Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Uma noite diferente

O resultado não interesou muito. Interessou que várias gerações se juntaram numa festa diferente. Há já algum tempo que não visitava a Catedral mas ontem pude fazê-lo com o meu filho, o meu sogro, o meu cunhado e o pai dele. Cinco maduros, três benfiquistas e dois lagartos a ver a bola como deve ser vista: ao vivo e a cores. Para o sogro, benfiquista professo, foi a primeira vez, ao cabo de 76 anos. Para o cunhado também, ao cabo de 39! Eu e o rapaz de vez em quando visitamos a luz ou alvalade (ainda o deserdo!). Há uns dias, alguém me chamou guerreiro. Pois, ontem, o guerreiro descansou o olhar no verde da relva e perdeu-se no turbilhão de 42971 pessoas. Mai nada!… O jogo? mais do mesmo: o Benfica a arrasar!!!
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“Cheirando a relva”
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“Laços”
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“Comprem-me um T1 aqui dentro!!!”

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Mensagem Azul

Querida amiga,

para ti, que repousavas o olhar e a alma no azul do mar, tua essência primeira e teu destino último de cada ideia e sentimento; para ti, que viste o teu mar sujar-se de tragédia, de desgraça, de sofrimento e de lama; para ti, que lhe perdeste o azul e por ele anseias; para ti, um pouco deste azul continental que nos separa o abraço mas nunca a amizade:

“Linha definida “
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“Leão contemplando o mar”
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“Ao longe, a luz”
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“Entre o humano e o divino”
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“A face de Deus”
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“Percurso inevitável”


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De Negro Vestida – XV

 

Rotinas – XV

– Nunca perceberás, pois não?
– O quê?
– É inacreditável! Vocês homens são todos iguais, são sempre os mesmos! Só pensam em sexo! Vocês têm implantado na cabeça um chip de cobrição que vos impede de qualquer outro raciocínio em relação às mulheres. Pensam em trabalho? Pensam! Pensam em futebol? Pensam! Pensam em cervejas? Pensam! Pensam em mulheres? Não! Vocês não pensam em mulheres, nem com as mulheres, nem para as mulheres. Vocês só se querem é vir! Não me podias ter desiludido mais. Sabes, por momentos pensei que eras diferente.
– Mas…
– Mas o quê? Ficaste admirado porque ainda agora estivemos a fazer amor e eu já estou toda indignada e irritada contigo…

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Una Palabra

Esta canção sempre me disse muito. Talvez porque me ache um homem de palavras ou, como me disse um miúdo do 3º ano numa aula que fui convidado a dar no 1º Ciclo, porque sou um “mágico das palavras“. Não sei se sou, mas conheço muito quem seja. A todos os mágicos das palavras! Hip, Hip…

una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento esconde el agua
como las flores que esconden lodo

una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro

como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro

una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo

si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo

porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo


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Mar azul com chuva

Para quem possa ter saudades do mar azul, ou para quem goste dele com chuva. Fotos de telemóvel a partir do interior do meu escritório móvel (“Defender” forever!). O próximo capítulo de “De Negro Vestida” está pronto. Falta só passar.

Caem os primeiros pingos.
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Torrencial orquestra de água batendo na chapa e mar estrondeando ao fundo
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Uma hora e muitas linhas escritas depois, o céu anuncia o azul e o mar abre-se à luz.–

Regressa a chuva que enevoa a paisagem. Reataco a escrita.

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De Negro Vestida – XIV

 

