Criam-se estrelas Que nos trazem milagres. Olhamos o cá E lá está ela: Vermelhão Como a terra africana. Nos pés dos elefantes Também se vê esse milagre. Na pele Dos leões, Nas chitas Em perseguição, Na fuga Tantas vezes em vão Das gazelas. Uma águia, De um porte enorme, Brilha lá no alto E o seu grito É um aviso. E todos os animais Pequenos Tem uma alma De coragem.
Não há como O sol africano.
Um outro Que brilhe Nas sombras Entrecortadas Do que anseio ser. Está, sozinho,y Aquele que comeu A Terra Vermelha.
De Rerum Natura O Previsível Caminho dos Dias Pardos
O dia nasceu pardo. Não era hábito naquele lugar, naquela altura do ano. Mas nasceu pardo, como que a negar uma qualquer centelha de esperança. Não era dia para grandes cometimentos. Não era dia para iniciar projetos ambiciosos, nem mudanças de fundo. Era só mais um dia pardo. Dia de ficar perscrutando o sentido do amor no fundo do olhar dela. Dia de ficar roçando a pele na pele do desejo. Dia de dizer o que ela já sabia assim como quem se assegura de que ainda está tudo no seu lugar. Era o dia perfeito para fazer tudo que já fora feito antes, mas agora com intensidade redobrada e cuidado particular. Era o dia de andar descalço e seminu pela casa, de ver aquela porta do armário que fecha mal, de vestir a t-shirt com um buraco no ombro, de verificar aquela tomada que teima em pendurar-se da parede à espera de cair. Era dia de ler. De ouvir ler. Era um dia pardo, um dia de percorrer o previsível caminho dos afetos conquistados, constantemente reconquistados. Nesse dia, a nádega dela acordara com a exata forma da minha mão côncava. Não teve história e, contudo, foi habitado pelas personagens todas de todas as histórias que nos trouxeram até ali. Quando as pessoas se perguntam, por vezes, por que razão os dias brilhantes de sol não cintilam, esquecem-se de que o brilho tem de fundear-se neste amanho interior da alma, dos corpos e dos rituais que só pode acontecer quando a luz do astro grande se esconde. E tem de ser previsível. Tem de ser alimento. Fonte. Tem de ser um manual de rituais e um mapa de códigos e heranças ancestrais a invocar os pais dos pais dos pais e a desaguar em mãos dadas e afetos reafirmados. Os dias pardos não são tristes. São baús de aprender. São sementeiras de estar. São trilhos de interioridade e segredos por revelar. Ela levantou-se, deambulou sensual pelo espaço que nos separava, passou por mim sem parar, estendeu a mão como quem me convida e não aceita negação e eu levantei-me naquele enlevo guiado para desaparecermos na penumbra da casa. Percorreu-se, depois, o previsível caminho dos dias pardos. Hoje, o sol pendurou-se no firmamento e brilhou abundâncias de luz. Exatamente como estava previsto que acontecesse.
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