Eu sei que é um lugar comum agradecer-vos por estes 26 anos. Mas é obrigatório. São 26 anos de escrita e motivações que tenho de vos agradecer. 26 anos de motivações, de alegrias e tristezas. 26 anos de vida. E o que é um escritor sem quem o leia… um pouco mais que nada. Mas vós mantiveste a chama acesa, mesmo quando ela se quis apagar… A todos vós obrigado.
Aqui houve vida, morte, e tantas outras coisas de permeio.
São centenas de imagens. Podiam ser um trilião. Seria a mesma coisa.
Para além de uma das mais famosas e conhecidas ilhas gregas, Hydra tem um não sei quê que se sente no ar. É daqueles sítios que uma vez lá diríamos que ali vivemos aventuras inigualáveis para acabarmos sob uma cama quentinha e confortável. Cada chegada é como se fosse um regresso.
Os dias sem sol, que são poucos, é como se tivessem algo encantador. E o cheiro do mar está em todo o lado, até no peixe que comemos. E há pessoas a nadar despudoradamente nuas como se a Natureza fosse assim. E as casas têm um traço de história e conforto. E os restaurantes não têm aqueles preços proibitivos como se fosse a última vez que nos lá querem. Cada cobrança é um convite para uma próxima. E há uma peça que marca a escultura, como aquele sol sobre o oceano. E há as pessoas todas sob uma árvore centenária que nos cobre a todos. E há joalharia bizantina e grega, com suas figuras heróicas. E há um gato na rua a quem um miúdo puxa pela cauda. E há outro gato que pretende por causa porque dizemos que não gostamos de gato, só porque nos deram aquele abraço. E há as águas cristalinas, mesmo no porto, e as praias que fazem qualquer postal. E há um vinho branco e seco que deixa um aroma cheio. E há essas intermináveis filas de burros à espera. E claro, no meio disto tudo, não há carros. E os pequenos almoços… Não são continentais porque não há lá esse nome. São gregos. Começam com uma sopa e depois… faltam-me as palavras… têm tomate, azeitonas, sumo de frutas, tartes caseiras das salgadas e das doces… E há sempre o som de um barco-táxi que nos leva para muito longe ali mesmo ao lado. E há as conversas que deliciosamente não se entendem. Hydra não é um local, é uma coisa que se sente!
Hydra é uma porta interessante de todos os mundos para todos os mundos. É uma ilha onde tudo pode ser mais caro ou mais barato dependendo de quem esteja a pedir. Não tem um nível de vida caro, longe disso, e tem sempre a família do Hotel Mistral com uma solução para quase tudo.
É uma ilha no Mediterrâneo, Grega, e com todas as tradições que isso implica. Há milhares de gatos, todos gordos, anafados, podemos dizer, e tem uma classe de burros que servem o passeio, mas também como forma de transporte de pessoas e bens. Ou seja, à exceção das camionetas que transportam o lixo, é visivelmente proibido andar de carro. Pode-se ter muito ou pouco dinheiro mas de carro ninguém anda. Às vezes, nos trajetos mais longos na ilha, usa-se o táxi, que é, como se pode imaginar um taxi-barco.
E falta-me uma referência às portas. São as portas que fecham as casas, embora tal fosse desnecessário, mas não dão para dentro das casas, pelo menos a maioria. Elas dão para um quintal, e aí é que cada um escolhe a zona da casa para onde quer ir. Se alguém parte à porta, é aberta essa primeira porta. Fotografei sessenta e oito portas para poderem fazer uma ideia.
A avião é muito barato, e o preço do ferry boat também. E, parece mentira, mas cresce uma vontade de cá voltar.
A língua… É uma dificuldade, mas hoje em que quem não fala o inglês. Eu aproveitei e desenrasquei o Grego… Efxaristo polly…
O fins de semana são o que são. Dias diferentes que, com o passar dos tempos, ficam tão iguais como os outros todos. Há uma mesmidade que se plasma de fim de semana em fim de semana. Como se todos fossem iguais… Uns, é bom que o sejam, marcam a estabilidade dos dias, que há coisas seguras. Outros, ficarão para sempre guardados na nossa memória, precisamente, porque foram diferentes.
Ora, este fim de semana aconteceram coisas inusitadas. A Belinha viajou sozinha para Coimbra. Foi ter a Ângela, passou o fim de semana e voltou de novo sozinha. Que fizemos nós para que acontecesse este milagre?
Outra coisa, foi a visita inusitada e surpreendente do Santiago. Um ser humano, também meu aluno, com um caráter ímpar, minucioso, a quem seria possível ensinar qualquer coisa. Um amigo e uma presença sempre agradável de ter por perto.
E, se talvez pudesse classificar este fim de semana como normal, não seria justo porque houve coisas que o tornaram especial.
Não escrevi Sobre o castelo. Não é que me faltem os temas. É porque mos sobram. Hoje, contudo, pensei nele. As torres cortadas, Como num quadro japonês, A tinta da China. E as ameias Delineando o céu, Que na ocasião Não era azul, Era mais um acobreado medieval. E, naquela hora, se de lá saísse Um cavaleiro, Eu sentir-me-ia envergonhado, Pelas roupas fora de época. Foi só um Sol escondido Por trás de um monte de pedras. E foi algo real, Algo que queria viver E não pude. Estranhas, estas viagens no tempo, Sem sair daqui. Estranhos, esses castelos Que invocam cavaleiros Que nunca existiram. Nem eles existiram, Nem eu. E contudo, Hoje, encontrámo-nos.
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