Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Agradecimento Público Contido


Durante muitos anos, ouvi o meu pai falar de como, certa vez, o pai dele, meu avô, vendeu um terreno por boca. O comprador chegou-se ao pé dele e disse:
– Ó senhor Videira, vossemecê podia-me vender aquele pedaço de terreno ali ao Santo António.
– E para que o quer vossemecê?
– Ora, para que é que havia de ser? Para o cultivo. E depois cá há de ficar para os meus.
– E porque não? Quanto quer vossemecê dar por ele?
– X.
– X seja.
E não assinaram papéis. Bastou a palavra de um e a do outro. Toma lá o dinheiro, dá cá o terreno. Mais tarde, falecidos os dois, os descendentes trataram de pôr tudo noutra ordem. Preto no branco. E lá se foi o ouro precioso da confiança.

Recentemente, fiz uma transação desse tipo e consegui ir ainda mais longe do que o meu avô. A razão é simples. Transacionei por boca, como o meu avô, mas sem dinheiro. Uma coisa do tipo, Toma lá disto que eu tenho e dá cá disso que tens tu para dar. E não estou a falar de feijões. Estou a falar de estarem vidas envolvidas.

Nestes casos, a única moeda válida é a confiança. E como é que se sabe que as notas não são falsas? Não se sabe! Confia-se. É por isso que se chama confiança. Uma coisa vos garanto: superado aquele momento inicial em que estamos medindo a decisão, uma vez assumida esta, há poucos sentimentos mais reconfortantes e realizadores do que confiar-se numa pessoa só porque sim.

Agradeço ao D., intermediário da transação, por nos ter apresentado a todos, primeiros e segundos outorgantes da vida, da confiança e da ação dos homens de bem.

jpv


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Crónicas de Maledicência – Asfixia

Crónicas de Maledicência – Asfixia

Como muitos portugueses, e por razões de ordem diversa, seja o atual panorama financeiro, seja uma mudança de vida a exigir recursos, ainda este mês, decidi não fazer férias no sentido tradicional do termo, ou seja, agarrar na trouxa e abalar por duas ou três semanas. Vou estando por casa e faço umas investidas até à praia.

Foi hoje o caso. E fiquei preocupado. Muito preocupado. Uma praia do Atlântico, daquelas que sabemos mais frequentadas porque ao alcance de qualquer carteira, daquelas praias tradicionais, fatia de melão enterrada na areia, frases pronunciadas em francês emigrado, pessoas a acotovelarem-se, toalhas lado a lado. Estava pouco menos do que deserta às 11 horas da manhã do terceiro dia de agosto. Somente algumas dezenas de pessoas. Numa secção da praia onde costuma haver mais de uma centena de “barracas” de sombra, havia vinte e três. A maioria vazia.

Portugal está desolador. Isto, amigos, não é austeridade. É a rápida asfixia do país.

Tenho dito

jpv


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127000

Uma leitora atenta aqui da tasca, reparou que o contador de MPMI atingiu hoje um número redondinho: 127000 leituras. Além disso teve a simpatia de captar o momento e mandar-me a imagem. Um beijinho e um obrigado pela atenção.

Para todos os leitores que vão continuando a ler-nos, um forte abraço e um agradecimento sentido.


jpv


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Stress de Férias!

Sabem aquela fase em que já estamos de férias mas ainda temos o stress todo acumulado e estupidamente só nos apetece trabalhar para escoar esse stress mas continuamos a esbarrar na dura realidade que é estar de férias e não saber como viver em relaxe e sem preocupações e ficamos depois com um tipo de stress diferente que é o de não ter o stress normal e habitual? Pois, estou nela! Costuma durar três dias!! E o pior é que a gente sabe o que se passa mas não há nada a fazer. Acontece sempre! Hihihi… Vou arranjar o corta-relva!
jpv


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Publicidade – Como é que é?

(Clique para Aumentar)

Já perceberam que uma das minhas paixões é a publicidade. Normalmente, porque sou um tipo muito positivo, destaco os anúncios que considero particularmente bons. O que não quer dizer que não tenha olhos para o menos bom.

A presente imagem é uma captação de uma publicidade da EDP. Apresenta umas promoções e uns descontos e a senhora que aparece na imagem está com um ar feliz e satisfeito. Só não sei, mas interrogo-me, se a satisfação vem dos descontos ou daquelas “coisas” que resolveram colocar-lhe em cima, em particular, na zona pélvica. Se bem que aquilo surge esvoançante e em profusão por toda a imagem…

Dão-se alvíssaras a quem conseguir elucidar os leitores aqui da tasca acerca do que representarão tão fálicos gráficos…

jpv



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Um Aceno

Um Aceno

Um aceno,
Um adeus,
Um abraço.
Uma vontade interrompida
E o quebrar de um laço.

Foram esperanças
E ilusões,
Pequenos sonhos
De grandes dimensões.
E foi o entusiasmo,
A entrega
E a dedicação.
Foi um agarrar firme
E foi um abrir de mão.

