Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Caminho das Palavras

O Caminho das Palavras

Viste passar
A minha Escrita?
Aquela que dizias
Bonita?
Sabes por onde andam
Meus versos?
Perdidos no tempo
E no espaço dispersos?
Sabes porque embruteci?
A voz da Fénix
Emudeci…

Falta-me o sopro
Da musa
A ideia concisa
E a palavra profusa.
Falta-me
O rasgo e a precisão
Dessa luz imprecisa
A que chamas inspiração.

Morro.
Estou morto e caído.
E encontro
No verso perdido
O epitáfio do poeta.
E as palavras que restam
Não lhe erguem
A figura.
Desenham-se, imperfeitas,
E abrem-lhe a sepultura.
Vem tu fechá-la,
Ó musa das palavras ausentes,
Vem dizer-lhe
Um último adeus
Com rimas dolentes.
E cerra
Os olhos seus
Para sempre.

O sempre da escrita.
Enquanto, vivo e mudo,
O pobre poeta grita
Um grito vazio e absurdo.
E não percebe o destino
Nem a sorte
De ter vivido pelas palavras
E pelas palavras
Ter encontrado
A morte!

Viste passar
As minhas ideias?
Urdidas em belas frases
Como quem constrói teias?
Não!
Não poderias ter visto.
Essas ideias
São hoje um misto
De nada
E coisa nenhuma.
Habitam na branca
E indecisa escuma
Do meu ser.

Sequei, musa,
Sequei.
E já não sei
O caminho das palavras.

jpv


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Divulgar Boa Publicidade

(Clique na imagem para aumentar)

Não sei se é boa, mas é engenhosa… Só é pena o número não ser válido. Acho que é brasileiro. Para além do interesse de haver um hospital para panelas, há ainda a ilusão de ótica do anúncio… ora clique na imagem e leia tudinho com atenção!


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Humordaz

HUMORDAZ
———————-
Da Net


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Humordaz

HUMORDAZ
——————

Da Net


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Crónicas de Maledicência – O Preço da Miséria


Crónicas de Maledicência – O Preço da Miséria

Eu não acho que Portugal seja um país miserável. Longe, muito longe disso. Por vezes, contudo, é um país miserabilista. E há quem saiba, de quando em vez, aproveitar-se disso. Foi o que fez a cadeia de supermercados Pingo Doce no passado dia 1 de maio.

O país vive uma crise profunda que tem, naturalmente, consequências devastadoras nas vidas das pessoas, nos seus orçamentos, nos seus hábitos e na forma como adquirem os bens mais básicos e elementares para a sua subsistência. No dia primeiro de maio, com uma promoção de 50% de desconto para compras superiores a 100€, o Pingo Doce arrasou a concorrência, arrasou as próprias regras da concorrência, pode ter perdido dinheiro, ganhou clientes, teve os seus trabalhadores a laborar no dia do ano que lhes é dedicado, destruiu por completo o 1º de maio, não só porque desviou as pessoas da reflexão e da participação em eventos inerentes à data, mas também porque retirou às comemorações do dia toda a centralidade e impacto que deveriam ter tido no âmbito das notícias.

Tudo isto é muito sério e muito grave. Mas, o mais grave, é um delito moral que importa não deixar impune. O Pingo Doce explorou o clima de crise, as dificuldades e a miséria alheios para fazer negócio, para esvaziar prateleiras. Podem agora vir com as explicações que quiserem. Muitas delas plausíveis, como por exemplo, o espírito e a mentalidade que levou as pessoas a aderirem e a maltratarem-se por um saco de pão, um pacote de detergente, uma caixa de morangos. Na minha opinião, que não é mais do que isso, tratou-se de uma ação de marketing absolutamente execrável. Fosse isto um país sério e a sério e alguém responderia pelo crime no tribunal dos valores. Mas não é. Impunes ficarão os prevaricadores. Outra vez!

Tenho dito!
jpv


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Tenho Verdes

Tenho Verdes

Tenho verdes
A marejar nos olhos.
Matizes de luz
E de sombra,
Um mar de cor
E de brilho
Na manhã cristalina.
E há melros
Brincando com a inconsciência,
Folhas sussurrando
Segredos ao vento
Sem tecnologia nem ciência.
Só a verdade antiga
E natural,
Simples e brutal,
Séria e contundente,
Que é ter amanhecido,
Hoje,
O mesmo dia de sempre!

jpv


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Crónicas de Maledicência – Cada uma na sua avenida

Crónicas de Maledicência – Cada uma na sua avenida

Hoje é o dia 1º de maio. É, internacionalmente, o dia do trabalhador. Não é o dia de um continente, não é o dia de uma federação de países, não é o dia de um país, não é o dia de um partido e, por certo, não é o dia de uma central sindical. Este dia pertence a todos os trabalhadores do mundo. Ponto.

