Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – Rave Móvel

Rave Móvel

Não fosse dar-se o caso dos elementos do Clã serem muitos e todos pagarem religiosamente as suas assinaturas mensais, vulgo passes, e seríamos todos expulsos do comboio! O que não quer dizer não venha a acontecer por via da força uma vez que a Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia anda a pensar que somos incomodativos. Talvez até sejamos, mas, cara Titi, não há forma de exercer livremente o companheirismo, a camaradagem e a boa disposição sem se incomodar um bocadinho… em todo o caso, fica prometido que tentaremos acalmar os ânimos…

Vem isto a propósito de quê? De quase nada. Nos últimos dois dias, alguns elementos do Clã têm feito uma autêntica “Rave Móvel” em pleno comboio. Entenda-se por “Rave Móvel” tocarem a mesma música, em simultâneo, em todos os seus telemóveis. E a música até é bem agradável. É uma coisa chamada SoulStorm de um tal Patrice. Íamos todos tranquilos quando o Rapaz do Fato Cinzento se lembra de pôr o telemóvel dele em altos berros com aquilo a tocar e a acordar a carruagem toda. O VM, que é um invejoso, também quis brincar e, em menos de nada, meia dúzia de adultos todos a rondar os quarenta, ou com mais do que isso, estavam a ver se o Bluetooth funcionava. E, para infelicidade da Titi, funcionou. Depois foi vê-los a curtir a música à brava. Acho que aquilo vai ficar como uma espécie de hino do Clã. O Escritor não conseguiu emparelhar com ninguém e por isso não pôde brincar. Mas só por isso. Está claro que no dia seguinte já não era para se repetir a brincadeira para não se prejudicar o aparelho auditivo da Titi, acontece que a Mamã das Duas Crianças não tinha vindo no dia anterior pelo que foi necessário transferir-lhe os ficheiros por Bluetooth e deixá-la brincar um bocadinho. A Titi deve ter feito queixa ao Picas, mas teve azar porque o Picas ia a curtir o som. Em meio deste processo ouviu-se um pequeno diálogo que, não fosse o contexto, poderia ser muito complicado:

Mamã das Duas Crianças: Atão?
Rapaz do Fato Cinzento: Tens o equipamento ligado?
Mamã das Duas Crianças: É preciso muito tempo para emparelhar contigo!
Rapaz do Fato Cinzento: É boa a música. É melhor que os Santamaria!
Mamã das Duas Crianças: Esta música é fixe mas se eu fosse homem ia mas é ver um concerto do Tony Carreira…
Rapaz do Fato Cinzento: Porquê?
Mamã das Duas Crianças: Então, porque aquilo é só mulheres loucas com os marmelos a abanar!
Rapaz do Fato Cinzento: Eu vou ser vendido, eu vou mesmo ser vendido.

Ai vais, vais! E crucificado em praça pública! E sabes por quem? Por aquelas pessoas daquela etnia de que tão mal disseste no outro dia…

Claro que o momento ia propício a uma das habituais loucuras do Clã e ela não se fez esperar. Em plena “Rave Móvel”, a Rapariga do Riso Fácil nunca largou o seu Hamlet de Shakespeare. Não é que fosse a ler, mas dava bom aspecto. Foi então, uma vez que se trata de uma peça de teatro, que decidimos improvisar uma pequena representação. O Rapaz do Fato Cinzento fez de Hamlet e tentou engrossar a sua voz suave, a rapariga do Riso Fácil fez de Espectro e o Escritor fez de Rainha com direito a vozinha de cana rachada que parecia mais um homem com os copos do que uma voz feminina… mas a coisa correu bem, sobretudo porque, de cada vez que um acabava uma fala, tinha de passar o livro ao do lado para ele poder dizer a dele. Tudo muito natural, portanto. A Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia continuou a criticar, mas menos. Temos a sensação que o que a incomoda mais é a música. O resto, se for só parvoíce, não é tão problemático. Ia uma moça ao lado do Rapaz do Fato Cinzento a rir-se muito e o Escritor disse-lhe para ele lhe dar qualquer coisa para ela limpar as lágrimas do riso e ele estendeu-lhe a gravata.

Escritor: A gravata?
Rapaz do Fato Cinzento: Sim, qual é o problema? Também a uso nos restaurantes.
Escritor: E não se suja?
Rapaz do Fato Cinzento: Não. Eu uso esta ponta estreitinha que vai escondida aqui atrás!

