Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Mais Uma Publicidade Fantástica!

Bem sei que não é a primeira vez que promovo um professor. Neste caso, um Prof. Mas a verdade é que não consigo resistir. Senão vejamos, o que é que me atraiu nesta pérola da publicidade? Eh pá, foi a amarração!!!

Claro que também é muito importante haver quem cuide de doenças espirituais e atraia clientes… Já agora, aqueles senhores que vendem o Viagra devem andar preocupados. Com o Prof. Cadri à solta quem é que vai querer comprar o comprimidinho azul?


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A DÚVIDA – CAPÍTULO XII

A DÚVIDA
CAPÍTULO XII

À medida de caminho, que piso as pedras claras da calçada, sinto-me como elas. Frio e abandonado entre semelhantes, parte de um puzzle de que não conheço todo o desenho. E levo comigo a documentação do divórcio. E, contudo, não deixo de sentir no meu intimo que há algo de desnecessário em tudo isto. E se ela estivesse a ser honesta? E se não houvesse nada entre ela e o Sebastião? Se o seu amor ainda fosse apaixonado e sincero? E se esta hesitação que sinto fosse ainda amor verdadeiro? Se, onde vi hábito, estivesse uma rotina a corroer o quotidiano, mas não a falta de amor? É curioso. Passei tanto tempo a duvidar, senti tanto tempo o peso da dúvida dela, tomei decisões sérias e definitivas por causa da dúvida e das suas consequências e é agora, a caminho do tribunal, a caminho de assinar a papelada que põe termo a tudo, que duvido da dúvida!

E nunca lhe dei razões para duvidar de mim! A minha cunhada nunca passou de uma fantasia minha. A minha secretária foi sempre só isso. Acabei mesmo por dispensá-la para a Bela descansar a cabeça, nenhuma outra mulher alguma vez me interessou e é terrível pensar que da parte dela pudesse tudo ter sido análogo. Seria um golpe cruel do destino. E só seria possível se fossemos fracos e incrédulos.

Talvez ainda lhe pergunte uma última vez…

Lá vem ela, traz o advogado, claro, e… como não podia deixar de ser, o Sebastião. Mas  em que é que eu estava a pensar? Onde é que tinha a cabeça? Olha-me aquele paspalho e as suas maneiras gentis e delicadas com ela, está a tentar provar-me o quê? E ela? Porque é que tinha de trazer aquele tipo com ela?

Nem sei como duvidei da dúvida. Não vou perguntar-lhe coisa nenhuma. O que está feito está feito, está feito e está bem feito.

Ainda demorou um bocado. Estou exausto. Acho que só agora reparo que hoje está sol. Há em mim um sentimento misto de libertação e desperdício. Acho que a vida é feita de decisões. Acho que nunca sabemos se vamos decidir bem ou mal e, mesmo depois de ter decidido, a qualidade da decisão afere-se pela forma como vivemos com a realidade que ela própria configurou.

No amor, ama-se ou não. Dedicamo-nos ou não. Duvidamos ou não. Decidimos ou não. Aceitamos ou não. Não há vencidos nem vencedores. Há só a vida que construímos com as nossas atitudes. O que ficou para trás não volta. O que temos pela frente é a vida que resta viver. Não importa se muita ou pouca. Importa se é bem vivida. Vivida de acordo com aquilo que somos, que queremos ser. Temos de nos descobrir. De aceitar quem somos e viver com isso.

Bem, vou tomar um café. Já mereço. E vou viver. Também mereço. Com certezas. E com dúvidas.

——————————- FIM ————————–

jpv


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29 de fevereiro de 2012

Caros Leitores,
quando vos escrevo estas linhas, são exatamente 23:59 do dia 29 de fevereiro de 2012. Ou seja, elas serão publicadas já no dia 1 de março. E isso foi de propósito.

