Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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De Negro Vestida – XLIV

 

De Negro Vestida VIII

Está frio.
A sala é pequena.
Lá fora o sol brilha mas aqui não chega mais do que uma luz entrecortada que passa por um friso junto ao tecto. Ao centro uma bancada em mármore e em cima dela jaz Maria Olívia Vieira e Amaral com as cores da morte no corpo nu. Não obstante a situação em que se encontra, a mãe de Alberto tem um ar digno.
Maria de Lurdes chegou ao hospital com a credencial de autorização de levantamento do corpo, identificou-se, mera formalidade porque é este um ambiente onde a conhecem bem, dirigiu-se aos gavetões, procurou a etiqueta com a identificação da defunta mãe de Alberto, era a segunda a contar de baixo, tirou o corpo com a ajuda de dois colegas, colocou-o numa maca com rodas e levou-o para uma sala ao lado. Esta onde se encontra e a luz é difusa. Pediu aos colegas que saíssem:
– É mãe de um amigo, deixem-me fazer isto sozinha.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Semana

Semana

Não cabe a minha vida numa semana
Que uma semana é pouco
Para que viva de forma insana
Um coração desvairado e louco.
Anda cá e dá-me a tua mão.
Vem juntar ao meu, o teu olhar,
Vem ensinar-me a razão
De sentir-me, assim, perdido no mar.
Ondas encapeladas e revoltas,
Pensamentos a desfazer na areia,
Tudo em rimas livres e soltas
Numa imagem que me não sai da ideia.
És tu.
O brilho de uns olhos de água
Sou eu.
O peito que te afaga.

jpv


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Uma questão de vício?

Esta Bruni é soberba. Bem podia ter ficado solteirinha e a cantar para o pessoal!!!


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O Clã do Comboio – Antes Deprimida!

Por razões de trabalho, iniciei esta semana uma fase da minha vida em que todos os dias úteis faço duas viagens de 20min. de carro, duas viagens de 1,30h. de comboio e duas viagens de 25min. de autocarro. Ou seja, para ir e regressar são mais ou menos duas horas e um quarto para cada lado. E estou a adorar. Sobretudo o clã do comboio. Fica prometido que, se me lembrarem, farei um texto sobre o clã do comboio. Lá mais para a frente, quando o conhecer melhor.
Para já importa dizer que aquilo é um fervilhar de vida e conversas e cumplicidades e tiques e rituais… Por exemplo, sabem como se identifica tacitamente um membro do clã? É quando vem o revisor. Quem mostra o passe pertence ao clã, quem mostra um bilhete é uma ave de arribação!

–

Mas isto hoje tem outro motivo. É que o comboio é uma mina de conversas interessantes e até surpreendentes! Reparem nesta:
– Nunca mais tomo antidepressivos na minha vida. Nem que esteja para me atirar do comboio abaixo!
– Então porquê?
– Deprimem-me!
– Hã?! Estavas a dar-te tão bem com estes últimos.
– Pois mas deprimem-me e eu com a depressão ainda aguento mas o pior…
– Então?
– Inibem-me a libido.
– Aahh… Isso é normal…
– Pois, mas eu prefiro andar deprimida!


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Divindade

“A nossa divindade também passa pela aceitação dos nossos erros,
os que fizemos… os que fazemos … e os que o futuro nos reserva…”
VG


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De Negro Vestida – XLIII

 

De Negro Vestida – VII

As refeições são todas diferentes. Há as mais dignas para determinadas ocasiões e há as mais apropriadas para outras. Não há memória, por exemplo, de um pequeno-almoço à luz das velas. E nem é porque não possa esta refeição ser romântica, a prová-lo estão os anúncios publicitários a marcas de cereais que convertem este tempo do dia e esta refeição num diáfano, branco e transparente momento esquecendo a manteiga que sempre cai na toalha, o leite que sempre se derrama, a roupa que sempre se suja. Vem isto a propósito, não de um pequeno-almoço, mas de um jantar.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Cumplicidade


“Os limites da minha acção são definidos pela tua felicidade!”
João Paulo


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Aliteração

Aliteração

Fácil.
Fugaz.
Furtivo.
Festivo.
Fulgurante.
Fantástico.
Fenomenal.
Frondoso.
Fabuloso.
Feliz.
Fé.
Maçã.

jpv


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Há dias assim…

…em que teimamos mudar o canal da tv com o telefone na mão!
MM


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Manifestação

Manifestação

Eu manifesto-me por ti
E por ti entoo palavras de ordem,
São gritos de afecto,
Unhas que arranham,
Palavras que mordem.
Eu grito bem alto que amo e quero
E há neste grito anónimo
Um travo de desespero.
É que o Criador não atende
Esta minha reivindicação
De juntar ao que me vai no peito
O toque da tua mão.
Subo e desço a rua
Empunhando esta bandeira,
Espero pela hora tua
À minha própria maneira.
E faço gestos de loucura,
Pisando a estrada dura
Da vida.
Dou passadas de orgulho,
De certeza e temor,
Enquanto faço a minha
Manifestação de amor.

jpv