MUITO OBRIGADO A TODOS OS LEITORES E AMIGOS!
Instante

Instante
Passaste célere
E pediste pouco.
Olhaste em frente
E viste
O amor louco
Avançando como locomotiva,
Trepidando
Na tua paixão cativa
Da minha cativa paixão.
O teu sexo
Na minha mão.
O meu peito
Sobre o teu coração
Sulcando jeiras inexploradas,
Sementes nunca dantes semeadas,
Palavras por dizer. Indizíveis.
Os meus olhos
Nos teu olhos.
A minha língua
Nos teus seios apetecíveis.
Amores eternos.
Almas perenes.
Sentimentos tragicamente perecíveis.
Olhei em frente e não te vi.
Algures no caminho esqueci-me
De ti.
E fica-me esta lembrança
Grata e viva
Do teu olhar rompendo
O fumo branco da locomotiva
Agora em meu peito
Trepidante.
Viveu-se uma vida
Num singular e efémero instante.
Passaste
E eu fiquei,
Triste e só,
No lugar que te dei.
jpv
Abandono
Abandono
Abandonado o meu desejo
À tua vontade.
Abandonado o meu tempo
À tua idade.
Abandonado o meu corpo
Ao teu momento.
Nascido para o mundo
Nesse abandono,
Adormecido no teu colo
O meu sono.
No teu seio embrião
Estende-se o braço,
Abre-se a mão
E toca-te.
E a luz brilha
No caminho que o desejo trilha…
E em ti cresço,
Exuberante e excitado
Nesse corpo
Onde vive
Meu corpo abandonado.
jpv
Orvalhada
Orvalhada
Manhã fresca
E perfumada,
Roseira singela
Gotejando da orvalhada.
Vida transparente,
Verde fresco,
Folha vertente.
Sopra, a brisa,
Os odores
Em profusão.
Cheira a terra,
Brota essência,
O Chão.
E vivo.
E renasço.
E tenho saudades
De ter partido.
É esta terra húmida,
É este chão,
É esta chuva,
Que me dá sentido.
Caminho descalço
E sinto a água lavar-me
Os pecados.
É fresca e límpida.
Veio do Céu,
Gotejando milagres,
Fecundar os rasgos semeados.
E vejo nisto
Um renascer,
Um ciclo que recomeça,
A força de viver
Na luz que atravessa
Cada gota que brilha
E promete
O Sol que reflete.
Tenho no peito
A esperança renovada
Porque é fresca, a manhã,
E perfumada!
jpv
ErotiKa – O Perfume e os Espinhos

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jpv
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O Perfume e os Espinhos
Era ainda cedo na madrugada. Estava escuro, mas já não era aquele breu cerrado de não conseguir ver-se nada. No céu, ao longe, anunciava-se uma ténue claridade como se alguém no outro lado do mundo tivesse deixado uma luz de candeeiro acesa. Ele virou-se na cama e ao virar-se a mão dele tocou a perna dela, ali junto à coxa, e sentiu-lhe a suavidade da pele e o calor dos quarenta. Foi o suficiente para não conseguir dormir mais. Como seria possível estarem a viver uma crise tão profunda? A verdade é que amava aquela mulher em todas as suas facetas. O sorriso, o tom de voz, a doçura no olhar e o perfume da pele. Cheirava a rosas mesmo sem colocar qualquer água-de-colónia, ou creme ou o que quer que fosse. Sempre tinha sido assim. E apesar de já ter entrado nos quarenta, mantinha certa frescura e alguma energia. Contudo, tirando o sexo, que era formidável, nos últimos dois anos pareciam o cão e o gato. Ralhavam um com o outro, estavam sempre em desacordo, ainda um não tinha falado, já o outro estava a contrariá-lo, havia mesmo momentos em que se desprezavam. Sofriam ambos. Por se quererem e não saberem como. Por se amarem e se desprezarem. Como chegaram àquilo? A ver o que acontecia, deixou ficar a mão na perna dela. Ela virou-se para ele, segurou-lhe a mão, levou-a ao púbis, depois um pouco mais abaixo até terrenos visivelmente húmidos e disse-lhe, Está aqui o que