MPMI em Ritmo de Férias
Citação do GPS
Apátrida
Apátrida
A minha pátria
Não é,
Com certeza,
A Língua Portuguesa.
A Língua é a alma
Da minha vida,
O chão fértil
Onde renasço
Todos os dias,
O abraço das tristezas
E das alegrias.
A pátria é uma outra nação,
Um recanto inexplorado
No centro do coração.
Uma ânsia,
Uma busca
E uma incerteza.
Um grito contido,
Agrilhoado no peito.
Um menino perdido,
Sem destino
Nem jeito.
A minha pátria
É uma existência
Recôndita,
Uma caixa negra
De mistérios,
São mapas e planisférios
De dor e melancolia.
E, num dia de sol,
Uma vertigem de alegria
E criatividade.
A minha pátria sou eu.
E eu não sei que seja.
Nasci demasiado cedo
Para ter pátria.
Demasiado tarde
Para não tê-la.
Com demasiado vigor
Para esta terra.
Com demasiada suspeita
Para aquela.
Eu sou o senhor
De mim,
Desta terra sem fim
Que meu olhar percorre.
Eu nasço todos os dias,
E o que sou,
Todos os dias morre.
Caminho
Sem pressa
Nem promessa,
Sem longe
Nem horizonte.
Não sei para onde vou
Nem donde venho.
Já secou a água
Dessa distante e difusa fonte.
Eu sou o princípio e o fim.
A pátria e o apátrida
De mim.
jpv
Crónicas de Maledicência – Ponto da Situação
Distância
Distância
Lá longe,
De onde te não vejo,
Lá longe,
Onde nada é igual,
Lá longe,
Cresce o desejo
De beijar-te o chão,
Ó Portugal.
Lá longe,
Em terra de promessas,
Acabas a viagem
Que começas
Em teu extenso e claro areal.
Há essa distância
Que nos separa,
Essa estranha sensação,
E rara,
Que é ter-te sob os pés,
Erguido e inteiro,
E não deixar
De me sentir estrangeiro.
Ser português
É ser de todo o mundo,
Pisar a terra estranha,
Cruzar o céu azul,
Atravessar o mar profundo
À procura de não sei quê.
É encontrá-lo,
Voltar para junto de seu povo,
Dar dois sopros,
Embalar o olhar na esperança
E procurá-lo de novo.
Ser português
É perder-se
Numa ideia,
É reencontrar a coisa perdida
Semi-coberta pela areia
Duma praia salgada.
É reinventar tudo
Com as mãos cheias
De nada.
Ser português
É partir
E é regressar.
É sentir
No peito a saudade
Da Pátria distante e,
Voltando,
Nunca mais cá estar.
jpv
Ansiedade
Ansiedade
Ansiedade de pisar-te,
Ó terra.
Ansiedade da tua luz.
Ansiedade de alijar
Este fardo,
Afrouxar esta cruz.
Ansiedade das tuas ondas
Limando a costa.
O odor marinho,
O sol doirado,
A mesa posta.
Ansiedade de encurtar o tempo,
De fintar a distância.
Trabalha-me no peito
Esta ânsia…
De ti.
Ansiedade das pessoas
Nos cafés,
Dos jornais desportivos,
Das noites melancólicas
E dos dias festivos.
Ansiedade dos afetos
E da família,
Ansiedade de mim.
Esta errância há de acabar,
Ó terra,
Quando cobrires o corpo
Deste teu filho que erra.
jpv
Crónicas de Maledicência – A Carta de Paulo Portas e…
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Crónicas de Maledicência – As Cartas Estão na Moda
Citação da Penumbra
Amigos,
Enquanto não chega o capítulo completo, aqui fica um cheirinho…










