Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Memórias de Abril


Comunicado do MFA no dia 25 de Abril de 1974 às 04:20h.



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Dia do Livro

Dia do Livro

O livro é simultaneamente um sistema operativo e uma base de dados.
São aventuras inesquecíveis,
Mistérios desvendados.
O livro é simultaneamente o descanso e a inquietação.
Horas de interminável paz,
Momentos de profunda agitação.
O livro é simultaneamente o amor e a paixão.
Um amor fundo e leal
Um bater descontrolado do coração.
O livro é simultaneamente o côncavo e o convexo.
Um olhar de sedução
A culminar no despudor do sexo.
Uma palavra,
Uma frase,
Um parágrafo,
Uma página
A seguir a outra página,
Um universo
Em linhas de prosa
Em bailados de verso.

jpv


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Benfica – Sporting: Emoções do Dérbi

Depois (23:15 em Maputo)

Já está!
Benfiiiiiica!

Resultado final: Benfica 2 – Sporting 0

O Sporting entrou bem na segunda parte. Dominou, de novo, alguns minutos. Foi sempre um adversário digno. Depois, o Benfica fez uns ajustes, passou a dominar o jogo e fez um segundo golo que é um hino ao futebol, uma obra de arte.

É um vencedor justo. E começa a cheirar a campeão… a ver vamos!


jpv


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Benfica – Sporting: Emoções do Dérbi

Durante (22:05 em Maputo)

Estamos no intervalo. O Benfica vence por 1-0, mas é só mesmo isso. O Benfica entrou muito tenso e produziu muito pouco. O Sporting começou o jogo mais descontraído e com muito boa dinâmica. Podia ter marcado, mas aí falou mais alto a inexperiência. O Sporting dominou 36 minutos. Depois, a experiência e a capacidade técnica dos jogadores do Benfica fabricaram um golo lindo e o Sporting encolheu-se…

Esperamos pela segunda parte num site indiano que transmite uma televisão árabe que mostra futebol português comentado em inglês… mas… para ver o Benfica ganhar qualquer meio serve!

Até já… voltamos no fim do jogo!
jpv


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Benfica – Sporting: Emoções do Dérbi

Antes (18:45 em Maputo)

Mais do que qualquer outro, este jogo move todas as paixões e as emoções todas. É um jogo de adversários sem ser um jogo de inimigos como, infelizmente, já acontece noutros casos. E é o mais imprevisível dos jogos. Num Benfica – Sporting não interessa muito quem é que vai à frente ou quem está em melhor forma. As equipas tendem a superar-se.

O jogo de hoje acontece numa fase crucial para ambas os emblemas. O Benfica está à beira de uma época de sucesso que, ironicamente, pode não acontecer. O jogo de hoje tem um papel nessa caminhada. E o Sporting tenta evitar o colapso total na época futebolística tentando amealhar os pontos suficientes para ainda ter acesso a uma competição europeia.

De forma fria, o Benfica está melhor, mais bem preparado, melhores jogadores, mais experiência, mais rigor tático, mais concretização, mas, de novo, a equação destes jogos nunca pode ser feita de forma fria porque, assim que a bola começar a rolar, a coisa aquece até fervilhar.

Se a tecnologia deixar, voltamos ao intervalo!
jpv


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Brisa

Brisa

Passas como a brisa
Que me acaricia a face,
E eu tento prendê-la
Antes que passe.
Mas tenho as mãos abertas,
De teu corpo desertas,
E perdidas.
Minhas mãos não têm chagas,
Têm feridas.
Tens uma força
E uma firmeza,
Tens uma sombra
E uma fraqueza…
Revi o mundo
Pelos teus olhos,
Com planuras,
Serras
E escolhos.
Vi porque me mostraste
E porque quis.
E foi olhá-lo por ti
A mais singela
Obra que fiz.
Vi a brisa
Que me fez feliz…

jpv


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Divulgar


(Clique na Imagem para Aumentar)

Amigos e Leitores e MPMI,

Independentemente de poderem, ou não, estar no lançamento, faço a divulgação e aconselho a aquisição da obra. 

