, se gostasse, não o contratavam. É já uma longa tradição do FCP não jogar a favor de si mesmo, mas contra os outros, o Benfica em particular. É uma forma de estar na vida e no futebol que não aprecio mas que, reconheço, tem dado frutos. E frutas. Quando se passa a fazer parte dos quadros do FCP deve lá haver uma espécie de juramento de bandeira, só que, em fez de se jurar fidelidade ao Porto, jura-se infidelidade ao Benfica. Houve, mesmo, quadros daquela coletividade que, ao longo dos tempos, foram contratados só para dar cacetada e fazer afirmações de bairrismo exacerbado em nome da coletividade e exclusivamente contra o SLB. Por aí se percebe a grandeza de quem a tem como já aqui foi explicitado em escrito anterior. Se o meu amigo dissesse “Gosto do Porto” ou “Amo incondicionalmente o Porto” ou “Sou capaz de morrer em campo pelo Porto” ninguém ia reparar que tinha sido contratado, o meu amigo nem sairia do seu anonimato. Lá está, é como eu digo, a senhora da limpeza do Estádio da Luz tem mais projeção do que certas coletividades no seu todo.
Agora, se o meu amigo é contratado pelo FCP, mas faz uma declaração com o nome de um clube que tenha grandeza intrínseca, como é o caso do SLB, aí, já os holofotes da fama se fixam em si. E de que maneira! Muito bem jogado da sua parte. Além do que, convenhamos, é uma frase repleta de ética, de civismo, de fair play, é uma afirmação bonita que deve orgulhar o próprio e quem o contratou. Começa bem, isto. Mas nada que surpreenda. A mesma receita de há vinte anos para cá! Ou serão quarenta? Já é uma questão de requisito.
jpv


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Crónicas de Maledicência – Aos Jovens Políticos

Crónicas de Maledicência – Aos Jovens Políticos

Não dou lições de moral. Não gosto disso, cheira-me a arrogância intelectual e ética e com a arrogância não faço pactos. Também não acho que alguém possa considerar-se autorizado a tal exercício. Ainda assim, observo. Muito. E capto, registo… quando as coisas não me suscitam interesse, gosto ou preocupação, deixo passar. Quando acontece uma das três, normalmente, escrevo. Hoje escrevo aos jovens políticos.
Estou preocupado. Os jovens, de certo por responsabilidade nossa, na forma como os educámos, confundem política com poder, confundem política com exercícios de retórica e demagogia. Que os políticos façam isso, é condenável e preocupante, que os jovens cresçam com essa matriz inculcada no seu comportamento, é mais do que preocupante, é grave, é uma geração à beira de perder-se e Portugal não pode dar-se ao luxo de desperdiçar mais gerações!
Manuel Laranjeira, escritor do séc, XIX/XX escreveu “Eu sou um homem que tem a coragem dos seus defeitos.” Essa coragem é precisa. É fundamental que reconhaçamos os nossos erros porque a sua superação constitui um inestimável caminho de aprendizagem. Ora, os jovens estão a crescer evitando reconhecer os erros, desviando-se deles de forma habilidosa, imputando-os a terceiros. Isso é grave em qualquer jovem. Num jovem político é muito grave porque representa a condenação do futuro da nação, representa a falta de consciência e responsabilidade, representa que, independentemente do que as folhas de Excel disserem, não sairemos da crise.
Um dia destes, numa rede social, vi um jovem político cometer um erro crasso. Foi uma questão de desconhecimento basilar. Uma daquelas situações em que, ou nos calamos para não dizer asneira, ou vamos investigar e informar-nos antes de falar. Não fez uma coisa nem outra. Escreveu e errou. Ora, isto, a meu ver, não é grave. É natural. O grave, muito grave, foi o que se passou a seguir. Alguém, por certo um amigo preocupado com a sua imagem, corrigiu-o com educação, tato e até inteligência. Abriu-lhe as portas para se retratar, se informar e mostrar que o tinha feito, que tinha crescido no processo. E o que fez ele? NUNCA assumiu o erro, iludiu, ou pensou que iludiu, o seu erro com palavras vazias e ludibriosas e saiu, ou pensou que saiu, triunfante de uma situação em que tinha sido o único a não triunfar. Ainda pensei fazer-lho notar, mas não valia a pena. Aquele jovem político estava tão cheio de si, das suas certezas e das suas capacidades que não lhe assistiria a humildade do reconhecimento do erro. Calei-me.
E fiquei preocupado. Os jovens políticos, hoje, não percebem que sofrer é fundamental, que errar é precioso, e envolvem-se em jogos de escondimento e disfarce por via da manipulação das palavras e seguem em frente como se estivesse tudo bem. Mas não está. Está tudo podre. Um dia vou ver aquele miúdo num cargo de responsabilidade, é certinho… e nunca saberei se o que está a dizer é fundamentado ou uma enorme máscara de disfarce das suas lacunas não enfrentadas. Errámos algures na nossa missão de educá-los e ensiná-los. Os políticos adultos não têm constituído um exemplo de verdade, de essência, de honestidade intelectual e ética. As palavras têm estado demasiadas vezes antes e primeiro do que as ideias e os atos. E há, em relação a isso, uma impunidade generalizada que mina a formação dos jovens políticos. É por isso que a política anda a reboque das máquinas de calcular e enjeita e rejeita as pessoas de verdade. Porque é submissa. E é submissa porque não tem a força da verdade e da essência. Hoje, a política é só retórica e demagogia mal disfarçadas e isso tolhe-nos, criminosamente, o futuro.
Tenho dito!
jpv