queres. Vem buscar! E ele foi. Beijou-lhe os seios enquanto as suas mãos iam em busca do prometido, depois queimou-lhe o ventre com a língua e por fim bebeu-a até que ela perdesse a noção de onde estava e se esvaísse em gritos despudorados e excitantes como tantas vezes acontecia, Vem malandro, come-me toda, vem fazer-me tua, vem, quero vir-me na tua boca. Excitado e incitado, ele foi e cumpriu as ordens dela e quando a sentiu saciada, mudou o jogo súbito e sem aviso, Agora é a minha vez, acaricia-te, prepara-te para mim… ela preparou e aconteceu o que tinha de acontecer e adormeceram profundamente até que a luz ténue venceu completamente o manto negro e começaram a fazer pequenos gestos, viraram-se na cama, afastaram-se, ela levantou-se e foi para a casa-de-banho. Ele ficou um pouco mais e depois levantou-se também e seguiu-a e ao aproximar-se da casa-de-banho veio-lhe aquele aroma a rosas que ela sempre exalara e o deixava inebriado, mesmo quando sofria. Entrou e antes que pudesse dizer alguma coisa, ela atalhou:
– O que aconteceu esta noite foi um engano, ouviste?
– Não parecias enganada. Bem pelo contrário.
– Mas estava. De resto, já tivemos esta conversa montes de vezes. O sexo é ótimo, nós é que não nos entendemos.
– Bom dia!
– Bom dia! E vê se deixas a tampa da sanita em baixo.
– Foda-se, tu não páras. Não me dás um minuto de paz…
– Paz? Atreves-te a falar-me de paz? Eu dei-te a minha vida e tu transformaste-a num inferno…
– Como? diz-me ao menos como? O que foi que eu te fiz?
– Tudo. Basta que sejas tu!
– Não dá, sabes, não dá para suportar mais essa agressividade gratuita. Para mim acabou. Vou fazer uns telefonemas, vou pedir o dia e vou-me embora. Esta noite já cá não fico.
– Boa viagem! Já devias ter ido há mais tempo. Há vinte anos, sua besta!
Saiu de casa exasperado. Telefonou para o trabalho. Explicou que ia separar-se e precisava de um dia. Deram-lhe autorização para usar mais dias. Esses processos são complicados. Resolva as suas coisas e venha quando estiver concentrado. Vencido este obstáculo, telefonou a um amigo, Olha lá pá, tu emprestas-me o teu carro por hoje, é que como tens um mono-volume dava-me jeito para tirar a minha tralha lá de casa! Eh pá, eu empresto-te, mas isso é mesmo a sério? Não tem emenda? Vocês já falaram um com o outro? O problema, pá, foi termos falado um com o outro. É mesmo a sério.
Por fim, lembrou-se de certa oferta que lhe fizeram há um par de meses atrás e telefonou-lhe:
– ‘Tou, Júlia…
– Sim, Miguel, já vi que és tu… que é feito de ti? Não te vejo há quase uma semana…
– Lembras-te da oferta que me fizeste há dois meses…
– Lembro… oh se lembro… fazer-te essa oferta foi uma das decisões mais difíceis da minha vida, não teres aceitado foi um golpe duro…
– Sim, mas eu aceito agora se ainda estiver de pé…
– Assim? De repente? Miguel, havia uma condição…
– A minha mulher já não é um problema. Acabámos tudo hoje!
– Hoje? E isso é a sério ou logo à noite vais voltar para ela a correr? Não achas demasiado fresco para te mudares já cá para casa?
– Tenho as minhas coisas no carro do Artur. O gajo foi um porreiraço e emprestou-me o mono-volume. E como não tenho mesmo para onde ir, e também já não tenho a minha mulher, que era a tua condição, pensei, Porque fazer duas mudanças se posso fazer só uma?
– Eh pá… isso é repentino… mas olha, a oferta está de pé, porque não?! Eu saio às 18, aparece às 18:30. Dás-me tempo de chegar a casa…
– Ok. Obrigadão.
