O Clã do Comboio – Nota Triste

Nota Triste
Faleceu ontem um familiar chegado e querido de um membro do Clã do Comboio.
Querida PL,
em nome do Clã venho trazer-te uma palavra de conforto e solidariedade para que enfrentes com coragem estes momentos difíceis.
São perdas irreparáveis com que nos conformamos sem nunca nos habituarmos ou estarmos preparados. A amizade pode ajudar a mitigar a dor e é por isso que vimos oferecer-te a nossa.
Uma saudação amiga de todos nós.
O Clã do Comboio
Divinal…
A todos os leitores…
O Melhor dos Dérbis
Dicotomias – Tecnologia
Dicotomias – Economia
Ambrose Bierce.
John Galbraith
Thomas Atkinson
Curtas do Metro – A Senhora Gira

A Senhora Gira
Uma destas manhãs frias, a Rapariga do Riso Fácil, a Rapariga com Brinco de Pérola e o Escritor saíram do comboio para o Metro em perfeito alvoroço. Iam bem dispostos. Quando entraram, havia vários conjuntos de quatro lugares com três assentos livres e um ocupado. Uma delas perguntou, Onde é que sentamos? E o Escritor, com seu natural atrevimento, respondeu, Neste aqui, esta senhora é mais gira. E era!
Alta, pele clara, com um pouco de blush a dar uma corzinha, casaco vermelho com enormes botões negros, saia de fazenda cinzenta, curta, deliciosamente curta, sem exagero, e usava daquelas meias com buraquinhos… cabelos alourados e os olhos pequeninos e sorridentes. E foi isso que ela fez. Sorriu.
Demos-lhe os bons-dias, apresentámo-nos e envolvemo-la na nossa conversa mesmo sem ela dizer nada! Ela estava exatamente entre achar-nos piada e pensar se estaríamos a exagerar, mas o facto é que não costuma começar os dias com tanta jovialidade a rodeá-la. Tratámo-la sempre por senhora e o Escritor, justificou o facto, É que apesar do aspeto jovem, é melhor termos cuidado com o que dizemos, porque, vai-se a ver, e tem um namorado musculado com 1,80m. E finalmente ela falou: Não é namorado, é marido! Nós largámo-nos a rir e o Escritor completou: Vêem como é a vida? Tanto tempo sem dizer nada e quando abre a boca é para me ameaçar com o marido dela!
Ela desabou a rir, a Rapariga com Brinco de Pérola arranjou papel e uma caneta e demos-lhe o endereço do melhor blogue do mundo. Perguntamos-lhe o nome e a jovem senhora respondeu, Sou a… E nós somos a.. a… e o… pode dar-me o seu número de telemóvel? Nova gargalhada. Quando nos separámos na Baixa/Chiado, para os elementos do Clã tinha sido só mais uma viagem, para a Senhora Gira, foi a viagem incomum, aquela que ainda não lhe tinha acontecido, o dia em que se sentaram ao pé dela por ser a mais gira. E era! Ai o 1,80m!!!
jpv
Wireless Connection

Wireless Connection
Um bafo desenhando
Ilusões.
Dois corpos procurando
Sensações.
Uma solidão,
Uma entrega,
Um plano rasgado
Na refrega,
Um desejo improvisado.
Um corpo tombado
Sobre um corpo
Tombado.
Uma invasão acolhida,
Um último suspiro de vida
E a vida normal outra vez.
Tudo isto se amou.
Tudo isto se fez.
jpv
Curtas do Metro – Solidariedade

Solidariedade
Ainda há gente boa.
O trabalho traz-me alguns dias mais comuns e, na generalidade, traz-me dias muito intensos. Todos os dias lido com diversas áreas de atuação, todos os dias lido com dezenas de pessoas e todos os dias uso diversas ferramentas de trabalho. Por vezes, não tão raro quanto gostaria, saio mesmo muito cansado do trabalho. E é por isso que esta história existe.
Arrastei-me até ao Metro. Era tarde e ainda tinha pela frente duas horas e meia de viagem. Sentei-me e quase de frente para mim, uma senhora de avançada idade seguia olhando o vazio. Baixei a cabeça e segurei-a entre as mãos. Antes de chegar ao comboio, onde queria dormir um pouco, decidi não ver luz, passar pelas brasas momentâneas do Metro. Alguns instantes depois, um segurança toca-me no ombro e quando levanto a cabeça, ele diz-me, Está-se a sentir bem? Estou sim, obrigado. Só um pouco cansado. A senhora não se conteve, Olhe que não, olhe que não, este senhor ia mesmo a sentir-se mal… se não ia, parecia…
Apercebi-me, depois, pela conversa do segurança, que a velhinha se levantara do seu lugar e fora cambaleando carruagem a fora até encontrar um segurança para me ajudar. Até queria que eu chamasse uma ambulância, veja lá! E eu perguntei, Mas estou assim tão mal encarado? Não! Há pessoas que gostam de ser solidárias…
Não disse mais nada. Antes de sair, agarrei as mãos da senhora e beijei-lhas. Muito Obrigado, disse. E depois fiquei a pensar naquela frase, Há pessoas que gostam de ser solidárias… O mundo ainda não está perdido. Pelo menos entre a Baixa/Chiado e Santa Apolónia!
jpv