Essa moça e uma outra que trabalha em Torres Novas e tem as formas muito generosas ficaram leitoras do blogue. O que quer dizer que as suas vidas nunca mais serão as mesmas! A Senhora da Revista de Culinária entrou em Santarém a rir e saiu no Oriente a rir. Deve ter um problema qualquer nas glândulas. A Rapariga com Brinco de Pérola foi todo o caminho a ler, nem um sorriso esboçou. Tudo normal, portanto. O Clã? O Clã está bem e recomenda-se… mas com pouco barulhinho… shiiiiuuuuu…


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Amy

Não sou muito destas homenagens. Nem isto é uma homenagem. Não sou muito de ler e acompanhar as loucuras das estrelas do cinema ou da música. Mas sou duma coisa: sou de gostar de boa música, de reconhecer uma boa voz. Eu não acho que com a morte de Amy Winehouse se perdeu um prodígio, mas acho que se perdeu uma voz poderosa, de encher uma alma e reconfortar um coração. Disso sentirei falta!
Fica aqui um dos momentos mais interessantes de Amy: “You know I’m no good”. Yes you were, babe, yes you were!


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O Clã do Comboio – Um Mundo à Parte

Um Mundo à Parte

Era um comboio de fim de tarde com o sol a amarelecer os vidros. O comboio circulava ensonado e repetitivo nos ruídos das engrenagens. Estava só. Mais ninguém do Clã.
Ela viajava um pouco mais à frente. Tinha um vestido de pano cor-de-roda escuro com muitas flores que não eram estampadas, mas desenhadas com linhas. Por cima dos ombros um pano de tule aos folhos também cor-de-rosa escuro. O cabelo era loiro, às madeixas, por cima dos ombros e tinha um gancho de lado que lhe dava um ar infantil.
Quando chegámos ao Setil, uma senhora cega agarrou na vareta e deslizou para a porta de saída. Quando passou, ela disse bem alto:
– Eh pá ias aí e não dizias nada. Não te vi.
A cega continuou sem responder. Saiu. O comboio arrancou. Ela virou-se de frente para o vidro do comboio, fixou o seu próprio reflexo e falou para ele:
– Eh pá, nem vi que ela ia ali.
– Pois… eu também não.
– Conhecezia?
– Eu não, e tu?
– Eu também não.
Quando terminou de falar com o seu próprio reflexo no vidro do comboio, virou-se para a frente e não voltou a dizer uma palavra até ao Entroncamento. Um mundo à parte!


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O Clã do Comboio – 1º Almoço do Clã do Comboio

1º Almoço do Clã do Comboio.
Pois é. Parece que vai mesmo acontecer. Será um mega-almoço, com muita diversão, um PowerPoint vergonhoso e todas, ou quase todas, as personagens do Clã do Comboio.
As inscrições fazem-se por e-mail para cladocomboio@gmail.com e é obrigatório deixar os seguintes dados:

Nome (obrigatório).
Alcunha do Clã (se tiver).
Nº de telemóvel (obrigatório).
Quantos acompanhantes (máximo de dois além do próprio).
Que contribuição pretende dar para o almoço? (obrigatório. Entradas, bebidas, carne, peixe, sobremesas, etc.)
Após a confirmação da inscrição, cada elemento será informado do que deverá trazer como contribuição para o almoço tendo em conta o que se ofereceu para levar e as necessidades.
Dados do Almoço:

Local: casa do Escritor (será fornecido croqui após inscrição – concelho de Torres Novas).
Data e hora: sábado, 17 de Setembro, 11 horas (hora de chegada).
Prazo limite de inscrição: até ao dia 11 de Setembro inclusive. Publicação de lista de participantes a 12 de Setembro e respectivas contribuições.

—————————————
Organização: O Escritor e a Rapariga do Riso Fácil.
A organização reserva-se o direito de admitir ou recusar quaisquer inscrições.
À organização cabe a última palavra em relação às contribuições de cada elemento inscrito para o almoço.
Quaisquer situações omissas, a organização resolverá como entender e recorrendo à discricionariedade absoluta.
A lista de inscrições irá sendo adicionada a este post.


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O Clã do Comboio – Etnias

Etnias

Na última história do Clã do Comboio, eu escrevi, a certa altura, que, ou me enganava muito, ou o Rapaz do Fato Cinzento ainda ia dar que falar. Pois, já deu. Eu reconheço o potencial das pessoas. Eu sei quando vive num homem de fato cinzento um tipo que gosta de dar barracada! Mas, uma coisa é verdade, quando é para dar barracada, ao menos que seja em grande. E foi. Comecemos pelo princípio.
Segunda-feira. 7:18 no Entroncamento. Assinala-se o regresso de férias da Rapariga com Brinco de Pérola. Assinala-se a chegada atrasada da Mamã das Duas Crianças que tem o marido numa comissão no estrangeiro. Chegou mais tarde do que a Rapariga do Riso Fácil e isso é difícil. Entrou esbaforida, sentou-se sorridente, fez com as mãos um sinal de coelhinha saltitante e disse:
– Ele já cá está, veio no sábado.
– Então e isto são horas?
– Agora é sempre a aproveitar até ao último minuto!
Lá demos os bons-dias uns aos outros, retomámos conversações sobre o trabalho do Rapaz do Fato Cinzento após termos reparado que ele tinha rapado a tentativa de barba que trazia na cara. E foi então que ela se deu. Ele já havia confessado que tinha um trabalho ingrato que não identificaremos por razões óbvias: há que protegê-lo dele mesmo! Enfim, ele lê e analisa uns contratos e depois chama a atenção para as letras miudinhas que ninguém lê e lembra às pessoas que quando elas assinaram as letrinhas que vieram tramar tudo já lá estavam. E foi por isso, por irmos a comentar esta circunstância, que se deu a pequena conversa que se transcreve com pouca corrosão:

