Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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AMOR

Essa coisa indefenível
Como as coisas
Que se chamam coisas.
Essa impressão
Que fica no ar
Mesmo quando já não se nota
O teu passar.
Essa coisa que me traz preocupado
Com as simples tarefas
Do universo.
Essa coisa que deixa um perfume
Em prosa,
Ou em verso.
Essa coisa a que não quero chamar Amor
E que rodeio com perífrases
Do mesmo tipo.
Esse longo amar
Na cabana do Tofo,
Ou um beijo trocado
No Dhow ao chegar.
Passou continentes
E olhou-te de surpresa
Após o AVC.
Essa coisa que ainda
Ontem fizemos,
Sem vergonha nem pudor.
Essa coisa,
Assim pura,
Chama-se Amor.

jpv


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Xirico 33 – Um Adeus e Um Até Breve


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Não Quero!

Morre-se de abandono…
As mãos ao longo do corpo abandonadas.
Abandonado o olhar ao ponto longínquo da desistência.
Os argumentos e os contra-argumentos abandonados ao ouvido alheio.

Morre-se de abandono…
O desapego da ignara prepotência.
A desconfiança da religião e da ciência.
A vida escorre lenta e difusa como um sonho no sono.

Morre-se de desumanidade…
Não creio, já, em poetas e profetas.
Não creio na marcha dos líderes nem dos falsos exegetas.
Não creio no Homem nem na Humanidade. Abjuro a Pólis, a Urbe e a Cidade.

Assisto, consciente e incrédulo,
Como se, ao morrer, soubesse que ia de facto morrer,
Sem luz nem esperança, nem a salvação que todos alcança,
Só o pensamento falido e austero de uma alma em desespero,
Ao triunfo sonoro e ruidoso da ignorância e da inércia sobre o estudo e o esmero.

Em tudo sinto saudade de como foi.
Não quero querelas, já, que não valem a pena.
Não quero o Saber construído a pulso e suor de pensar para além do já pensado,
Na mesma cama que a jactante e falaciosa opinião. A mesma que rebola pelo chão vazio de uma ideia.

Fico.
Não parto, sequer.
A partida, é já uma corrida perdida.

jpv


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Natal com Cores de África

Imagens captadas na província de Mpumalanga, RSA, em dezembro de 2022.
A resolução das imagens foi propositadamente reduzida para efeitos de rapidez da visualização.
Caso pretenda um original, basta solicitar por correio eletrónico para mailsparaaminhairma@gmail.com
Resolução Original: 6000×4000
Resolução no Blogue: 800×600
Caso precise de ajuda para identificar um animal ou perceber um comportamento, não hesite em solicitar por correio eletrónico. Terei muito gosto em esclarecer.

FELIZ NATAL A TODOS OS FAMILIARES, AMIGOS E LEITORES!

jpv


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Está nas Livrarias”Quem Lixou Isidro Castigo?”

A festa foi linda.
A apresentação pública do romance “Quem Lixou Isidro Castigo?” foi um momento muito agradável, muito fluido e, embora com muitas figuras cujo estatuto convidava à formalidade, a festa foi muito singela, muito descomplexada e descomplicada, muito tranquila… falou-se de livros, do livro. De como fazê-los, de como nascem e da importância de quem os lê. falou-se de histórias, de como apetece contá-las, de como há personagens de quem custa termos de nos despedir.

O romance está à venda em Maputo na livraria Mabuko e na livraria Escolar Editora.

Estiveram presentes o autor, a apresentadora do romance, Olga Pires, com uma interessante e desarmante análise, o editor, Mbate Pedro, Diretor da editora Cavalo do Mar, Luísa Antunes, Diretora da EPM-CELP, João Pignatelli, pelo Instituto Camões, o administrador do BCI, Luís Aguiar, representando a instituição que patrocinou a edição, e o Senhor Embaixador de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, que nos honrou com a sua presença. E estiveram colegas, amigos, familiares, pessoas do nosso universo de afetos.

Venceu-se a pandemia e colocou-se na rua um Romance de Rua!

Um momento a pedir sorrisos e repetição, quem sabe, para breve!

Agradecemos a gentil cedência de imagens pelo Instituto Camões que generosamente acolheu no evento.

