Author Archives: mailsparaaminhairma
"Com Amor," – Documento 7
"Com Amor," – Documento 6
Olá Rui,
Que me dizes a recomeçarmos?
Quando digo isto, quero dizer que podíamos reapresentar-nos um ao outro e começarmos o nosso conhecimento mútuo (quase) do zero. Eu apresento-me, tu apresentas-te. Dizemos aquilo que entendermos que é importante sobre cada um de nós e (re)começamos daí. Assim, podemos conhecer-nos evitando equívocos. E, sabes como é, com as tecnologias é fácil. A escrita facilita o que temos para dizer. Não achas?
Enfim, está lançado o desafio.
Verónica
"Com Amor," – Documento 5
Olá,
eu nunca disse que precisavas de um homem. O que eu disse foi que tinhas um problema de carência afectiva. Disse também que uma companhia podia ajudar-te a resolver esse problema e disse também que precisavas de amar. O que, afinal, vens agora reconhecer.
Sabes, eu não tenho tempo a perder. Tenho 46 anos, o tempo foge-me por entre os dedos e não quero mais desperdiçá-lo. O que tenho para dizer, digo. O que tenho para fazer, faço. Não se trata só de atrevimento, embora haja algum, trata-se, sobretudo, de viver. Disseste que o Amor era a tua religião. Pois bem, a minha é a Vida!
Outro Beijo
Rui.
PS: Vê lá se fazes as pazes com Deus. Deus, tal como o Amor, não nos abandona. Por vezes, nós é que nos fechamos a Ele, tal como ao Amor!
"Com Amor," – Documento 4
Rui,
Estou de volta. Pensei muito antes de escrever-te de novo, sobretudo porque se passou muito tempo. Mais de dois meses. O meu último mail foi uma reacção firme e intempestiva à forma como tinhas terminado o teu com um “Beijo”. Pensei logo que era o teu imparável atrevimento. Depois comecei a pensar que podia tratar-se só da coloquialidade de um beijo naturalmente oferecido, ou mesmo de uma simples forma de terminar um mail. Se foi isso, peço desculpa.
Acho que nós gostámos um do outro, penso até que criámos alguma admiração mútua, mas a partir do momento em que disseste que eu precisava de um homem, tudo se precipitou numa vertigem de agressividade em torno das nossas diferenças. Atrevo-me a escrever-te para que retomemos o processo de conhecimento mútuo, amizade, talvez, pela exploração do que nos une e atrevo-me a dar o primeiro passo.
Rui, de tudo que disseste, houve uma coisa em que estavas certo e preciso reconhecer-to. A minha honestidade e a minha integridade a isso me obrigam. Eu sou, de facto, uma mulher com urgência de amar! O amor é a minha religião, Rui, não tenho outra, não creio noutra. Em tempos, sim… mas isso são histórias antigas. Acontece que Deus abandonou-me, ou então esqueceu-se de mim… e eu tive de reinventar a fé. A minha fé é o amor, Rui. Mas isso não quer dizer que eu precise de um homem.
Espero que respondas.
Verónica.
O Clã do Comboio – Diversidades
Curtas do Metro – "Sandui-Chita"

“Sandui-Chita”
Não é bem uma curta do Metro. É mais à porta do Metro.
E também não é uma história. É só um apontamento.
Na estação do Cais do Sodré há um pequeno bar, daqueles feitos em materiais pré-fabricados, fica ali na confluência da saída do comboio, do barco e das escadas rolantes do Metro. Conclusão: tem muito boa frequência. Servem cafés, meias-de-leite, galões, bolos, sandes, croissans, chás, enfim, pequenos-almoços e refeições ligeiras. Chama-se “Sandui-Chita“.
Em Lisboa deve haver centenas de pequenos bares destes o que não justifica esta curta do Metro. O que a justifica então? Dois aspectos. A eficiência das senhoras que servem e a extrema simpatia do senhor que está na caixa. Ele é daquelas pessoas que marca a diferença porque faz das pequenas coisas, coisas especiais. Uma pessoa chega ali pouco depois das 8:30 da manhã, pede um café duplo e uma merenda, ele tem dúzias de merendas num tabuleiro, todas quentinhas porque acabadas de fazer, mas é bem capaz de dizer “Sai um café duplo e uma merenda quentinha bem especial para este senhor que está cheio de fome!” E aquela merenda deixa de ser mais uma em vinte e passa a ser a especial merenda quentinha. Tenho reparado que, das pessoas de circunstância, ele vai observando os hábitos de consumo das que lá vão passando mais vezes e quando faz os pedidos invoca a particularidade de cada um. Ora, no meio da turba de milhares de pessoas que chegam, que partem, que passam, nós deixamos de ser mais um e passamos a ser aquele, o tal, o da merenda especial.
Esta atenção e este cuidado merecem uma referência neste cantinho. Porquê? Óbvio. Porque vivemos tempos de impessoalidade e agressividade e no “Sandui-Chita” somos todos especiais e com especial simpatia tratados! Com merendas quentinhas!
jpv
Curtas do Metro – Separados

Separados
18:01h. Estação do Cais do Sodré na direcção Santa Apolónia.
O Metro está parado fazendo um compasso de espera antes de se pôr em marcha. Está cheio. Não cabe nem mais uma pessoa. Ou melhor, vai caber mais uma. Duas é que não. Chegou um jovem casal de namorados, a rondar os 17, 18 anos. Ele entra, o alarme de fechamento de portas soa, ela não entra, ele estende-lhe a mão, ela estende-lhe a mão, depois encolhe-a, ela não entra, seria difícil, mas não impossível, ele não sai.
E é isto que eu não percebo. Isto e o que se passou a seguir.
Ela acenou-lhe e fez uma cara triste. Ele acenou-lhe e riu-se. Mas, afinal, o tipo estava a rir-se de quê?
jpv
O Regresso da Estranha
O Regresso da Estranha
Sabes, o teu regresso
Não foi inesperado.
Um homem sabe
Que volta sempre
O sorriso anunciado.
E que trouxesses
Alguma surpresa,
Disso, não tinha a certeza.
Só sabia que vinhas.
E acordaste o que estava
Adormecido.
Um sentimento longínquo,
Mas não perdido.
Uma incerteza, talvez.
Era a natural ânsia
De ver-te sorrir outra vez.
E houve vida em mim.
Cantaram meus anjos,
Dançaram meus demónios
E todos se juntaram
Na comunhão de ti.
Tu, que não me conheces,
Mas a quem eu vi,
Regressaste.
E o teu regresso
Foi meu mudo sucesso.
jpv