Este dia 29 de fevereiro foi fantástico. Foi o dia que só acontece uma vez de quatro em quatro anos. O dia em que os meus primos, Susana e Alex, fizeram quatro anos de casados embora já estejam casados há dezasseis. Foi o dia em que assisti a uma interessante manifestação de solidariedade e foi um dia especial para Mails para a minha Irmã.

Pela primeira vez desde que começámos estes blogue, em maio de 2009, tivemos mais de sete mil leituras no mesmo mês com a particularidade de ter sido um mês mais pequeno do que os outros. Foi o mês em que mais vezes ultrapassámos as 300 leituras no mesmo dia e foi o mês que estabeleceu como algo de quotidiano o facto de haver mais de 200 leituras num dia. 

Ou seja, o mês foi curto, mas muito profícuo para Mails para a minha Irmã. Quer isto dizer que o Escritor e seus Leitores andam em sintonia. E isso é bom.

Aqui fica, mais uma vez, o meu agradecimento e o meu reconhecimento.

Um abraço a todos e… Boas leituras!


jpv


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Praia

Praia

Tinhas a presença leve.
Chegavas quase sem deixar marca
Na areia da minha emoção.
Vinhas como quem se atreve
A despertar um coração.
E ficaste passeando
A minha existência,
Entregando ao homem
A consciência
E o poder
De se reinventar.
Ficaste como areia
Que aguarda a batida suave
Do mar.

E os ventos sopraram
E depois mudaram
E voltaram a soprar.
Redemoinhaste-me
Os dias
Com palavras,
Jogos e fantasias
De encantar a alma
E o corpo.
E eu fiquei
Como um miúdo
Absorto
Que vê passar o comboio
Faiscando lume.

É já longa
A história
Desta praia.
Foram muitos os sois,
A luas mareadas,
A areia marcada
Pelas nossas pegadas
De amar.

É já longa
A história
Desta praia.
E isso
É que é preciso
Aceitar.

jpv


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ErotiKa – No início não era o Verbo

AVISO
Esta publicação contém um texto de teor erótico. Se se sente ofendido com textos, imagens ou quaisquer conteúdos sobre erotismo e sexualidade por favor não prossiga.
Do mesmo modo, o conteúdo desta publicação só pode ser acedido por pessoas maiores de 18 anos.
Assim, caso prossiga com a leitura, o utilizador fá-lo por vontade própria e assume ter idade para aceder aos conteúdos.
Obrigado
jpv
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No início não era o Verbo

Por arrogância de tipo intelectual e errância assumida, vieram os homens a convencionar a divisão da História em duas macro-partes. A Pré-História e a História. E fez-se esta divisão com base num marco e num princípio. O marco é a escrita. O princípio é o de que, com a escrita, pode registar-se. Como tal, considerou-se História ao que houvesse para contar daí para a frente. Nada mais errado. Por várias razões. Primeiro, quando nasceu, a escrita não foi logo usada para organizar os factos entre os homens acontecidos. Segundo, porque antes da escrita já havia escrita. Outro tipo de escrita, bem entendido. E, por fim, e mais importante argumento de todos, para nós, neste contexto, antes da escrita já havia histórias para contar. E é precisamente uma dessas histórias que contaremos agora. Uma história do tempo em que os homens não escreviam, habitavam grutas, caçavam, recolhiam frutos, copulavam por instinto, comunicavam por urros e gritos e gestos.