Rotinas – XIV

Seja por preguiça na investigação, por comodismo na atitude, por semelhança nos rituais ou por coincidência cronológica, não raro atribuímos os mesmos nomes a fenómenos aparentemente semelhantes que são, quando observados com rigor e pormenor, tão díspares que mereciam nomenclatura diferente. Passa-se isto com o que está prestes a acontecer em casa de Maria de Lurdes. Hoje é sábado. Pais e filhos estão ainda em suas camas deitados e aconchegados e parecem indiferentes ao facto de a manhã ser já entrada há algum tempo. Daqui a pouco, Maria de Lurdes levantar-se-á para preparar-lhes o pequeno-almoço. E é este o nome que se dá à refeição que vai seguir-se por presumir-se idêntica ou ser a mesma que acontece ao longo da semana quando, na verdade, poucas coisas haverá tão dissemelhantes entre si. Durante a semana, a família, à excepção já aqui relatada da mãe, é acordada violentamente por despertadores e chamamentos a que se seguem corridas e competições pelas casas-de-banho. Hoje, acordam naturalmente e vão-se arrastando indolentes e ensonados para a cozinha. De semana, vestem-se e aprumam-se para saírem às suas vidas na rua social que os espera. Hoje, aparecem em pijamas e chinelos, os filhos, e enfiados em roupões por cima das roupas de dormir, os pais. De semana, fazem gestos rápidos e precipitados como se estivessem sempre irreversivelmente atrasados e tudo termina no burburinho de prédio abaixo a desembocar no carro do pai. Hoje, falam pouco e o que dizem são banalidades tranquilas e os seus gestos são lentos e displicentes e parecem, propositadamente, exibir a vontade de não ir a parte alguma. Não falam de horários, nem combinam encontrar-se, nem prometem não atrasar-se. Ouvem rádio. Comentam os comentadores, trocam ensonados Bons dias! E têm tempo para sorrir e falar de coisa nenhuma.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida – XIII

 

Rotinas – XIII

– Vieste-te?
– Hum, hum…
– Desculpa.
– Desculpa.
– Ela ou eu?
– Tu!
– De que falas?
– Disto.
– Nunca perceberás, pois não?
– O quê?

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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De Negro Vestida – XII

 

Rotinas – XII

Sexta-feira é dia de limpezas. E o que de mais importante se limpa não é a casa. Aproveita Maria de Lurdes a nuvem de tarefas, das pequeninas às mais significativas, para ir lavando também a alma. É como se cirandassem pela casa duas mulheres. Uma, de corpo envolvido no arredar dos móveis, no limpar do pó, no sacudir dos panos, no varrer e no aspirar dos chãos, no substituir das roupas de cama, no passar de óleo de cedro pelas mobílias, no remover das teias que as aranhas só começaram a formar, no passar pressuroso da esfregona mergulhada em detergente com odor a lavanda pelo chão, no re-arrumar de livros, cêdês, comandos diversos, objectos que perderam o norte ao seu lugar, no posicionar preciso dos bibelôs, no passar do pano cuidadoso por cima das molduras, no substituir de águas no balde, no limpar de restos e marcas pelas mesas e bancadas, no deixar a brilhar como novo o fogão manchado de vapores e gorduras apesar das folhas de alumínio a circundar os bicos, no lavar das janelas a terminar com um pano seco que finalmente elimina as impressões digitais que lá foram ficando. Esta Maria de Lurdes anda de cabelo envolto num lenço, enfiada numa bata colorida com dois bolsos à frente donde pendem dois panos, um para o pó, outro para os vidros. A outra, de pensamento alheado, anda lavando a alma e gosta da sexta-feira porque ela é a catarse do dia anterior que havia sido a catarse da semana inteira. Enquanto limpa e arruma revê as conversas, acerta as ideias e pode distrair-se desse sonho impossível de ser livre e desbocada como Gininha e Hortense e de viver as vidas das pessoas nas revistas.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Da Serra ao Mar

Depois de uma semana difícil e antes de uma semana que se anuncia perfeitamente alucinante, um sábado entre o cume da Serra D’Aire e Candeeiros e o mar!
Memórias de um dia que a semana promete apagar rapidamente.
Entretanto, sei que estou a demorar um bocadinho a publicar o próximo capítulo de “De Negro Vestida”. Já está escrito só falta rever e passar… Grato pelo incentivo de todos.



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Ao almoço

Caros amigos,
quem consegue almoçar num dia de trabalho, entre duas reuniões, num local com uma vista e um céu assim, das duas uma: ou é ribatejano ou é um sortudo… em todo o caso devia ser castigado…
Se quiserem saber onde foi, perguntem… hihihi…

O próximo capítulo está quase, quase…

Um abraço,
João Paulo