
Pitty
8:55h. O 28 está cheio. Não cabe mais ninguém. Aparece o eléctrico 15. As pessoas vão entrando umas atrás das outras e depressa o espaço fica preenchido. No meio da turba entra uma moça jovem, cabelo escuro encaracolado, uma trela pela mão e na ponta dela um cão rafeiro de pêlo longo branco e preto. Ela ficou de pé. Ele teve o cuidado de ir deitar-se praticamente debaixo de um banco. Assentou o queixo no chão entre as patas e olhava para cima como quem não percebe o que está a passar-se, mas tem paciência para esperar porque a sua dona está ali. E confia.
Na paragem seguinte entra mais gente, com o pé, ela empurra-o ligeiramente e ele enfia-se todo debaixo do banco e continua, paciente, à espera. Tudo aquilo deve parecer-lhe agressivo. Um carro de gente muito alta, sons e ruídos inúmeros e ele junto ao chão, o espaço a fugir-lhe e ele paciente à espera, confiando o seu destino no meio da selva de pernas àquela que o guia. E não quer nada de volta. Enfim, talvez uma festa.
E fiquei contemplando aquela paz e aquela paciência e aquela confiança de estar, de se entregar nas mãos de outrem. E perguntei:
– Como se chama?
– Maria.
– Não, ele…
– Pitty.
– Como se escreve?
– P-i-t-t-y.
– Obrigado.
jpv
16/06/2011 às 13:00
Grande Pitty!!! 🙂
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15/06/2011 às 15:46
Volte sempre. Um dia vou querer conhecer a Pitty com tempo… talvez apresentá-la aos meus garbosos rapazes de 4 patas!!!
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15/06/2011 às 13:34
A Pitty, como sempre, super famosa. xD
Amei o seu blog. Voltarei =)
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13/06/2011 às 17:36
Olá Nivia, seja sempre muito bem-vinda a Mails para a minha Irmã. Eu adoro animais. Tenho dois cães e sei o quanto conseguem dedicar-se. A confiança que ela tinha em si é fantástica, sobretudo, num mundo tão cheio de desconfianças. Até um dia destes. jpv
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13/06/2011 às 15:56
Olá caro observador Paulo,
fiquei impressionada por conseguires fazer um texto observando em apenas alguns minutos(2 paragens). É estranho e empolgante sermos citados em um artigo. Só deixo aqui algumas observações: Pitty é uma cadela, estava levando-a para ser minha cobaia no meu curso de banho e tosquia. Ao contrário do que disseste, ela não fica com medo das pessoas, fica é ansiosa por não poder lambê-las e saltar pra cima delas, por isso o meu cuidado em não deixá-la incomodar. Na volta não tivemos tanta sorte, pois assim que sentei, ouvi uma voz vinda dos auto falantes que dizia assim. ” o cão não pode estar no eléctrico”. Ainda tentei argumentar, dizendo que a havia trazido no transporte e que ninguém disse nada, não resolveu, tive que descer e voltar de comboio. Ah, meu nome é Nivia…. ao seu dispor. gostei muito do seu blog
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