Hoje, acordei com a notícia de que as duas centrais sindicais portuguesas, CGTP e UGT, fariam duas manifestações. Cada uma na sua avenida, dizia o senhor da rádio. Fui confirmar e é verdade. Acho vergonhoso. Acho patético e acho de uma burrice confrangedora. Numa altura tão difícil, numa altura em que os trabalhadores de todo o mundo e os portugueses, em particular, enfrentam tempos difíceis, de grande agressividade social, as duas centrais sindicais portuguesas não são capazes de pôr as suas diferenças de lado e unirem-se quanto a um princípio comum básico: a defesa dos trabalhadores. As condições de trabalho degradam-se, os cortes salariais são um facto crescente, há despedimentos por todo o lado, o desemprego cresce, e as duas centrais sindicais nacionais não são capazes de unir os trabalhadores no dia dos trabalhadores. Lamentável. Pobre exemplo do país que somos e não deveríamos  querer ser.

Curiosamente, hoje, 1º de maio de 2012, pela primeira vez, uma grande superfície nacional, o Continente, está de portas abertas. Tradicionalmente, esta empresa fechava em dois dias do ano. O 1º de janeiro e o 1º de maio. Este ano, a superfície vai estar aberta no dia do trabalhador. O que é que isto tem a ver com os dois parágrafos anteriores? Tudo! Não admira que o Continente consiga abrir as portas no dia 1º de maio. As centrais sindicais estavam ocupadas a organizar as suas manifestações. Cada uma na sua avenida!

Tenho dito
jpv


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Divulgar o Dote da Princesa

O Município de Torres Novas continua a surpreender-nos com a sua capacidade organizativa e de realização.
Este ano, não terá uma feira medieval, mas uma feira quinhentista. De novo, ancorada em factos históricos. Haverá representações sobre o Dote da Princesa, o Baile da Princesa, workshops de costura da época, teatro e banquetes. Tudo em torno de uma feira que valerá a pena visitar.

Não tem, não sabe o que fazer no próximo fim-de-semana? Venha ver o Dote da Princesa!


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Crónicas de Maledicência – Livre Arbitragem

Crónicas de Maledicência – Livre Arbitragem

Eu cá, sou benfiquista. E, nessa medida, quero que o Sporting perca sempre. Isto não é mau nem bom. É assim desde o princípio dos tempos, mais coisa, menos coisa. De resto, os sportinguistas querem o mesmo, mas ao contrário o que, a meu ver, está muito bem. Há exceções. Por exemplo, nos jogos internacionais, sou português e quando joga o Sporting sou sportinguista durante noventa minutos. Acontece que, para querer que o Sporting perca, é preciso, é mesmo fundamental, que o Sporting exista. Digo isto porque, de onde menos se esperaria, quando menos se esperaria, chegam notícias de auto-destruição.

Um dirigente do clube de Alvalade foi constituído arguido num processo de corrupção em torno da arbitragem. Segundo os jornais, está acusado de cinco crimes. Ressalve-se e realce-se que um arguido não é um culpado. Também é verdade que não é um simples suspeito. É verdade, ainda, que, em Portugal, há muito se fala de clubes que aliciam árbitros seja com dinheiro, seja com viagens ao Brasil. Nalguns casos a culpa morreu solteira.

O que penso é que a corrupção deve ser combatida e condenada independentemente do ambiente social em que aconteça e, no caso do futebol, independentemente dos clubes que envolva. É preciso ser célere e exemplar. Quando Vale e Azevedo foi condenado por ter usado em seu proveito verbas de transações de jogadores, achei muito bem que fosse punido. Vigarice, investigação, processo, condenação, é um alinhamento que faz sentido na minha cabeça.

Ora, este senhor dirigente do Sporting foi constituído arguido, logo, pende sobre si forte suspeita de falseamento da verdade desportiva. Não é difícil perceber que o Sporting merece melhor, merece não estar envolvido nestas trapalhadas. O que já é difícil perceber, é a atuação do clube em relação ao dito dirigente. Primeiro fez aquilo que me pareceu razoável. Afastou o senhor.  Depois fez o inimaginável. Aceitou-o de volta às funções de dirigente desportivo do clube. Quem está de fora fica a saber o quê? Que, para um dos maiores clubes portugueses, qualquer um pode ser dirigente, mesmo que penda sobre si forte suspeita de corrupção.