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Mia Couto – Especial a Todos os Títulos

Mia Couto – Especial a Todos os Títulos
Não sou daqueles que, porque um escritor ganha um prémio, se desfaz em elogios e, às vezes, até sem conhecimento de causa.
Neste caso, ter lido quase todas as suas obras, acho que me qualifica para ter opinião acerca de Mia Couto. E a minha opinião resume-se a curvar-me perante aquele que é um dos melhores escritores de sempre de Língua Portuguesa. A sua amplitude vocabular, a reinvenção criativa da Língua Portuguesa, a marca cultural moçambicana sempre presente, sempre marcante, o ritmo tranquilo, mas surpreendente, da narrativa, a crueza das situações e palavras, ou, sendo mais exato, a sua naturalidade desnudada, deixaram-me, há muito, enamorado da escrita de Mia Couto.
O prémio é merecidíssimo e é especialíssimo para todos os falantes de Língua Portuguesa, em particular, os moçambicanos. A mim, comove-me esta sinuosidade da vida que é ser atribuída a distinção exatamente no ano em que vim para Moçambique. Couto, aqui, não é um escritor. Ele e Craveirinha são referências maiores da literatura e da cultura moçambicanas, são estrelas brilhantes num universo culturalmente rico e a notícia está a ser acolhida com grande satisfação.
Gosto, sinto-me feliz, quando um dos meus favoritos é reconhecido. Parabéns Mia Couto! Mantém o rumo porque nós, os teus leitores, já estamos à espera do próximo…
jpv


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Vermelho Direto – O Benfica é Mesmo o Maior

Vermelho Direto – O Benfica é Mesmo o Maior

O Benfica é mesmo o maior clube português e um dos maiores do mundo. É dos poucos clubes que não só move a paixão dos seus adeptos, como dá razão de ser aos adeptos dos outros clubes.

Em dia de final de taça, os meus parabéns ao Vitória de Guimarães que foi quem, ao que parece,  ganhou a Taça de Portugal. E digo “ao que parece” porque tenho visto quase tantos portistas e sportinguistas a festejar como vimaranenses. Enfim, acho que, hoje, o Benfica jogou pouco e o Vitória acabou por merecer apesar do primeiro golo ser irregular o que, apesar de ser inegável, não constitui desculpa.

É engraçado ver como os adeptos dos outros clubes dedicam o seu tempo a fazer anedotas, imagens, montagens e filmes acerca das derrotas do Benfica. E isso só tem duas explicações. Uns porque não têm vitórias para comemorar, logo, o Benfica dá-lhes alegrias quando perde e outros porque, mesmo tendo vitórias, elas não têm o mesmo significado que as derrotas do Benfica. Porquê? Porque o Benfica não é uma agremiação de bairro com amplitude municipal. É um fenómeno de paixão universal. Quando ganha e quando perde. Efetivamente, deve ser muito insípido, para não dizer tristonho, ser adepto de um clube que não o Benfica porque nada, nem vitórias, nem derrotas, parece merecer a atenção destas pessoas que merece qualquer evento em torno do SLB. Ser adepto dos outros é viver no vazio e não sou eu que o digo, são eles que o demonstram.

