A Porta
Era uma vez uma porta que, em Moçambique, abria para Moçambique. Junto da porta havia um porteiro.
Chegou um indiano moçambicano e pediu para passar. O porteiro escutou vozes dizendo:
– Não abras! Essa gente tem mania que passa à frente!
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De novo, se escutaram protestos:
– Não deixa entrar, esses não são a maioria.
Apareceu um moçambicano branco e o porteiro foi assaltado por protestos:
-Não abre! Esses não são originários!
E a porta não se abriu. Apareceu um negro moçambicano solicitando passagem. E logo surgiram protestos:
– Esse aí é do Sul! Estamos cansados dessas preferências…
E o porteiro negou passagem. Apareceu outro moçambicano de raça negra, reclamando passagem:
– Se você deixar passar esse aí, nós vamos-te acusar de tribalismo!
O porteiro voltou a guardar a chave, negando aceder ao pedido. Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em inglês, com a carteira cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e meteu a chave no bolso. Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por aquela porta que, em tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.
Crónicas de Maledicência – A Síndrome Juncker
A Síndrome Juncker
Quem é Jean-Paul Juncker?
É o Primeiro-Ministro do Luxemburgo!
Então qual é a autoridade que lhe assiste para afirmar que “Portugal não pode ter uma crise política”?
Nenhuma.
Mas fá-lo…
Claro! Governar Portugal a partir de fora tornou-se numa moda, pior, numa verdadeira síndrome!
Poema do Homem Só

Poema do Homem Só
Já não sei fazer amor
Contigo.
E sinto nisto
Que digo
A imensa ameaça
E o verdadeiro
Perigo
De uma morte
Prematura
E antecipada.
O que fora tudo,
hoje,
É nada.
Onde germinava
O calor do
Estio,
Impera, agora,
O frio.
O nosso amor
É um quarto
Vazio.
jpv
Colar Cartazes
Maputo
E passa um chapa ruidoso
Que quase me atropela,
Atrás dele,
Desenha esses na estrada
Uma frenética chopela.
Passam carros com fulgor,
Estacionam num restaurante,
E, nesse mesmo instante,
Surge, solicito, o arrumador.
Vivem aqui
Sólidos e evitáveis
Desequilíbrios.
Uns pedem,
Outros dão.
E há nesta dança
Uma bruma de esperança.
Maputo é olhar em frente,
É uma terra
Semeada de gente.
É uma nação,
Um pátrio solo,
Um chão!
É a diferença
E a semelhança.
Maputo é mãe
De uma criança
Que ri e chora.
Maputo é todo
O tempo do mundo
E o tempo
É agora.
Crónicas de África em Imagens – Na Beira da Estrada
Crónicas de África em Imagens – Na Beira da Estrada
Maputo, 30 de abril de 2013
Caros Amigos e Leitores,
Os atrelados são quase tão comuns como os carros.
Há autocarros de passageiros com atrelado!
(50meticais = 1,25€)
Foram captadas por mim ou familiares.
Pode clicar para aumentar um pouco o tamanho.
Crónicas de África em Imagens – A Rota das Quedas de Água
Crónicas de África em Imagens – A Rota das Quedas de Água
Pilgrim’s Rest, África do Sul, 9 de janeiro de 2013
———————————————————
Menino de Rua
As Cores da Capulana
Menino de Rua
Menino de rua,
De pé no chão,
Mão estendida
E alma nua…
Que vontade
É a tua?
Que história
Por contar?
Que destino
Por cumprir?
Que amores
Por amar?
Que fugas
Por fugir?
Menino de rua,
De alma nua…
Um homem por perto,
Um sorriso aberto,
E no olhar,
Sempre a mesma
Dança
Do desespero
E da esperança.
Mão estendida
À procura de vida.
Uma vida
Maior do que tu,
Menino de rua,
De corpo semi nu
E olhar terno,
Menino de rua,
Filho do tempo moderno,
Que vontade
É a tua?
Que reflexo
Tem na gente
A tua alma nua?
Filho do povo,
Órfão do ritmo novo,
Vagueias com o pé
No chão
E o vazio na mão.
Estendida.
Que homem
Nascerá no teu corpo
Semi nu?
Que responsabilidade
Terás tu?
Como agarrarás
A vida,
Se a tua mão
Estava estendida
E o teu olhar
Concentrado
Nesse homem por perto
Que não viu
A floresta no teu olhar
E plantou um deserto?
Menino de rua,
De alma nua,
Que vontade
Será a tua?
Vendedeira de Medos
Vermelho Direto – Para que lado errou Capela?
Vermelho Direto – Para que lado errou Capela?

















































