Foi a força
De vencer.
Foi a intenção
E foi o crer.
Foi o rasgo.
A sorte que se fez,
O azar que bateu.
Foi um homem que cresceu.

E foi a vertigem.
Foi a decisão
Na ponta da coragem.
Foi um peso.
Foi um homem engolido na voragem.

Foram palavras.
As que se disseram
E as que ficaram por dizer,
As coisas que se fizeram
E as que ficaram por fazer.

Foi um tempo
Longo
E escasso.
Foi uma vida,
Em breve
E curto estilhaço.

Foram as minhas virtudes
E os defeitos meus
Condensados em poucos gestos.
Um aceno.
Um adeus.

jpv


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Conversas Vadias – De Férias

Conversas Vadias – De Férias

– ‘Tou chateda!
– Chateada? mas tu ’tás de férias!
– ‘Tou de férias? Como é que estou de férias se ainda tenho todas as batatas quentes na mão? Isto é sempre assim, no dia de ir de férias é que me cai tudo em cima.
– Sim, mas eu não vou de férias!
– Obrigada pela compreensão!
– Não tens de quê.

jpv


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Citação do Continente e do Conteúdo

“A vida de um homem cabe num saco do Pingo Doce!”

jpv


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Por causa dA Dívida – EPÍLOGO

Por causa dA Dívida
EPÍLOGO

ALGURES NAS AREIAS TÓRRIDAS E DESÉRTICAS DO SAHARA…

– Ventoiiiiinha!
– Sim, chefe, diga, chefe.
– Está um calor que não se pode. Vá buscar um garrafão de água ao jipe…
– Sim, chefe, mas, ó chefe…
– Diga…
– A história não tinha acabado? E na disputa entre os dois autores o Senhor João Paulo não reconheceu, no final do último capítulo, que a Dona Dulce tinha vencido?
– Deixe-se de parvoíces Ventoinha. O Senhor João Paulo só admitiu aquilo para que a Dona Dulce e a Dona ISA E. julgassem que tinham ganho…
– Mas, ó chefe, assim isto nunca mais acaba, pode haver sempre mais um capítulo!
– Irrraaa que é burro! Ventoinha, isso seria possível se o Senhor João Paulo tivesse numerado este capítulo, por exemplo com o número 19. Acontece que o Senhor João Paulo, inteligente e excelsa criatura, chamou a este capítulo EPÍLOGO! Você sabe o que é um epílogo homem?
– Nem conhecia a palavra, chefe.
– Irrraaa que é burro! Um EPÍLOGO é o capítulo que fecha uma história, a partir daí não pode ser mais continuada. É o fim!
– Eh chefe, o Senhor João Paulo é mesmo superior, certo?
– Certíssimo! Aproveitou-se dessa falha da Dona Dulce que em vez de fechar a história, limitou-se a numerá-la… é um homem muito inteligente!
– E ó chefe e nomeadamente e o que é que gente veio aqui fazer?
– Irrraaa que é burro! Você está no deserto, tem areia a toda a volta, tem uma pá na mão e pergunta o que é que veio cá fazer?
– Sei lá chefe e nomeadamente e apanhar um escaldão.
– Irrraaa que é burro! Veio cavar, sua cavalgadura, veio cavar… olha aqui está… EUREKA!!! Em cheio… Viemos carregados de mapas e bússolas mas isto deu resultado, é aqui mesmo!
– Ó chefe, sente-se bem? Isto são só uns arbustos…
– Abra os olhos, sua cavalgadura, que figura desenham os arbustos?
– Um X!
– E onde é que está sempre o X?
– Na palavra táxi?
– Irrraaa que é burro! No local do tesouro, sua besta! Comece a cavar que eu vou enviar um pombo-correio ao Senhor João Paulo a dizer que encontrámos o tesouro. Estamos ricos! Cave, homem, cave!
– Chefe, chefe, encontrei o baú! Está cheio de moedas de ouro e tem aqui um livro…
– É muito ouro?
– Eh chefe, mais do que alguma vez eu imaginei que existisse!
– E qual é o título do livro, Ventoinha?
– Na capa diz assim: “Por causa dA Dívida” pelo fabuloso João Paulo Videira e suas carinhosas ajudantes, Dulce Morais e ISA E.
– Certo, na mouche! Agora leia o último parágrafo.
– Certo, chefe e é nomeadamente para já, chefe. Ó chefe, o que é um parágrafo?
– Irrraaa que é burro! Leia essa parte final que diz epílogo…
– Eh chefe, somos nós no deserto, chefe…
– Ó homem passe à frente, leia o último trecho, o que está escrito em itálico porque é suposto estar a ser lido por si…
– Certo, chefe, é para já, chefe.