– Não te preocupes, vais pagar com o corpinho!
Quando acabou de tirar as coisas de casa e entrou para o carro atafulhado reparou com saudade que o perfume de rosas bailava no ar. Ainda não eram 18, mas não tinha mesmo para onde ir. Estacionou em frente ao prédio de Júlia, do outro lado da rua, e esperou. Às 18 viu-a chegar abraçada a um tipo novo, alto, boa compleição física e um ar tão saudável quanto parvo. Junto à porta do prédio, ela esticou-se, pendurou-se no pescoço dele e beijou-o longamente e com avidez. Percebeu que trocaram algumas palavras e o tipo foi-se embora.
Deu à chave do carro, meteu a primeira e arrancou para a vida…
jpv
Os Sete Pecados da Leitura
Ganância: Qual o seu livro mais caro? E o mais barato?
Uma vez num alfarrabista vi um livro no chão, mal tratado, mas quando lhe perguntei o preço, reparei que era caríssimo. Quando vi o que era, apaixonei-me pelo livro e comprei-o. É um volume de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, datado 1898, edição comemorativa do 4º centenário da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia. Cada estrofe está manuscrita por uma personalidade da época, o Rei, a Rainha, Eça de Queirós, Rafael Bordallo Pinheiro e tantos outros…
Ira: Com qual autor(a) você possui uma relação de amor/ódio?
Sem dúvida Miguel Sousa Tavares. Adoro algumas coisas que escreve como, por exemplo, Rio das Flores, um dos meus livros favoritos, e “No Teu Deserto, mas depois tem outras coisas de que não gosto mesmo nada para além de que não aprecio nada algumas das linhas de pensamento que adota.
Gula: Qual livro você devorou sem vergonha?
O Kama Sutra. Li como se fosse um romance. Primeiro achei aborrecido, mas depois percebi que aquilo não era sobre sexo, mas sobre como encaras a vida e o sexo nela.
Preguiça: Qual livro você tem negligenciado devido à preguiça?
O meu segundo romance, “De Negro Vestida”. Preciso corrigir as gralhas, mas estou cá com uma preguiça… hahaha
Orgulho: Qual livro você tem orgulho de ter lido?
“Levantado do Chão”, de José Saramago. Para mim é o melhor livro alguma vez escrito. Tenho orgulho de ter sido escrito em Língua Portuguesa, por um português, e de o ter lido.
Luxúria: Quais atributos você acha mais atraentes em personagens masculinos e femininos?
Neles: adoro um bom vilão. Um vilão inteligente e misterioso.
Inveja: Quais livros você gostaria de ganhar de presente?
Neste momento um fac-simile da primeira edição de “Os Lusíadas” que está à venda num alfarrabista de Torres Novas. Também gostava um dia de comprar um livro meu numa livraria!
E agora, tal como disse a ISA E., “Para finalizar a minha participação, convido a dar continuidade a essa ideia todos os que lerem este post e quiserem responder às sete perguntas. Tenho muita curiosidade em conhecer as respostas de todos vocês. E então, alguém está disposto a enfrentar seus próprios pecados literários?”
Cozinha para Homens – Saladinhas Quase Vegetarianas 2
Fosse por causa de impressionar miúdas com glúteos firmes, fosse por serem poupadinhas, fosse por cuidados com a saúde, as receitas para saladinhas quase vegetarianas que MPMI publicou ontem tiveram grande receção. Muitos e-mails de leitores e amigos a dizerem que iam experimentar. Mas não é por isso que volto às saladinhas. É porque houve um leitor que fez um reparo impertinente e pertinente. Dizia ele, Amigo João, e não há uma dessas saladinhas com peixe? Tem de ser sempre carne? E fiquei a pensar, Querem lá ver que este malandreco tem razão…
Preparação:
E pronto, agora é só acompanhar com um sumo de frutas e uma boa conversa com a miúda sobre as vantagens de não estar sempre a enfardar carne! Quanto ao resto… bem, sobre isso não tenho muito para lhe ensinar, você já sabe tudo o que é preciso saber, caso contrário não tinha vindo aqui espreitar a receita.