Repetimos, com emoção, a dedicatória que figura nas primeiras páginas do romance:
“A Moçambique e aos moçambicanos. Às pessoas que passam na rua. Aos churrascos de quintal. Aos almoços que começam às 11h e acabam às 23h. Às doces conjeturas e conspirações que apimentam as nossas vidas. A África”.

OBRIGADO!

João Paulo Videira


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Quem Lixou Isidro Castigo?

Parece que vai ser desta vez que conseguimos fazer a apresentação pública de “Quem Lixou Isidro Castigo?”.

É já na próxima terça feira, 16 de novembro de 2021, pelas 17h, no Camões, em Maputo.

Esperemos que a pandemia permita o evento!


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Batel

Tão perto.
Tão aqui.
Tão na minha mão…
E tão distante
Como lágrimas
Num chão
Sem chão.

Tão fácil.
Tão simples.
Tão sob a minha pele…
E tão complexo
Como um papel
Sobre outro papel.

Tão louco.
Tão inesperado.
Tão diferente de tudo.
E tão igual
A um grito mudo
Depois de um grito mudo.

Tão entregue.
Tão dado
Tão vivo.
E tão perecível…
Como um batel perdido
Encostado a outro batel perdido.

Tão calado.
Tão sem palavras.
Tão longe da noite e do dia.
E tão inesperado
Como a luz que matou a poesia.

Tão perto.
Tão em cima da meta.
E tão longe
Como a palavra
Que matou o poeta.

jpv


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23.08.2021

23.08.2021

Um só dia, alguns momentos na verdade, e fluiu tudo o que nos une.
Um olhar trémulo pela manhã, uma conversa irrepetível. Tu, eu, a menina, os nossos amigos, os de casa e os de fora, todos do coração, e o madala a comandar as tropas, exército de emoções. E a senhora Cônsul de Portugal em Maputo, e a sua incansável equipa, e o resultado de tantos abraços, de tantos esforços, de tantas emoções e projetos e quilómetros de estrada e palavras e bater de corações… tanto, tanto, tanto…

E leu-se o texto que nos une e segurámos as mãos com força como quem se certifica de que o Destino é mesmo este e não outro diverso.

E veio depois o tempo da paisagem, dos copos a tilintar palavras de saudação e do repasto de conversas e olhares e todos a recordar os momentos que acabaram de acontecer como que para certificar que tinham acontecido. E notícias de longe a brindar sorrisos e uma lágrima emocionada a trair o olhar na presença de quem nos agita o coração.

Aqui estamos, agora, olhando o futuro com esperança no amor que nos une…

Renascemos, reinventámos, retomámos, reinvestimos, refizemos com coragem e determinação as passadas cuja marca na poeira da estrada era quase impercetível.

Aqui estamos para cuidar, para amparar, para respeitar, para construir, para fruir o tempo e a vida e para admirarmos, em comunhão, a comunhão.

Hoje, 23 de agosto de 2021, pelas 11h, no Consulado de Portugal em Maputo, João Paulo dos Santos Videira e Cláudia Cristina Garcia Lopes Videira uniram-se em matrimónio de sua livre vontade…

Imagens sem tratamento e com tamanho e resolução reduzidos para efeitos de publicação.


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Lançamento Reagendado para 29.06.21

Se a Covid-19 não voltar a pregar partidas, será mesmo desta vez que se faz o lançamento de “QUEM LIXOU ISIDRO CASTIGO?”

Fica a informação para os amigos e leitores esperando que seja mesmo possível realizar o evento.

Reitero o pedido de desculpas pelo facto da assistência ser muito restrita, mas é uma imposição das normas de segurança e prevenção da pandemia.

Muito obrigado a todos os que tornaram este livro possível.

João Paulo Videira.


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Lançamento Adiado!

Caros Amigos e Leitores,

Devido ao surgimento de um caso positivo de Covid-19, o Camões, Centro Cultural Português, no cumprimento do protocolo de prevenção e segurança da Covid-19, estará encerrado nos próximos dias pelo que o lançamento de “QUEM LIXOU ISIDRO CASTIGO?” fica adiado. Não sabemos, ainda, a nova data do lançamento, sabemos que será em breve.

Muito obrigado pela vossa compreensão.

Até já!

João Paulo Videira