Vejamos, o FC do Porto foi campeão nacional este ano. Quanto tempo é que isso durou? Quanto tempo duraram os festejos? Quanto tempo é que a imprensa falou disso, incluindo a lá da terra? UM DIA! UMA CAPA DE JORNAL! Quando a senhora da limpeza do Estádio da Luz espirra, há mais destaque nas notícias do que quando qualquer adversário do Benfica ganha alguma coisa. Isso é grandeza natural. Ultimamente, são muitos os adeptos do Porto e do Sporting e de outras coletividades que criam páginas no Facebook e nos Blogues a escarnecer do Benfica e a festejarem as suas derrotas, mesmo as internacionais. Pois deixem-me dar-lhes uma novidade: cada gesto desses é um ponto a mais na grandiosidade do SLB, é uma afirmação da superioridade do Benfica. É que até os adeptos dos outros clubes seguem o Benfica. É o SLB que lhes dá vida e razão de ser. O engraçado é que, se um dia o SLB deixar de existir ou for disputar o campeonato noutro país, em Espanha, por exemplo, deixa de haver futebol em Portugal, deixa de haver razão de existir para todos os adversários do SLB.

Este ano, a época desportiva do Benfica foi boa. Além de ter sido campeão nacional de voleibol e de basquetebol, em ambas as modalidades bi-campeão,  a equipa principal de futebol jogou quase 50 jogos tendo perdido somente 5. Acontece que, infelizmente para os benfiquistas, 3 desses cinco decidiam competições e, ainda que o curso da época tenha sido bom, a sua ponta final foi dececionante. Ora, quando isso acontece com os outros, a generalidade dos benfiquistas deixa isso com os outros, cada um que se entenda em sua casa, mas quando isso acontece com o SLB, a sua grandiosidade funciona como um íman e atrai a atenção, o tempo e a dedicação de todos e todos parecem querer festejar, à sua maneira, as vitórias e as derrotas do SLB. De facto, o SLB tem seguidores de todas as cores. É um clube verdadeiramente eclético, até nos adeptos!

Enfim, os meus parabéns ao Chelsea, ao FC Porto e ao Vitória de Guimarães pelos seus sucessos. Cada um chegou a uma final. Nós chegámos às três. Não vencemos este ano, mas sabemos que já as vencemos e as voltaremos a vencer sendo que seremos sempre benfiquistas enquanto que os outros serão sempre e só os outros. E quanto a isso não há volta a dar!
jpv


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Crónicas de Maledicência – O Palhaço da Discórdia



Crónicas de Maledicência – O Palhaço da Discórdia

Eu tenho, e sempre tive, a hombridade de dizer que admiro o escritor Miguel Sousa Tavares, que “Rio das Flores” é um dos meus livros preferidos, que aconselho a sua leitura a familiares, amigos e até alunos, mas que não gosto da postura do cidadão Miguel Sousa Tavares, sobretudo enquanto comentador televisivo pela forma desnecessariamente violenta como aborda os assuntos chegando mesmo a ser boçal.

Não esqueço que o cidadão/comentador, durante o mandato da Dr.ª Maria de Lurdes no ME, arrasou a imagem dos docentes com inverdades, distorções e meias verdades usando de chavões e de uma agressividade falha de lucidez. Mesmo atendendo a que algumas declarações cuja autoria lhe foi atribuída não foram, efetivamente, por si proferidas, bastou-me aquilo a que assisti e as crónicas que li para nunca mais me esquecer da forma como tratou a classe profissional a que pertenço.

É por isso que não compreendo aqueles que vêm agora defender o coitadinho lá porque vão ser investigadas declarações suas pelo PGR a pedido do PR. É que o próprio MST não se tem comportado como um coitadinho, honra lhe seja feita. Disse o que disse, isto é, chamou palhaço ao Presidente da República, assumiu que o disse e considera natural que haja uma investigação. E eu estou completamente de acordo com ele. E louvo a coragem e a naturalidade com que se tem comportado. O que não percebo são os mesmos professores que disseram cobras e lagartos de MST quando se sentiram atingidos, a defenderem-no como se fosse uma sacrossanta figura atacada pelo mauzão do PR. Eu não morro de amores por Cavaco Silva, devo ter-lhe o mesmo respeito político que MST, mas isso não faz de mim amiguinho de MST. A minha memória, apesar da idade, não é assim tão curta!

Tenho dito!
jpv