Escritor: Então e nunca foi ameaçado?

Rapaz do Fato Cinzento: Já fui já, muitas vezes. Uma vez até me fizeram uma espera. Foram uns ciganos. Os ciganos são tramados. Puseram-se à minha roda, cercaram-me e queriam-me roubar o processo das mãos. Os ciganos são tramados.
Rapariga do Riso Fácil: Pois, eles quando se juntam vem a família toda…
Rapaz do Fato Cinzento: É verdade é… puseram-se ali de volta de mim e já não me queriam deixar ir embora com o processo. Os ciganos… ui… são mesmo tramados!
Por esta altura a Mamã das Duas Crianças parecia que estava com espasmos. Abria muito a boca, arregalava muito os olhos, fazia sinais com as mãos e eu não percebia nada do que ela estava a tentar comunicar e foi por isso que resolvi esclarecer:

Escritor: Mas olha lá, o que é que tu queres?!

Mamã das Duas Crianças: VAI ALI UM!!!
E ia. Era um sujeito de etnia cigana, sentado três lugares mais à frente na mesma correnteza de bancos em que ia o Rapaz do Fato Cinzento. E eu fiz-lhe uns sinais do tipo Olha que te cortam o pescoço e ele olhou para lá, fez-se lívido, olhou para o chão, procurou um buraco e como não havia disse com grande elegância:
– E se mudássemos de conversa?!

A risota não podia ser maior. Ele tinha-se enterrado completamente e ainda só sabia da missa a metade. A outra metade íamos-lhe contar a seguir por sms! Após este episódio, entrou o VM em Santarém. Vinha com a Senhora da Revista de Culinária. Acho que estavam os dois a discutir as vantagens e desvantagens da salada de gambas thai e das vieiras recheadas. Ele percebeu que estávamos na galhofa e antes que cometesse o mesmo erro, resolvi enviar-lhe uma sms a contar o sucedido. E foi essa mesma sms que enviei ao Rapaz do Fato Cinzento para ele ficar a saber a outra metade da missa. É esse singelo textinho que aqui vou transcrever:

Ele começou na brincadeira
por causa do trabalho dele.
Eu perguntei-lhe se nunca
tinha sido ameaçado. Ele disse que sim,
por ciganos, e começou a dizer mal
dos ciganos, até que a Mamã das Duas
Crianças lhe conseguiu dizer que ia aí um.
O que está atrás de ti. Entretanto, o que ele
não sabe é que a Mamã das Duas Crianças
é casada com um!!!
O VM tirou-lhe fotos antes de ele começar a ler a sms, durante e depois. Ele ficou tão atrapalhado que só conseguia dizer Isto hoje correu muito mal… E depois, para desanuviar a coisa, trocámos umas ideias sobre a experiência gastronómica do VM com as vieiras recheadas e a salada de gambas thai. Por entre dentes, lá o fomos avisando que era desta que ele aparecia com as rótulas partidas. Ele ria-se, mas acho que era um riso um pouco amarelo. Ora, quando chegámos a Vila Franca de Xira, o homem de etnia cigana saiu e foi à sua vida e nesse momento a viagem teve a sua pièce de resistence. Foram duas frasesinhas que o Rapaz do Fato Cinzento trocou com o VM:

Rapaz do Fato Cinzento: Ufa, desta já me safei!

VM: Qual quê? Ele saiu para ir avisar os outros e agora fazem-te uma espera no Oriente!
Uma coisa é verdade, quando o Clã do Comboio chegou a Lisboa ninguém se lembrava que era segunda-feira, todos levavam um sorriso nos lábios e um brilhozinho de esperança no olhar. Está bem, todos, todos, talvez seja exagerar. Era capaz de haver um com um ar mais apreensivo. O certo é que se confirmaram as minhas suspeitas. O Rapaz do Fato Cinzento é mesmo um companheirão, tem uma grande capacidade de auto-crítica e sofrimento e foi logo ali convidado para participar no primeiro almoço do Clã. É que quem supera uma prova de fogo como a dele tem mesmo de ser reconhecido… Muitas histórias se esquecerão, mas o dia em que o Rapaz do Fato Cinzento se queixou de ter sido cercado por ciganos no meio de uma família deles… esse dia ficará para sempre na memória colectiva do Clã. Ou isso, ou as vieiras recheadas!