ILHAS SEYCHELLES

Num resort turístico nas Ilhas Seychelles, com cabanas de fundo envidraçado sobre o mar, pequenas praias privadas e areias alvíssimas e águas marinhas de um azul cristalino. Através da água do mar vê-se o fundo do oceano, seus corais e peixes multicolores. Numa enorme toalha de praia estão Huguinho e Joaninha beijando-se apaixonadamente depois de terem resolvido juntar os trapinhos por sugestão do multimilionário autor João Paulo Videira que descobriu um tesouro antiquíssimo nas areias do deserto do Sahara. Ao lado deles, recostados em duas enormes cadeiras espreguiçadeiras, estão Marinho e Belinha que bebem um refresco de leite de coco a partir do próprio fruto chupando por uma palhinha. Ela está a ler uma revista cor-de-rosa e ele tem um jornal desportivo sobre o peito mas adormeceu há muito e está apanhar um escaldão. O magnânimo João Paulo Videira pagou-lhes as dívidas e indemnizou as vítimas das suas vigarices e trouxe-os consigo para lhe fazerem companhia, afinal de contas, são uma criação sua. No meio do mar estão Patilhas e Ventoinha a pescar e a conversar animadamente. Num lançamento desajeitado, o anzol de Ventoinha atinge o rabo de Patilhas e ouve-se ao longe, Irrraaa que é burro!
Um pouco afastado deste grupo está João Paulo Videira recostado numa cadeira espreguiçadeira, com os joelhos dobrados e o seu caderno preto sobre eles. Está a escrever. Ajoelhada na areia, atrás de si, envergando um biquíni minúsculo em sua bunda redondinha e bronzeada está ISA E. que se dedica a massajar-lhe os ombros. Ao lado do escritor, também ajoelhada na areia, com um biquíni igualmente minúsculo em sua bunda encarnada queimada do sol, está Dulce que lhe vai passando um pouco de protetor solar no peito e nos braços. ISA E., com carinho no olhar, diz para Dulce:
– Quirida, o nosso JP é imbativéu, sê não acha não?
– Claro ISA E.! Só ele se lembraria de fechar uma história com o epílogo, como deve ser. Estou rendida à sua arte e aos seus encantos.
– Põe encanto nisso, quirida! Eli é tão espadaúdo! Músculo rijinho paca, viu?! JP, nosso amor, a massagem tá bem assim, tá?
– Muito bem ISA E. Você é ainda mais carinhosa ao vivo do que no blogue.
– E o creme, está bem assim, JP?
– Muito bem, Dulce, tens muito jeitinho.
– JP, é este o final que pensaste para “Por causa da Dívida”?
– Não, Dulce, isto é só parte do final… ainda falta um toque…
– Um toque quê, JP?
– Um toque apoteótico. Olha, aí vem ele… estás a ver a vegetação aí na parte de trás da praia?
– Estou, JP, mas não vejo nada…
– Olha com atenção, Dulce, e você, ISA E., olhe também…

Na vegetação por trás de JP começa por sentir-se um restolhar de gente e um som ao fundo como se fosse música, depois o som vai ficando mais elevado e mais nítido e percebe-se que é um ruído imenso de festa. O primeiro a surgir é o Brutamontes Quebra-Ossos. Com sua força descomunal traz um bar de madeira às costas atira com ele e o bar fica cravado na areia da praia, depois surgem dezenas de pessoas da vegetação, todos amigos e leitores de JP, Dulce e ISA E. Os homens trazem geleiras com bebidas frescas e rádios às costas, as mulheres, trazem saias ao estilo havaiano, colares de flores e biquínis diminutos e vêm todos a dançar e a cantar, Brasiiil, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá… Marisete Zanon passa dançando e pulando e deixa um beijo na testa de JP marcando-o com batom, abraça-se a ISA E. e Dulce e lá vão cantando e dançando, abanando suas bundas ao ritmo da música enquanto balançam os braços para cima e para baixo. Depois chegam Marly, Bia Hain, Antônia Ivani, Claudia Fernandez, Elaine Neves, Vera, Ingritt Maiara, Sofia Toscana, Milton Alves e tantos, tantos outros amigos de ISA E.E quando o sotaque brasileiro parecia tomar conta da praia, surge do arbusto o Clã do Comboio, primeiro, a Senhora das Caralhotas, não se vê o biquíni, está tapado pela bunda e pelos enoooormes seios, depois a Senhora da Revista de Culinária, o Rapaz do Fato Cinzento, um Tipo Careca a que a gente Chama Álvaro, o VM, O RB e todos os outros dançando e pulando ao som da música. Por fim entram na fantasia os leitores de Dulce e JP e tomam conta do pedaço. Joga-se à bola, dança-se, brinca-se à apanhada e há risadas ecoando no ar. O Brutamontes Quebra-Ossos começa a distribuir caipirinhas, todos cantam e dançam e riem e fazem a festa da amizade em português, a festa da fraternidade sem fronteiras, com muita música, muita alegria, muita paz e, claro, biquínis diminutos! À medida que vão dançando, afastam-se um pouco de JP e o escritor contempla-os e pensa, Isto, sim, é um final digno da mais louca Bologonovela da Web. Nesse preciso momento, uma lágrima corre-lhe pelo olho, mas tem de ser… ele empurra a caneta para o papel e escreve… FIM!

jpv