Notas:
Cozinha para Homens – Saladinhas Quase Vegetarianas
Ou como impressionar uma miúda que anda com a mania que é grilo mas tem uns glúteos invejáveis. Pois é, caros amigos, depois de algumas receitas com artimanhas, trago-vos duas que confecionei ontem e hoje, daí as fotografias a ilustrar, e que podem ter diversas utilidades. Em primeiro lugar, há que realçar que a cozinha vegetariana é muito mais económica. Em segundo lugar é amiga do Ambiente e dos Animais. Em terceiro lugar é saudável. Ora, se tudo isto eram argumentos interessantes mas, em certa medida, dispensáveis, deixei para o fim um argumento imbatível e que nos obriga a nós, homens, a aderir à cozinha quase vegetariana. E o argumento é simples. Estão a ver essas miúdas muito giras, glúteos redondinhos e firmes, musculatura da pernaça bem definida, cabelos luzidios, busto proeminente? Acham que aquilo é tudo ginásio? Pois enganam-se. Muito daquele aspeto tem a ver com saladinha de alface e tomate, suminhos de fruta e derivados do leite. Ora, as receitas que agora se apresentam foram pensadas para impressionar uma dessas miúdas quando a convidamos para almoçar ou jantar. Senão vejamos, restaurantes vegetarianos há muito poucos, os outros quase não têm oferta e tratam os vegetarianos como se fossem pessoas estranhas. E são. mas nós também nos agarramos com unhas e dentes a um entrecosto e não somos menos estranhos por isso.
1 – Se o meu amigo gastar mais de 10€ a preparar dois pratos de salada de qualquer uma destas receitas, então tem de mudar de supermercado.
A Paixão de Madalena – Apresentação
Caros Leitores e Amigos,
Mails para a minha Irmã iniciará já no mês de setembro a publicação, capítulo a capítulo, do mais recente projeto de escrita de João Paulo Videira. O romance “A Paixão de Madalena“. Esperaremos por setembro a fim de avançar um pouco mais na redação do texto e para dar oportunidade a que muitos dos nossos leitores regressem de merecidas férias.
Embora o título do romance, assim como dos livros que o compõem, possa sugerir uma narrativa histórica ou de cariz religioso, a verdade é que não é disso que se trata. Contudo, a metáfora de Madalena e da sua Paixão andarão sempre lado a lado com o curso narrativo da obra. Como tudo se jogará, deixo para a vossa leitura.
Consiste, como tanto gosto, num romance de carateres e na teia de relacionamentos e comportamentos que os une e separa. Passa-se na segunda metade do século XX até aos nossos dias e para além deles. Decorre em vários países da Europa, de África e ainda dá um saltinho à Ásia. Com um pouquinho de arrojo, poderíamos dizer que é uma saga de família na eterna busca da sua identidade. Sendo um pouco mais redutores, diríamos que é um romance de personagem. Enfim, nada disto interessa muito. O importante é que contenha uma história interessante e que a mesma esteja bem contada. Esperemos que sim.
É composto por cinco Livros que têm um número variável de capítulos cada. Os cinco livros serão:
Livro I – A Paixão de Madalena
Livro II – O Cordeiro de Deus
Livro III – Caim e Abel
Livro IV – Ascenção e Queda
Livro V – Fiat Lux
Toda a estrutura do romance está traçada, toda a sequência narrativa está construída, todas as personagens estão desenhadas e parte significativa do Livro I encontra-se já redigida.
Resta-me esperar que gostem do projeto, pedir os vossos comentários e apreciações que são sempre bem-vindos e acolhidos e, claro, desejar muitas e boas leituras.
Até já!
jpv
"Suspance"
Ou muito me engano ou está para breve o início da publicação do novo romance de Mails para a minha Irmã… Pode até ser que tenha um nome de mulher no título… ou não!
Gosto de emes, gosto mesmo muito de emes!