Conheço e tive a honra e o prazer de trabalhar com as autoras e sei que será um livro com propostas de grande qualidade.

jpv


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Já lavavas a cara, não?

(Clique para Aumentar)
O jornal “Record” tem promovido, e muito bem, o concurso “Miss Fanática Record”. Há poucas circunstâncias na vida mais agradáveis do que ir ler as notícias circunstanciadas das vitórias do SLB e encontrar umas moças simpáticas e fanáticas por bola.

O homem que negar que sonha com uma mulher que o acompanhe a ver um jogo de bola enquanto se bebem umas imperiais, ou não é bem homem ou está a mentir.

Mas há desilusões! Ontem à noite, lá fui ver o que é que a cachopada do Sporting andava a planear para tramar o Benfas e encontrei esta foto, que escureci por questões de pudor, hahaha, mas que, lamentavelmente, me fez logo dizer esta frase: já lavavas a cara, não?

Tudo tem limites e a quantidade de maquilhagem que se põe nos olhos é uma das coisas que os tem! Subtileza e discrição aconselham-se. Bom gosto também dá jeito!

jpv


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Tento na TV – Antes Duo que Dio

Tento na TV – Antes Duo que Dio

“Eu não sou apologista de pagarem em diodécimos”

18 de abril de 2013.
Cidadão entrevistado na rua.
Telejornal –  RTP Internacional.

————————————————

Ó amigo, isso do dio faz-me lembrar intervenção divina,
uma coisa do tipo “Deus lhe pague”.
Assim como assim, antes os duo!


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Crónicas de África – Correio Registado

Crónicas de África – Correio Registado

Maputo, 17 de abril de 2013

Aconteceu hoje. Está fresco na memória e por isso escrevo. Não há, da minha parte, nenhum juízo de valor implícito. Há só uma conclusão: África é, efetivamente, diferente de tudo o resto. Os ambientes são diferentes, os ritmos são diferentes, as pessoas são diferentes e, claro, o quotidiano resulta diferente. Há uns dias, lia numa revista sul africana que não há nada igual a África. É bem verdade.

A minha irmã quis fazer-nos um miminho e enviou-nos uns presentinhos assim como quem tenta encurtar distâncias, atenuar saudades. Ainda por cima são coisas feitas por ela. Eu bem lhe digo que ela podia fazer negócio com as coisas que faz, mas ela limita-se a ir vendendo umas peças a amigos. Se quiserem ver mais, visitem a página dela no Facebook, aqui.