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CHEAT

CHEAT

Where is this room? And this Hotel?
I can’t remember how I arrived
How many times? I couldn’t tell,
So often in this reality I dived!

Lying on this unknown bed,
Two handsome men next to me.
They sleep as if they have had
The most exhausting night there could be!

They know me, trust me : very well!
But yesterday we met for the first time.
Amazed they were, uncovering the veil
I was wearing to hide who I am.

Recognition from the posters spread over town
They have the feeling they know who I am
But they only know the face I own
And certainly not my soul and its harm!

Being here, listening to their breaths
Makes me forget that I have another life
Full of duties, where time too fast leaves :
I am a mother, I am a wife!

Why shouldn’t I be allowed as well
To cheat, to betray, to enjoy
Feeling only pleasure, hearing the bells
When I am, if requested treated as a toy.

I pay for it, and get what I want
Never disappointed, for they want to satisfy
Realize my fantasy without them I can’t
They never complain, never ask : why?

Too soon I’ll be back to my loved ones
I’ll feel better, at least for a while
No more pain in my soul, only in my bones
My soul darkened, never again white.

I’m unfaithful, and I pay for it
Judgment would fall on me if discovered
Surely worried about it, but just a bit
After all, only one should be bothered!

I can already hear my son, tomorrow
When I will arrive, tired but happy
His voice will awake the sorrow
And after that I will fell sleepy.

Going back to that public living
Smiling, faking, playing a part
Hoping that very soon again, I’ll be leaving
For another night of sexy art.

I love my family, more then you think
Otherwise I would just leave them
And wouldn’t spare so much ink
To explain what a cheat I am.


Rose Harris


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"Com Amor," – Documento 38

Cara Verónica,

Ainda agora nos conhecemos e já me está fazendo feliz. Lá estarei. Sem falta. Provavelmente, antes da hora!

Sim. Estarei. E levarei comigo a felicidade que me vai no peito.

Eduardo.


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"Com Amor," – Documento 37

Olá Eduardo!

Sim. Pode visitar-me.

Sim. Quero perceber na sua voz e na sua presença as coisas que tem para dizer-me. Não sei o que é um homem com a sua idade. Nem sequer sei como se mede a idade. Sei só que é um homem e foi gentil comigo e o seu olhar brilhou quando me abordou. Quero ver se o seu olhar brilha de novo. Pensei em tomarmos um café amanhã ao final da tarde, digamos 18h, no mesmo local em que nos encontrámos. Pode?

Sim, Eduardo. Sim.

Um abraço,Verónica.


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"Com Amor," – Documento 36

Vai, minha menina Verónica, vai…

Sim, vai. Sim, é dilacerante. Mas que raio de homem seria eu? Que raio de hipocrisia seria a minha? Que egoísmo tamanho e desumano seria o meu se te retivesse agora? Eu sou casado, Verónica! Não há um “Nós”! O “Nós” que existe está acima de todas as coisas dos homens e é por isso que não é aceite por eles. É um amor divino e abençoado e esse amor nunca deixará de existir. Há um cantinho do meu coração que será sempre teu. Há um cantinho do teu coração que será sempre meu. Há um estilhaço de vida que será sempre e exclusivamente nosso. Preciosamente nosso. É nesse patamar que existe um “Nós”, amado, divino, reservado.. Mas temos de existir para a Vida e vivê-la. Vai viver a vida, Verónica, vai reconciliar-te com ela e com os homens. Digo-o com uma pontinha de tristeza, como se algo se desprendesse, mas digo-o, também, com uma alegria imensa.

Só um cuidado: certifica-te de que ele te merece!

Com Amor,
Rui


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"Com Amor," – Documento 35

Meu Homem Rui,

Como gosto de ti! Como te quero! E como posso perder-te!

Tens insistido, Rui, para que me reconcilie com a vida. Tens dito que depende só de mim e da minha predisposição, da minha atitude. E das nossas conversas nasceu este amor bonito. Esta verdade. Estas almas em sintonia, este afago de corpos em desejo.

Conheci um homem, Rui.É mais velho do que eu. Do que nós. É a gentileza em pessoa. Limitei-me a aceitar um café, mas percebi-lhe as intenções. É educado. Parece dedicado. Quer ver-me. Quer estar comigo. Não sei se quero. Bem sei que me estou reconciliando com a vida e com os homens. Devo-te isso, Rui. Foste tu que me mostraste o caminho. Mas não quero que sofras. Agora que estávamos crescendo um para o outro. Agora que havia um “Nós”…

Ajuda-me, Rui.Que faço?Mostra-me um caminho…

Com Amor,
Verónica.