Quadra ao Amarelo
Por entre o casario
Simples e singelo
Desliza, estridente,
O eléctrico amarelo.
jpv
Por entre o casario
Simples e singelo
Desliza, estridente,
O eléctrico amarelo.
jpv
Meu Homem Rui,
Será que nos vemos na próxima semana? Inscreveste-te? Será que posso sonhar com o vigor da tua doce masculinidade fazendo de mim mulher inteira? Será que vou ver-te, cheirar-te, tocar-te? Será que és mesmo diferente? Será que posso olhar de novo os homens e pensá-los na minha vida? Será que há para nós mais do que e-mails e encontros furtivos e espaçados no tempo de desejar-te? Será que há vida melhor do que esta?
Não sei, meu homem Rui, é já tão bom, tão delicioso, tudo o que temos e contudo vai-me parecendo pouco…
Vivemos tempos difíceis, Rui, de gentes cinzentas e acabrunhadas com a vida toda nos ombros e é como se ficasse mais difícil respirar o ar da felicidade. É como se houvesse em mim um desejo irreprimível de aceitar as coisas boas da vida e incluir nelas os homens e acreditar que tudo pode mudar entre as pessoas e, ao mesmo tempo, não sentir esta culpa…
Há culpa em mim, Rui. Por ser feliz. Será que é mesmo possível olhar o horizonte e ter esperança?
Temo, Rui, temo acreditar na Humanidade e mais uma vez desiludir-me.
Tenta vir até mim, meu homem Rui. Preciso dos teus braços à minha volta.
Com Amor,
Verónica.
Fui efetivamente surpreendido pela festa no meu aniversário. Não sabia nem esperava nada no género. Vocês transcenderam-se e pelo facto fiquei e estou muito grato. Nada como sermos colocados perante situações destas para se ver como uma sã amizade nasce e frutifica…
No dia em questão, em que cheguei aos 47 e não 48, a MV julgou ou pensou que eu estava «esquisito». Cansado, sim, estupefacto, também, contente e muito agradecido com a lembrança muito mais.
A todos estou muito agradecido.
E é claro, caro «escrevedor», que me irei redimir com uma caixinha de celestes. Naquele dia, não era para nenhuma chefia, como foi aventado, até porque eu não sou nem nunca fui de dobrar as costas. «Antes quebrar que torcer…»
O que no dia 9 levei foi a quantidade necessária para entre os pares e entre todo o pessoal que trabalha na mesma Direção pudessem comemorar comigo esse particular momento.
Assim sendo, a promessa que vos fiz no comboio foi a de que iria levar, num outro momento, uns celestes. E eu faço e cumpro o que digo. Assim sendo, numa próxima viagem lá iremos trincar uns docinhos…
Aos meus amigos do clã do comboio aquele especial e saudoso cumprimento. Aos restantes, que nos aturam, um apelar à vossa paciência e a que se envolvam, para assim minimizarem o efeito do passar do tempo e da perda que é o se poder começar o dia a rir, em vez de continuar com aquele ar sorumbático e sonâmbulo pelo qual tantos ficam caraterizados.
Um bem hajam
RB”

Gosto de ver-te assim,
Entregue a nada
Abandonada a mim.
Fica desenhado
Nesse teu desleixo
O ar apaixonado
Duma quadra do Aleixo.
És mulher e menina
E tens nessa figura fina
Tudo o que me encanta.
Tudo o que me surpreende
E espanta!
jpv

Não é em ti que penso
Mas nos teus gestos,
Não é a tua figura fina
Que rememoro,
Mas as posições que te apanho
Na distracção dos dias.
Aquele olhar que fazes quando pensas,
A forma como franzes a testa
Quando procuras
O que não encontras.
As meias que vestes
Nas pernas nuas,
O corpo abandonado ao sono
Após as carícias.
E são estas as delícias
Que levo da vida.
Outras não quero.
É aquela ponta de cabelo
Por apanhar.
Aquele teu ar
Desentendido
Que transpira um amor sentido.
Não é o quadro geral
Da tua formosa figura
Que ando à procura.
São os detalhes,
Aquelas expressões
Que não preparas.
Aquelas imagens raras
De ti
Que vivem em mim
E me alimentam…
Este amor sozinho e louco
Que sendo já tanto
Me sabe sempre
A tão pouco.
Não é a pessoa
Partilhada e pública
Que recordo.
É a amante exclusiva e privada
De dar-me a vida a conhecer,
Um amor inteiro a amar.
E vive nestes pormenores
À sombra de coisas maiores
O que realmente interessa nesta passagem.
A vida vivida,
E sentida,
A única que faz parecer eterna
A efémera viagem.
jpv

Não sou desta vida.
Não conheço estas palavras.
Não tenho estes juízos.
Não são minhas
Estas determinações.
Não vivo nestas ideias
Nem navego estas ilusões.
Há na minha vida
Uma vida que não é minha.
E sei que vive algures
Uma vida que não sabia que tinha.
Não cresce em mim
Esse mundo que construíste,
Não chega a ter fim
Porque não conheço o que sentiste.
Minha vida é um terreno árido,
Seco, estéril e abandonado.
E tudo o que falta neste deserto
Vive em verdejante e longínquo prado.
Queria tanto,
Queria mesmo tanto
Que não sofresses.
Queria que percebesses
Que não és tu.
São as palavras,
As que digo e te não tocam,
As que dizes e me não importam.
São só as palavras
E as palavras são um mundo
Onde se esconde este sentir profundo
Que vive adormecido.
Faltam-lhe só as palavras
Para acordar e ser vivido.
jpv
Seu Guia de Inspirações e Reflexões Diárias
Ensaios e reflexões.
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We declare the world as our canvas
As featured in Olympus Passion Magazine and on The Art of Photography
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