Acho que o Sporting merece melhor. Acho que a idoneidade do clube não pode ser beliscada nem confundida com a putativa, agora posta em causa pelos tribunais, idoneidade dos dirigentes.

Portugal é, infelizmente, um país onde se promove a ignorância e se premeia a desonestidade. E às vezes é só porque não tem o cuidado e a coragem de combatê-los. A meu ver, era imperioso que, enquanto o caso não estivesse resolvido, o senhor, por razões éticas, saía do clube e não continuava a ter poder de decisão numa esfera de ação em que está sob suspeita.

Se não vejamos, ele voltou, imaginemos que o processo demora seis meses ou um ano e o senhor é condenado. Que vai dizer o clube aos sócios, adeptos e portugueses em geral? Que esteve a ser dirigido por uma pessoa que não tinha idoneidade para o fazer?

Afastá-lo agora seria uma atitude do mais elementar bom-senso. O Sporting e os sportinguistas mereciam isso. Mas não. Que interessa lá isso?! Vivemos num país de livre arbitragem. Cada um apita por si!
Tenho dito
jpv


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O Clã do Comboio – Reencontro

Reencontro

O Escritor reencontrou-se com o Clã do Comboio numa noite memorável.
O convite apareceu quase de surpresa, Na sexta-feira vamos jantar juntos, queres vir? Claro, deixa ver se posso. E podia.

Encontrámo-nos no restaurante “O Constantino das Enguias” em Foros de Benfica e comemos… claro, enguias. Fritas e ensopado. Ambos muito bem servidos, muito bem regados e o Clã fez-lhes as honras com apetite voraz!

Estiveram o Escritor e sua esposa, a Senhora da Revista de Culinária, a Rapariga com Brinco de Pérola, o Rapaz do Fato Cinzento, a Rapariga do Riso Fácil, a Generosa Lili, a Senhora das Caralhotas e seu esposo,  e um moço muito simpático que, ao que parece, acompanhava a Generosa Lili não obstante esta se ter demonstrado muito atenciosa para com o Rapaz do Fato Cinzento.

O primeiro momento do reencontro foi muito interessante. Foi um abrir sincero de sorrisos, de saudades, de perguntas a reatar laços e a garantir que tudo estava bem para todos. Apertos de mão, abraços, graçolas e uma boa disposição contagiante. Houve brindes, histórias, anedotas e episódios recordados e houve um comer voraz… não posso esquecer-me de que deixei de contar travessas de enguias fritas para aí à sexta, correram pelo menos quatro tachos de ensopado. A Senhora das Caralhotas é de um apetite de fazer inveja ao Astérix. Tudo o que vier morre. Já todos tinham comido e ela diz, Não fica aqui nada! E pimba atira-se ao ensopado e quando a malta ia nas sobremesas, ela contra-atacou, Hum… vou comer mais uma enguiazinha e diz para o Rapaz do fato Cinzento, Bebe pá, que esta malta está a pagar para a gente beber! Gargalhada geral. O tempo voou. Foi um reencontro intenso e interessante. A Calma da Rapariga com Brinco de Pérola, o sorriso malandro da Senhora da Revista de Culinária, a loucura desbocada da Senhora das Caralhotas e seu simpático marido, a simpatia da Rapariga do Riso Fácil, a saudade do Escritor…E não excluímos, nunca, ninguém. Desta vez, por exemplo, percorremos os nossos amigos ausentes um a um e falámos deles como se estivessem connosco. A todos aqui deixo uma saudação em nome dos que foram às enguias do Constantino.

No regresso, o Escritor, sua esposa, a Rapariga do Riso Fácil, o Rapaz do Fato Cinzento e a Rapariga com Brinco de Pérola vieram juntos no mesmo carro falando de livros. De um pormenor em particular: dos títulos dos livros. Do seu poder. Como nos conquistam. Os mais memoráveis e, depois, falávamos dos livros propriamente ditos.

Já me lembro porque é que o Clã do Comboio veio a ser o Clã do Comboio. Porque se encontraram pessoas fantásticas no espaço de rituais idênticos. Até breve!

Escritor