Jogar pelo seguro
É uma merda.
A vida não se prende
Nem se herda
Nem se entrega
Para viver.
Suga-se.
Usa-se.
Gasta-se em cada palavra irrefletida
E em cada gesto inesperado.
Tudo o resto é mentira.
Adiar inevitável do fim.
Na vida,
Há só uma e única maravilha,
A consciência de que cada instante
Tem de ser vivido
Em êxtase
E frenesim.
Qualquer plano
É um plano a mais.
O único caminho
É atravessar os pinhais,
Voar os céus,
Mergulhar no mar bem fundo
E acordar do outro lado do mundo
Com um par de botas gastas,
Um pouco de nada na algibeira
E a consciência intacta
E inteira
De não ter prometido nada,
De não ter cumprido nada,
De não ter falhado nada.
De ter vivido tudo.
Não querer, não ter,
Não possuir.
Viver cada dia
Com o sentido único
De usufruir.
E tu, alma errante e indecisa,
Não te arrependas do que deixaste por fazer.
Não havia nada para fazer!
A segurança é uma prisão,
Uma alma agrilhoada.
Um velho decrépito
Que acumulou tudo
E agora não tem nada.
Preserva um olhar,
Um momento contemplando o horizonte,
Guarda um abraço,
Um sol por cima do monte,
E o recorte dos sobreiros.
E guarda um beijo
Desenhado em lábios de desejo.
E um corpo oferecido e nu.
Guarda para ti, sempre,
O único e irrepetível sentido
De seres tu!
jpv/dezembro 2014

29/12/2014 às 17:32
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