O dia raiava com frouxa luz, o sol tinha ainda algum caminho a fazer antes de vir aquecer as carnes dos homens e dos animais. Dentro da gruta há já movimentos de acordar. Algumas fêmeas levantam-se, aconchegam as crias, aquelas que as têm, e dirigem-se em grupos a um curso de água frágil e escasso que atravessa a custo este vale árido, de vegetações secas e agrestes, rochas grandes e imponentes. As rapinas de largo porte cruzam os ares no ensejo do despertar das presas e do saciar das sedes matinais. As mulheres aproximam-se, ficam com a água correndo límpida e marulhante pelos tornozelos. Ajoelham-se e com as mãos em concha trazem a água à boca e quando estão assim bebendo, tombadas para a frente, são surpreendidas pelos machos que as perseguiram desde a gruta e as copulam por trás. Algumas, por razões que a Natureza percebe, evitam-nos e fogem-lhes. Outras deixam-se ficar. Não sabem como, nem porquê, mas sabem que chegou o tempo. A dança é rápida. Os grupos de mulheres regressam à gruta e revezam-se como se revezam seus perseguidores. Polígamos, eles. Poliândrias, elas. Todos sem pecado respondem ao instinto da carne e da continuidade da espécie. Não há nisto sexo, nem prazer. Há um copular matinal e fugaz, uma vezes profícuo e outras sem fruto. Este é o estado das coisas. Não é bom, nem é mau. É como é e assim perdura há muito tempo e por muito mais perduraria não fosse dar-se o evento que originou esta história.

É cedo. Este e aquele e o outro e mais um bem constituído e outro mais baixo e ainda uma meia dúzia mais como eles saem de manhã para caçar. É importante, a caça. Longe estão os dias em que será um desporto desigual enfeitado com armas de fogo. Aqui, é uma atividade de que depende a sobrevivência de todo o grupo. A carne que se come, as peles que se vestem e calçam, as tripas com que há de atar-se, os dentes com que se corta e raspa, os ossos com que se ampara, bate e martela. Tinham aberto um buraco mal desenhado e pouco profundo no chão, mais como uma vala oval, correram, gritaram, urraram, bateram com paus no chão e na vegetação até isolar um búfalo da manada, assustaram-no e encurralaram-no, palavra fora de tempo, esta, que usamos à falta de melhor, até que se viu no fundo da cova rodeado de homens, de carne comedores, e apedrejaram-no e atiraram lanças com sílex na ponta e quando a besta sangrava e parecia ceder das agressões e do cansaço, saltaram-lhe em cima e acabaram de a matar e esquartejaram-na e dividiram-na e vieram as mulheres que carregaram o prémio em alvoroço. E não sendo isto feito por prazer, agora será consumido o animal e haverá um período de tréguas até que seja necessário caçar de novo. Até lá, recolhe-se lenha que se acumula em pilhas, apanham-se folhas e frutos e animais de pequeno porte e pesca-se à vista no rio. As noites, de luz a luz, são longas e os homens e as mulheres dormem encostados uns aos outros indiscriminadamente amontoados.

O dia nasce esperançoso. É preciso caçar de novo. E lá vai este e aquele e o outro e mais um bem constituído e outro mais baixo  e ainda uma meia dúzia mais como eles desde que sejam úteis e correm e gritam e urram e separam um búfalo da manada e acometem-no encurralam-no na cova que haviam escavado para ele e estava o animal entrando nela assustado quando faz uma última tentativa pela sua vida, vira-se repentino e investe sobre um magote de homens que se aproximavam ávidos, e quis o destino que na investida fosse colhido um dos homens na zona interior da coxa que ficou arranhada e cortada assim como o pénis golpeado. A caçada continuou e terminou-se. O homem tombado teria ali ficado se não conseguisse levantar-se. Mas conseguiu. Era forte e possante e coxeou até à gruta. Indistintamente e por uma estranha e natural organização, as mulheres vieram buscar a carne e demais produtos e trataram dela e deles e duas das mulheres dedicaram-se a curar o caçador ferido. Foram colher bagas e depositaram-nas numa pedra côncava junto ao rio e com outra pedra esmagaram-nas e amassaram-nas com água e, chegadas junto do caçador com a massa nas mãos, untaram-lhe a perna sangrante e o pénis arranhado. E ele ficou ali sentado durante alguns dias, comendo menos do que os outros, até que a massa curativa começou a perder a cor. Uma das mulheres aproximou-se dele para o limpar. E baixou-se e ajoelhou-se e lambeu-lhe o interior da coxa ferida e lambeu-lhe o pénis. E quando o fez, notaram ambos que ele teve a mesma reação das manhãs junto ao rio e ela continuou lambendo até que ele não se conteve e ela saboreou o que nunca antes mulher alguma saboreara.