Acontece que, para proteger o conteúdo do correio, resolveu registá-lo! Ora pois bem, isto é África, não é a Europa, onde remetemos tudo e mais alguma coisa em envelopes, caixas e caixinhas e ninguém quer saber de nada à custa da livre circulação de bens e pessoas. Aqui, não só se quer saber, como se quer saber muito bem sabido. Ainda por cima, se está registado, o controlo é mais apertadinho. Assim que cheguei aos Correios, mostrei o papelinho que me mandaram para a escola, e disseram-me logo que encomendas não era ali, era noutro edifício. Chegado ao tal edifício, voltei a mostrar o papelinho e vai de me pedirem para me identificar. Foi o que fiz. Ao cabo de meros três minutinhos, a senhora apareceu com a minha encomenda e olhei para ela todo guloso, mas a coisa não ia ser fácil. Eu estava a ver a encomenda. Deitar-lhe a mão é que ia ser mais complicado:
– Senhor João, chegue aqui. Acenou ela com a caixa na mão. E eu, rapazinho bem mandado, cheguei.
– O Senhor João tem de ir na alfândega.
– E onde é isso?
– É aqui nesta porta. E indicou-me o caminho.
Eu entrei. Estavam ao fundo de uma sala enorme quatro agentes da polícia alfandegária, armados, que, durante todo o processo, só olharam. Ao balcão estava uma agente já com alguma idade. Pegou na caixa e perguntou:
-Posso abrir, senhor João?
Eu ainda hesitei… quer dizer, poder, poder, não podia, aquilo era correio privado, mas depois pensei que se lhe dissesse que não, ela ia abrir na mesma e, mais para o fim do episódio, até descobri o que acontece se dissermos que não podem abrir. Pedem-nos a nós para abrir. Ela abriu. Dentro da caixa vinha um saco de cartão fechado com agrafos.
– Posso abrir o saco, senhor João?
Nem respondi. A senhora já tinha aberto a caixa… ela percebeu e de faca em punho abriu o saco que, lá dentro tinha um envelope grande daqueles almofadados. A esta altura, quer os guardas, quer a senhora, estavam mesmo curiosos e à espera de qualquer coisa extraordinária.
– Posso abrir o envelope, Senhor João?
Sorri. Ela abriu. A desilusão foi geral. Afinal, ele era caixas, sacos e envelopes e só lá vinham uns marcadores de livros, uma carteirinha e uma pulseira. Ela olhou para mim, franziu o sobrolho assim como quem diz, Eu não desisto às primeiras, e atacou:
– Isso aqui é uma carteirinha?
– Pois, parece que sim. Também quer abrir?
– Abra o senhor João.
E eu abri e, para desespero geral, a carteirinha estava vazia. Foi então que, no meio dos presentes, surgiu uma folha de papel A4 dobrada e, visivelmente, com coisas escritas lá dentro. Ela deitou a mão à folha de papel e disse:
– Isso aqui é uma fatura?
– Não. Não é uma fatura, é uma carta da minha irmã, é privada e isso a senhora não pode abrir!
Ela percebeu que o caldo estava a entornar e percebeu também que era desnecessário um conflito porque dali não levava nada a não ser artesanato. E foi aí que resolvi testá-la. Como sei que os moçambicanos são genuinamente alegres e bem dispostos, sempre quis ver se aquela capa da fiscal durona que abre tudo resistia a um gesto simpático. E a coisa foi assim: agarrei na pulseira e disse-lhe:
– A senhora ajuda-me a colocar a pulseira? Dizem que as mulheres dão melhor os laços…
Ela largou-se a rir, agarrou na pulseira e enquanto ma atava ao pulso respondeu:
– Ah, o senhor também já ouviu dizer isso. Olhe que é bem verdade, as mulheres, quando dão o laço, amarram mesmo! – E largou-se a rir com a ambiguidade do que havia dito – Uma mulher quando amarra é para sempre, senhor João!
Ri-me com ela. Ela perguntou se podia deitar fora a caixa, o saco e o envelope e eu disse para me dar o envelope e deitar o resto fora. Ela chamou um dos guardas ao fundo da sala e disse:
– Estás a ver esta caixa? Vou deitar fora, és testemunha!
– Estás a ver este saco? Vou deitar fora, és testemunha!
E já tinha vestido outra vez a pele da fiscal.

Despedimo-nos e quando ia a sair, a primeira senhora que me atendera chamou-me:
– Senhor João…
– Sim…
– Tem um papel carimbado da alfândega?
– Tenho sim.
– Pode me dar?
– É todo seu.
– São 120 meticais, senhor João.

E pronto, lá paguei para receber o meu correio. Pedi recibo e fui à minha vida! Claro que não pude deixar de pensar que os procedimentos nos Correios foram semelhantes aos de uma fronteira, o que se entende, mas, admitamos, se estranha um pouco.

Obrigado, Mana, as coisas estavam em muito bom estado como as fotos documentam e o bilhete valeu mesmo a pena ser lido em primeiríssima mão pelos seus destinatários!
jpv

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