Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Histórias do Autocarro 28 – Pitty

Pitty

8:55h. O 28 está cheio. Não cabe mais ninguém. Aparece o eléctrico 15. As pessoas vão entrando umas atrás das outras e depressa o espaço fica preenchido. No meio da turba entra uma moça jovem, cabelo escuro encaracolado, uma trela pela mão e na ponta dela um cão rafeiro de pêlo longo branco e preto. Ela ficou de pé. Ele teve o cuidado de ir deitar-se praticamente debaixo de um banco. Assentou o queixo no chão entre as patas e olhava para cima como quem não percebe o que está a passar-se, mas tem paciência para esperar porque a sua dona está ali. E confia.

Na paragem seguinte entra mais gente, com o pé, ela empurra-o ligeiramente e ele enfia-se todo debaixo do banco e continua, paciente, à espera. Tudo aquilo deve parecer-lhe agressivo. Um carro de gente muito alta, sons e ruídos inúmeros e ele junto ao chão, o espaço a fugir-lhe e ele paciente à espera, confiando o seu destino no meio da selva de pernas àquela que o guia. E não quer nada de volta. Enfim, talvez uma festa.

E fiquei contemplando aquela paz e aquela paciência e aquela confiança de estar, de se entregar nas mãos de outrem. E perguntei:
– Como se chama?
– Maria.
– Não, ele…
– Pitty.
– Como se escreve?
– P-i-t-t-y.
– Obrigado.

jpv


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Futebol de Causas

Aqui se divulga uma iniciativa que nos parece a todos os títulos louvável e interessante como, de resto, o Cineclube de Santarém já nos habituou.

Local: Teatro Sá da Bandeira Data: 06/04/2011, quarta-feira, 21h30m Bilhete: 4€ (2€ sócios Cineclube de Santarém)

Mais informação no blogue do CineClube de Santarém: http://cineclubesantarem.wordpress.com/

SINOPSE: O regime ditatorial vigente em Portugal, estendeu-se durante grande parte do século XX. Coimbra, como grande pólo universitário, viveu momentos de grande tensão e inconformismo, nos quais o seu movimento académico de grande mobilização e agitação, acabaram por desencadear e espoletar socialmente o espírito da necessidade colectiva de fazer cair o regime. Um dos principais meios de divulgação e propaganda dos estudantes e dos ideais revolucionários e reivindicativos académicos residiu na sua equipa de futebol, a Associação Académica de Coimbra, como forma de fazer chegar a mensagem e consciencializar o maior número de pessoas. A Académica transformou-se numa bandeira viva da luta estudantil e deu voz ao acordar de um povo, sendo o seu ‘toque a reunir’. Foi de resto com o luto académico, em plena ‘crise de 69’, que se viveu o ponto mais alto da posição de força estudantil com a presença da Académica na final da Taça de Portugal, na qual os jogadores, também eles estudantes e parte activa na militância da causa estudantil, aderiram ao projecto, tornando aquela final no Estádio Nacional no maior comício de sempre contra o regime. Este documentário pretende mostrar o movimento estudantil e crises académicas pelo ponto de vista dos jogadores da Académica e a forma como estes contribuíram e se envolveram na luta enquanto estudantes e Homens. As figuras centrais do documentário serão concomitantemente os dirigentes estudantis e os jogadores da década de 60, directamente envolvidos no processo.