O tempo passou e o caçador possante pôs-se melhor e combinou-se a primeira saída para caçar após o seu acidente.

É manhã, as aves anunciam o dia, as rapinas perscrutam as margens do rio, este e aquele e o outro e mais um bem constituído e outro mais baixo e ainda uma meia dúzia mais como eles saem em grupo para a faina do animal grande. Caminham lado a lado, uns. Outros mais à frente e outros mais atrás. E o da frente vira-se para trás e mesmo sem haver números nem matemática, à época, já se sabia contar e contou-os e faltou-lhe um. O caçador possante. Regressam em alvoroço, irrompem pela gruta e ele está sentado, recostado contra a rocha polida e ela está ajoelhada à sua frente, tombada sobre o pénis lambendo-lho em movimentos de vai e vem mais lentos do que o habitual. Eles param surpresos por estar a ser tratado o homem que já não precisava de tratamento e viram-lhe as costas e vão à sua vida. Eram simples e imediatas as decisões antes dos homens as complicarem. Ela continua o movimento, ele ajuda-a com uma mão na nuca, ela volta a saborear o líquido de que só ela conhece o sabor e o pénis dele mostra-se à luz da manhã ereto e limpo, sem massa de bagas esmagadas nem ferida que a justificasse. Levanta-se. Sai à rua. Ergue o olhar para o dia. Enche o peito de ar e esperança e larga a correr em busca dos outros.

Hoje, tudo parece mais fácil.

jpv


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A Morte da Inocência

A Morte da Inocência

Ainda me lembro
Do tempo em que não duvidava.
Das manhãs de sol
Só porque o sol era sol.
Das tardes com chá e torradas
Só porque havia chá e torradas.
Ainda me lembro da dádiva
Natural
De um sorriso,
De uma mão aberta
Numa mão deserta.
Ainda me lembro quando aceitar
Era só isso,
Sem perguntas
Nem respostas para elas.
Ainda me lembro dessa inocência
Pueril e feliz.

Depois vieram as coisas boas
E tudo isso morreu.
Depois veio o controlo
Do Universo
E tudo isso se perdeu.
Veio a sombra,
Vieram as confirmações,
As respostas
Antes das interrogações.
E veio o tempo de ser homem,
A maravilha das conquistas,
E encurtaram-se as vistas
Da alma.

E cresci.
E vivi.
E vi que não vi.
E chegou,
Aos poucos,
Cedência a cedência,
A sombra grande e escura
Que havia de ocultar a ternura
Dos gestos serenos
E semear a dúvida adulta
Nos corações pequenos.

E quando vim a escrever
Estas palavras,
Já não havia vida nem conforto.
Era homem.
E estava morto.

jpv


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A DÚVIDA – CAPÍTULO XI


Caros leitores,

Dulce Morais acabou de publicar o Capítulo XI de “A Dúvida” no Crazy 40 Blog, naquela que foi a sua última contribuição para esta interessante história.

Cabe-nos agora TERMINAR a história, o que faremos em breve.


Boas leituras!


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Soluções para a Crise…

Deixar de ir ao barbeiro e aproveitar os momentos
da intimidade do casal para tratar desses pormenores.
Poupa-se dinheirinho e apimenta-se a vida a dois!
Da Net


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Soluções para a Crise…

Fazer uma peregrinação a ver se lhe aumentam o vencimento,
ou se não lho cortam!
Da Net


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Soluções para a Crise

Arranjar meios de transporte mais económicos,
com combustíveis alternativos!
Da Net